México

Roteiro de viagem pelo México para 15 dias ou mais

México | 22/06/18 | 2 comentários

Visitar o México foi, de certa forma, a realização de um sonho. Resolvi dedicar ao país um mês inteiro, e nesse período até que dava pra ter cruzado de norte a sul. Mas como falei lá no Instagram, essa minha primeira incursão por terras mexicanas foi mais focada em sabores, cultura e gente. Deixei as praias, os cenotes e outras atrações pra uma próxima viagem e passei em cada cidade o dobro de dias que a maioria dos turistas dedica a elas. E no meu roteiro de viagem pelo México, pude confirmar: o país vai muito além do Caribe.

Se você tá interessado em começar a entender o país, indo além de visitar pontos turísticos, as cidades que visitei não vão fazer feio. E caso você tenha menos tempo ou queira conhecer mais cidades, basta adaptar o roteiro abaixo de acordo com seu gosto.

Uma sugestão é ficar seis dias na Cidade do México, dois em Puebla, três em Oaxaca e arredores e três em San Cristóbal e arredores, totalizando 15 dias. Você também pode, claro, acrescentar outros destinos lindões, como sugiro no post.

A boa notícia é que é fácil e relativamente barato se deslocar pelo México, seja de ônibus (que costumam ser bem bons) ou de avião. Existem, aliás, algumas companhias aéreas de baixo custo por lá: Viva Aerobus, Interjet e Volaris.

Leia também:
Quanto custa viajar para o México: gastos detalhados

Meu roteiro de viagem pelo México

Cidade do México

Passei 10 dias na capital, que é a porta de entrada pra muita gente, devido à oferta de voos internacionais. Considero que quatro ou cinco dias são o mínimo pra conhecer bem o que a cidade tem a oferecer, mas essa metrópole é interessante o suficiente pra não deixá-lo entediado durante uma semana inteira (ou mais, como foi meu caso).

Alguns dos destaques de um roteiro turístico pela Cidade do México são o Zócalo, centro histórico da cidade, que rende um dia inteiro de passeio; o Museu de Antropologia e o Bosque e o Castelo de Chapultepec, que ficam juntinhos; e Teotihuacán, as famosas ruínas pré-colombianas localizadas a uns 50 km da capital, que podem ser visitadas facilmente por conta própria. Se estiver em grupo, vale a pena ir também até Xochimilco fazer um passeio nas tradicionais traineiras coloridas (aqueles barquinhos que você já deve ter visto em fotos).

Também recomendo explorar Coyoacán, bairro onde Frida Kahlo morava: além de visitar a linda casa-museu da pintora, você pode comer no interessante Mercado de Coyoacán ou mesmo ver um filme na ótima Cineteca Nacional. Fiquei hospedada por lá na minha primeira semana e gostei muito da região. Aos sábados, uma dica pra quem quer conhecer outras parte da cidade é ir conferir o El Bazaar Sábado, no bairro de San Ángel.

casa museu de frida kahlo

bazaar em san ángel

Outros queridinhos de moradores e turistas são os agradáveis bairros Roma e Condesa, onde você pode comer muito bem e caminhar em rumo. Recomendo conhecer o brunch do Ojo de Água e almoçar no Comedor de los Milagros ou no Mercado Roma, além de encontrar tudo que é produto alimentício latino-americano no Mercado de Medellín, tomar um mojito na Bodeguita del Medio e deixar seus pesos em lojas legais como a livraria El Péndulo.

À noite, vale ir conferir a divertida Lucha Libre na Arena México ou na Arena Coliseo e o belíssimo Balé Folclórico Nacional no Palácio de Bellas Artes. Se a ideia é tomar umas cervejinhas ou bons drinks e petiscar delícias mexicanas, os bares de Condesa e arredores são uma ótima pedida.

palácio de belas artes

teatro folclórico do méxico

Procurando hospedagem na Cidade do México? Pelo Centro Histórico dá pra encontrar hotéis simples mais em conta, várias atrações a poucos minutos de caminhada e estações de metrô que levam a outras partes da cidade. No entanto, nesse caso vale a pena redobrar a atenção quanto às avaliações no que se refere à segurança, porque algumas partes do centro podem ficar um pouco esquisitas à noite.

Se você busca bairros mais charmosos, com restaurantes e bares descoladinhos pra ir caminhando, a dica é ficar nos arredores do Paseo de la Reforma. As regiões mais procuradas são PolancoCondesaRomaJuarez e a área conhecida como Zona Rosa (dentre essas, pessoalmente prefiro Condesa). Clicando no nome de cada bairro, você pode conferir hotéis e albergues em cada um deles. :)

Leia também:
Cidade do México: o que você precisa saber antes de ir
Tour fotográfico pelo Centro da Cidade do México

Morelia

Saindo da CDMX, meu plano inicial era ir pra Puebla, cidade simpática a umas 2h30 de ônibus da capital, no sentido sul. Considerada um dos principais polos gastronômicos do país, ela parece uma gracinha e é cheia de prédios históricos. Aparentemente vale a pena passar uma noite por lá no caminho pra o sul do país. Se quiser saber o que fazer por lá, dê uma olhada nesse post do 360 Meridianos.

