Dicas Práticas

Couchsurfing: Muito mais que hospedagem gratuita

Acho que hoje em dia todo mundo já ouviu falar do Couchsurfing, né? Se não for seu caso, faço as honras de apresentá-lo: trata-se de um site que permite oferecer e buscar acomodação grátis em qualquer parte do mundo, na casa de pessoas que moram no lugar. Daí você diz: “E eu vou lá dormir na casa de um total desconhecido?”, ou “Por que diabos eu abriria minha casa pra uma pessoa que eu nunca vi? Vai que ela rouba todos meus eletrodomésticos!”. Mas eu juro que surfar no sofá alheio, disponibilizar o seu ou utilizar as outras possibilidades oferecidas pelo site é muito legal. Com um detalhe: seu objetivo principal não pode ser economizar.

Eu só couchsurfei três vezes, ficando em duas casas diferentes em Montpellier, na França, na companhia de uma amiga, e num apê em Nantes, também na França, sozinha. No entanto, também usei o site pra conhecer gente na minha cidade natal, Recife, e em Lyon, Budapeste, Belgrado e várias outras cidades onde morei ou por onde passei – e acho a ideia genial. É que o Couchsurfing é muito mais que hospedagem gratuita: é uma forma fácil e divertida de conhecer gente interessante e de explorar uma cidade na companhia de um local.

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É claro que nem tudo são flores. Primeiro vem a questão da segurança, que pode deixar muita gente com um pé atrás – mas falamos disso mais à frente. Também é preciso levar em consideração que conhecer a outra pessoa e aceitar as regras de hospedagem dela exige uma boa dose de disposição, e que você pode ter pouca privacidade. Se estiver viajando com o objetivo de dar OK em pontos turísticos, essa pode não ser a melhor opção, já que às vezes é “de bom tom” deixar de fazer algum passeio pra aceitar um convite do seu anfitrião pra um jantar, por exemplo – essas coisas fazem parte da vivência! Por isso, se você pensar no seu host como um hotel gratuito, a experiência provavelmente vai ser ruim.

No entanto, se você tiver a fim de socializar e fazer da sua viagem uma experiência diferente, ou quiser “abrir suas janelas pro mundo” (rá) e viajar sem sair do lugar, o Couchsurfing pode ser massa. Normalmente, quem faz parte dessa comunidade é gente de mente aberta, com certa flexibilidade pra conviver por alguns dias com pessoas desconhecidas. Por isso, acredito que as chances de você tirar algo positivo da experiência são muito grandes. Foi o que aconteceu comigo e com todos meus amigos que já o fizeram e me contaram ;)

Ainda tá em dúvida? Participe de um dos encontros de membros do grupo, que acontecem em muitas cidades mundo afora, pra conhecer gente e ter uma ideia melhor do funcionamento da comunidade. E se você não tiver a fim de compartilhar uma casa, mas ainda assim quiser conhecer gente de outros lugares pra tomar um café ou mostrar sua cidade, o site também é uma ferramenta incrível, como eu já indiquei no post sobre como conhecer gente morando fora. Use e abuse!

Atualização em novembro de 2017: mais recentemente, eles desenvolveram um app bem legal, especialmente pra quem procura alguém pra passear ou tomar um café/cerveja na cidade que está visitando. O aplicativo pra celular é bem mais dinâmico que o site e fácil de usar; vale a pena baixar. :)

Com minha amiga Fernanda e as amigas do nosso host, em Montpellier

Com minha amiga Fernanda e as amigas do nosso host, em Montpellier

Mas como esse negócio funciona? É simples. Saca aí:

Criando um perfil

Primeiro, você precisa abrir uma conta na página, acessando este link, e criar seu perfil, preenchendo um formulário com várias perguntas sobre você, incluindo profissão, línguas que você fala, cidade natal, interesses, coisas incríveis que fez ou viu, filosofia pessoal etc. Não é obrigatório completá-lo, mas é bem recomendável, já que é assim que os outros usuários vão conhecer um pouco sobre você – e, quem sabe, simpatizar o suficiente pra aceitar lhe receber em suas casas.

E se eu não quero receber ninguém? E se não tenho planos de viajar nem tão cedo? Não importa. Na página, você tem a opção de disponibilizar seu sofá ou não (na parte “Couch information”), e abrir sua casa pra um couchsurfer não é pré-requisito pra ser hospedado pelos outros. Se não puder ou quiser ser anfitrião de alguém, você pode colocar-se disponível pra tomar um café ou um drinque com viajantes que passem pela sua cidade (escolhendo a opção “Not right now, but I can hang out”). E se for receber um couchsurfer, o site também lhe permite especificar quais são as condições: se você dispõe de um quarto pra pessoa ou se ela dormirá na sala ou dividirá o quarto com você, se você aceita mais de um surfer por vez, se aceita fumantes etc.

