Viagem pra Dentro

Viajar é privilégio: entenda por quê

Viagem pra Dentro | 16/06/20 | Atualizado em 19/06/20 | 2 comentários

“O mundo é um livro e aqueles que não viajam leem apenas uma página”, teria dito Santo Agostinho. Concordo que conhecer outros lugares e culturas é maravilhoso, mas acho uma injustiça desconsiderar tudo que é possível aprender sobre o mundo sem se deslocar pra longe. Até porque precisamos sempre lembrar: viajar é privilégio pra poucos.

Obviamente não estou chamando de privilégio as viagens “não opcionais”, como é o caso de refugiados ou pessoas que fogem de seus países no desespero porque não encontram neles condições mínimas pra viver com dignidade. Falo de viagens por escolha, especialmente pra lazer. Que, como a pandemia atual está nos ajudando a lembrar, não são nada essenciais pra nossa sobrevivência. E que nunca foram acessíveis à maioria da população mundial.

Sim, viajar é privilégio

Viagens a lazer são bens de consumo. Elas se tornaram mais acessíveis nos últimos tempos e podem ser bem mais baratas do que a maioria das pessoas pensa? Sim. Existem muitas formas de economizar, desde pegar carona a trocar trabalho por hospedagem ou se hospedar em Couchsurfing, e a economia colaborativa ajuda muito. Mas isso não significa que “basta priorizar”, como tanto escuto por aí.

De fato, muita gente que gostaria de viajar mais não o faz porque escolhe gastar dinheiro com outras coisas, porque estabeleceu metas de vida em que viagens não são prioridade ou porque tem medo de sair da zona de conforto.

A questão é que isso só se aplica dentro de uma bolha de pessoas que têm alguns privilégios. E adivinha? Existe um monte de gente fora dessa bolha.

Inclusive, aliás, boa parte das pessoas que nos atendem em restaurantes, hotéis e lojas quando viajamos, especialmente em países do Sul Global. Já parou pra pensar que muitos dos que trabalham no turismo nunca terão condições de ir muito longe dos lugares onde vivem? Viajar é privilégio, sim. E talvez de mais formas do que você imagina.

O que significa “privilégio”?

Mas antes de falar sobre por que viajar é privilégio, vamos dar um passo atrás e pensar um pouquinho sobre esse conceito, que parece incomodar muita gente.

Como explica o texto O que privilégio significa (e o que não significa), “Privilégio não é sobre indivíduos sendo pessoas ruins, mas sobre todo um sistema que favorece certos grupos e prejudica outros. Estes sistemas – como classismo, sexismo, supremacia branca, etc. – têm apoio estrutural de leis, da mídia e de políticas que afetam nosso dia a dia. A maioria de nós não é ensinada sobre o quanto estes sistemas influenciam o funcionamento do mundo”.

Pode ser difícil tomar consciência dos nossos privilégios porque, pra isso, precisamos enxergar os benefícios que recebemos durante a vida simplesmente por ser quem somos. Muitas vezes essas vantagens são sutis pra quem as recebe, mas bem evidentes pra quem é prejudicado.

E mesmo que você sofra algum tipo de opressão (como o fato de eu ser mulher, por exemplo) não significa que não se beneficie de outros privilégios. Como, no meu caso, a branquitude, classe social, orientação sexual e outros pontos que se encaixam num padrão socialmente favorecido.

“Ter algum tipo de privilégio não significa que sua vida foi fácil, ou que você não teve que se esforçar. Significa apenas que você não tem que superar os obstáculos que outras pessoas precisam enfrentar”, diz esse outro texto sobre privilégio (em inglês).

Formas de privilégio e opressão

Existem muitas opressões que dificultam imensamente a possibilidade de alguém viajar (além de influenciar em diversos outros aspectos da vida). E existem, também, questões que tornam a viagem mais desafiadora, mesmo quando ela é possível. Aqui, vou abordar privilégios/opressões que podem interferir nas viagens em diferentes níveis.

