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Como viajar sem dinheiro ou economizando ao máximo: dicas práticas

Dicas Práticas | 26/04/21 | Atualizado em 10/05/21 | Deixe um comentário

Como viajar sem dinheiro? Aliás, é mesmo possível viajar de graça? A resposta resumida é SIM: você pode passar bastante tempo na estrada sem gastar nada, ou gastando muuuito pouco. Mas as condições dessa viagem provavelmente não serão as mesmas que de um turista comum – o que pode, também, ser algo positivo.

Neste post, vou falar sobre algumas vantagens e desvantagens de viajar sem dinheiro (ou quase) e compartilhar dicas que aprendi com minha própria experiência, de amigos viajantes e de mochileiros que encontrei pelo mundo.

Antes de mais nada, gostaria de ressaltar que não acredito que “qualquer um pode viajar, basta querer”, como alguns viajantes afirmam. É possível, sim, viajar sem dinheiro ou de forma extremamente barata, e muitas pessoas fazem isso. Mas numa sociedade extremamente desigual, em que muita gente não tem nem os direitos básicos garantidos, acredito que viajar a lazer ainda é um baita privilégio.

Falei mais sobre isso no post Viajar é privilégio, em que abordo, além da questão econômica, fatores como acesso à informação, raça, gênero, sexualidade, nacionalidade e corpo. Mas o foco neste texto aqui é falar de como viajar sem dinheiro caso você tenha, assim como eu, o privilégio de considerar isso. Espero que as dicas sejam úteis!

Por que viajar sem dinheiro?

Além do mais óbvio, que é não conseguir juntar grana antes de cair na estrada, existem outras razões pra viajar sem dinheiro.

Já vi pessoas que optaram por mochilar sem grana porque queriam renovar a fé no ser humano, exercitar a humildade, desafiar os próprios limites, sair da zona de conforto, criticar o capitalismo, se conectar mais com as pessoas, ter uma vida mais simples, fazer uma imersão mais profunda no local, diferenciar o que é realmente necessário dos supérfluos que nos habituamos a ter no dia a dia…

Fato é que viajar sem dinheiro, ou num estilo extremamente econômico, vai fazer você aproveitar os lugares de um jeito bem diferente de um turista. Afinal, a maioria das atrações do turismo tradicional envolve gastos.

Você provavelmente não vai ficar em hotéis, visitar parques de diversões, comer nos restaurantes badalados… Mas isso não é necessariamente ruim, já que muitas vezes o turismo de massa é prejudicial pra os destinos e nos afasta da realidade do local e das pessoas que moram lá. Quanto menos grana, mais “autêntica” tende a ser sua viagem, digamos assim.

Desafios de viajar sem dinheiro

Por outro lado, é claro que podem existir várias dificuldades. É desafiador não poder simplesmente resolver os problemas com dinheiro, e com o tempo talvez fique cansativo.

Você não vai ter tanta liberdade de ir e vir quando quiser, nem tanto poder de escolha. Pode, por exemplo, ter que passar um bom tempo sem comer, ou comer algo que não gosta ou não lhe faz muito bem só pra encher a barriga.

Você também pode ter que lidar com condições de hospedagem e transporte desagradáveis, porque só tem aquilo mesmo disponível. E não vai poder fazer tudo que der vontade, tipo tomar uma cerveja gelada num dia de sol ou provar os pratos típicos do lugar quando estiver a fim.

Além disso, caso você esteja sempre dependendo de outras pessoas podem existir riscos em relação à segurança, especialmente pra mulheres viajando sozinhas. O dinheiro muitas vezes facilita “saídas de emergência” quando estamos numa situação desconfortável ou perigosa.

Mulheres que viajaram sem dinheiro

Aqui no blog, já contei as histórias de duas mulheres que viajaram sem dinheiro. A primeira foi a artista plástica Aline Cambpell, que passou três meses viajando pela Europa sem dinheiro em 2013. Fora as passagens do Rio até Amsterdam e de Zurique até o Rio, ela não gastou absolutamente nada, e partiu sem nem um cartão de crédito pra emergências.