Buscando hospedagem

Daí que você achou esse negócio todo muito bacana e resolveu aproveitar pra experimentar o tal do surfe de sofá na sua próxima viagem. O que fazer? Nesse caso, o próximo passo é usar a busca do site pra procurar os hosts disponíveis no lugar que você vai visitar. Vá em “Find a couch”, diga pra que cidade e em que período vai viajar e explique o motivo da viagem. É possível filtrar as buscas por idade, gênero e outros aspectos.

Leia os perfis de possíveis hosts com calma e procure pessoas que pareçam interessantes ou tenham a ver com você, e de preferência que possuam recomendações positivas. É que a página possui um espaço pra comentários, onde você pode escrever pra gente que você recebeu ou que lhe recebeu, contando um pouco da sua experiência. Dessa forma, dá pra ter mais ou menos uma ideia do que esperar de cada um (ainda que obviamente isso não seja 100% confiável, como tudo na internet). Na hora de enviar as solicitações, escreva uma mensagem personalizada pra cada um, mostrando que você leu o perfil da pessoa :)

Durante a hospedagem

Encontrou alguém pra lhe receber, ou topou hospedar alguém na sua casa? Ótimo! A partir daí, é claro que é preciso certa dose de sorte pra se dar bem com a pessoa, mas também é recomendável seguir algumas dicas, que na verdade se resumem em uma só: boa comunicação. Seja você o anfitrião ou o hóspede, faça questão de que tudo fique muito claro entre as duas partes – desde os horários de chegada e saída a restrições como “tenho alergia a gatos” (ou “tenho oito gatos”).

Se é você que tá recebendo alguém, explique como chegar à sua casa e, se possível, pense em algumas atividades pra fazer com ele – ou pra recomendar. Você não é obrigado a fazer nada mais do que ceder um sofá/colchão limpinho (e um banheiro, hehe) pra pessoa, mas se você entrou nessa, suponho que seu objetivo seja conhecer a pessoa e sua cultura, além de mostrar a sua. Por isso, o ideal é que role uma interação, seja levando-a pra passear ou dando dicas de passeios e batendo um papo à noite, por exemplo, se você não tiver tempo de bater perna com ela.

Mais uma vez, reforço a importância do fator comunicação: deixe muito claras as regras da casa (ou pergunte sobre o que pode ou não fazer, caso seja você o hóspede) e converse com a outra pessoa se houver qualquer problema. Depois da experiência, não se esqueça de deixar seu review no perfil dele (a). Se tiver algum problema grave, notifique o Couchsurfing.

Dicas de segurança

– Peça o telefone e o endereço de quem vai lhe hospedar, além de pedir orientações sobre como chegar na casa desde a estação de ônibus/trem/aeroporto. Confirme se os transportes públicos estarão funcionando no horário da sua chegada ou pergunte quanto custa, mais ou menos, uma corrida de táxi.

– Tenha sempre um plano B. Pesquise opções de albergues ou hotéis na cidade, pra saber pra onde correr caso o anfitrião dê pra trás de última hora ou caso você se sinta desconfortável na casa dele.

– Avise sempre a amigos ou familiares onde você vai ficar. Envie pra alguém o perfil do host no Couchsurfing, assim como seu endereço e telefone. Combine de entrar em contato periodicamente, pra que eles possam ficar alertas caso você… desapareça :P

– Se ficar inseguro, prefira viajar com um amigo. Sempre é mais complicado estar sozinho em situações estranhas ou perigosas.

– Por fim, o básico: use o bom senso. A grande maioria dos membros da comunidade são viajantes, aventureiros assim como você, que estão animados com a ideia de lhe conhecer e nada mais. No entanto, sempre pode existir gente mal intencionada, por isso é preciso ficar atento. Conheço várias pessoas que hospedaram e foram hospedadas incontáveis vezes através do site e nunca ouvi nenhum relato negativo (já ouvi casos de gente meio prega e tal, mas nada perigoso). Ainda assim, um pouco de desconfiança sempre é bom.

Moral da história: o importante é compartilhar

Pra algumas pessoas, a experiência é tão transformadora que vira uma filosofia de vida. Foi até filmado um documentário sobre o movimento, considerando o Couchsurfing “um planeta da galáxia da economia do compartilhamento”. O doc se chama One Couch at a Time. No fim das contas, é isso aí. Um sofá por vez – ou um cafezinho, se preferir -, vamos descobrindo novas pessoas e novos mundos e deixando-nos descobrir. Vamos nessa?

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29 Comentários

  1. Danielly Abreu

    Meu….estou adorando seu blog!
    Curti muito suas publicações sobre viajem…..beijo grande!!!

    • Que bom, Danielly! :) Fico muito feliz! Valeu pelo comentário e volte sempre. Um abraço :)

  2. DIRCE CÂNDIDO SOARES

    Garota nem sabia que existia isso, como sou mau informada rsssss adorei!!!!

    • Oi, Mauricio! Essa verificação é opcional – se você quiser que seu perfil passe maior segurança aos outros usuários da página. O cadastro em si é gratuito. Um abraço!

  3. Bruna

    O link para criar perfil não está abrindo. Tem outro?

    P.S.: Adorei o artigo, muito legal.