Antes de mais nada, um disclaimer: não tenho lugar de fala sobre a maioria dessas questões, nem sou estudiosa do tema. Mas, enquanto produtora de conteúdo de viagens, acredito que tenho a responsabilidade de refletir sobre isso e propagar essas reflexões. Então se você discorda da forma em que abordei algum ponto, por favor me fala nos comentários e vamos construir juntos.

Dinheiro

Existem muitos textos por aí (inclusive aqui no blog) mostrando como é possível viajar gastando pouco. Blogueiros de viagem mais chegados a rolês de baixo custo, como eu, sempre falam que existem diversas alternativas ao turismo convencional e que muitas coisas lindas nesse mundo são de graça.

Mas daí pra qualquer um poder viajar existe uma distância beeeem grande. “Bom, até o Louvre tem um dia que é de graça… mas como é que se chega lá? Tem gente que é do Rio de Janeiro e nem conhece o mar!”, observa Mariana Bueno nesse post sobre como viajar é privilégio.

Vale lembrar que metade dos brasileiros – 104 milhões de pessoas! – vive com metade de um salário mínimo. São R$ 413 por mês. Quatrocentos e treze reais. Muitas dessas pessoas trabalham hoje pra comer amanhã, sem nenhuma garantia legal, e mal conseguem tirar um dia de folga pra descansar, quem dirá viajar.

E, apesar de sermos um dos países mais desiguais do mundo, não estamos sozinhos nisso. O Banco Mundial estima que 3.4 bilhões de pessoas no mundo não têm suas necessidades básicas atendidas. Básicas mesmo, tipo acesso a água, eletricidade e educação.

Não dá pra dizer que “é só deixar de comprar roupas, jantar fora etc. e economizar” pra alguém que não lembra quando vestiu uma roupa nova pela última vez e que nem sempre tem comida na mesa, né? Pra muita gente, não existe dica de finanças, hack de viagem, esforço pessoal ou mudança de mindset que permita desbravar o mundo.

Responsabilidade

Outra questão agravante é a responsabilidade pelo sustento ou bem-estar de outras pessoas. Viajar, mesmo sem grana, é bem mais fácil pra quem não tem que sustentar uma família inteira ou cuidar de alguém doente, idoso ou criança. E infelizmente não contamos com um estado de bem-estar social que dê apoio pra essas pessoas.

Uma mãe solo que se vira num emprego informal pra sustentar seus dois filhos pequenos e ainda cuida da tia enferma, por exemplo, não vai ter viagens no topo da sua lista de prioridades. Se você pode tomar decisões pensando só em si, ou tem outras pessoas pra “segurarem a barra” em casa enquanto você viaja, isso é um privilégio.

Informação

Só por estar lendo esse texto você é privilegiado. Ser alfabetizado, ter acesso à internet e ter tempo de procurar leituras como essa não são coisas fáceis pra muita gente. Ter acesso a livros, filmes e ter amigos ou parentes que viajam também não. Muita gente não faz ideia dos lugares aonde se pode ir e do que conhecer neles.

Mesmo quem tem as questões básicas minimamente resolvidas nem sempre tem acesso às informações sobre como viajar de forma econômica. Quando algo parece muito distante da sua realidade, ou do que a sociedade sempre disse que era “o que lhe cabia”, nem se torna algo a que almejar. Ter a possibilidade de sonhar também é privilégio.

Raça

Viajar é privilégio também em termos raciais. Afinal, a discriminação em países como o Brasil é estrutural e afeta diferentes esferas da vida.

Mais uma vez, vou falar em dinheiro, porque existe um recorte de raça bem claro na nossa desigualdade. Bem claro mesmo: em 2018, o rendimento médio mensal das pessoas ocupadas brancas foi 73,9% superior ao das pretas ou pardas, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

E além disso, o preconceito racial cria vários outros obstáculos pra que pessoas negras viajem. “Os números em relação a violência doméstica, acesso à educação básica, superior, população carcerária e empregabilidade não nos favorecem. Ainda lutando para existir, é mais difícil alcançar discussões sobre a desmistificação da viagem”, observou a turismóloga Thainá Santos em entrevista pra o blog sobre viajar sendo uma mulher negra.