Aline pegou 54 caronas e dormiu em 38 casas diferentes. Ela nunca tinha ido aos países por onde passou e não conhecia ninguém na maioria deles. Usou muito Couchsurfing e encontrou muita gente que ofereceu companhia, transporte, passeios e conforto sem esperar nada além da satisfação de ajudar. Confiou na sua intuição, trocou arte por hospedagem e trocou também muitos sorrisos e histórias de vida.

Ela passou por diversas situações incômodas e alguns perrengues que deram medo, mas viveu várias experiências legais como dar entrevista pra um programa de TV belga, ganhar ingresso pra o Cirque du Soleil, encontrar uma senhora que vive sem dinheiro há 20 anos, ir num festival de música na Polônia, conhecer a neve na Suíça…

Publiquei uma entrevista com ela no post Como viajar por três meses pela Europa sem dinheiro e depois escrevi outro texto sobre o livro em que Aline conta sua história, o “Portas Abertas: três meses pela Europa sem um centavo no bolso”.

aline campbell viajou pela europa sem dinheiro

Foto: Aline Campbell/Acervo pessoal

Outra mulher inspiradora que fez uma viagem sem dinheiro foi Patrícia Schussel, fotógrafa que vive como nômade há uns seis anos. Patchi, como é mais conhecida, foi com um amigo desde Curitiba até Ushuaia, na Patagônia argentina, sem grana nenhuma e também sem cartão.

Durante 37 dias, eles pegaram 30 caronas e passaram frio e fome, tendo como “moeda” apenas fotos de autoria deles impressas no formato de cartão postal, que eram vendidas ou trocadas pelo caminho.

Eles também contaram com a ajuda de dezenas de pessoas generosas, que os ajudaram desde dando uma barraca novinha a oferecendo hospedagem ou café da manhã. “Aconteceu de dormirmos em banheiro de posto, entre muitas outras coisas, mas nos divertimos muito. Foi uma experiência incrível e me fez encarar as coisas de outra forma”, disse Patchi no post Sem casa e cheia de histórias: a vida nômade de Patrícia Schussel.

fotógrafa nômade falou sobre viajar sem dinheiro

Foto: Patrícia Schussel/Acervo pessoal

Ou seja: viajar sem dinheiro pode ser muito desafiador, mas também recompensador. Se você acha que dá conta, se prepare psicologicamente e confira as dicas a seguir – que também servem pra quem pretende economizar bastante, mas ter alguma grana disponível.

Como viajar sem dinheiro

Existem várias formas de viajar sem dinheiro. Como mostram esses exemplos que citei, você pode trocar alguma habilidade ou talento pelo que estiver precisando ou pode confiar nos fluxos de trocas com quem encontrar pelo caminho. E também pode trabalhar pela estrada – assunto que vou abordar mais pra o final do post.

Mas acredito que o principal é entender que o que você REALMENTE precisa pra viajar é:

  1. transporte pra ao menos um destino
  2. hospedagem
  3. alimentação

Outros gastos que viajantes costumam ter não são realmente essenciais, por mais que a gente os naturalize como custos “embutidos” na viagem.

Vou falar aqui de algumas alternativas pra conseguir transporte, hospedagem, alimentação e também passeios de graça durante a viagem. Mas todas elas têm em comum um pré-requisito básico: disposição.

Se você tiver uma atitude positiva, não for muito exigente, mantiver sempre que possível a simpatia e um sorriso no rosto e deixar de lado a timidez, dá pra ir muito longe e viver experiências incríveis.

Acredito, também, que pra isso é preciso desconstruir dentro de si alguns conceitos sobre necessidade, conforto e luxo, e entender que sua experiência vai ser muito diferente de viagens turísticas comuns.

Transporte pra viajar sem dinheiro

O primeiro gasto a se considerar quando se pensa em como viajar sem dinheiro é a resposta à pergunta “como vou chegar no meu destino”? Nesse caso, viajar pra perto de casa é o mais fácil, mas também é possível ir a lugares mais distantes gastando pouco ou nada.

Milhas aéreas

Se a ideia for fazer algum dos trechos da viagem usando avião, a principal forma de não pagar pelas passagens é usando milhas aéreas. Mas é claro que isso não é tão fácil, afinal, é preciso fazer outras viagens ou gastos no cartão de crédito, ou investir grana em programas de fidelidade.

