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Cidade do México: 7 coisas que você precisa saber antes de ir

México | 03/05/18 | Atualizado em 23/06/18 | 14 comentários

Sinceramente, eu nunca tinha sonhado em visitar a Cidade do México. O país sempre me atraiu (já foi até tema de festas de aniversário – sim, no plural :P), mas eu pensava nas cidades menores e não esperava muito da capital. Até que alguns conhecidos foram pra lá e pouco a pouco descobri que apesar de ser uma das maiores metrópoles do mundo, a cidade é muito aconchegante. E acabei, vejam só, passando mais de 10 dias por lá – e morrendo de pena de ir embora.
Com base no que vivi nesse período, juntei umas dicas para ajudar quem tá planejando uma viagem para a Cidade do México:

1. Segurança

Fiquei surpresa quando até minha família, que tá acostumada com minhas viagens sozinha, ficou com um pé atrás ao saber que eu ia pra o México. Não esperava algo mais perigoso do que nosso complicado país, e chegando lá ainda me surpreendi positivamente: me senti mais segura do que no Recife ou no Rio de Janeiro, por exemplo.
É claro que valem aquelas regras básicas de toda metrópole, né? Não ostentar objetos caros, não entrar em becos escuros e redobrar a atenção quando estiver em lugares lotados, como o metrô na hora do rush. Também não é muito recomendado andar pelo centrão tarde da noite, e certamente existem bairros afastados que são mais perigosos.
Mas fora isso, que é basicamente bom senso, não tive nenhum problema nem sensação de insegurança. Não circulei muito de madrugada, nem fui pra periferia, mas achei super tranquilo andar no centro histórico e no centro comercial durante o dia e circular à noite por bairros como Condesa e Coyoacán. Vi bastante policiamento e muita gente usando celular e câmeras numa boa no meio da rua.
Ouvi falar sobre taxistas não credenciados mal intencionados, e que por isso seria bom evitar pegar táxis na rua, mas em tempos de Uber e wi-fi fácil acho que nem tem mesmo muito motivo pra usar táxis aleatórios. Também me perguntaram sobre assédio, sendo uma mulher sozinha. Ouvi alguns comentários nas ruas, mas nada além disso, e eles foram menos frequentes do que em outras cidades latino-americanas (sim, Buenos Aires, tou falando de você).
museu de antropologia na cidade do méxico

2. Clima

Durante a maior parte do ano, o clima na Cidade do México é ameno: dificilmente as temperaturas no inverno são inferiores a 5ºC, nem as do verão costumam superar 28ºC. Os meses mais frios costumam ser de novembro a fevereiro, os mais quentes de maio a agosto e os mais chuvosos de junho a setembro.
Se você mora numa região úmida, como eu (meu querido Hellcife <3), espere sofrer um pouquinho com o clima seco. Além disso, prepare-se pra altitude: a cidade fica a 2.235 metros acima do nível do mar, então é normal se cansar um pouco mais do que o normal. E também pode ser que você sinta os efeitos da poluição. Apesar de hoje a CDMX ser bem menos poluída do que nos anos 1990, ela ainda não tá nos níveis de segurança definidos pela OMS (nem nos da minha alergia).

3. Preços

Viajar para a Cidade do México não é bem uma pechincha, mas achei a maioria dos custos mais em conta do que em boa parte dos destinos turísticos brasileiros. Pra vocês chegarem às próprias conclusões, vamos aos números (relativos a março de 2018), começando pela hospedagem: uma cama em quarto compartilhado num hostel custava desde R$ 40 e encontrei quartos duplos em hotéis com boa reputação a partir de R$ 220. Em cidades menores achei quartos privativos beeeem mais em conta, mas também não é um absurdo, né?
As atrações também não são uma fortuna. As que vi com ingresso mais caro foram a Casa Museu de Frida Kahlo, por cerca de R$ 35, e o Ballet Folclórico do México, cujos ingressos mais baratos custavam o equivalente a R$ 50. A maioria das entradas pra pontos turísticos me custou cerca de R$ 12 pelo câmbio atual.
O transporte foi uma das partes mais em conta: uma passagem de metrô sai por menos de R$ 1 e uma corrida de Uber do aeroporto até o centro me custou R$ 20. E comida também não pesa muito no orçamento (amém!). Fiz feiras baratinhas no supermercado, mas se você não quiser cozinhar também não vai à falência. Um taco na rua custa uns R$ 3 (dois eram suficientes pra eu ficar satisfeita). Uma refeição num restaurante tradicional, mais arrumadinho, me custava entre R$ 30 e R$ 60 com uma bebida. Gorjetas não são obrigatórias, mas é de bom tom deixar uns 10% a mais pra o garçom.
Ainda no tema dinheiro: a maioria dos lugares aceita cartão, mas nem todos, então é bom ter alguns pesos em espécie. O mais recomendado, em geral, é levar dólares e trocar em casas de câmbio por lá, e em segundo lugar sacar com seu cartão brasileiro. Levar pesos mexicanos comprados no Brasil (caso você encontre) normalmente não compensa, e trocar Reais lá nem sempre é possível. Não achei as cotações das várias casas de câmbio do aeroporto piores do que as que vi pela cidade, mas no próprio aeroporto tinha pequena uma variação; as mais baratas eram as mais distantes do portão de desembarque.
museu de frida na cidade do méxico

