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Livros de viagem: 23 títulos, de independentes a clássicos

Livros | 01/04/20 | Atualizado em 30/05/20 | Deixe um comentário

Minhas “coleções” do Kindle me denunciam: tenho uma queda por livros de viagem. Não por acaso, o número de títulos baixados por lá é maior que o da maioria dos gêneros da minha biblioteca virtual. Afinal, pra quem sabe o quão transformadoras as viagens podem ser, não tem outra: ou a gente tá na estrada, ou tá sonhando com a estrada (ou as duas coisas juntas).

Já vi muitas compilações de livros de viagem por aí, mas geralmente os mesmos títulos se repetem. Nesse texto, vou começar falando de obras que li e gostaria de ver em mais listas por aí. Vou trazer, também, algumas indicações de livros mais “clássicos”, porque esses clichês também têm sua razão de ser.

Além disso, incluirei algumas obras fora do mainstream que ainda não li – mas espero fazê-lo muito em breve. Vem comigo nessa viagem literária!

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23 livros de viagem para se inspirar

Ruína y Leveza

Começo com um livro que nunca vi em listas de livros de viagem por aí, que não é de uma autora conhecida, que não fala só de viagem propriamente dita, mas que é um dos meus preferidos. “Ruína y Leveza“, que apesar do título em espanhol foi escrito em bom (ótimo!) português, é o livro de estreia da gaúcha Julia Dantas.

“Quando se vê diante da perda de (supostas) certezas, uma jovem publicitária se lança em uma viagem sem objetivos claros e sem rota definida. Entre cidadezinhas arenosas do Peru e uma mina de estanho na Bolívia, ela atravessa fronteiras e se permite descobrir novos caminhos e pessoas, carregando na mochila um passado que ainda pesa”, diz a sinopse do livro.

O enredo pode até ser meio banal: jovem de classe média entra em crise com a vida “padrão” que vinha levando e vai fazer um mochilão latino-americano. Mas a narrativa é fluida, deixando o livro super gostoso de ler.

Julia – ou melhor, Sara, a protagonista – fala de uma a viagem “pra fora”, relatando desventuras sozinha e na companhia do argentino Lucho, que conhece pelo caminho. E tudo isso é intercalado com sua jornada pessoal, em que vai revelando aos poucos bagagem que a levou até ali. E, também, com reflexões sobre diferenças culturais e solidão. Recomendo muito!

De moto pela América do Sul

Eu era adolescente quando li esse relato da clássica viagem que Ernesto Che Guevara fez de moto com seu amigo Alberto Granado, de Buenos Aires até a Amazônia Venezuelana. O livro “De moto pela América do Sul“, baseado nas anotações do próprio Che em seu diário, foi usado como base pra o filme “Diários de Motocicleta”, dirigido por Walter Salles.

Nele, vemos a transformação que a viagem – e o contato mais profundo com suas raízes latino-americanas – provocou no jovem Ernesto. Entre uma aventura e outra, testemunhamos as observações de um jovem de 23 anos que queria aproveitar a vida e também descobrir sua verdadeira vocação.

Ótimo livro de viagem pra quem busca inspiração pra mergulhar na cultura do nosso continente. Ah, e se quiser entender melhor os impactos da colonização e os vários problemas que nos unem, vale ler o importantíssimo Veias Abertas da América Latina, do uruguaio Eduardo Galeano.

livros de viagem - de moto pela américa do sul

Não conta lá em casa

Já ouviu falar no finado programa de televisão “Não conta lá em casa”? A proposta da série era conhecer lugares “polêmicos”, que não costumam ser visitados por turistas. Estão incluídos aí desde destinos isolados do mundo, como a Coreia do Norte, a outros pouco conhecidos, como Tuvalu, e até lugares em situação de conflito.

Um dos seus integrantes, o jornalista André Fran, escreveu o livro homônimo pra contar os bastidores da produção televisiva. Ele relata suas aventuras por países como Iraque, Afeganistão, Somália, Timor Leste e Palestina, através de uma narrativa informal e leve.

