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Turismo sustentável: como ser um viajante mais consciente

Dicas Práticas | 01/12/17 | Atualizado em 03/11/18 | Deixe um comentário

Ah, o turismo. Essa coisa linda, que pode transformar a gente e os lugares pra melhor. Gera empregos, une as pessoas, muda visões de mundo. Mas também pode, vejam só, destruir o meio ambiente, prejudicar os habitantes do destino e fazer mal a animais.

Já parou pra pensar no impacto daquela sua viagem de férias? Analisou suas atitudes de forma crítica e viu se fez algo errado? Sim, porque certamente você já teve atitudes negativas quando estava passeando por aí, assim como eu e quase todos os viajantes que conheço. Mas sempre é tempo de se informar e tentar adotar práticas de turismo sustentável.

E quanto antes, melhor, porque esse negócio de viajar tá crescendo muito. Muito mesmo! Desde 2009, a quantidade de pessoas circulando entre países tem aumentado uns 4% ao ano, de acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT).

Enquanto em 2000 o número de viajantes internacionais era “só” 674 milhões, a previsão é que chegue a 1,8 bilhão até 2030. E ainda segundo eles, o turismo é responsável por cerca de 10% da atividade econômica mundial, representando 1 em cada 11 empregos no mundo. Então esses números devem ser comemorados, né? Sim, mas apenas se esse processo for, como disse ali em cima, sustentável.

Tá, mas o que seria isso? De acordo com o Ministério do Turismo, “turismo sustentável é a atividade que satisfaz as necessidades dos visitantes e as necessidades socioeconômicas das regiões receptoras, enquanto os aspectos culturais, a integridade dos ambientes naturais e a diversidade biológica são mantidas para o futuro”.

Esse ano que tá acabando foi declarado pela ONU como Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento e o assunto tá cada vez mais em voga (ainda bem!), mas ainda tem muito trabalho a ser feito.

praia cheia de pessoas

E o trabalho cabe a todos os envolvidos, né? Começando pelo governo, que precisa desenvolver políticas públicas pensando no impacto do turismo a longo prazo. Em muitos lugares os efeitos do turismo de massa já começam a ser sentidos e é preciso agir o quanto antes.

Um exemplo é Dubrovnik, na Croácia, que como mencionei neste post tem recebido um número altíssimo de visitantes. Por isso, a Unesco solicitou que se estipule um limite de pessoas circulando a cada dia dentro dos muros da cidade histórica.

Os moradores de Veneza, na Itália, também estão preocupados com a preservação da estrutura física da cidade, que recebe cada vez mais navios de cruzeiros. Sem falar no limite de visitantes por dia em Machu Picchu, outra exigência da Unesco, que não tem sido respeitado.

Leia também:

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Menstruação e viagens: porque usar o copinho coletor

Também é preciso exigir responsabilidade das empresas do setor de turismo, que devem não só promover suas atividades com o mínimo de impacto possível, mas também se esforçar pra contribuir com o local onde estão inseridas. Não adianta, por exemplo, um hotel se preocupar com o consumo de água (que também dói no bolso deles) e manter práticas de mercado que representem um risco ao modo de vida da população.

E aí chego, por fim, no papel que eu e você temos nessa história. É fundamental que cada turista aja de forma mais consciente, fazendo escolhas sustentáveis nas suas viagens. Além das pequenas ações somadas terem um impacto bem grande, transformar isso em tendência ajuda a fazer com que hotéis, agências de viagem e todos os outros envolvidos na cadeia do turismo incorporem mais práticas sustentáveis.

Quer algumas dicas pra colocar esse tal de turismo sustentável em prática na sua própria viagem? Olha só:

Pesquise, pesquise, pesquise

Tem gente de má fé em todo canto, mas acredito que a falta de informação é a maior razão pra que viajantes perpetuem práticas prejudiciais e até criminosas nas suas viagens. Por isso, pesquisar sobre os passeios que você pretende fazer e os lugares onde vai se hospedar e que vai visitar é a melhor forma de evitar ter uma atitude nociva sem querer – coisa que eu mesma já fiz várias vezes.

