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Turismo de Empatia: Refugiados no Oriente Médio

Livros | 13/09/16 | Atualizado em 03/12/17 | 2 comentários

Não é todo mundo que escolhe passar o mês de férias visitando campos de refugiados em países como Jordânia e Iraque, né? Pois foi isso que fez a jornalista Talita Ribeiro, autora do livro Refugiados no Oriente Médio. Repórter da área de turismo, ela se jogou nessa viagem pra fora da zona de conforto entre novembro e dezembro de 2015 e garante: sua forma de ver o mundo mudou, tornando-se ao mesmo tempo “mais amorosa e mais combativa”.

Mas de onde surgiu a vontade – ou, como ela coloca, necessidade – de ir aprender sobre amor e coragem numa região do mundo que a maioria prefere evitar? O interesse já existia, mas a grande inspiração foi essa foto do fotógrafo curdo Jack Shahine, que registrou mulheres resgatadas do ISIS tirando as roupas pretas que cobriam seu corpo e revelando, por baixo delas, vestidos supercoloridos.

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“Meu coração se encheu de esperança e de alegria por viver no mesmo mundo que elas. Um mundo onde as mulheres continuam mudando destinos e escrevendo novas histórias, em que resistem bravamente a cenários de guerra e pobreza, que seguem na direção da liberdade, mesmo que esse seja o caminho mais perigoso”, explica a autora. Ela quis, então, conhecer essas mulheres pessoalmente, ver como elas enxergam o mundo e testemunhar a história acontecendo.

Não por acaso, o primeiro capítulo se chama “Você não tem medo?”, pergunta frequente pra quem faz uma viagem assim. Mas, segura de que essa trajetória tinha tudo a ver com o que ela é e o que buscava, Talita embarcou. Durante o planejamento, resolveu concentrar seu roteiro na Jordânia e no Curdistão iraquiano, onde visitou famílias e campos de refugiados, além de aproveitar pra fazer passeios mais focados no lazer na encantadora Turquia.

E foi, durante o percurso, escrevendo sobre tudo o que vivia. Na volta, organizou o livro e lançou uma campanha de crowdfunding pra conseguir lança-lo – e, com os lucros, ajudar projetos com os quais teve contato. Posteriormente, lançou uma segunda edição pela Enkla, que foi a que comprei (sem saber que a editora é de Bel Pesce, figura que tem se mostrado cada vez mais controversa :P).

São pouco menos de 200 páginas com uma diagramação que achei massa: com carinha de diário de viagem, as páginas imitam colagens, riscos de caneta e grifos de marca-texto, misturando fotos, ilustrações e outros recortes que dão um tom mais visual e palpável às histórias contadas. Os detalhes, texturas e cores fazem a gente se sentir um pouco mais perto das percepções da autora.

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Pra cada capítulo são dedicadas umas três páginas de crônicas e reflexões muito bem escritas. São fragmentos da observação e das sensações da autora, que ressalta o significado por trás de olhares, sorrisos, pequenas coisas como objetos à venda no aeroporto e simples ações como brincar com um balão e cuidar da câimbra de alguém. Apesar de ter ouvido histórias terríveis, ela fala de esperança, resistência e amor.

“Foi esse cobertor que me ajudou a não congelar na madrugada. Mas não evitou que eu acordasse à meia-noite, morrendo de frio. Despertei e fiquei pensando que o inverno ainda nem havia começado, que eu estava protegida por paredes e bem vestida, enquanto milhares de refugiados naquele mesmo país estão morando em barracas de lona e não têm sequer uma cama com colhão fino de espuma, como aquela em que eu estava deitada e brigava para achar uma boa posição. Pensei em tudo isso enquanto escolhia uma roupa para me agasalhar melhor. O que fazem os que não têm escolha?”.

Achei a proposta massa, mas confesso que esperava mais informações sobre o que Talita viveu e sobre o contexto histórico e social. A leitura é super-rápida e fiquei com uma sensação de que faltava alguma coisa. Os personagens e situações são apresentados e desaparecem num instante e achei um pouco difícil formular uma reflexão mais “profunda” sobre eles.

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Por outro lado, tudo é contado com leveza e poesia, então fiquei com vontade de reler o livro várias vezes e também com a sensação de ter recebido um empurrãozinho pra viver minhas próprias jornadas de empatia. Além disso, achei o livro importante pela simples provocação sobre a importância da empatia – que nada mais é do que se colocar no lugar do outro.

O que me parece, aliás, fundamental pra gente entender o mundo, viajando e vivendo de forma mais consciente. Afinal, como ressalta Talita, “ao fecharmos os olhos para o que é diferente, não enxergamos o que nos faz iguais e humanos”. Ela acredita, assim como eu, que o turismo pode nos ajudar a ampliar nossos horizontes, e que com isso novas conexões e ideias podem surgir pra, quem sabe, tornar o mundo um pouco melhor.

“Cercas, barracas, esgoto a céu aberto, banheiro limitado, sofrimento compartilhado, fome, sono, sede, medo, ausência de horizontes… E uma criança no meio, que representa milhares de tantas outras. Não há petróleo no mundo que pague seus dias vazios. Não há política internacional que explique a violência como rotina”.

No fim, Talita traz um “pequeno manual sobre turismo de empatia”, onde dá algumas dicas pra quem também quer viajar priorizando ver, ouvir e sentir o outro. Tudo começa, explica, com uma pergunta – um questionamento sincero que te impulsione pra fora da sua zona de conforto e te faça querer ser um bom ouvinte.

Daí, continua ela, você precisa definir quem pode te ajudar a encontrar respostas, conversar com quem vive no destino, pesquisar informações, conversar com seus amigos e familiares, fazer um planejamento financeiro, desenvolver e aperfeiçoar algumas habilidades úteis na viagem, definir um canal de comunicação e segurança e, é claro, preparar seu espírito. Entre outras dicas que você precisa ler o livro pra descobrir. :)

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Saiba mais sobre o livro Refugiados no Oriente Médio e outros projetos da autora na fanpage Turismo de Empatia.

Alguém aí já leu? Conta aí o que achou!

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2 Comentários

  1. Eu tenho a edição do financiamento coletivo e gostei muito, leitura bem leve, mas ao mesmo tempo sobre algo profundo. Curto o jeito que Talita escreve e espero que saiam outros sobre as viagens dela. :)

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