Li em versão e-book há alguns anos e gostei muito de conhecer um pouco de culturas tão diferentes. Boa opção pra quem quer sair da bolha, mesmo que seja só pelas letrinhas, e pensar o turismo além dos destinos visitados pelas massas.

Overbooked

Em “Overbooked: The exploding business of travel and tourism“, a jornalista Elizabeth Becker faz uma investigação sobre o overtourism, nome dado ao fenômeno do turismo excessivo que vem trazendo muitos efeitos negativos pra o mundo. Cada capítulo é dedicado a um país ou cidade.

No da França, ela fala sobre como eles se tornaram líderes no mercado turístico. No de Veneza, explica por que o turismo de massa está basicamente matando a cidade. No Camboja, fala sobre como a má administração da atividade tá destruindo o patrimônio histórico.

Na Costa Rica, aborda escolhas feitas em prol do lucrativo ecoturismo. Em Dubai, mostra como um pedaço de deserto foi transformado em um dos maiores shoppings do mundo. Na China, fala sobre essa grande potência tanto como emissora quanto receptora de turistas. E discute, ainda, sobre os efeitos negativos dos cruzeiros de safaris africanos, principalmente pra o meio ambiente.

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Esse livro só tem versão em inglês e, por isso, pensei em deixá-lo de fora da lista. Além disso, ele é um livro-reportagem e inclui muitos dados sobre economia, história e outros fatos que não tornam a leitura das mais fluidas.

Ainda assim, insisti em colocá-lo aqui entre outros livros de viagem porque acho essa publicação importantíssima. Se você se interessa por turismo responsável, recomendo muito a leitura.

Mas você vai sozinha?

Gosto muito dos textos de Gaía Passarelli, ex-VJ da MTV e freelancer de grandes veículos de comunicação. Tanto que fiz até um curso de escrita de viagem com ela, que me inspirou a escrever essa crônica sobre uma experiência inusitada na Finlândia.

E “Mas você vai sozinha?”, a autora reúne várias crônicas bem humoradas sobre suas viagens pelo Brasil e pelo mundo, incluindo destinos tão diversos como Índia e Texas (EUA). Confesso que, pelo título do livro, esperava encontrar mais viagens solo e “propositais”, mas boa parte das histórias relatadas aconteceu em rolês a trabalho e em algumas ela estava acompanhada.

Ainda assim, me diverti com os pequenos relatos das suas aventuras, onde os destinos são só um detalhe. O livro é leve, despretensioso e divertido e serve de lembrete que viajar é estar aberta ao imprevisível.

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Queria ter ficado mais

Amo a proposta de “Queria ter ficado mais“, uma coletânea de crônicas escritas por 12 mulheres em diferentes cidades do mundo. Em vez de serem editadas em formato convencional, como os outros livros de viagem que menciono aqui, as histórias vêm cada uma dentro de um envelope. É como se fossem cartas enviadas diretamente ao leitor. Uma lindeza, né?

Os relatos incluem destinos como Valência, na Espanha, Tóquio, no Japão, Istambul, na Turquia, e Israel e Cisjordânia. Como costuma acontecer com coletâneas, a qualidade dos textos é variável. Gostei muito de alguns deles, mas achei outros sem gracinha. Também senti falta de mais destinos na América Latina, África e Ásia, já que a maioria das “cartas” tem como tema capitais europeias.

Por outro lado, adoro o fato de serem todas histórias sob o ponto de vista feminino, e também fiquei feliz por contribuir com uma obra com projeto gráfico tão diferente. Além disso, alguns dos relatos me deixaram cheia de vontade de viver aventuras mundo afora imediatamente – ótimo sinal, né?

livros de viagem - queria ter ficado mais

Na Natureza Selvagem

Esse clássico já ganhou post só pra ele no começo do blog e ainda é um dos meus livros de viagem preferidos. “Na Natureza Selvagem” (Into the Wild) é o livro que deu origem ao filme de mesmo nome e virou hit entre mochileiros. E é, inclusive, baseado numa história real.