Caso você tenha condições, vale a pena estudar os diferentes programas de fidelidade de companhias aéreas, escolher um cartão de crédito que tenha bons benefícios em pontos acumulados e usá-lo pra todos ou a maioria dos seus gastos no dia a dia, por exemplo.

Eu não entendo muito do assunto, mas existem hoje vários sites e perfis de redes sociais que dão dicas pra acumular milhas aéreas da forma mais eficiente.

Bicicleta

Outra opção, que evidentemente exige um bom preparo físico e o investimento na magrela, é optar pela bicicleta pra viajar sem dinheiro.

Assim, você não tem que pagar pedágios e combustível, mas tem liberdade pra se deslocar por conta própria. No comecinho do blog, há muitos anos, publiquei um post contando a história de Arthur Simões, que fez uma viagem incrível sozinho de bicicleta: “Pedal na Estrada: três anos dando a volta ao mundo de bike”.

a bicicleta é uma opção de transporte para viajar sem dinheiro

Foto: Arthur Simões/Acervo pessoal

Caronas

E tem o jeito mais comum de se locomover ao viajar sem dinheiro: pegar caronas. Dá pra fazer isso da forma “tradicional”, indo pra estrada ou pra postos de gasolina pra procurar motoristas que estejam indo na mesma direção que você. Ou então do jeito “digital”, buscando grupos no Facebook que reúnem mochileiros em geral ou do destino específico, que podem ter a opção de combinar caronas pra destinos mais populares.

DICA BÔNUS

Na plataforma Worldpackers Academy você encontra dezenas de cursos online sobre planejamento e economia na viagem e sobre se manter viajando como estilo de vida.

Na primeira “trilha” tem cursos sobre como usar milhas pra viajar, como pegar carona na estrada de forma segura, como viajar com pouco dinheiro, básico de idiomas pra viagens, entre outros assuntos. Na segunda, tem aulas de edição de vídeo, Youtube, fotografia, Instagram, escrita, blog e enpreendedorismo na viagem.

Clique aqui ou use o cupom JANELASABERTAS pra ganhar 10 dólares de desconto na assinatura do plano Academy.

Hospedagem pra viajar sem dinheiro

Chegou ao seu destino? Ótimo! Agora você vai precisar de um lugar pra dormir. A hospedagem costuma ser um dos maiores gastos de uma viagem com dinheiro, então garantir esse item já dá uma ótima aliviada nas finanças. Existem diferentes formas de ficar hospedado de graça na viagem, e aqui vou falar das principais.

Troca de trabalho por hospedagem

Uma das minhas formas preferidas de hospedagem gratuita, que permite ficar por mais tempo em cada lugar sem se preocupar por estar incomodando o anfitrião, é fazendo “work exchange”, ou voluntariado.

Nesse esquema, você trabalha algumas horas por semana (geralmente entre 15 e 30) e ganha em troca um lugar pra dormir, que pode ser desde uma barraca de camping a uma suíte privativa. Além da hospedagem, podem estar incluídos outros benefícios, como alimentação, aulas, uso de bicicleta e tours gratuitos. Já viajei assim algumas vezes e as experiências estão entre as melhores viagens da minha vida.

Essa é uma boa opção pra quem quer viajar sem dinheiro, mas não quer ficar buscando um novo lugar pra se hospedar a cada poucos dias.

Pra encontrar anfitriões que recebem viajantes pra troca de trabalho por hospedagem você pode usar a Worldpackers, minha plataforma de work exchange preferida, que foi criada por brasileiros e tem suporte em português.

Outras opções são Workaway, Helpx e WWOOF, que por serem gringos e mais antigos, têm mais variedade de vagas fora do Brasil. Já usei também a Workaway e gostei, mas ela oferece menos segurança que a Worldpackers. Comparei as duas plataformas no texto “Workaway e Worldpackers: quais as diferenças?”.

Todas essas plataformas cobram uma taxa pra inscrição, que geralmente dura um ano. Pra conferir o valor atualizado, é só ir nos sites de cada uma, clicando nos links do parágrafo anterior. Mas apesar de estarmos falando aqui sobre viajar sem dinheiro, esse é um investimento baixíssimo comparado com as economias que pode render.