O que me fez mudar de planos foi o convite de um amigo do mestrado pra ir visitá-lo em Morelia, capital de Michoacán, localizada ao norte da Cidade do México (são umas 4h de ônibus). A cidade tem um centro histórico fofíssimo, considerado Patrimônio Mundial pela Unesco, que fica agitadíssimo à noite nos finais de semana. A carinha é bem colonial, me lembrando muito a Espanha.

morelia

catedral de morelia

Além de ver a catedral iluminada à noite, passear pela cidade no bondinho turístico, tirar fotos no charmoso Callejón del Romance, ver exposições no Centro Cultural Clavijero, comer pizzas e tomar cervejas artesanais ao som de jazz no Amati e se esbaldar num café da manhã no esquema bufê livre no Chai, recomendo andar sem rumo pelas ruelas no centro.

Um dia e uma noite são suficientes pra conhecer Morelia, mas vale a pena visitar também outras cidades nos arredores. Passei primeiro por Quiroga, que não é muito interessante, mas produz as melhores carnitas do México (arrisco dizer que foram a melhor coisa que comi no paí) e fica no caminho pra Pátzcuaro.

Considerada um dos Pueblos Mágicos do país, Pátzcuaro reúne muito artesanato lindo (não deixe de passar pela Casa de los 11 Patios e conversar com os vendedores – ao menos aqueles que falam espanhol) e excelentes restaurantes (recomendo o La Surtidora pra comer, o espaço cultural La Jacaranda pra tomar cervejas artesanais e qualquer barraquinha de “nieve” pra provar um sorvete de “pasta”).

Pátzcuaro também é ponto de partida pra Isla de Janitzio, ilhota rodeada por um lago que abriga uma comunidade indígena que conservou vários hábitos tradicionais.

pátzcuaro

Isla de Janitzio

Desde Morelia você pode continuar indo pra o norte e visitar importantes destinos turísticos como a fofíssima San Miguel de Allende, em Guanajuato (queridinha dos estadounidenses); Puerto Vallarta, praia gostosa no Pacífico; e Guadalajara, a segunda maior cidade do país.

Procurando hospedagem em Morelia? Clique aqui e veja as melhores opções de albergues e hotéis

Oaxaca

Retomando meu roteiro inicial, foi a vez de ir pra Oaxaca. A cidade é capital do estado de mesmo nome, que é um dos mais pobres do país em termos econômicos, mas um dos mais ricos em cultura.

A capital é outra cidade considerada destaque gastronômico do país, e um ótimo lugar pra provar vários pratos icônicos que vão muito além do tacos e quesadillas. Provei algo novo em quase todas as refeições por lá, desde chapulines (grilos) a diferentes tipos de mole (molho pra carnes feito com dezenas de ingredientes, incluindo chocolate).

Dá pra conhecer a cidade sem pressa em dois dias, mas com mais tempo você pode voltar naquela barraquinha do mercado que faz as melhores enfrijoladas, descobrir cantinhos interessantes como uma livraria independente ou uma cafeteria coberta de flores coloridas, conhecer gente local, ver o movimento na praça principal (Zócalo) toda noite… Passei uns cinco dias por lá e gostei muito da atmosfera.

oaxaca

comida mexicana

Além disso, nos arredores você encontra sítios arqueológicos super bem preservados como Monte Albán e Mitla; mercados tradicionalíssimos como o que acontece aos domingos em Tlacolula (infelizmente não visitei); e o deslumbrante Hierve el Água, que combina uma série de “cachoeiras” petrificadas e piscinas naturais com uma vista de tirar o fôlego.

Fiz um passeio de um dia passando pela gigantesca Árbol del Tule, Mitla, uma destilaria de mezcal, uma oficina de tecelagem tradicional e o Hierve el Água. É muito fácil encontrar agências oferecendo esse mesmo tour por lá, mas por recomendação de uns mexicanos fui com a El Andante e gostei muito do serviço. Eu gostaria de ter passado mais tempo em Hierve el Água, mas não é tão fácil ir por conta própria.

hierve el água em oaxaca

mitla em oaxaca

Indo mais longe, lá no estado de Oaxaca também dá pra curtir lindas praias, como as de Puerto Escondido (mais badalada) e Mazunte (mais tranquila). Só não esqueça de tomar um remédio pra enjoo, porque as estradas até essa parte do litoral têm fama de serem super cheias de curvas.