Em 1990, um rapaz de classe média norte-americano chamado Chris McCandless saiu de casa depois da formatura da faculdade sem avisar a ninguém aonde ia. Doou suas economias, abandonou seu carro, queimou o resto de dinheiro que tinha na carteira e inventou uma nova vida pra si mesmo na estrada. Seu nome agora era Alexander Supertramp, mestre do próprio destino.

Depois de dois anos pegando carona, morando na rua e fazendo bicos, McCandless chegou ao que devia ser o ápice da sua jornada: uma incursão solo no Alasca.

Na Natureza Selvagem é um livro sobre a paixão pelo desconhecido, a necessidade quase instintiva de contato com a natureza e a busca por algo dentro de nós mesmos, por um sentido maior pra vida, por espiritualidade.

É também sobre idealismo, coragem, inocência, a imprudência e os “ritos de passagem” da juventude e a necessidade de provar-se independente. Quem já sentiu isso que sua casa é a estrada, que a busca por liberdade é necessária ou que perder-se é a única forma de encontrar-se deve se identificar com a história de Chris.

livros de viagem

Do for Love

Publicado de forma independente por Letícia Mello, “Do For Love” é um relato de uma viagem de seis meses por três países do Sudeste Asiático: Tailândia, Camboja e Vietnã. O título (“faça por amor”) está ligado ao propósito que motivou Letícia a embarcar nessa viagem, com pouca grana e muita boa vontade: fazer trabalho voluntário.

(Um parênteses: tenho várias ressalvas em relação ao trabalho voluntário no exterior, com base nas análises de muitos especialistas na área de desenvolvimento social. Se você estiver pensando em fazer algo do tipo, sugiro pesquisar bastante sobre os problemas do volunturismo e sobre como voluntariar no exterior de forma ética e útil).

À parte essa questão mais complexa, achei o livro de Letícia muito bem escrito, super gostoso de ler e bastante inspirador. Tanto pela forma em que ela lida com os perrengues que acontecem durante a viagem, quanto por inspirar outros viajantes a embarcarem numa jornada de aprendizado sobre si mesmos. Afinal, ela mostra que viajar é muito mais que ter conforto, tirar boas fotos e visitar pontos turísticos.

E acho massa que ela tenha conseguido lançar tanto o livro quanto o documentário “Um dia eu voltaria”, também baseado nessa viagem, de forma independente!

Jovem o Suficiente

Outro título dessa lista de livros de viagem que já ganhou um post exclusivo aqui no blog há alguns anos é “Jovem o Suficiente“. Escrito por Felipe Gaúcho, o livro também se baseia numa viagem real. Nesse caso, uma jornada de um ano e meio que o autor fez aos 19 anos “em busca da juventude” que já estaria escorrendo por suas mãos.

Pra isso, ele viajou pela Europa, Ásia e América Central e entrevistou crianças de 30 países. Num vídeo, Felipe diz que “viajar é se apaixonar pelo ser humano, se frustrar com o ser humano, tentar entendê-lo e se libertar da obrigação doméstica de se manter uma vida ordinária”.

Comprei o livro no financiamento coletivo porque quis ajudar um autor independente, mas me surpreendi com a habilidade narrativa e o espírito aventureiro de Felipe. A história, muito bem contada, inclui personagens controversos, mergulhos em culturas distintas, reflexões sobre religião e alguns trechos pouco verossímeis, mas muito interessantes.

livros de viagem

Livre

Não é nada raro livros de viagem virarem filmes, né? Outro exemplo é “Livre: a jornada de uma mulher em busca do recomeço“, que também se baseia numa história real. O livro, adaptado pra o cinema com Reese Witherspoon como protagonista, conta sobre a caminhada solitária de 1.770 km da autora pela Pacific Crest Trail (PCT).

Essa trilha, bem famosa lá na América do Norte, começa no Sul da Califórnia e atravessa toda a Costa Oeste norte-americana até a fronteira com o Canadá. Fiz um mini trecho dela, num percurso de um dia perto de San Diego, e confesso que bateu uma vontade de percorrer um pedaço maior.