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Escolha empresas com práticas sustentáveis

Além de descobrir que aquele passeio que parecia inofensivo faz algum mal ao meio ambiente ou à comunidade, a pesquisa pode te fazer achar empresas com práticas de responsabilidade social ou eficiência ecológica. Uma referência é o Mapa de Turismo Sustentável no Brasil, que mostra iniciativas vencedoras e finalistas do Prêmio Braztoa de Sustentabilidade, promovido pela Associação Brasileira de Operadoras de Turismo e chancelado pela OMT.

Tem também o Guia Garupa do Brasil Autêntico, elaborado por uma plataforma de crowdfunding focada em turismo sustentável. E agências que trabalham com base no turismo comunitário, como a Turismo Consciente, recomendada nesse post do blog Chicken or Pasta sobre uma experiência linda na Ilha de Marajó.

Sem falar nas muitas informações que estão espalhadas por aí, podendo ser encontradas através de outros viajantes e moradores dos destinos que você quer visitar. Um exemplo é esse relato de experiência com turismo de base comunitária no Jalapão e os comentários do post, em que uma leitora menciona organizações como a Rede Tucum, do Ceará.

Também vale a pena ficar de olho em rankings e certificados, que têm sido desenvolvidos por governos, ONGs e entidades privadas pra atestar o compromisso ambiental ou social dos estabelecimentos. Alguns exemplos são a Certificación para la Sostenibilidad Turística (CST), da Costa Rica, a Ecolabel, da Comissão Europeia, e o Global Sustainable Tourism Council.

vendedor e cliente no mercado

Priorize voos diretos

Esse item nem sempre é possível por questões práticas e financeiras, mas vale ter em mente: ao priorizar um voo direto, além de economizar tempo e evitar cansaço você reduz as emissões de carbono.

Evite usar carros quando possível

Em algumas viagens só o carro resolve mesmo, mas sempre que possível aproveite pra caminhar, andar de bicicleta ou usar o transporte público. Se tiver que ir motorizado, escolha o modelo mais econômico e planeje bem a rota pra reduzir o consumo de combustível. Também pode ser interessante dar carona pra outros viajantes, como mencionei nesse post sobre turismo colaborativo.

Consuma produtos locais

Desde a hospedagem aos souvenires, tente dar preferência àqueles cujo lucro vai pra os moradores locais. Isso envolve escolher hotéis, pousadas ou albergues que não façam parte de grandes redes de hotelaria, comer num restaurante local em vez de ir naquela grande cadeia internacional e valorizar o artesanato produzido no destino. Além de ajudar a comunidade, os produtos e serviços locais carregam muito da cultura e podem oferecer experiências mais ricas.

legumes em um mercado

Informe-se sobre a origem dos produtos

Mas tem um detalhe: isso não quer dizer comprar qualquer tipo de lembrancinha que seja oferecida porque é “típica” do local. Percebeu que o souvenir foi feito usando artefatos históricos ou causando danos à natureza, tipo aquele colar lindo de estrela do mar ou itens feitos a partir de presas de animais? Passe longe.

Prefira alimentos regionais

Além de ser uma delícia conhecer um lugar novo pelo estômago, ao comer alimentos produzidos na região visitada o seu consumo tem menos impacto. É que assim os itens provavelmente levam menos produtos químicos e são transportados por distâncias mais curtas – além de levar dinheiro pra o bolso do produtor local.

Leve garrafa d’água e sacola reutilizáveis

Essas são duas manias minhas mesmo na minha cidade, mas viajando acho essencial por questões de praticidade e economia, além da consciência ambiental. Tenha sempre na bolsa uma garrafa d’água reutilizável e uma ecobag daquelas que ficam pequenininhas. Assim, você evita a geração de resíduos plásticos, que são péssimos pra o meio ambiente.

Fique atento aos resíduos

Falando em resíduos, vale a regra básica da educação (que muita gente insiste em ignorar): mantenha os lugares sempre limpos. Quando for fazer uma trilha ou visitar uma praia, não se esqueça de levar um saquinho pra guardar o lixo, e se possível recolha também os resíduos que eventualmente encontrar no caminho. Além disso, procure saber se é feita coleta seletiva no lugar visitado. Se for o caso, separe o lixo do jeito certo.

