Américas

Guia para viajar sozinha pela América Latina

“Mas por que viajar sozinha pela América Latina?”. Essa é uma pergunta que eu recebo muito quando falo que viajo por nosso continente há seis anos. Com tantos estereótipos de perigos, ainda mais para uma mulher sozinha, é comum questionarem a segurança de percorrer terras latinas. Por isso, vim compartilhar os destinos, dicas, roteiros, economias e falar também sobre os tabus ligados a essa viagem.

Quando pensamos em países turísticos, nem sempre lembramos do nosso próprio continente. Lembro de ter me impressionado quando conheci as múmias peruanas, as ruínas piramidais na América Central, os sabores das comidas colombianas, as paisagens cinematográficas do Chile, os transportes divertidos da Nicarágua e vulcões explodindo na Guatemala.

A experiência de mochilar pelos nossos países vizinhos me mostrou o quanto desconhecemos as riquezas que existem perto de nós. Mais que isso, viajar sozinha pela América Latina me ensinou sobre o Brasil.

Claro que percorrer terras brasileiras também é viajar pelo continente, mas conhecer mais dos outros países me fez perceber semelhanças nas nossas histórias, problemas parecidos que enfrentamos no dia a dia. Percebi como as nossas raízes se entrelaçam.

Espero que com este artigo você possa se interessar mais em viajar sozinha pela América do Sul e América Central e encontrar boas dicas para planejar a sua viagem e se aventurar por aí também!

Por que viajar pela América Latina?

Eu poderia fazer uma lista aqui com vários motivos para viajar sozinha pela América Latina. Para nós, que temos passaporte brasileiro, uma grande facilidade é poder viajar para a maioria dos países do continente sem a necessidade de visto. O preço também ajuda, já que em muitos destinos por aqui o Real tem grande poder de compra. E por último, a distância: é mais fácil ir para lugares pertinho de nós.

Fora esses pontos práticos e racionais, vamos falar do que enche os olhos, o coração e o estômago nas viagens. As belezas naturais, as montanhas, os desertos, as praias e tantas outras paisagens de tirar o fôlego. A riqueza cultural, aprender sobre civilizações antes da colonização, lendas e novas formas de ver a vida. Isso sem falar da hospitalidade da maioria dos países e o carinho que costumam ter em relação a nós, brasileiros. E, claro, as comidas que tornam a experiência ainda mais deliciosa.

Eu sempre recomendo viajar pelo continente começando pelo Brasil mesmo, antes de tudo. E quando for sair, considerar com muito carinho os outros países da América Latina. Ver as nossas conexões, partes da nossa história, dos nossos biomas, das nossas lendas. Com tantos pontos que nos conectam, fica difícil não se sentir em casa em vários cantos desse pedação de terra acolhedor.

viajar sozinha pela américa latina

É seguro viajar sozinha pela América Latina?

Não tem como falar sobre viajar sozinha pela América Latina e não falar de segurança. Antes de tudo, é importante lembrar – mais uma vez – que o Brasil faz parte da América Latina. Dividimos muitas belezas e histórias, mas também os problemas e desafios sociais, econômicos e políticos. Por isso eu digo que nascer no Brasil já te prepara para essa viagem.

Um ponto importante de dizer é separar a história do presente. Tem países que já passaram por momentos violentos, como a Colômbia nos anos 80 e 90, por exemplo. Hoje em dia o país não é muito diferente em relação ao Brasil no quesito segurança. Ter os cuidados que você tem no seu dia a dia já vai te ajudar a estar mais atenta nos lugares por onde passa. E isso vale para o mundo todo, não só a América Latina.

Sobre ser mulher e viajar sozinha pela América Latina

Agora o foco é segurança para mulheres. Eu não sou do time que fala que viajar sozinha é só um mar de rosas. Eu sei que viajar tem seus perigos para todo mundo, e tem riscos específicos para nós mulheres, num mundo machista.

Ao mesmo tempo, não vou falar que o problema é viajar sozinha pela América Latina, porque o problema é ser mulher em qualquer lugar no mundo. Até mesmo no Brasil, em nossas casas, somos vítimas.