Fiquei hospedada no Andaina Hostel, um albergue simples, mas bem localizado e com ótimo custo-benefício, especialmente pra quem viaja só. Paguei por um quarto privativo o mesmo que outros hostels cobravam pela cama no quarto compartilhado, e achei a estrutura ótima. Veja mais opções de hospedagem em Oaxaca.

San Cristóbal de las Casas

Terminei a viagem em San Cris, cidade turística bem gracinha localizada no estado de Chiapas, mais ao sul. Passei também uns cinco dias inteiros por lá e adorei. Mas se sua ideia é preencher os dias com atividades, saiba que essa pequena cidade colonial tem poucas atrações turísticas propriamente ditas e dá pra ver tudo em uma tarde.

Pra compensar, ela é cheia de restaurantes excelentes com preços justos, lojinhas orgânicas e gestionadas por cooperativas, centros culturais/cinemas com uma pegada alternativa e muitos mochileiros do mundo todo. Achei a cidade bem gostosinha, com uma vibe meio parecida com o Vale do Capão, na Chapada Diamantina. :)

Sem falar no privilégio que é poder experimentar um pouquinho da rica cultura da região. Afinal, Chiapas é outro dos estados mais pobres do país, mas também um dos mais etnicamente diversos.

san cristóbal de las casas

san cristóbal de las casas

Ali nos arredores dá pra testemunhar tradições indígenas milenárias como as que são promovidas na igreja de San Juan Chamula, ali pertinho (fui de transporte público e amei muito a experiência).

Também rola de conhecer mais de perto a luta dos Zapatistas, que surgiram por lá. Você pode visitar um “caracol” zapatista na região, o Oventic, ou trocar uma ideia com pessoas envolvidas no movimento, como as mulheres que vendem produtos feitos por elas lá no centrinho turístico mesmo.

Chiapas também abriga várias belezas naturais, e algumas delas podem ser conhecidas num bate-volta a partir de San Cris. O passeio mais comum é o que vai até o Cañón del Sumidero, a uma hora da cidade, e inclui um rolê de barco pelo rio que corta o cânion e paradas em mirantes. Não achei as paisagens mega deslumbrantes, mas curti.

mirante do cânion do sumidero

cânion do sumidero

Outra opção que você encontra em muitas agências é o tour até as Cascatas El Chiflón e os Lagos de Montebello. Parece tudo lindo,mas não fiz porque achei que seria muito tempo na van pra pouco tempo curtindo cada lugar.

Também dá pra ir de San Cris até as famosas ruínas de Palenque, que ficam a 220 km, seja voltando no mesmo dia (o que também acho cansativo) ou como uma parada ao seguir viagem pra o sul. Eu peguei um voo de Chiapas (no aeroporto da capital Tuxtla Gutiérrez, que fica a 1h de San Cris) pra voltar à Cidade do México.

Me hospedei no hostel 13 Cielos, que fica a três minutos da rua principal do centrinho e tinha um preço ótimo pelo quarto privativo. O lugar é bem simples, com uma vibe meio hippie, mas não deixa a desejar pra quem viaja no esquema mochileiro e é um bom lugar pra conhecer mexicanos. Veja mais opções de hospedagem em San Cristóbal de las Casas.

Quer expandir o roteiro?

O México tem dezenas de outras atrações além dessas que conheci, mas um roteiro comum é continuar seguindo rumo ao sul. Na minha próxima viagem, pretendo fazer isso e ir conhecer com calma Yucatán e Quintana Roo, estados vizinhos que ficam bem na pontinha do país. É por ali que você encontra as principais praias do Caribe mexicano, como Cancún.

Dá pra ir descendo de ônibus de San Cristóbal pra lá, por exemplo, parando em destinos interessantíssimos como Palenque, Valladolid e Mérida. Se quiser ir direto pra as praias, você pode pegar um avião pra Cancún.

Mas se sua vibe for mais “alternativa”, a recomendação costuma ser não se hospedar por lá, e sim em Playa del Carmen ou Tulum, outras praias lindíssimas e um pouco mais “relax”.

Ali por perto você encontra várias ruínas pré-colombianas e deslumbrantes cenotes (tipo umas piscinas naturais formadas dentro de grutas). Deve ser massa pra dar uma variada na rotina (nada ruim) de sol, mar e sombra. Rola de alugar um carro pra fazer os passeios por conta própria ou contratar tours com agências por lá. Só prepare o bolso, porque pelo que todos dizem, essa região do país é bem mais cara do que os lugares por onde passei.

E você, já deu um rolê pelas bandas de lá? Me conta como foi seu roteiro de viagem pelo México!

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