A falta de representação nessa indústria também pode fazer com que pessoas negras não se enxerguem como possíveis viajantes. A criadora do projeto Bitonga Travel, Rebecca Aletheia, já falou aqui no Janelas Abertas sobre esse assunto.

“O universo do turismo não abre espaço para mulheres negras. Esses espaços são racistas e não nos reconhecemos no marketing estampado nas páginas das revistas, nas propagandas dos hotéis e restaurantes…”, explicou Rebecca.

Mesmo pra os que conseguem viajar, existem diversas dificuldades não enfrentadas pelos brancos. O preconceito pode se mostrar presente em vários momentos da viagem, como exemplificam os casos de discriminação na aprovação de estadias no Airbnb. Esse tipo de situação motivou inclusive a criação da Diáspora Black, empresa brasileira que fomenta o fortalecimento da cultura negra no turismo.

“Em um aeroporto, me questionaram por que eu estava na fila de embarque prioritário, que é mais caro. Respondi que era porque tinha pago. Não precisava de muitas explicações para entender por que aquilo tinha acontecido”, relatou Thainá ao contar sobre uma viagem que fez pela Europa.

Nas minhas viagens, várias vezes percebi um tratamento muito diferente dado a mim, mulher branca, e a viajantes negros que estavam no mesmo ambiente. Testemunhei desde inspeções muito mais minuciosas de bagagens e documentos a reações descaradamente racistas de outros viajantes. E sei que o que eu chego a notar não é nada perto de quem vive isso todo dia.

“Meu privilégio branco significa que nunca vou ser confrontada por um sistema que constantemente me criminaliza, dificultando que eu viaje. Em aviões e aeroportos, ninguém pressupõe que eu seja violenta, criminosa ou terrorista”, conclui a sul-africana Sian Ferguson nesse artigo.

Leia também:
20 viajantes negros para inspirar suas viagens em 2020, por Guia Negro

Gênero

Um dos poucos privilégios que eu não tenho é em relação ao machismo. Afinal, homens têm menos preocupações ao se jogar pelo mundo. E apesar de amar viajar sozinha e defender que outras mulheres façam o mesmo, não posso negar que algumas situações são mais arriscadas pra nós.

O patriarcado dá mais poder aos homens em várias instâncias e isso torna a vida deles mais fácil também no que diz respeito a viagens. Especialmente nos países em que essa desigualdade é mais forte e as restrições pra uma viajante mulher se tornam maiores.

Sem falar que esse critério também bate no ponto econômico, né? Homens têm uma média salarial mais alta que mulheres (no Brasil, a diferença é de 47,24%), o que torna mais fácil fazer uma viagem de férias ou economizar grana pra “largar tudo e viajar”.

Mas apesar de não me beneficiar do privilégio masculino, tenho muitas facilidades por ser uma pessoa cisgênero (que se identifica com o sexo biológico com que nasceu). Pra uma pessoa transgênero é mais difícil obter documentos em que conste o gênero com que se identifica, a ameaça de transfobia sempre está presente, entre outros problemas que nunca terei que enfrentar.

Sexualidade

E falando em transfobia, outra questão de privilégio e opressão que afeta viagens é a orientação sexual. Afinal, assim como no dia a dia, quem não é heterossexual pode passar por vários problemas ao viajar.

Sites como o Spartacus Gay Travel Index divulgam listas de destinos onde a comunidade LGBTQI+ possui mais direitos e onde é mais respeitada. O índice de 2019 menciona, inclusive, como a situação piorou a esse respeito aqui no Brasil, na Alemanha e nos Estados Unidos.

Os países que ficam no final da lista registram muitos casos de violência contra pessoas LGBTQI+. Além disso, em várias partes do mundo, outras orientações além da heterossexualidade ainda são proibidas por lei. E mesmo nos países mais “abertos”, não existe garantia de que esses viajantes não vão sofrer preconceito. Não ter que se preocupar com essas questões ao viajar é privilégio.

Corpo

Outra questão que impede muitas pessoas de viajar ou dificulta seus percursos é o capacitismo (discriminação contra pessoas com alguma deficiência). Numa sociedade que considera a ausência de qualquer deficiência como a norma, a maioria dos lugares não tem a acessibilidade necessária pra pessoas com deficiência.