Calma, eu não quero te desmotivar. Quero que você vá mais preparada do que eu fui. Se eu pudesse te dar uma dica é: esteja atenta ao seu redor, cuide bem dos seus pertences. Utilize as mesmas técnicas de segurança que você já usa no dia a dia.

Compartilhe a localização, finja estar enviando um áudio para alguém que está lhe esperando no destino quando estiver em trânsito, evite voltar para a hospedagem ou chegar numa nova cidade sozinha de madrugada, tenha atenção aos seus arredores, escute a sua intuição e seu instinto te dizendo.

Outra boa dica é perguntar às mulheres que já foram aos países para onde pretende ir para saber sobre a segurança para mulheres sozinhas naqueles lugares. Esse foi um dos motivos pelos quais eu criei o projeto Elas Viajam Sozinhas, um site em que mulheres compartilham suas aventuras pelo mundo e dicas práticas.

Em resumo, meu conselho é: não deixe de realizar um sonho seu por falta de companhia. Se organize, pesquise, converse e vá.

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lanna na cidade do méxico

Mentoria para viajar sozinha

Eu sei como é ter medo de se jogar sozinha no mundo, ainda mais em um lugar que carrega tantos estereótipos. Quando fui viajar sozinha pela América Latina eu não tinha referências e foi difícil. Hoje, depois de anos passando por tantos países, quero apoiar as viagens de outras mulheres.

Depois de anos da criação do Elas Viajam Sozinhas, onde mulheres compartilham suas histórias, aventuras e dicas, criei a Mentoria Primeiros Passos.

Cada mulher vai ter sua dificuldade, sua trava. E eu quero ser a mão-amiga que vai te acolher, te ajudar, te dar todas as ferramentas para conhecer a América Latina (e o mundo) sozinha. O meu foco não é te dar um bê-a-bá da viagem pronto ou roteiros copiados. Eu quero construir com você uma viagem sozinha que faça sentido para VOCÊ, que seja pensada totalmente em quem você é e no que busca.

Existem dois tipos de mentoria: uma delas é uma consultoria em que você tira dúvidas gerais; e a outra são três encontros em que vamos conversar mais profundamente sobre seu roteiro, inseguranças, lugares etc. Para conferir como funciona a mentoria para viajar sozinha, vem dar uma olhada nesse link aqui.

Como se preparar para viajar pela América Latina

Nós, como brasileiras, temos um passaporte fortíssimo em mãos. Enquanto alguns reclamam de não termos acesso a alguns países, é um baita privilégio poder viajar por quase todos os países latinos sem precisar de visto. Para entrar na Argentina, Chile, Uruguai, Bolívia, Peru, Paraguai, Equador e Colômbia, por exemplo, nem passaporte é necessário: basta ter um RG em boas condições e emitido há até 10 anos.

Outra burocracia que preocupa viajantes é a necessidade de vacinas. Alguns países cobram o Certificado da Vacina de Febre Amarela. E, em tempos pós-pandêmicos, ainda é bom conferir os pré-requisitos em relação à COVID.

Em países que não fazem parte do Mercosul, pode haver exigência de visto. É o caso do México, por exemplo, mas recentemente os procedimentos de entrada lá foram facilitados. Cheque sempre fontes oficiais dos governos para ver as informações mais atualizadas sobre vistos e outras exigências para brasileiros em cada país.

viagem na américa do sul

Fora essa parte burocrática de viajar sozinha na América Latina, vamos falar da parte boa? Ouça músicas em espanhol para ir entrando no clima do idioma, assista filmes, pesquise as histórias dos lugares que quer visitar. A viagem pode começar antes mesmo de você cair na estrada!

Quando for montar seu roteiro, pesquise as principais formas de deslocamento de um país para outro em sites como Rome2Rio e planeje a ordem de acordo com as condições climáticas em cada destino.

Caso pretenda viajar por terra, se informe sobre como é cruzar as fronteiras. Por exemplo, não é recomendado cruzar Panamá e Colômbia por terra; o ideal é avião ou barco. Entre a Bolívia e o Paraguai tem a floresta Amazônica e a região do Chaco, onde o trânsito de pessoas também não costuma ser indicado.

E um dos meus principais conselhos é: uma mochila leve significa uma viagem leve. A América Latina pode te fazer um convite para se desfazer de itens, ter uma experiência diferente da que planejou.