No livro, a escritora relata um caminho de redenção. Com uma história de vida bem complicada, ela resolveu percorrer a PCT sem experiência, sem preparo físico adequado e até mesmo sem as informações corretas sobre equipamentos necessários.

Como era de se esperar, a autora-personagem passa por várias situações difíceis, e confesso que me irritei um pouco com ela no livro. :P Ao mesmo tempo, ela vai se aprofundando no autoconhecimento, lidando com fantasmas do passado e, aos poucos, curando suas feridas.

Comer, rezar, amar

Esse é outro clichê que com certeza você conhece, né? “Comer, Rezar, Amar” é o relato da escritora Elizabeth Gilbert em uma jornada por Itália, Índia e Indonésia. Adaptado pra o cinema com Julia Roberts como protagonista, o livro não é dos meus preferidos, mas acho bem melhor que o filme.

No meio de uma espécie de “crise de meia-idade antecipada”, Elizabeth começa a questionar muita coisa sobre a vida convencional que leva. E, assim como tanta gente faz, resolve cair na estrada pra tentar “se encontrar”.

Na Itália ela estuda italiano, faz amigos, come muita massa e se permite viver a vida de forma mais leve. Na Índia, vai pra um ashram e enfrenta a dificuldade que é parar, meditar e olhar pra dentro de si. Em Bali, encontra um guru e se apaixona.

Li o livro há muitos anos e, na época, me incomodou a impressão de que ela estava sempre seguindo as “instruções” de alguém que encontrava pelo caminho, em vez de descobrir sozinha os caminhos que queria percorrer. Ainda assim, o livro é divertido e inspirador – especialmente pra quem também tá se sentindo meio perdido.

Ah, e passei a gostar muito de Elizabeth Gilbert quando li outro livro dela, A Grande Magia, que também virou post aqui do blog e recomendo muito pra quem trabalha com criatividade.

A Arte de Viajar

Gosto tanto de viajar quanto de pensar sobre o ato de viajar. Por isso, não podia deixar de ler “A Arte de Viajar“, escrito pelo filósofo Alain de Botton.

“Poucas atividades estão tão associadas à busca da felicidade quanto o desejo de viajar para lugares distantes. Embora não faltem publicações que recomendam variados destinos, é raro encontrar na literatura uma reflexão sobre as motivações que levam o viajante a abandonar o conforto do lar e a enfrentar o desconhecido. Tampouco se encontram conselhos para que tal jornada se transforme em uma experiência enriquecedora para o indivíduo”, diz a sinopse do livro.

Talvez a descrição tenha alçado demais minhas expectativas, mas me decepcionei um pouco com o livro. Achei que ele exagerou nas referências às trajetórias de grandes nomes como Flauber e Van Gogh e, no meio dessa erudição toda, não falou tanto sobre como viajar melhor, como prometia.

Ainda assim, o livro traz bons insights sobre questões que ressoam em qualquer viajante, como a relação entre expectativas e realidade, exotismo e curiosidade e a liberdade de viajar sozinho.

livros de viagem - a arte de viajar

De Cape Town a Muscat

Em “De Cape Town a Muscat: uma aventura pela África”, Guilherme Canever faz uma espécie de diário de viagem, com um breve capítulo dedicado a cada país por onde passou. A obra é a compilação de textos escritos em um blog, que ele criou pra relatar a viagem a familiares e amigos.

Assim, podemos acompanhar Guilherme (em parte sozinho, e em parte com sua esposa) passando por países como África do Sul, Namíbia, Botsuana, Zâmbia, Moçambique, Malaui, Burundi, Etiópia, Djibuti, Somalilândia, Ruanda e Uganda.

Ele não se aprofunda muito em cada destino, o que é bem compreensível, dada a extensão do trajeto abordado no livro. Mas considerando a extensão da ignorância da maioria de nós sobre o continente africano, acho o livro muito legal por simplesmente apresentar um pouco de cada país.