Pra saber mais sobre o assunto, confira meu guia sobre troca de trabalho por hospedagem. E se for usar a Worldpackers, clicando aqui ou inserindo o código de desconto JANELASABERTAS na página de pagamento você economiza 10 dólares no plano anual, que dá direito a conversar com os anfitriões, fechar um acordo formal de troca pela plataforma e acessar o suporte e o seguro da empresa.

hospedagem grátis fazendo work exchange

Quarto do hostel onde me hospedei de graça em Budapeste pela Worldpackers

Permuta

Você também pode procurar estabelecimentos e oferecer uma permuta por conta própria, entrando em contato direto com eles. Eu não curto fazer isso pra work exchange porque conheço muitas histórias de exploração por parte do anfitrião e prefiro ter acesso às avaliações de viajantes e outros itens de segurança da Worldpackers. Mas não deixa de ser uma opção, especialmente pra quando você já tá na estrada e pode ir no lugar pessoalmente.

Muitas pousadas, albergues e hotéis topam oferecer algumas diárias grátis em troca de produção de fotos ou vídeos pra divulgação, por exemplo. E se você tiver um canal com bom engajamento nas redes sociais, também vale oferecer a divulgação nas suas redes como moeda de troca, como fazem muitos blogueiros, instagrammers e youtubers.

No entanto, recomendo ter bom senso pra só fazer parcerias com lugares que você realmente recomende e não prometer ao parceiro nada que não possa entregar. Isso de “produzir conteúdo só pra viajar de graça” traz alguns problemas pra o mercado.

Couchsurfing

Outra opção muito usada por mochileiros é o Couchsurfing, site criado pra oferecer e buscar acomodação grátis em qualquer parte do mundo, na casa de pessoas que moram no lugar. A ideia é incentivar o espírito colaborativo dos viajantes e permitir conexões entre pessoas de várias partes do mundo gente que vive nos destinos. O Couchsurfing era gratuito, mas hoje eles cobram uma pequena taxa pra manutenção da plataforma.

couchsurfing é boa opção para quem viaja sem dinheiro

Com as amigas do meu anfitrião do Couchsurfing em Montpellier, na França

House sitting

Existem também os sites de “house sitting”, em que você ganha hospedagem gratuita enquanto o dono da casa está viajando, em troca de manter a casa em bom estado e, muitas vezes, de cuidar dos animais de estimação dos moradores. Alguns exemplos são Mind My HouseTrusted House SittersHouseSit Match House Carers.

O casal do blog Vida Cigana passou um tempão viajando assim pela Nova Zelândia e publicou um guia de house sitting com todas as dicas.

Sua rede de contatos

Um dos jeitos de viajar sem pagar por hospedagem que mais usei foi acionando minha rede de contatos. Sei que ter amigos ou conhecidos em diferentes partes do Brasil ou do mundo, ou que tenham contatos de pessoas nesses lugares, também é um privilégio. Mas nesse mundo globalizado, é bem provável que você tenha algum contato em outra cidade que esteja disponível pra lhe receber.

Pra descobrir isso, é preciso ativar uma das maiores habilidades de quem viaja sem dinheiro: a cara de pau. Pergunte pra seus amigos e parentes que moram fora se eles têm um espacinho pra você no sofá de casa ou conhecem alguém que tenha. Lembre-se que o “não” você já tem!

Redes sociais

Outra forma de usar ou expandir sua rede de contatos é através das redes sociais. Vale perguntar nos stories do Instagram se alguém tem indicação de quem te possa receber, ou então entrar em grupos do Facebook que reúnem viajantes.

Procurando por termos como “Couchsurfing”, “Mochileiros” e “Viajantes” na busca do Facebook, você encontra vários grupos com diferentes nichos, tipo “Mochileiros no Nordeste” ou “Couchsurfing das Minas na Europa”.

Pessoas que conhecer na viagem

Não dá pra planejar essa parte, mas vale ter em mente pra ficar atento e aberto às oportunidades, afinal, uma opção comum de hospedagem pra quem viaja sem dinheiro é ficar na casa de pessoas que conhecer pelo caminho.

Muitos dos meus amigos que mochilam com pouca grana acabam fazendo amigos nos lugares, especialmente durante caronas, e não raro recebem ofertas de lugares pra dormir. É claro que é preciso usar bom senso e ter o instinto bem ligado, especialmente se você for mulher, mas existe bastante gente genuinamente interessada em ajudar.