Quando eu saí para viajar sozinha eu tinha muito medo, muito mesmo. Por isso quis me munir do máximo de informação que eu pudesse sobre todos os países que eu queria passar. Isso foi bom para me dar mais segurança em mim mesma para viajar, mas me fez criar um roteiro fechado. No fim, mudei a rota tantas vezes que minha viagem não teve nada a ver com a que eu tinha planejado.

Eu não mudaria o que fiz; estude, mas esteja aberta a mudar a rota quantas vezes for necessário, especialmente se estiver numa viagem mais longa. Converse com os moradores do lugar, ande pelas cidades sem rumo, se hospede em empreendimentos de pessoas da cidade, vá nos restaurantes mais simples, estilo PF ou boteco aqui no Brasil. Dessa forma você vai viver uma experiência de imersão cultural mais profunda e pode naturalmente ir remodelando seu roteiro.

couchsurfing

Algumas experiências que me ajudaram a me sentir mais conectada com os países por onde passei:

  • Através do Couchsurfing, me hospedar na casa das pessoas e aprender sobre a rotina, hábitos alimentares, e até mesmo festas regionais (como na foto acima);
  • Buscar hostels locais que aceitavam troca de trabalho por estadia pela Worldpackers, plataforma de voluntariado em viagens, e assim ter mais tempo nos lugares para fingir ser moradora por um tempo.
  • Se você gosta de aprender um pouco de história antes de conhecer os lugares aonde vai, eu tenho um livro para te indicar (ou melhor, três). É a Trilogia Memória do Fogo, em que Eduardo Galeano (uruguaio que também escreveu o clássico Veias Abertas da América Latina) conta por meio de crônicas a história do nosso continente e como todos nós estamos entrelaçados de uma forma ou de outra.

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Roteiros para viajar sozinha pela América Latina

Para te dar aquele incentivo para você viajar sozinha por nosso maravilhoso continente, vou dar três opções de itinerários muito legais. Um é um dos roteiros mais clássicos de mochilão pela América Latina; outro é menos comum; e o último mais histórico.

Se quiser vinho, montanhas e neve, recomendo ir para a Argentina. Se buscar natureza exuberante, considere Equador, Costa Rica e Peru. Se quiser música, praia e comida de lamber os dedos, vá para a Colômbia, Cuba ou México. E, claro, sempre tem o Brasil, onde podemos ficar anos e não conhecer nem metade.

A ideia aqui é te instigar a pesquisar mais a fundo sobre os países aqui citados, mas não pare por aqui. Brinque e misture rotas, pesquise países de acordo com seus interesses. Espero que esses roteiros te incentivem a pensar em rotas diferentes, mas não se limite a eles.

Chile, Bolívia e Peru

Esse é um dos roteiros mais clássicos na América do Sul. Viajar para o Deserto do Atacama (Chile), depois ir de lá para o Salar do Uyuni (Bolívia) e, por último, Machu Picchu (Peru). Não é à toa que esses lugares são tão visitados; eles realmente são impressionantes, oferecendo um choque de natureza e história.

Minha principal dica aqui é pesquisar bem a agência que você vai contratar para os passeios. Pela alta demanda de turistas de todo o mundo, vai ter opção para todos os bolsos. A questão é que o barato pode sair caro, como quando eu fiz Salar do Uyuni em 2018 e o pneu explodiu no meio do deserto e ficamos incomunicáveis por horas.

A outra dica é que mesmo nesses lugares em que existem ofertas turísticas a todo momento, busque também apreciar o dia a dia nos lugares. Ir para a pracinha, para um mercado mais afastado do centro, conversar com as pessoas… É fácil entrar num ritmo de fazer todos os passeios e ficar pulando de van em van sem realmente se conectar com os lugares por onde passa, mas a viagem é muito mais legal quando vamos além disso.

Minha indicação de agência para conhecer o Deserto do Atacama, Santiago do Chile, Salar de Uyuni e Cusco é a Fui Gostei Trips. Ela é criada por brasileiros que moraram no Atacama por anos e conhecem muito bem todos esses destinos. O atendimento é excelente e você pode tirar todas as dúvidas online, sem compromisso. Peça seu orçamento aqui.