4. Comida

Um dos principais motivos pra eu ter mantido o México no topo da minha wishlist por muito tempo foi a culinária, e é bem provável que seja seu caso também. Vou ser sincera: no geral, percebi que gosto mais da comida mexicana que costumo comer no Brasil, usando mais temperos e carnes melhores, ou da versão tex-mex, que tende a ser mais gordinha. Ainda assim, passei muito bem por lá no quesito alimentação. <3
Minha principal dica é ir além dos tacos, guacamole e quesadillas (que na Cidade do México, pasmem, vêm sem queijo, a não ser que você peça pra acrescentar – o que é motivo de piada no resto do país). Cada região mexicana tem suas especialidades gastronômicas e a maioria dos pratos não costuma marcar presença nos restaurantes do Brasil, então prepare aí o Google pra entender alguns itens do menu.
Por isso, aproveite que a capital tem um pouco de tudo e se jogue em delícias como carnitas, enchiladas, os vários tipos de mole, tostadas, chilaquiles, tamales, gorditas, tejate, enfrijoladas, esquites… Sem esquecer das bebidas, né? Além da tequila, não deixe de provar mezcal e pulque e as cervejas locais.
Só fique avisado: mesmo que eles digam que algo “no pica mucho” (não é muito apimentado), é possível que você ache o troço meio ardido demais. A boa notícia pra os pouco afeitos à pimenta é que em muitos lugares o molho (salsa) picante vem à parte, então você pode ir colocando de pouquinho e vendo o que aguenta.
E pra quem já ouviu falar na “maldição de Montezuma” (a famosa diarreia do viajante em sua versão mexicana), minha opinião é de que o risco não é tão grande assim. Comi em mercados públicos, barraquinhas de rua e restaurantes simples durante um mês e só fui passar mal no último dia, olha só. :P Não precisa ficar com medo, mas vale a pena levar um Imodium ou similar na bagagem.
comida na cidade do méxico

5. Bairros e hospedagem

Fiquei um pouco confusa quando meus amigos mexicanos começaram a falar em “colonias” e “delegaciones”, então explico aqui pra você não se enrolar: a Cidade do México é dividida em 16 delegações, que por sua vez são repartidas em colônias – o equivalente a bairros. Tá, mas onde se hospedar?
Uma opção prática é pelo Centro Histórico, onde dá pra encontrar hotéis simples mais em conta, várias atrações a poucos minutos de caminhada e estações de metrô que levam a outras partes da cidade. No entanto, nesse caso vale a pena redobrar a atenção quanto às avaliações no que se refere à segurança, porque algumas partes do centro podem ficar um pouco esquisitas à noite.
Se você busca bairros mais charmosos, com restaurantes e bares descoladinhos pra ir caminhando, a dica é ficar nos arredores do Paseo de la Reforma. As regiões mais procuradas são Polanco, Condesa, Roma, Juarez e a área conhecida como Zona Rosa (dentre essas, pessoalmente prefiro Condesa). Clicando no nome de cada bairro, você pode conferir hotéis e albergues em cada um deles. :)
Dito isso, não ignore totalmente o resto da cidade. Eu, por exemplo, passei uma semana hospedada em Coyoacán,  bairro onde morava Frida, e onde fica sua casa-museu, e apesar de ser mais afastado gostei muito de lá. O mais importante, a não ser que você tenha pouquíssimo tempo na cidade, é buscar algo numa localização segura e perto de uma estação de metrô.

6. Transporte

Apesar de a CDMX ser grande e ter uns engarramentos de respeito na hora do rush, achei muito fácil me deslocar por lá, usando o Google Maps e o app Moovit, que sempre me salva.

Tem estações de metrô perto de quase todos os pontos de interesse na cidade e muitas das atrações ficam juntinhas umas das outras, possibilitando percorrer várias partes do roteiro a pé. O metrô é meio feioso e sujinho, mas funciona muito bem e é barato, então pode usar e abusar dele. Só recomendo tentar evitar os horários mais movimentados quando possível. Ah, e se você for mulher vale a pena ir no “vagão rosa” do metrô, ainda que eu tenha visto quase sempre algum homem nessa área.

Também não é complicado usar ônibus, mas uma opção ainda melhor é o metrobús, ônibus com faixa exclusiva. Mas nas poucas vezes em que o metrô não me servia, acabei pedindo Uber – pra quem tá em grupo, muitas vezes sai bem em conta.