Acampamento 

Não achou lugar pra dormir e está viajando sem dinheiro mesmo? Um bom “plano B” é viajar com uma barraca de camping. Se estiver numa área “de natureza”, você pode buscar um lugar pra fazer camping selvagem mesmo.

Se estiver numa cidade, pode pedir pra acampar no quintal de uma casa ou buscar lugares como postos de gasolina. O ideal é você conversar com moradores pra saber se existe alguma restrição ou questões de segurança às quais precisa se atentar.

Prédios públicos movimentados

Mesmo sem barraca, muita gente que viaja sem grana acaba dormindo em postos de gasolina – até mesmo dentro do banheiro. Eu já passei algumas noites em aeroportos pra economizar, e estações de trem e rodoviárias também podem ser boas opções. Mais uma vez, recomendo conversar com as pessoas dali pra avaliar se é seguro.

Leia também:
Dicas de sobrevivência pra dormir em aeroportos

Alimentação pra viajar sem dinheiro

A terceira questão fundamental sobre como viajar sem dinheiro é a alimentação. Caso você queira só economizar, tem um post aqui no blog com várias dicas pra comer bem em viagens gastando pouco. Mas se a ideia é não gastar nada, existem outras alternativas. É muito provável, no entanto, que você não consiga comer na hora que quiser ou o que quiser, então considere se você está realmente disposto.

Troca de trabalho por hospedagem

A forma que acho mais “segura” de conseguir comida de graça na viagem é fazendo um work exchange, modalidade de voluntariado que já mencionei acima. Muitos anfitriões oferecem café da manhã e boa parte inclui também as outras refeições. Se buscar por vagas desse tipo, você não vai precisar se preocupar com comida.

Eu passei duas semanas no interior da França, num quarto privativo super confortável, com todas as refeições gratuitas. E olha que era muita comida, e de ótima qualidade! Os anfitriões pagaram até pela minha cerveja e lanche quando fomos passear. Em troca, trabalhei algumas horas por dia ajudando com jardinagem e melhorias na casa.

Lembrando que clicando aqui ou usando o cupom JANELASABERTAS você ganha 10 dólares de desconto na anuidade da plataforma de voluntariado Worldpackers

work exchange na frança

Cozinha onde fiz dezenas de refeições grátis voluntariando na França

Ofertas de pessoas pelo caminho

Se você se hospedar na casa de pessoas e contar que está viajando sem dinheiro, é provável que ofereçam comida. Caso se sinta mal de depender de outras pessoas e não ter o que dar em troca, você pode agradecer limpando a casa ou usando alguma habilidade que seja útil pra aquela pessoa, por exemplo.

Doações de comida (em troca de trabalho ou não)

Alguns mochileiros que viajam sem dinheiro têm o costume de pedir comida a passantes, feirantes ou em restaurantes (rimei, haha). Caso não tenha coragem, você também pode oferecer algum pequeno trabalho em troca de uma refeição.

Alimentos descartados

Infelizmente, existe muito desperdício de comida na nossa sociedade. Feiras, hortifrútis, mercados, padarias e restaurantes muitas vezes jogam fora os alimentos que não estão em perfeito estado. Conheci alguns viajantes que não tinham dinheiro ou queriam economizar e, sabendo disso, iam nos estabelecimentos pedir a comida descartada.

O que a galera costuma fazer é ir nos lugares no horário do fechamento e perguntar se tem algo sobrando, que não vão mais vender. No caso de feiras e hortifrútis, geralmente se faz reposição de alimentos de manhã cedo. Se for um restaurante ou padaria, você pode olhar o horário de funcionamento e chegar um pouco antes de fechar.

Eu moro na frente de uma padaria e já ganhei muitos croissants de graça, porque eles não vendem os itens se não estiverem fresquinhos. Pode ser difícil superar a vergonha e pedir comida, mas se você pensar bem, esse “reaproveitamento” é super sustentável.

Passeios grátis na viagem

Quem se pergunta como viajar sem dinheiro muitas vezes pensa que não vai poder fazer passeios legais por não ter grana pra pagar. No entanto, na imensa maioria dos lugares existem muitas atrações gratuitas.

