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Recife: turismo comunitário na Bomba do Hemetério

Pernambuco | 10/12/15 | Atualizado em 30/01/20 | 2 comentários

No Recife, é sempre Carnaval! É o que descobrem os participantes da vivência turística pela Bomba do Hemetério, bairro da Zona Norte de onde saem 40% das agremiações carnavalescas da cidade. Eu fiz o passeio em 2015, organizado pela agência Loa Turismo de Experiências, durante o Encontro Internacional de Turismo Criativo. E aprendi um pouco sobre um lugar tão perto de onde eu vivo, mas tão longe do meu dia a dia.

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Você, recifense, sabia que o nome do bairro se refere a uma bomba d’água que pertencia a um tal de Seu Hemetério e era usada pelos moradores pra se abastecer? E você, turista, sabia que nessa região se encontra um dos terreiros mais antigos do Brasil e que lá você pode ver apresentações de maracatu, afoxé, caboclinho e muito mais?

O passeio ajuda a apresentar ao visitante – e aos recifenses, por que não? – um Recife mais real, indo além de clássicos cartões-postais como a praia de Boa Viagem e o Recife Antigo. É, também, um exemplo interessante de uso do turismo pra o desenvolvimento de uma comunidade. Massa, né?

A semente dessa história foi o programa de desenvolvimento social Bombando Cidadania, realizado pelo Instituto Walmart entre 2008 e 2013. Em parceria com o poder público, empresas privadas e ONGs, o programa levou à Bomba (já me sinto íntima, olha pra isso) ações relacionadas a cultura, educação, geração de renda, meio ambiente e saúde, formando agentes de desenvolvimento local. Se quiser saber mais sobre o programa, clique aqui.

O resultado, segundo informaram os moradores durante a vivência, foi bem positivo. Nos últimos anos, um bairro que só costumava ocupar as páginas de jornais ligado a notícias negativas começou a ser visto por sua riqueza cultural. A comunidade ganhou mais autoestima, e um dos pontos de transformação foi justamente o turismo. Em um projeto formatado em parceria com a Loa, o Ministério do Turismo e outros atores, foram desenvolvidos diversos roteiros, operados pelo centro de cultura e artes Universidart.

Carnaval

No passeio, fomos à sede do Maracatu Nação Raízes de Pai Adão. Além de ver uma apresentação de caboclinho, o pessoal nos mostrou os três ritmos usados (guerra, baião e perré), além de instrumentos como o mineiro, a gaita, o surdo e o atabaque. Também vimos as roupas, estandartes e adereços produzidos por eles durante o ano, e depois assistimos a um vídeo e conversamos sobre o desenvolvimento social na Bomba.

O grand finale dessa etapa da vivência foi uma apresentação do cortejo do Boi Malabá, que conta a história do bumba meu boi e sai nos ciclos carnavalesco, junino e natalino. Saímos com o boi e outros personagens pelas ruas do bairro, chamando a atenção dos moradores, que se debruçavam nas janelas pra espiar o movimento. Uma lindeza a animação da galera, que você vê na foto em destaque lá em cima. :)

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Terreiro

No Recife, o Carnaval tá muito relacionado às religiões afro-brasileiras. Não por acaso, a última parada do passeio foi no Terreiro Obá Ogunté, mais conhecido como Sítio de Pai Adão, que fica no bairro de Água Fria, considerado pelo Bombando Cidadania como parte da região expandida da Bomba do Hemetério. Tombada pelo Governo de Pernambuco, essa é a mais antiga casa de culto Nagô do Estado e uma das mais veneradas do Brasil.

Lá, você encontra a Capela de Santa Inês (onde o pessoal rezava pra despistar a perseguição que havia contra os praticantes de candomblé) e o Iroko, árvore sagrada que guarda os segredos da ancestralidade africana e tem pouquíssimos exemplares pelo Brasil.

No dia, o pessoal tava fazendo uma celebração pra Iemanjá, que acontece em diferentes datas nas distintas casas. Achei bem lindo todo mundo paramentado e dançando, mas infelizmente não pude entrar no salão principal porque tava de short. Se ligue: quem tá de preto ou short/bermuda não entra! Senti falta de um guia que nos passasse informações contextualizadas sobre o local e sobre o candomblé, mas todos nos receberam com muita simpatia.

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Gastronomia

Meu passeio terminou por aí, mas se eu não tivesse outro compromisso teria ficado por lá pra conhecer os barzinhos do bairro, que também têm se popularizado de forma mais ampla nos últimos anos. Desde 2009, o festival Delícias da Comunidade desmistifica a ideia de que não existe gastronomia de qualidade na periferia, organizando menus especiais em estabelecimentos de três polos do Recife: a Bomba, Santo Amaro e Brasília Teimosa.

Pra participar do projeto, os donos de bares como o Espetinho da Ceça, o Bar Tuca Versátil, o Bar da Geralda e o Restaurante do Zaqueu passaram por capacitações do Sebrae e fizeram pequenas alterações no espaço físico. Os menus são compostos por entrada, prato principal e sobremesa, mas tudo do jeito que esses barzinhos tão costumados a fazer, sem gourmetização. Ah, o festival acontece anualmente, entre julho e outubro.

Como fazer o passeio

Como comentei lá em cima, fiz esse roteiro com a Loa Turismo de Experiências em 2015, mas desde então o esquema mudou um pouco.

No site da Recria, Rede Nacional de Turismo Criativo, é possível conferir os roteiros oferecidos atualmente, que têm diferentes períodos de duração e atualmente se chamam “Coco virado”, “Muito brilho e tambores” e “Recife é sempre Carnaval”, além de oficinas de percussão e de adereços carnavalescos.

Se quiser visitar o lugar por conta própria, vale conferir os ensaios abertos de maracatu, samba, bumba meu boi e afoxé que costumam acontecer na Bomba nos finais de semana de setembro a fevereiro.

Atualização em janeiro de 2020: no final de 2019, fiz outro tour na Bomba do Hemetério como parte da presstrip Creators PE, que criei pra ajudar a divulgar o turismo alternativo no Recife.

Fomos novamente ao Terreiro Obá Ogunté, mais conhecido como Sítio de Pai Adão. Lá, o pessoal contou a história do terreiro e falou sobre como o maracatu era usado pra evitar a repressão contra religiões afro-brasileiras.

Nesse tour, pudemos vestir acessórios de rei e rainha de maracatu e fizemos uma pequena oficina pra produzir nossos próprios adereços. O passeio terminou com uma oficina de percussão, em que os participantes tocaram alfaia e abê. Foi bem legal!

turismo alternativo no recife - oficina na bomba do hemetério

turismo alternativo no recife - visita ao sítio de pai adão

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2 Comentários

  1. Rosa Maria

    Luisa, acho que você sabe que sou pernambucana, de Paulista. Sempre vou ao Recife, pois tenho parentes em Recife, Olinda, Paulista, Igarassu. Estou pensando em voltar em fevereiro, e conto com você para conhecer coisas que não conheço, e quem sabem, lhe mostrar coisas que não conheça. Obrigada, beijo.

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