7. Preparação pra viagem

Brasileiros não precisam de visto pra entrar no México a turismo ou negócios por até 180 dias. A rigor, o passaporte só precisa estar válido pelo prazo da viagem, mas o Itamaraty recomenda que ele tenha ao menos seis meses de validade. Também não são exigidas vacinas, mas é bom ficar atento caso você vá fazer conexão em outro país; o Panamá, por exemplo, pode estar na rota da companhia aérea e lá é exigido o comprovante internacional da vacina contra febre amarela.
Outros requisitos são a passagem de volta pra o Brasil (ou de ida pra outro país), comprovante de reserva de hospedagem ou declaração de alguém que vai lhe hospedar e comprovação de meios financeiros pra arcar com sua permanência no país (cartão de crédito, dinheiro em espécie ou extrato do travel money). Na minha entrada me pediram só a passagem de saída e na maioria das vezes não pedem nem isso, mas vai que…
Seguro viagem não é obrigatório, mas recomendo muito você fazer um sempre que for sair do Brasil. Falo por experiência própria, já que já tive o “privilégio” de precisar usar o seguro em seis países – nunca por problemas sérios, felizmente, mas teria sido muito mais difícil sem ele (pra saber mais sobre isso, acesse esse post). E infelizmente talvez seu estômago não se dê tão bem com as comidinhas delícia. :P
Ah, última coisa: as tomadas lá são de dois pinos achatados e um pino redondo, então não se esqueça de levar um adaptador internacional ou do modelo americano. Ninguém merece chegar no destino e não ter como carregar o celular, né?
ruínas de teotihuacan perto da cidade do méxico
Em breve, vou publicar vários posts com dicas do que fazer na capital mexicana e outras cidades do país. Tá planejando uma viagem para a Cidade do México pela primeira vez e tem alguma dúvida específica? Conta aí nos comentários!
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14 Comentários

  1. Cris

    Amei suas dicas!!! Vou para as festividades do dia de “Los Muertos” Sou apaixonada pelo México, cultura, povo, gastronomia, história, estou super ansiosa pela viagem, grande sonho que está prestes a se realizar. Abrigada pelas dicas preciosas.

    • Vai ser incrível, Cris! Não tive a sorte de estar lá nesse período, mas com certeza é uma época muitíssimo interessante :) Espero que você curta o México tanto quanto eu! <3

  2. ERICA PINHEIRO SANTANA

    Olá, pretendo ir agora em Julho ficar 15 dias.
    Teria alguma tabela de custos?
    se tiver e puder me enviar
    ericap.santana@gmail.com

    estou com bastante duvidas em relação ao valor que irei gastar. Estou planejando levar 3000 mil reais e fazer a conversão, não estarei contando a hospedagem…

  3. Marcio Nogueira

    Amei o post. Muito bom mesmo. Estou pensando seriamente em ir com amigos.

    • Oi, Marcio! Que ótimo que você curtiu o post, obrigada! :) Tenta ir mesmo, o México é um país muito interessante. Um abraço!

  4. Taciana

    Olá, Luísa!

    Você contratou algum passeio com operadoras de turismo? Se sim, você poderia informar o nome?

    Obrigada, Taciana

    • Oi, Taciana! A partir da Cidade do México não fiz nenhum passeio com agência, só por conta própria mesmo. Fiz alguns bate-volta com agências quando estava em Oaxaca e San Cristóbal, mais ao sul. Se tiver interesse me diz, que te passo os nomes. Um abraço!

  5. Giovanna

    Bom eu ainda sou um pouco jovem para mudar de país, mais falta so mais 3 anos
    <3.
    Eu sempre achei que o meu sonho era morar nos Estados Unidos ( concerteza deve ser muito bom), mais ultimamente meus planos são outros…
    Não quero ficar no Brasil, esta muito ruim ficar nesse país corrupto. Estou pensando seriamente em viver no México, até por que combina comigo… Amei esse site, e me ajudou a intender melhor como vai ser se eu escolher esse destino, obrigada! <3

    • Oi, Giovanna! :) Que bom que você gostou do blog e que tem interesse no México! Morar nos Estados Unidos sem meios legais de imigrar não é tão bom quanto pode parecer… O México sofre de muitos dos problemas que o Brasil sofre também, incluindo corrupção e desigualdade social, mas me parece um lugar interessante pra se viver. Um abraço!

  6. André Balarezo

    Adorei esse post sobre essa metrópole. Você poderia me contar algo sobre o EcoBici? Se souber e quiser compartilhar algo ficarei muito grato! Abraços.

  7. bruna salvatori

    luisa, mulher

    nao sabia q tu tinhas um blog! tava procurando coisa sobre o méxico e vim parar aqui!

    que bom que tu gostou tanto de la!

    o blog ta massa :)

    bjss

    • Mulherrr, que legal te ver por aqui hahah :) Brigada! E boa viagem :D Beijo

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