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Turismo responsável e sustentável: reflexões e dicas práticas

Dicas Práticas | 02/05/19 | Atualizado em 08/08/19 | Deixe um comentário

Quando você planeja uma viagem, pensa no impacto que vai ter no destino? Durante e depois das suas férias, costuma refletir sobre suas responsabilidades como viajante? O turismo responsável é um conceito que deveria ser redundante, mas infelizmente ainda não é. Afinal, muitas viagens trazem mais impactos negativos que positivos pra os lugares que visitamos. Mas o que podemos fazer a respeito?

Turismo responsável: vamos falar sobre isso?

Criei esse blog em 2012 com o objetivo de falar sobre “viagens pra dentro e pra fora”. Minha ideia era aliar dicas práticas de turismo com reflexões sobre como as viagens podem ser usadas como ferramentas de transformação pessoal. Afinal, viajar (principalmente sozinha) mudou muito minha vida.

Naquela época eu já tinha consciência social e tentava, também, aprender e respeitar os lugares que visitava. Mas foi só nesses últimos anos trabalhando full time como blogueira de viagens que me dei conta da dimensão dos problemas que o turismo provoca mundo afora e do meu papel nesse cenário aí.

Acredito que a maioria das pessoas vê viagens como merecidos momentos de descanso e descontração. Afinal, quase todo mundo viaja nas férias e feriados, aproveitando pra fugir da rotina e das preocupações do trabalho, né? E não há nada de mau nisso por si só.

O problema é quando isso nos faz esquecer que os lugares que visitamos não estão lá só pra servir a nosso divertimento ou contemplação. Pessoas moram e trabalham neles e existe todo um ecossistema ali que sente o impacto da nossa presença, por mais que a gente acabe esquecendo.

trilha no mangue na colômbia

Impactos negativos do turismo

Sim, o impacto do turismo pode ser maravilhoso pra os destinos. Ele pode trazer emprego e geração de renda, contribuir com educação e troca de conhecimentos, incentivar o empreendedorismo e estimular, tanto pela consciência quanto pela entrada de grana, a preservação da natureza.

Mas, como em toda indústria, também existem efeitos negativos. E apesar de ter uma força econômica gigante (o setor é responsável por 10% do PIB mundial), o turismo costuma ter seu poder subestimado em comparação com outras indústrias, com poucos estudos e regulações.

Enquanto isso, seus impactos negativos vão crescendo em vários âmbitos. No sentido ambiental, por exemplo, já se detectou que o turismo é responsável por 8% da emissão de gases de efeito estufa no mundo. Sem falar na degradação de inúmeros ecossistemas e no uso (quase sempre cruel) de animais em atrações.

No aspecto cultural, acontece muitas vezes uma mercantilização de manifestações tradicionais, que são transformadas em espetáculos e “zoológicos humanos”.

No ponto de vista econômico, a promessa de “geração de renda” quase sempre se mostra falsa. Afinal, a grande maioria do dinheiro gasto com o turismo vai pra países do Norte global (a.k.a. “desenvolvidos”), servindo pra aumentar a riqueza de quem já é rico. Muito pouco fica, de fato, com a população local.

E o turismo massivo gera ainda inúmeros problemas em cidades como Veneza, Paris e Barcelona, como o aumento absurdo nos preços dos aluguéis e deterioração de espaços públicos.

turismo responsável e sustentável

Por um turismo com responsabilidade

Felizmente, cada vez mais empresas, governos e viajantes parecem se dar conta de que o turismo precisa ser desenvolvido de maneira responsável. Só assim ele pode contribuir pra sustentabilidade ambiental, cultural e social de cada destino, permitindo que as próximas gerações também possam curtir tudo que ele tem a oferecer.

O turismo responsável (ou sustentável, consciente, ético ou como quer que você prefira chama-lo) não é um nicho dentro do turismo. É, sim, um olhar consciente que pode – e deve – ser aplicado a qualquer viagem.

De acordo com o Ministério do Turismo, “turismo sustentável é a atividade que satisfaz as necessidades dos visitantes e as necessidades socioeconômicas das regiões receptoras, enquanto os aspectos culturais, a integridade dos ambientes naturais e a diversidade biológica são mantidas para o futuro”.