Além de falar sobre seu percurso, os perrengues que passou e suas impressões sobre cada lugar, Guilherme inclui também informações úteis sobre cada país, tipo forma de governo e idiomas falados. Um ótimo recurso pra quem tem curiosidade sobre a África ou pensa em ir pra lá em breve (como euzinha aqui!).

livros de viagem

Turismo de empatia: refugiados no Oriente Médio

E falando em destinos (ainda) pouco convencionais pra o viajante brasileiro, que tal ir passar o mês de férias visitando campos de refugiados em países como Jordânia e Iraque?

Foi o que fez a jornalista Talita Ribeiro, autora do livro Refugiados no Oriente Médio. Repórter da área de turismo, ela se jogou nessa viagem pra fora da zona de conforto em 2015 e garante: sua forma de ver o mundo mudou, tornando-se ao mesmo tempo “mais amorosa e mais combativa”. E o resultado foi o livro “Turismo de empatia: refugiados no Oriente Médio“.

Escrevi um post inteiro aqui no blog sobre o livro Turismo de Empatia. Nele, comento que a autora retrata suas vivências com leveza e poesia e nos instiga a viver nossas próprias jornadas de empatia – que nada mais é do que se colocar no lugar do outro.

Talita acredita, assim como eu, que o turismo pode nos ajudar a ampliar nossos horizontes, e que com isso novas conexões e ideias podem surgir pra, quem sabe, tornar o mundo um pouco melhor. Nesse sentido, achei a leitura inspiradora.

turismo de empatia

On The Road

Começando agora com a parte dos livros de viagem que AINDA não li, não podia deixar de falar do clássico “On the Road” (Na Estrada), de Jack Kerouac. O livro, afinal, é um ícone da geração beatnik, movimento de jovens que adotavam um estilo de vida antimaterialista, pouco depois da Segunda Guerra Mundial.

Narrado por Sal Paradise, o livro retrata os rolês dele e seus amigos pelos Estados Unidos envolvendo pouca grana, sexo, drogas e uma busca por liberdade. A escrita do autor é bem peculiar e, por isso, dizem que o livro é daqueles “ame ou odeie”. Também virou filme, mas eu também não li ainda. :P

Cem dias entre o céu e o mar

Outro título presente na maioria das listas de livros de viagem é “Cem dias entre o céu e o mar”, do navegador brasileiro Amyr Klink. A obra é um diário de bordo da sua travessia de 6500 km, do sul da África até a Bahia, em um barco a remo. Obviamente, ele passou por vários contratempos nesse percurso, e o livro é citado como uma grande inspiração sobre superação humana e respeito à natureza. Amyr Klink também escreveu outros livros, como Mar sem Fim, onde fala sobre sua primeira volta ao mundo.

Doze Contos Peregrinos

Ouvi dizer que “Doze Contos Peregrinos” não é das melhores obras do colombiano Gabriel García Marquez. Mas, considerando o talento desse senhor, imagino que mesmo o “pior” da sua trajetória não seja nada mau.

Nessa coletânea de contos, ele retrata episódios vividos por personagens latinos em diferentes cidades europeias. Segundo o autor, as ideias foram tomando forma durante muitos anos, e em conjunto representam uma diversidade de contextos curiosos.

Sete Anos em Sete Mares

Esse tá no meu Kindle desde que a autora, Bárbara Veiga, veio ao Recife pra um evento – que acabei perdendo. “Sete Anos e Sete Mares” surgiu a partir dos registros feitos pela ativista durante suas viagens em prol de causas ambientais.

Bárbara embarcou na sua primeira missão no oceano aos 21 anos, escolhendo abrir mão dos amigos, família e conforto pra contribuir com causas em que acredita. Nos sete anos seguintes, passou por 84 países, visitando algumas das regiões mais inóspitas do mundo.