Laura Martins, autora do blog Cadeira Voadora, deu uma entrevista aqui pra o blog sobre acessibilidade no turismo. Ela deu alguns exemplos dos muitos obstáculos que encontra, em termos de acessibilidade, ao viajar pelo Brasil e outros países:

“Mesmo que a gente consiga se locomover sozinho, em muitos aeroportos isso não é permitido. Perdemos autonomia pra comprar um lanche, ir ao toalete, ir no duty free; precisamos sempre esperar alguém pra nos acompanhar. (…) Também já sofri muita dificuldade em hotéis por dizerem que são adaptados e até mandarem fotos, e chegando lá descobrir alguma coisa que não estava prevista”, conta. Ela também comentou sobre como é difícil ir à praia ou visitar as cidades históricas brasileiras.

E falando em corpo padrão, existe também a questão das pessoas obesas, que muitas vezes enfrentam dificuldades ou constrangimentos pra viajar. E podem inclusive ter que pagar mais caro, seja escolhendo um tipo de assento “premium” mais espaçoso ou pagando por uma passagem extra.

Essa matéria do R7 fala sobre isso, incluindo o depoimento da vice-presidente da NAAFA, ONG dos EUA que defende os direitos e a qualidade de vida dos obesos: “A responsabilidade de atender clientes de todos os tamanhos é o preço de se fazer negócios no mundo de hoje. E o custo não devia ser jogado nas costas de qualquer grupo de indivíduos”, diz.

Nacionalidade

Seu país de origem também pode determinar o quanto viajar é privilégio pra você, especialmente se a ideia é ir pra o exterior. Mais uma vez, isso tem a ver com termos econômicos, já que habitantes de países com moeda forte e salários altos têm muito mais chances de explorar o mundo. O que, aliás, perpetua até hoje a lógica colonial.

Leia também:
Por que descolonizar o turismo

Além disso, outro fator que pesa muito são as políticas de acesso de estrangeiros a cada país. Rankings como o Henley Passport Index classificam os “melhores passaportes” com base na necessidade de vistos pra viagens internacionais. Na última edição do levantamento, cidadãos japoneses ficaram em primeiro lugar: eles têm isenção de visto ou podem obter visto na entrada pra 191 países.

No final da lista aparecem Afeganistão, Iraque, Síria, Somália e Paquistão: os cidadãos dessas nações só têm facilidade de visto pra entre 26 e 32 países do mundo. Diferença enorme, né?

Nesse quesito, aliás, nós somos privilegiados: o Brasil aparece hoje na 19ª posição do ranking, já que temos direito a entrar em 170 destinos sem visto ou com visto na chegada.

Confesso que só fui me dar conta da diferença que isso faz quando comecei a ter mais amigos de diferentes partes do mundo. Como um indiano que teve o visto de turismo pra Europa negado sem razão e precisou montar um dossiê enorme pra ser autorizado a vir ao Brasil. Ou um egípcio que por pouco não foi impedido de ir pra um evento com tudo pago na Finlândia. Ter liberdade pra viajar pra outros países é privilégio.

O universo de blogueiros de viagem

Esse apanhado de privilégios no mundo das viagens não pretende ser exaustivo. Eu poderia incluir, por exemplo, questões religiosas, como o estigma de terrorismo contra muçulmanos, mas não queria alongar ainda mais o post.

Ainda assim, preciso falar brevemente sobre como os privilégios estão refletidos no universo profissional de que faço parte: o de produtores de conteúdo de viagem.

Não encontrei dados sobre isso, mas é evidente que a maioria dos blogueiros e instagrammers de viagem brasileiros são brancos assim como eu. Essa foto do seminário de 2017 da Associação Brasileira de Blogs de Viagem, de que faço parte, é ilustrativa disso.

viajar é privilégio

“Não conseguimos solidariedade com influencers de viagens e blogueiros. Somos invisibilizadas e silenciadas muitas vezes”, disse Rebecca Aletheia, do Bitonga Travel, na entrevista que mencionei anteriormente.