O movimento de reflexão sobre turismo responsável “aconteceu lá pela década de 1970, período em que se começou a sentir os efeitos do boom turístico que se iniciou na década de 50”, de acordo com esse texto do blog Tempos de Gestão. Hoje, o incentivo ao Turismo Responsável é uma das linhas de atuação do Plano Nacional de Turismo 2018-2022 do Ministério do Turismo brasileiro.

A ideia é garantir que a presença dos turistas melhore aquele lugar e a vida das pessoas que moram ali. Pra que o turismo seja uma relação de ganha-ganha, é preciso que os turistas, funcionários, empresas, comunidades locais e organizações governamentais e não governamentais trabalhem em prol de um turismo responsável.

Isso passa pela criação de regulamentações e planos de desenvolvimento sustentável dos destinos e também por uma série de pequenas ações que ajudam a fortalecer as comunidades e conservar o meio ambiente.

Entre outras questões, é importante considerar se o dinheiro gasto pelos viajantes chega à população local, quais são os efeitos da sazonalidade na vida das comunidades, qual o impacto da presença humana naquele ambiente, se os direitos trabalhistas estão sendo respeitados na cadeira turística etc.

Muita gente acha que viajar de forma responsável é difícil ou chato. Realmente não é a coisa mais simples do mundo ter que parar e pensar sobre nossas ações. É preciso um mínimo de esforço pra questionar o que nos é vendido, fazer pesquisas e procurar ir além da caixinha.

Mas o turismo responsável não apenas nos permite viajar com a consciência mais tranquila como também costuma nos proporcionar experiências muito mais ricas do que quando viajamos de forma “automática”, seguindo o esquema padrão do turismo de massa. Assim, voltamos de viagem com uma bagagem mais rica, levando não só fotos e souvenires, mas também aprendizados.

interação com moradores faz parte do turismo responsável

Conteúdo sobre turismo responsável

Quer saber mais sobre turismo responsável? Dá uma olhada no que já publiquei sobre o assunto aqui no blog:

Dicas de turismo sustentável

Uma compilação de dicas pra ser um turista mais consciente, como pesquisar muito, escolher empresas com práticas sustentáveis, evitar usar carros, consumir produtos locais, preferir alimentos regionais, levar garrafa d’água e sacola reutilizáveis, ser responsável com sua produção de resíduos, respeitar a natureza e os moradores, vivenciar a cultura local e evitar atrações que promovam interação com animais. Clique pra ler.

Turismo responsável no Brasil

Quer fazer com que suas viagens pelo nosso lindo país tenham um impacto positivo não só em você, mas também nos lugares que visita? Tem muita gente promovendo turismo em comunidades carentes de grandes cidades, em aldeias indígenas, em quilombos e em muitos outros cenários incríveis desde o litoral à Amazônia. São opções pra vários gostos e orçamentos, mas com algo muito importante em comum: o respeito pelos lugares e pelas pessoas.

Conheça dezenas de projetos e organizações que promovem um turismo responsável em várias partes do Brasil.

Turismo irresponsável: coisas que fiz viajando e me arrependo

A sensação de olhar pra trás e perceber que você fez coisas das quais se arrepende é péssima. Mas pior seria continuar repetindo as más escolhas, né? E melhor ainda é aprender com os erros dos outros e evitar cometê-los também.

Por isso, expus nesse post algumas atitudes minhas em viagens passadas de que não me orgulho nem um pouco e que considero exemplos de um turismo irresponsável. Clique pra ler.

Turismo com animais

Quase todo mundo que procura atrações turísticas com animais faz isso porque gosta dos bichinhos, né? Mas infelizmente, muitas vezes essas atrações são prejudiciais pra eles e a gente não faz ideia. Com base nas recomendações de especialistas, expliquei alguns problemas do turismo com animais e dei dicas pra você ser um turista responsável nesse sentido. Clique pra ler.