    • Oi, Bruna! Que bom que você gostou :) Atualizei o link. Basta entrar na página inicial do Couchsurfing (https://www.couchsurfing.org/) e clicar em “Sign up”, no canto superior direito. Um abraço!

  4. Virgínia

    EU VOU!!!!

  5. Mariana

    Obrigada pelas dicas querida, você é uma linda! Parabéns!

    • Obrigada, Mariana! :) Que bom que você curtiu. Um abraço

  6. Luciano

    Muito bonito sua estória, mas e aí quem foi que pagou as passagens? e quem pagou sua comida? e vc fala Inglês só? ou é poliglóta?

    • Oi, Luciano. Respondendo pelo que Aline me contou(e fala nos vídeos acima): ela pagou as passagens dos trechos entre Brasil e Europa e lá dentro viajou sempre de carona. O pessoal que dava carona e a hospedava compartilhava comida com ela. E ela só fala inglês.

  7. Jonas Bertucci

    Olá Luisa! Parabéns pelo blog e por divulgar idéias e práticas tão bacanas.
    Vale a pena se informar um pouco mais sobre as mudanças recentes no Couchsurfing. Infelizmente, um pequeno grupo acabou se apropriando do trabalho maravilhoso de milhares de membros e transformando o site em um negócio altamente lucrativo. :( Tanto o site quanto a construção das redes sociais do couchsurfing foram feitas por voluntários no mundo todo que acreditavam que estavam doando seu tempo para uma projeto não lucrativo. Mas agora, o que guia o site são interesses privados. Existem alternativas, redes verdadeiramente livres. Procure conhecê-las! http://www.opencouchsurfing.org/

    • Oi, Jonas! Obrigada pelas informações, eu realmente não estava sabendo dessa mudança. É realmente uma pena! Ainda assim, acredito que a rede continua sendo muito útil para os usuários, e muitos grupos locais amadurecidos oferecem possibilidades bem interessantes de interação com outros viajantes, né? :) De qualquer forma, vou olhar em detalhe essas alternativas mencionadas no site que você linkou (ainda que só uma delas esteja com a página indicada ativa no momento) e pesquisar mais sobre o assunto pra um futuro post. Mais uma vez, muito obrigada pela colaboração! :)

  8. jonascity

    Vale lembrar que o processo de “verificação” é totalmente desnecessário como questão de segurança, havendo outras formas muito mais confiáveis de uso do sistema. Era algo interessante no tempo em que o couchsurfing era uma rede sem fins lucrativos. Agora, que se tornou uma corporação lucrativa, não faz sentido fazer doações para o site.
    abs!

  9. jonascity

    Ahhh, e me desculpe a insistência… Vale mencionar que o vídeo citado “one couch at a time” não é um documentário. É um vídeo publicitário promocional, feito com o objetivo de aumentar a base de membro$. =/

  10. “O segundo morava um pouco longe, num apartamento super bem equipado. Já tinha recebido dezenas de couchsurfers e era supergeneroso, mas meio esquisitão.”
    achei ofensivo… qual o problema do cara ser esquisitão?

    • Oi, Diego! Então, é que “esquisitão” pode significar muitas coisas, né? O principal, nesse caso, é que não nos sentiamos à vontade com ele. Pra mim, o legal do CS é conhecer pessoas e fazer trocas, então como nosso objetivo não era apenas ter um teto, consideramos que não valia a pena nem pra gente nem pra ele continuar lá :)

  11. Ana Carolina Vianna Tarra

    Olá Luisa, boa tarde!

    Gostaria de te parabenizar pela matéria, achei incrível, muito bem explicada sobre o programa e bem esclarecedora, adorei!
    Achei seu blog pesquisando no google sobre o tema couchsurfing, pois estou fazendo um trabalho de conclusão de curso de turismo para a faculdade Estácio de Sá sobre isso, gostaria de saber se posso usar sua matéria como citação no meu trabalho, pois está muito boa!

    Beijos :)

    • Oi, Ana Carolina! Muito obrigada! Pode usar sim, claro! :) Boa sorte com o trabalho. Um abraço!

  12. Beatriz Feijó

    Muito boa sua postagem! Gostei muito da maneira como você deixou tudo bem explicadinho, me ajudou bastante! :)
    Conheci o Couchsurfing agora e estava cheia de dúvidas rs

    • Que bom que as dicas foram úteis ^^ Muito obrigada pelo comentário! :D É sempre uma alegria saber que pude ajudar.

  13. Juliana Moura

    Nossa amei as Dikas, tirou um pouco da minha insegurança.. me cadastrei no http://www.worldpackers.com e estou a procura de meus anfitriões!
    Vamos viajar!!!

    UHUL

  14. Alice Nunes

    Estou adorando seu blog, o conheci qndo iniciei minhas buscas por mais informações para programar minhas férias. Adorei o artigo e as dicas!!!

    • Oi, Alice! Que coisa boa, fico muito feliz de saber :D Espero que suas férias sejam uma delícia! Obrigada por comentar ^^

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