Não interfira na natureza

Ao fazer trilhas, permaneça sempre nos caminhos já demarcados, evitando assim a erosão de outras partes. E lembre-se sempre daquela frase escrita em plaquinhas em várias praias por aí: “tire apenas fotos, deixe apenas suas pegadas, leve apenas suas lembranças”. Não leve plantas, conchas e pedrinhas pra casa: parece um ato inocente, mas se todo mundo fizer isso, pode causar um impacto ambiental.

deixe apenas pegadas

Respeite as regras

Siga também as outras regras estabelecidas nos passeios ou atrações que visitar. Se não puder tirar fotos com flash, tocar nos objetos ou paredes ou entrar no ambiente usando shorts ou com ombros à mostra, por exemplo, respeite as normas do local.

Vivencie a cultura local

Conhecer as pessoas que moram num destino torna qualquer viagem muito mais rica. Procure entender as festas religiosas e eventos, ouvir histórias tradicionais, vivenciar o dia a dia da população. Se possível, procure um guia local.

Projetos de turismo de base comunitária são ótimos pra esse tipo de imersão: desenvolvidos levando em consideração as necessidades da população, muitas vezes eles são administrados pelas próprias comunidades, que têm no turismo uma fonte de renda complementar, sem abrir mão de suas atividades originais.

Respeite os moradores

Mas essa interação toda também não pode ser feita de qualquer jeito. Se esforce pra respeitar os moradores e não seja invasivo. Peça permissão pra tirar fotos das pessoas, por exemplo. Pesquise sobre costumes e tradições locais, pra entender melhor a comunidade e saber se existe algum comportamento seu que poderia ser ofensivo.

Muitas manifestações culturais tradicionais acabam sendo alteradas pela presença de turistas, como mostra esse relato do blog Viaggiando sobre a Ronda das Almas em Luang Prabang, no Laos.

Também acontece de uma comunidade se descaracterizar pra atender aos visitantes, criando uma espécie de “encenação” que pouco tem a ver com sua cultura original. Às vezes é difícil entender onde fica a “linha” que separa a valorização da intromissão ou exploração, mas acredito que precisamos tentar.

Evite o desperdício de água

Além das medidas que já devemos tomar no dia a dia, como tomar banhos curtos e fechar bem torneiras e chuveiros, outras atitudes podem ajudar a evitar o desperdício de água em viagens. Avise ao staff da hospedagem caso verifique um vazamento e só peça pra ter toalhas e lençóis trocados se for realmente necessário.

Evite o desperdício de energia

É uma delícia chegar cansado no quarto de hotel depois de um dia andando no calor e encontrar o ar condicionado geladinho, né? Mas também é um baita desperdício de energia. Ao sair pela manhã, desligue o ar, a TV e as luzes.

Tente viajar leve

Sabia que além de mais prático e confortável, viajar leve é mais ambientalmente amigável? Com menos bagagem fica mais fácil pegar transporte público em vez de táxi, e malas mais leves gastam até menos combustível dos aviões.

Respeite os animais

Visitar atrações que fazem mal a animais está entre os pecados mais comuns dos viajantes. Muitas vezes não sabemos em que condições os bichinhos vivem, mas é importante procurar saber antes de financiar ou estimular uma atividade potencialmente nociva.

Por exemplo, eu já andei de elefante, vi show de baleias no Sea World e fui naquele zoológico horrível perto de Buenos Aires em que você pode tocar em leões. Tudo isso antes de ter consciência de que em todos os casos os animais tão sofrendo pra fazer os turistas se divertirem. Me arrependo muito, mas o importante é tentar não repetir os erros, né?

Não que qualquer atração com animais seja do mal: existem espaços dedicados à conservação de espécies, ou que cuidam de animais resgatados do tráfico, por exemplo.

Um exemplo é o tratamento dado a elefantes na Ásia: os passeios em que você fica sentado em cima dos bichos só é possível porque eles são submetidos a torturas desde bebês, como conta o pessoal do 360 Meridianos. Mas existem outros locais onde esses animais são cuidados e princípios éticos são respeitados. Aí volto pra o ponto inicial desse post: se jogue na pesquisa!

elefante caminhando

E você, também já teve atitudes nada sustentáveis ao viajar? Tem outros hábitos de turismo sustentável pra compartilhar? Conta aí nos comentários!

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