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Livro Portas Abertas: Três meses na Europa sem um centavo no bolso

Livros | 19/01/15 | 2 comentários

No fim do ano passado, li o livro da carioca Aline Campbell, criadora do projeto Portas Abertas, e apesar de ainda não conhecê-la pessoalmente, muita coisa me pareceu familiar. Há pouco mais de um ano, fiz uma entrevista com Aline, em que ela conta como passou “três meses na Europa sem um centavo no bolso”, como diz o subtítulo do livro. O resultado foi um dos posts mais acessados da história do blog :) Aproveitando que o lançamento oficial do livro vai ser no próximo dia 23 (no Rio de Janeiro), quis voltar a falar dela, do projeto e de como ele me inspira. Ah, pra quem ficar querendo ler, digo logo: o livro já tá disponível pra download gratuito aqui, ou você pode comprar um exemplar seguindo estas instruções.

Ok, você caiu de pára-quedas aqui e não sabe quem é Aline, o que é esse tal Portas Abertas nem qual é o sentido do universo e tudo o mais? Dá uma lida aqui primeiro! :) A empreitada de Aline pode ser considerada “radical” e a entrevista com ela foi um dos posts mais ~polêmicos~ aqui do blog, com direito a centenas de comentários toscos de gente mal educada e muitos outros inspirados, de pessoas que foram tocadas pela história.

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Aline com o livro, no Encontro com Fátima Bernardes

Inicialmente, além do inusitado de passar todo esse tempo sem usar dinheiro nenhum, o projeto me chamou a atenção pelo nome, que se assemelha ao do blog. Pra mim, as janelas abertas são uma metáfora de abrir nossa mente, olhar pra fora de nós mesmos com mais frequência, ficar atentos ao que o mundo nos reserva. Pra Aline, as portas são uma metáfora pra nossos bloqueios e medos internos: “mantemos portas fechadas por medo do desconhecido, por receio. Mas uma porta fechada não o protegerá de nada”, argumenta.

Mas como foi que ela conseguiu se virar esse tempo todo sem grana? Aqui você encontra mais informações (e no livro mais ainda, é claro), mas já adianto que ela pegou 54 caronas e dormiu na casa de 38 pessoas diferentes. Caso meu pai esteja lendo este post, aviso: a ideia de viajar sozinha pegando carona e dependendo da bondade alheia pra ter onde dormir e o que comer não me atrai muito pessoalmente, por questões de “ainda não confio tanto assim no universo e nas pessoas” e “prezo muito pela liberdade de ir e vir quando quiser”.

Mas lendo o livro, que nada mais é que um diário de bordo daqueles três meses cheios de emoções, fiquei muito me coçando pra sair por aí na mesma hora. Não pelos lugares descritos (até porque Aline pouco se dedica a falar de atrações turísticas), mas pelas experiências inesperadas, inusitadas (e, em alguns casos, até meio mágicas, eu diria) que marcaram a viagem dela.

Não curto aquela dicotomia viajante x turista que tanto circula em textos e posts de Facebook por aí. Mas acho que um roteiro feito com base em visitas a atrações descritas num guia é diferente daquele que tem como foco as pessoas encontradas no caminho. Não quero dizer que um seja melhor ou pior que o outro, nem que seja impossível misturar as duas coisas (porque super dá pra fazer isso), mas lendo sobre os 90 dias de Aline foi inevitável pensar em alguns dos momentos que vivi me hospedando ou passando um tempo com moradores dos lugares que visitei.

Explorar Londres com um mapa na mão foi massa, mas foi bem diferente de passear na companhia de Anna, nascida e criada na cidade, que me serviu chá com leite, me emprestou a cama do irmão e me chamou pra fazer o almoço com seus pais. Também não teria o mesmo sentido ir a Reading, que tem poucos atrativos convencionais, se não fosse pra conhecer o bar onde Fiona trabalha, bater um papo com seus colegas e pedir comida a domicílio. Da mesma forma, sempre que penso em Berlim me lembro de tomar café no pequeno apê de Dietmar, ir no “bar do bairro” com ele e brincar de jogo da memória com seu filho :)