Turismo de base comunitária: o que é e por que você deveria viajar assim

A ideia do turismo de base comunitária (TBC) é promover um turismo mais justo, que coloque a população local no protagonismo e leve em consideração a sustentabilidade social e ambiental das atividades. Quer saber mais sobre esse conceito e sobre como viajar assim? Clique pra ler.

Turismo sexual infantil

A a Unicef calcula que 1,8 milhão de meninos e meninas são vítimas de turismo sexual no mundo. E pesquisadores da área afirmam que “o turismo sexual não pode ser visto isolado do desenvolvimento do próprio turismo. Sua existência está intimamente vinculada aos modelos de desenvolvimento da atividade historicamente constituídos”. Leia o texto para saber mais sobre o turismo sexual infantil e o que podemos fazer a respeito desse grave problema.

Voluntariado no exterior: por que você pode atrapalhar mais que ajudar

Viajar pra fazer trabalho voluntário pode parecer superlegal e altruísta, né? Mas às vezes as aparências enganam, e essa prática pode atrapalhar muito mais do que ajudar. Suas intenções podem ser as melhores possíveis, mas é preciso tentar enxergar o que está por trás e considerar várias questões éticas nesse processo.

Afinal, as consequências negativas vão desde questões mais subjetivas como a criação de obstáculos pra o desenvolvimento local a temas indiscutivelmente criminosos como o incentivo ao tráfico de pessoas, como expliquei nesse post. Clique pra ler.

Como ser voluntário no exterior de forma ética

Quer dizer, então, que todo trabalho voluntário no exterior é prejudicial? Não é bem assim, mas na hora de fazer uma viagem desse tipo é importante se certificar de que suas ações não tragam mais prejuízo do que benefícios.

Quer conferir dicas pra praticar o volunturismo sem contribuir com os problemas mais frequentes dessa prática, com base em recomendações de especialistas? Clique pra ler.

Quando a troca de trabalho por hospedagem vira exploração

Além do voluntariado propriamente dito, com fins sociais, muita gente tem viajado através de programas de work exchange, trocando trabalho por hospedagem e outros benefícios, como refeições. Mas será que é tudo sempre tão bonito como parece?

Viajei assim três vezes, conheço muita gente que o fez também e sou entusiasta desse tipo de viagem. Mas nem sempre a troca de trabalho por hospedagem traz benefícios pra o viajante e pra comunidade do destino. Falei aqui sobre possíveis problemas dessa prática e dei algumas dicas pra evita-los. Clique pra ler.

Turismo criativo: viagens com foco em experiências

O modelo de turismo de massa consolidado não dá conta de tudo que os lugares e seus moradores têm a oferecer, nem de tudo que os visitantes mais exigentes procuram nas suas viagens. Além disso, muitas vezes traz mais prejuízos que benefícios pra os destinos, como já mencionei aqui.

Felizmente, existem muitas formas de viajar que tentam ir na contramão desses problemas. Como, por exemplo, o chamado Turismo Criativo, que foi tema desse post. Clique pra ler.

turismo criativo

Por que o turismo pode fazer mal ao mundo

Além de todo o conteúdo aqui do blog, também escrevi pra o site Papo de Homem sobre os malefícios que o turismo pode trazer, quando feito de forma irresponsável. Falei sobre deterioração do meio ambiente, exploração cultural, turismo sexual, desequilíbrio econômico e overtourism, incluindo vários links interessantes e dados de fontes oficiais. Confira o texto lá no Papo de Homem.

Iniciativas de turismo responsável

Por fim, vou reunir aqui os posts que escrevi sobre projetos de turismo responsável em destinos específicos que pude conhecer pessoalmente. Essa lista vai ser atualizada constantemente.

Como conhecer a Amazônia de forma sustentável e ética

Turismo de base comunitária na Bomba do Hemetério, no Recife

Tour guiado para conhecer a transformação da Comuna 13, na Colômbia

Tours guiados em Manaus e vivências com comunidades ribeirinhas na Amazônia

Tem dicas de textos, vídeos, publicações, projetos, tours ou qualquer outra coisa legal relacionada a turismo responsável? Manda aí nos comentários!

Crédito das fotos do post, com exceção da foto dos pés: Pexels – licença Creative Commons Zero (CC0)

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