Parques, praças, monumentos, edifícios interessantes, alguns museus e espetáculos de rua estão entre as coisas que você pode curtir sem colocar a mão no bolso. Especialmente em épocas de clima bom, em que dá pra ficar ao ar livre numa boa, é possível fazer muita coisa de graça. Pesquise e pergunte aos moradores e você com certeza vai descobrir vários rolês legais.

Londres, por exemplo, é uma cidade com custo de vida alto e moeda muito mais valorizada que o Real. Mas você pode conhecer muita coisa por lá sem dinheiro nenhum, já que a maior parte dos museus tem entrada grátis e vários outros atrativos são abertos ao público, como parques e ruas charmosas.

Vale lembrar mais uma vez que viajar sem dinheiro ou economizando ao máximo envolve encarar a viagem de um jeito diferente de um turista comum. Mesmo que você não possa ir nos pontos turísticos mais visitados daquele lugar, tá tudo bem, porque a ideia é justamente enxergar os destinos além do que é vendido “pra turista ver”. Conecte-se com as pessoas, vivencie o dia a dia e sua experiência de viagem certamente vai ser muito rica, mesmo sem um tostão no bolso.

 

viagem pela Estônia

Caminhar pelas ruas de um lugar novo é grátis e divertido

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25 passeios grátis no Recife

Como ganhar dinheiro na viagem

Tem quem viaje sem grana e não queira mesmo ter trocas monetárias. Mas se quiser fazer dinheiro, existem muitas formas de lucrar durante a viagem. Mesmo que você ache que não tem nenhum talento especial, ou que sua área de trabalho não seja facilmente adaptável pra estrada, com disposição você pode aprender muita coisa durante a própria viagem e usar isso como ferramenta de troca ou de monetização.

Procurar trabalhos informais no destino

Certos empregos são feitos de maneira informal em boa parte do mundo e têm demanda em vários lugares também. Alguns exemplos são garçom, músico, professor de yoga, jardineiro, massagista, tatuador, fotógrafo…

Conheço muita gente que se sustenta ou sustentou na estrada vendendo brigadeiros ou artesanato, oferecendo serviços de foto e vídeo pra pequenas empresas, tocando música nas ruas, entre outros exemplos de “empreendedorismo mochileiro”. E muitos compartilham esses aprendizados entre si, desde ensinar a fazer bijuteria a dar dicas pra vender mais.

Algumas atividades podem não render muita grana, mas se a ideia é viajar barato você pode garantir ao menos o dinheiro da alimentação, e usar as dicas daqui pra conseguir hospedagem e transporte grátis.

Vale ressaltar, no entanto, que existem destinos com mais oportunidades que outros, e que em alguns países trabalhar sem o visto adequado pode trazer problemas legais. É bom se informar com outros viajantes pra entender a realidade de cada lugar.

Na plataforma Worldpackers Academy você encontra dezenas de cursos sobre empreender viajando, criados por viajantes que sabem do que estão falando. Clique aqui ou use o cupom JANELASABERTAS pra ganhar 10 dólares de desconto.

Trabalhar de forma remota

Com a pandemia, ficou evidente que muitos trabalhos podem ser exercidos remotamente. Essa já era uma tendência em muitas áreas, com profissionais trabalhando de qualquer lugar onde exista uma conexão à internet. São os chamados “nômades digitais”, pessoas que não têm base fixa e vão viajando e trabalhando pelo mundo.

É possível ter esse estilo de vida com várias profissões. Desde que pedi demissão do meu último emprego CLT, no final de 2016, quase todos meus trabalhos foram remotos. Hoje vivo desse blog aqui, mas já trabalhei com tradução, revisão e produção de texto, produção de conteúdo pra redes sociais, consultoria, entre outras tarefas que podiam ser feitas pela internet.