Sem falar no almoço maravilhoso na casa do tio de Paula em Estocolmo, com americanos, suecos, romenos e colombianos radicados no país e uma baita mistura de idiomas enquanto um filho tocava piano, a outra cantava e a mãe me contava como salvou bichos-preguiça na Amazônia nos anos 80. E é claro: os dias que passei mais recentemente no apê fantástico de Sabrina em Stuttgart, com amigas queridas de três países diferentes, acordando tarde, comendo e bebendo muito bem…

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Plaquinha, a melhor amiga de quem pede carona

Podia continuar indefinidamente, mas acho mais interessante voltar à história de Aline, né? ^^

Se deixando levar pelo fluxo, confiando nas pessoas e dando pouca ou nenhuma importância a uma “lista de lugares a visitar”, ela passou por perrengues, mas viveu mais em três meses do que muita gente vive em três anos. Afinal, como observa Aline, pra que uma viagem seja bem-sucedida o esperado é que você volte feliz, realizado e cheio de histórias pra contar, e isso pode acontecer de diversas formas ;)

No caso dela, isso envolveu muita troca de olhares, sorrisos e histórias de vida. Troca de arte por hospedagem, carinho por carinho. E muita gente que ofereceu companhia, transporte, passeios e conforto sem esperar nada além da satisfação de ajudar. Sem planejar, ela passou por vááárias situações incômodas, mas também conheceu o maior centro comercial de flores e plantas do mundo, deu entrevista pra um programa de TV belga, se surpreendeu quando um cara viajou 700 km de carro só pra encontrá-la mais uma vez, foi a uma peça de teatro em alemão, se perdeu no meio de uma plantação de trigo, encontrou uma senhora que vive sem dinheiro há duas décadas, foi a um festival de música na Polônia, dançou a dança da cordinha em uma boate-barco em Belgrado, conheceu a neve na Suíça…

Além de mostrar como as pessoas, essas coisas mágicas que andam aí pelo mundo, podem transformar uma viagem em uma experiência totalmente fora do que tá previsto em qualquer guia, o livro de Aline passa uma lição que tenho tentado pôr em prática: se a gente se abre pra o mundo, transmite coisas boas pra o universo e não se desespera com o que dá errado, coisas incríveis acontecem.

Como diz o prefácio, escrito por Lua Muliterno: “Quando viajamos de verdade, perdemos o controle” e “é preciso estar livre, leve e atento às demandas que a vida te apresenta”. Independente do seu estilo de vida, da sua personalidade, da sua fé ou filosofia e do seu nível de exigência ao viajar, recomendo ler o livro ou pelo menos conhecer um pouco mais sobre a história de Aline e de tantas outras pessoas que escolhem levar a vida de uma forma “pouco convencional” (coisa que ela continua fazendo, em suas viagens pelo Brasil com seu cachorro Saga). Ou seja: abrir um pouco as portas, janelas e os olhos pra outras formas de encarar o mundo.

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Aline e Saga Brasil afora :)

Todas as fotos que ilustram o post pertencem a Aline Campbell e foram cedidas para publicação no blog.

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2 Comentários

  1. Christian Gonçalves Lemos

    Ola Luisa, adoro seu blog e já li ele muitas vezes , é muito bom e inspirador. Ai que me surgiu uma duvida, pois pretendo realizar um mochilão sem volta e decidido largar tudo e viajar, dane-se aposentadoria, e carro pra ne? to vendo a vida passar e não fiz nada por mim. Bem…..a minha duvida é: saindo do Brasil digamos estou indo para Europa de carona seja iate ou barco, é possível tirar o visto ja estando no pais? e se cobrar alguma taxa? pois não estou levando dinheiro, como você fez ? se poder me ajudar me dar alguma dica agradeço . Te admiro muito, assim como muitos mochileiro por ai, eu sou só mais um nesse mundão afora! Abraços.

    • Luísa Ferreira

      Oi, Christian! Quem fez essa viagem não fui eu, e sim Aline, a autora do livro, como eu explico no post. Você pode entrar em contato com ela através de uma página no Facebook que se chama Portas Abertas :) Ah, e pra ficar por até 90 dias na maioria dos países europeus brasileiros não precisam de nenhum visto, mas você pode se informar melhor nos sites de embaixadas e consulados relativos aos países aonde deseja ir. Um abraço!

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