Veja as dicas do Janelas Abertas para sua viagem para o Chile.

viagem na américa latina

México, Guatemala e Honduras

Se você gosta das histórias das civilizações maias e astecas, mar caribenho, comidas de rua, transportes inusitados… vem aqui conferir esse roteiro. Para começar, temos o famoso México, que é o carro-chefe do turismo na região. Os parques nacionais, ruínas, a comida conhecida no mundo todo, as culturas e povos diferentes por todo o país, e aquele mar cristalino são realmente irresistíveis.

Logo abaixo fica uma pérola menos valorizada: Guatemala. Um país que também tem comidas deliciosas, os transportes mais divertidos (Chicken Bus), vulcões ativos e as ruínas maias ainda menos visitadas e mais naturais, imersas na natureza. Uma das melhores experiências que eu tive no continente foi a caminhada de El Mirador, em que passei cinco dias na floresta guatemalteca conhecendo lendas com um guia da comunidade local e vendo ruínas de pertinho.

Por último, Honduras. Um país mais complicado de viajar internamente, pelos preços dos ônibus. As duas cidades mais turísticas do país são Copan, que tem um dos maiores sítios arqueológicos dos maias, com poucos visitantes também. E a outra é Roatan, na costa caribenha no país, com ótimos preços para fazer mergulho.

Confira as dicas de viagem para o México aqui no Janelas Abertas.

viagem sozinha para o méxico

Brasil, Colômbia e Cuba

Tá, esse daqui pode não ser um roteiro fácil; ele é até um pouquinho “fora de mão”. Eu quis trazer essa sugestão de viagem por duas razões. A primeira era reforçar que viajar pelo Brasil é também viajar pela América Latina. A segunda é que esses três países têm traços tão parecidos que são os que mais me conectam com o Brasil.

São três nações com uma forte mistura de etnias indígenas, brancos e negros. Tem as músicas que contagiam a todos, como o son cubano, a cumbia colombiana e o samba brasileiro. A abertura para pessoas desconhecidas, o convite para um café, um sorriso para alguém na rua. Temperos saborosos, daquelas comidas caseiras que marcam e te fazem lembrar da própria casa. E, claro, as praias paradisíacas.

Não somos só parecidos; também temos muitas diferenças, é claro. Mas isso eu vou deixar para você se deliciar descobrindo sozinha, combinado?

Veja os posts do Janelas Abertas sobre viagem pela Colômbia.

viagem para a colômbia

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Quanto custa viajar sozinha pela América Latina?

A moeda brasileira é forte se comparada a muitas outras, e nosso poder de compra também é bom em relação à maioria dos nossos vizinhos. Claro que os custos vão mudar muito de país para país, e basta cruzar uma fronteira para gastar o triplo ou comer bem com pouquíssimo.

No caso da América do Sul, os países mais caros são Chile e Uruguai. Neles, as compras de mercado, passeios, transportes e hospedagens vão ter preços salgados e vai ser mais difícil economizar. Os mais baratos são Bolívia e Argentina; no primeiro, os preços costumam ser baixos, e no segundo, devido à inflação, nosso poder de compra aumentou muito nos últimos anos.

Quando falamos da América Central, o país mais caro, sem dúvidas, é a Costa Rica. Desde um prato de comida até entradas em Parques Nacionais costumam ter custos altos. Os mais baratos, na minha experiência, são Nicarágua e Guatemala, onde o transporte pode custar menos de 15 reais e a alimentação é saborosíssima e acessível. Aliás, foi na Nicarágua que eu dormi numa rede por 2 dólares a noite!

Como economizar mochilando pela América Latina

Assim como qualquer outro continente, para viajar sozinha pela América Latina também existem truques que permitem economizar muito. Reuni aqui várias formas de economizar, que além disso te permitem viver novas experiências nos países. Separei as dicas por categorias de gastos: alimentação, transportes, hospedagem, passeios e saúde.

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Alimentação

Se tem uma coisa que a América Latina sabe fazer bem é comida de rua. Cada país vai ter uma “comida de barraquinha” (ou várias que é marca registrada. Além disso, em alguns países comer fora não quer dizer que você vá gastar muito.