Também dá pra trabalhar remotamente como designer, programador, professor, e hoje em dia até mesmo como psicólogo, contador ou advogado, entre tantas outras atividades. Se estiver programando uma viagem longa e ainda não estiver trabalhando remotamente, você pode tentar desde já fazer essa transição.

lista de ferramentas para blogs

Muitos trabalhos podem ser feitos remotamente

Ter uma fonte de renda passiva

Outra opção é criar uma fonte do que se chama de “renda passiva”. Que significa, em linhas gerais, ter um produto online que faça o dinheiro entrar na sua conta mesmo que você não esteja trabalhando ativamente nele. Geralmente são produtos digitais, como um blog, canal do Youtube, curso, e-book…

E aí vale desde colocar um produto à venda, como um curso, a produzir conteúdo gratuito e posteriormente monetizá-lo com publicidade e programas de afiliados, como acontece com blogs ou perfis de redes sociais.

Nesse caso, no entanto, costuma ser necessário trabalhar por muito tempo até alcançar um patamar suficiente pra monetização. Eu passei anos me dedicando de graça ao blog até ganhar uma grana razoável com ele.

Leia também:
Como se manter financeiramente viajando pelo mundo
Como ganhar dinheiro com blog de viagens

Dicas finais sobre viajar sem dinheiro

Esse post já tá imenso, né? Mas não podia encerrar sem essas dicas mais gerais, mas muito importantes, pra quem pensa em viajar sem dinheiro.

Aprenda o básico da língua local

Mesmo que vá pra o exterior, dá pra desenrolar muita coisa com inglês, espanhol ou o combo “mímica + cara de pau”. Mas saber algumas palavras na língua local ajuda a fazer conexões e provocar simpatia dos moradores em relação a você, além de possibilitar pedir ajuda se estiver passando por um perrengue.

Tente manter o bom humor

Numa viagem sem dinheiro ou com muito pouca grana, inevitavelmente vão acontecer algumas situações desconfortáveis. Manter o bom humor sempre que possível é importante tanto pra tornar a experiência mais agradável pra você, quanto pra conseguir criar conexões com as pessoas.

A galera que conheço que viajou sem dinheiro usou diferentes estratégias, mas concorda em uma coisa: ser simpático e distribuir sorrisos faz muita diferença.

Confie nos seus instintos

Por mais incrível que seja a experiência de viajar sem dinheiro ou com muito pouco, não podemos negar que ter grana muitas vezes é uma fonte de segurança. Se você tiver uma reserva de emergência, é bem mais fácil evitar ou sair de situações desconfortáveis ou perigosas; por exemplo, se você encontrar um anfitrião ou motorista assediador.

Acho importante ter noção dos riscos, e ainda que o mundo não seja tão perigoso quanto a mídia faz parecer, evidentemente existe muita gente mal intencionada por aí.

E além de todas as dicas de segurança que você pode adotar, como ter internet no telefone pra pedir ajuda ou avisar a alguém de confiança onde está, um fator subjetivo importante é escutar seus instintos. Se uma situação parecer perigosa, tente sair dela o quanto antes.

Não descuide da saúde

Além da segurança, outro ponto que merece atenção mesmo na viagem mais econômica é sua saúde. Recomendo fazer um check-up médico antes de viajar, levar consigo remédios que costuma tomar e tentar se alimentar bem. Se estiver indo pra o exterior, também acho importante investir num seguro viagem.

Sei que a ideia é não gastar, mas caso você tenha algum problema de saúde ou acidente em outro país e não tiver seguro, pode não conseguir atendimento ou ficar endividado. Muitos mochileiros viajam sem seguro viagem, mas conheço alguns que tiveram problemas sérios e não acho responsável contar com a sorte nesse quesito.

Leia também:
Seguro viagem é mesmo necessário?

Não se obrigue a seguir viajando sem dinheiro se não quiser

Muitas vezes a gente tenta fugir de um padrão e acaba se prendendo a outro. Tem gente que começou a viajar sem dinheiro ou em modo ultra econômico porque é contra a ideia de turista tradicional, mas durante a viagem percebe que não está respeitando os próprios limites, ou acaba cansando de seguir assim.

Se esse estilo de viagem não fizer mais sentido pra você, não tem problema nenhum em voltar pra casa, gastar parte das economias ou parar em algum lugar e procurar uma forma mais estável de conseguir grana. Sensações de “fracasso” ou a preocupação com o que os outros vão pensar não devem atrapalhar o que deveria ser seu objetivo principal: ser feliz.

Ainda tem dúvidas sobre como viajar sem dinheiro? Manda aí nos comentários!

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