“São relatos sobre a paixão pela vida marinha e seus ensinamentos, aprender a confiar nas pessoas, ser uma mulher em um meio predominantemente masculino, a solidão e saudade de casa, aventuras em meio a piratas e prisões no Caribe, mas, acima de tudo, sobre uma vida trabalhando em causas junto ao Greenpeace, Sea Shepherd e Avaaz”, diz a sinopse do livro, que tou doida pra ler.

Confissões de Viajante (sem grana)

Outro dos livros de viagem que tá no topo das minhas prioridades é “Confissões de viajante (sem grana)”, escrito por Manoela Ramos. Formada em publicidade, a autora se decepcionou com o mercado e trabalho da área e resolveu percorrer o Brasil de forma super econômica. Depois de mais de dois anos de viagem, transformou seus diários em livro e editou tudo de forma independente.

“O livro não é apenas um convite às viagens literais, Manoela nos proporciona um mergulho interior, a partir de suas divertidas experiências. Se a estrada é uma oportunidade de aprofundar-se no universo espiritual, a autora trilhou um instigante caminho, cercado de experiências culturais, raciais e humanas. A narrativa única de uma das poucas viajantes negras reconhecidas no Brasil vai muito além de um guia de viagens”, diz a sinopse.

Não conheço Manoela, mas acompanho suas redes sociais e admiro muito seu esforço como escritora independente. Muitas das vendas do livro foram feitas pessoalmente, indo a eventos “na cara de pau” ou oferecendo de pessoa em pessoa na praia, por exemplo. Massa, né?

confissões de viajante sem grana

Te mando flores da Grécia

Tá vendo que o que não falta nessa lista de livros de viagem são mulheres incríveis que viajam sozinhas, né? A jornalista Paula Brukmüller é outra que transformou suas experiências na estrada em literatura, lançando o “Te mando flores da Grécia”.

Segundo o prefácio do livro, “Paula usa a tragédia pessoal de sucessivos abortos, tentativas para engravidar, do fim de um casamento e da mudança para uma cidade que não era a que nasceu, como uma máquina retroescavadora.

Enquanto completa uma volta ao mundo, sozinha e com uma mochila nas costas, busca quem quer ser, mas principalmente puxa de si mesma prazeres perdidos da própria feminilidade, e revela-se hedonista, devota, sensual, reprimida, egoísta, amiga”.

O livro mostra sua jornada de 427 dias por 24 países, percurso em que a autora aborda sua própria vulnerabilidade como parte do processo de cura que viveu durante a viagem.

Mundo por Terra

Curte longas viagens de carro? Então você deve se interessar por “Mundo por terra: uma fascinante volta ao mundo de carro”. Esse livro de viagem foi escrito por um casal que cruzou 60 países em 5 continentes de carro durante quase três anos. Os autores, Michelle Weiss e Roy Rudnick, combinaram relatos de viagem com dicas pra quem pretende planejar uma viagem parecida.

Viajo, Logo Existo

Outra opção na mesma linha é “Viajo, logo existo: um ano na estrada”, do casal Rachel e Leonardo Spencer. Depois de largarem os empregos em São Paulo, eles resolveram partir também numa longa viagem de carro. No livro, relatam o primeiro ano de aventura, em que passaram por países como Chile, Colômbia, Nicarágua e Costa Rica sem experiência, mas com muita disposição.

Coleção Povos e Civilizações

Pra terminar a lista, inclui não só um livro, mas uma coleção inteira. A Editora Contexto tem uma coleção chamada “Povos e Civilizações”, com uma série de livros que falam sobre diferentes países. Eu li Os Colombianos, que deu origem a esse post com curiosidades sobre a Colômbia, e achei bem legal pra quem quer saber mais sobre a cultura e a sociedade da Colômbia.

Eles também lançaram títulos que falam sobre a Alemanha, Argentina, China, Irã, Itália, Índia, Japão, Líbano, México e Rússia, entre outros países.

coleção da editora contexto

E você, quais são seus livros de viagem preferidos? É claro que essa lista tá longe de ser exaustiva. Me conta aí nos comentários quais títulos legais eu deixei de fora!

 

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