Aproveite também que somos riquíssimos em variedade de ingredientes. Ir a uma feira no nosso continente é sinônimo se deliciar com a quantidade de legumes, verduras e frutas a preços bem em conta. Com isso, fica a dica para considerar cozinhar durante a viagem para baratear ainda mais os custos.

Se quiser comer fora, existem opções baratas em restaurantes locais, assim como temos os PFs no Brasil. Os mercados centrais, aqueles grandes com feira e tendas vendendo comida lado a lado, costumam ter opções caseiras, deliciosas e com um preço imbatível.

alimentação na américa latina

Transportes

Infelizmente os transportes ferroviários são raros no nosso continente, então para viajar por terra, o mais econômico é o ônibus. Existem preços variados até dentro de um mesmo país, como no Peru, em que uma mesma viagem pode ir de 70 soles até 150 soles (90 a 200 reais).

Existem países, como a Nicarágua e Guatemala, em que os ônibus são conhecidos como Chicken Bus. Eles são coloridos, extremamente baratos e não tão confortáveis, mas sem dúvida divertidos.

Para economizar em transporte dentro das cidades o mais recomendado é usar o transporte público, andar muito a pé e usar os tuk tuks também, quando houver.

Mas se você quer ir de um país para outro, ou se tiver pouco tempo para a viagem, pegar ônibus vai demorar muito. Nesse caso, aproveite as companhias de avião low-cost (de baixo custo) para encontrar passagens com preços reduzidos, mas saiba que o conforto também costuma ser mínimo. Algumas delas são a Copa Airlines, Wingo, Flybondi, JetSmart, entre outras. Pesquise na internet sobre as opções em cada país.

Nem todo mundo encara, mas um meio de transporte que usei muito viajando sozinha pela América Latina foi carona. Tem países em que a carona é bem comum e é mais fácil de conseguir alguém e não ficar esperando horas na beira da estrada. Os países mais fáceis, na minha experiência, foram Uruguai, Argentina e Chile, além de alguns estados do Brasil, como Goiás e Minas Gerais.

carona na viagem

pegando carona

Passeios

Assim como em qualquer parte do mundo, na América Latina existem agências de turismo das mais variadas, desde as mais baratas com serviço mediano até as de luxo. Como o papo aqui é reduzir custos, veja se tem como fazer os passeios de forma independente. Alguns lugares não são tão distantes e você pode chegar sozinho e buscar guias no local.

Por exemplo, para ir até o Vale da Lua e fazer sandboard no Vale da Morte em San Pedro do Atacama, as pessoas geralmente contratam agências. Eu aluguei uma bicicleta, me juntei a uma pessoa que conheci no hostel e pedalamos mais ou menos 30 km no Deserto. Fizemos o passeio o nosso tempo, os lugares estavam vazios sem as vans de turismo, e foi uma experiência única. Foi uma aventura puxada, mas inesquecível.

Algo que não vale a pena a economia geralmente é a contratação de guias. Além de incentivar trabalhadores locais, é muito diferente ir a um lugar com guia e sem. Se puder economizar no transporte, mesmo assim considere contratar um guia para te contar sobre o lugar.

Caso você opte por uma agência, avalie os custos e riscos da agência. Pode ser que um custo muito baixo resulte num carro ruim e risco de ficar atolado em pleno Salar de Uyuni sem conexão para pedir resgate (caso real que passei em 2018, como contei acima). Se puder optar por uma agência melhor, tente negociar de outras formas, como pedindo para não incluir as suas refeições e levando lanches com você.

de bicicleta no atacama

Hospedagem

Para se hospedar, a opção mais barata é o Couchsurfing. Você paga uma taxa de R$ 6 mensais e pode solicitar estadia gratuita na casa das pessoas locais. Como o nome diz, é uma plataforma para “surfar no sofá”, ou seja, muitas vezes você não vai dormir numa cama, ou mesmo num quarto, com privacidade.

Eu tive experiências maravilhosas viajando assim e sempre recomendo, como passar a Páscoa com uma família equatoriana em Guaytacama. Mas você tem que lembrar que não se trata apenas de hospedagem gratuita e estar aberto às trocas culturais. [foto]

O bom de viajar sozinha pela América Latina é que existem muitos hostels, dos mais variados tipos e preços. É uma ótima forma de fazer amigos e a geralmente têm cozinha compartilhada, permitindo economizar também com refeições.