Refletindo as opressões que marcam nossa sociedade, a blogosfera de viagens tende a ser muito pouco diversa. Boa parte dos blogs de maior projeção é assinada por pessoas brancas, heterossexuais, cisgêneras, sem deficiência e assim por diante.

O resultado é que a maioria do conteúdo sobre viagem na internet retrata a realidade de viajantes que se encaixam nos padrões sociais tidos como norma, deixando de fora muitos outros pontos de vista. Ter acesso a narrativas de viajantes com perfis mais diversos é muito importante pra ampliarmos nosso olhar sobre viagens e sobre o mundo.

Leia também:
Por que ler livros escritos por mulheres 

Tá, viajar é privilégio. E eu com isso?

Se você, assim como eu, é beneficiado por um ou mais dos privilégios mencionados nesse texto e consegue viajar, não significa que sua vida seja fácil. Também não significa, é claro, que não exista muita gente ainda mais privilegiada que você.

Como não lhe conheço, vou falar de mim: não tenho pais ricos nem patrimônios. Sempre me dediquei muito aos meus estudos e trabalhos e me esforcei pra chegar aonde estou. Abri mão de muitas coisas no meu dia a dia e nas viagens pra poder passar mais tempo na estrada. Mas seria absurdo não reconhecer que já comecei essa corrida com diversas vantagens.

Sou branca, hétero, cisgênero, brasileira, nunca passei dificuldades financeiras e cresci num ambiente familiar saudável e construtivo. Além disso, não tenho ninguém dependendo do meu cuidado e cresci ouvindo histórias de viagens e sabendo que era algo possível.

Isso significa que devo sentir culpa pelos meus privilégios? Acredito que não, porque culpa não leva a nada. Pelo contrário: se deixar levar pela vergonha pode nos paralisar. A tendência é buscar conforto na alienação ou no conformismo, afinal, aquilo não nos afeta diretamente.

Mas é, sim, essencial ter consciência desses privilégios. Ter empatia, consciência de classe, senso crítico. E mais do que isso: fazer o que estiver ao nosso alcance pra mudar essa pirâmide em que alguns, por puro acaso, nascemos mais perto do topo.

Quem ama viajar não fala tanto sobre como é incrível conhecer outras culturas e aprender com as diferenças? A consciência de que viajar é privilégio tem tudo a ver com isso. Faz parte de sair da nossa bolha, entender que as pessoas têm realidades diferentes e assumir nossa responsabilidade numa conjuntura social extremamente injusta.

Acredito que não existem respostas simples pra transformar um mundo tão desigual. Mas isso não nos impede de estudar, escutar pessoas que fazem parte de grupos oprimidos e nos engajar contra essas estruturas de opressão. A ideia, afinal, não é simplesmente fazer com que mais pessoas cheguem ao topo da pirâmide de desigualdades: é acabar com ela.

E você, já tinha parado pra pensar como viajar é privilégio? O que acha sobre o assunto? Me conta nos comentários!

Crédito das fotos que ilustram o post: Unsplash / Direitos de uso liberados

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2 Comentários

  1. Eu venho pensando diariamente sobre isso, especialmente depois que começou a quarentena e eu fiquei um tanto cabisbaixa por estar “presa”.
    Perdi as contas de quantas vezes escutei de alguém que trabalhava em hostel, amigos locais de outros países de subdesenvolvidos ou até mesmo meus hosts de trabalho voluntário o quanto eles queriam “fazer isso” um dia. Viajar, no caso. É sempre um tapa.

    O texto foi perfeito. Muito obrigada!

    • A quarentena fez a gente sentir demais isso, né? Tanta gente tá “presa” a vida toda nas suas cidades de origem por uma série de circunstâncias… A gente que costuma ter liberdade de ir e vir, ainda que com esforço e certas limitações, nem sempre se dá conta de como isso é exceção. Também já levei uns “tapas” desses conversando com guias de turismo e outros moradores dos lugares por onde passei, que não se enxergavam conseguindo cruzar o mundo ou o país como eu estava fazendo. Baita desigualdade desse mundão, né? Que bom que você gostou do post e obrigada por comentar! :) Um abraço

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