Tem os party hostels, mais focados em festas, onde geralmente a maior parte das pessoas hospedadas são europeias e a língua mais falada é o inglês. A maior parte desses hostels, além de serem caros, oferecem passeios a preços salgados e muitos não têm cozinha.

Uma grande dica que te dou é buscar hostels de pessoas locais, mais tranquilos, que costumam atrair mais a comunidade latina, de pessoas que falam espanhol. Normalmente esses hostels mais familiares contam com cozinha, mais acolhimento, e dicas para conhecer pontos escondidos da cidade.

viagem pela américa do sul

Outra forma de viver experiências novas e descobrir lugares fora do convencional enquanto viaja sozinha pela América Latina é fazer um voluntariado pela Worldpackers, plataforma brasileira de troca de trabalho por hospedagem. Você ajuda o anfitrião com algumas horas de trabalho por semana e recebe em troca acomodação e outros benefícios, como refeições e passeios.

Além de ser uma ótima forma de economizar, esse tipo de viagem permite uma imersão cultural mais profunda. É ótimo para quem quer fazer amigos de várias partes do mundo, praticar outros idiomas e conhecer o destino indo além dos pontos turísticos.

Existem várias oportunidades de voluntariado muito legais em quase todos os países da América Latina. Você pode ajudar na recepção ou no bar de um hostel, colaborar com pintura e decoração, ajudar na cozinha, dar uma mãozinha com marketing digital e muito mais.

Qualquer pessoa pode conferir as vagas da Worldpackers gratuitamente. Caso queira se inscrever em uma delas e ter acesso ao suporte da plataforma, é preciso pagar uma taxa anual de 49 USD. Mas se você clicar aqui ou usar o cupom de desconto JANELASABERTAS você paga apenas 39 USD. A inscrição dá direito a viajar voluntariando quantas vezes você quiser, pelo Brasil e dezenas de outros países, durante um ano.

Se quiser mais informações, dê uma olhada neste guia completo sobre work exchange aqui no blog.

viagem pela américa do sul e américa central

Saúde na viagem

Acho importante colocar a saúde como um item ligado à economia, apesar de não ser dos mais óbvios, porque nem sempre colocamos na ponta do lápis alguns imprevistos com doenças e acidentes. Alguns países contam com serviço de saúde gratuito inclusive para turistas, mas com aquelas filas e dificuldades parecidas com as do Brasil. Em outros, é preciso sempre pagar pelo atendimento.

Como nossa saúde é nosso “bem” mais importante, minha recomendação é sempre fazer um seguro-viagem. Especialmente numa viagem econômica, em que acabamos ficando um pouco mais expostas a alguns riscos, como ter intoxicação alimentar com uma comida de rua.

Contratar um seguro-viagem vai te dar menos dor de cabeça caso precise de ajuda. Mais que isso: a economia que vai fazer por não ter que pagar nem os remédios já compensa demais. E essa segurança vai te deixar mais confortável para arriscar uma coisa ou outra diferente na viagem (com bom senso, é claro!).

Veja como contratar um seguro-viagem barato (com cupom de desconto!) e leia nossos artigos sobre como funciona o seguro-viagem e como fazer o melhor seguro-viagem para a América do Sul.

Alguns países também usam de medicinas naturais de fácil acesso, caso o seu problema não seja grave. Por exemplo, ao invés de comprar remédio para o soroche, mal de altitude, você pode tomar um chá de coca ao acordar e depois do almoço. Barato, natural e mais leve que ficar se entupindo de remédios. Claro, ao persistirem os sintomas, um médico deverá ser consultado.

Espero que você tenha gostado desse guia para viajar sozinha pela América Latina! Se quiser mais informações sobre o assunto, me procure no Instagram @elasviajamsozinhas.

Escrito por Lanna Sanches, criadora do Elas Viajam Sozinhas e viajante do continente latino-americano há 6 anos.

Machu Picchu

Fotos por Lanna Sanches, cedidas para publicação no Janelas Abertas; Luísa Ferreira, do Janelas Abertas; e Deposit Photos.

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