Aprendizado e trabalho

Passo a passo para fazer pós-graduação no exterior

Sonha em fazer uma pós-graduação no exterior? Vai nessa! Os processos de admissão em faculdades estrangeiras costumam ser trabalhosos, mas garanto que não são nenhum bicho de sete cabeças. Se essa meta fizer sentido pra seu futuro acadêmico e profissional, vale a pena se planejar e se inscrever mesmo se bater a insegurança. Afinal, o “não” você já tem e fracasso mesmo é não tentar.

Já tentei vários programas de mestrado no exterior, fui aprovada em alguns e ganhei bolsa pra dois. Meu currículo não é nada de outro mundo, então sempre insisto que é possível, sim! Tá precisando de um empurrãozinho? Veja esse guia com os principais passos que você tem que percorrer pra chegar lá, lembrando que o ideal é começar a se preparar com pelo menos um ano de antecedência:

Como se inscrever numa pós-graduação no exterior

1. Definição de objetivos

Antes de mais nada, analise se é isso mesmo que você quer. Usar a pós-graduação como desculpa pra passear ou fazer farra no exterior é um belo desperdício de tempo e dinheiro (seu ou da instituição que der uma bolsa, se for o caso). Seja sincero consigo mesmo: você gosta de estudar? Essa formação vai ser útil pra seu futuro?

Pense bem, também, em qual tipo de curso vai fazer. Afinal, “pós-graduação” é um termo bem amplo e existem cursos de diferentes durações e com perfis mais voltados pra pesquisa ou pra o mercado de trabalho. Fazer mestrado e doutorado tradicionais é bem diferente de cursar um MBA, por exemplo, que tem foco mais prático e capacita pra cargos de gestão.

2. Atividades extracurriculares

Comece a se preparar o mais cedo possível pra ser um candidato desejável. Se ainda estiver na universidade, ótimo: tente conseguir os estágios em áreas relacionadas ao que quer estudar lá na frente, participe de programas de pesquisa (caso sua meta seja um mestrado acadêmico), faça trabalho voluntário, procure cursos de curta duração… Enfim, tudo que estiver ao seu alcance e se relacione com seu objetivo. Especialmente se você estiver de olho num curso ou numa bolsa bem concorridos, quanto mais você mostrar que fez além do obrigatório durante sua trajetória até hoje, melhor.

Ah, e a não ser que seu destino seja Portugal ou outro país de língua portuguesa, dedique-se seriamente ao estudo do idioma do país desejado. “Se virar” não é suficiente pra participar de discussões complexas em sala de aula, escrever uma dissertação e apresentar artigos com segurança, e mesmo que a universidade não exija notas altas em provas de proficiência sua vida vai ser muito mais fácil se o idioma não for uma barreira.

3. Reserva de dinheiro

Num cenário ideal, também é recomendado começar a juntar dinheiro o quanto antes. Eu fiz meu mestrado na Espanha com bolsa e se não tivesse conseguido teria ficado no Brasil mesmo, porque não tinha reservas financeiras. Mas se você estiver muito determinado, vale a pena guardar uma grana pra pagar o curso e se sustentar no exterior caso não consiga uma bolsa integral.

Muitas instituições oferecem bolsas parciais, que cobrem todos os custos do curso ou parte deles, e o resto das taxas e gastos do dia a dia ficam por conta do aluno. Em países onde o custo de vida não é tão alto, essa pode ser uma opção pra facilitar seu acesso aos estudos, já que esse tipo de bolsa é mais fácil de conseguir do que aquelas que cobrem todos os custos.

E mesmo as bolsas totais podem deixar de fora alguns gastos extras como compra de mala, roupas de frio ou livros, por exemplo. Por isso, vale a pena tentar economizar e ganhar mais dinheiro no dia a dia e procurar especialistas pra saber como investir seu dinheiro de forma rentável e segura.

dinheiro

4. Escolha de cursos

Pesquise os cursos que mais o interessam. Pra isso, nada como umas boas horas fuçando na internet. Expliquei aqui como fazer essa busca. Depois de encontrar alguns programas legais, fuce os sites das universidades em detalhe, e caso fique com alguma dúvida, escreva um e-mail pra instituição.

Também recomendo procurar gente que fez o mesmo curso pra saber como foi a experiência e pedir aqueles detalhes de “por trás das câmeras”. Já procurei, por exemplo, um grupo de alunos do mestrado que queria no Facebook e mandei mensagem pra eles; muitos não viram meu contato porque foi pra pasta “outras”, mas vários responderam.

Alguns fatores a considerar: o curso está realmente alinhado aos seus objetivos de carreira? A universidade oferece programa de doutorado na mesma linha do mestrado que você quer fazer (caso esse seja seu objetivo)? Existem professores com linhas de pesquisa relacionadas à sua? Como é a carga horária? A universidade tem boa reputação? Possui algum tipo de convênio com a instituição onde você fez graduação? Existe alguma instituição que ajude na inscrição ou ofereça bolsas (como o DAAD para a Alemanha e a CampusFrance pra França)?

Caso você pretenda dar aulas em universidades brasileiras ou fazer concurso público, informe-se também sobre as possibilidades de validação do diploma no Brasil após conclusão do curso, porque isso pode ser burocrático ou até mesmo impossível, caso o programa de estudos no exterior não atenda a certos pré-requisitos. Se a ideia for “apenas” aprender e acrescentar o título ao currículo, não precisa se preocupar muito com isso.

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5. Pesquisa sobre os destinos

Outro aspecto importante da pesquisa se refere ao lugar onde o curso é ministrado. Não acho legal escolher a pós com base no destino (tipo “adoro Barcelona, quero estudar qualquer coisa lá”), mas também é complicado ir pra um país ou cidade que não tenha nada a ver com você ou com seus objetivos.

Se você quiser continuar trabalhando por lá depois do curso, por exemplo, é preciso investigar se existe de fato a possibilidade de permanecer legalmente no país quando acabar seu visto de estudos. Procure saber, também, sobre a oferta de empregos na sua área.

Se estiver pensando em ir mesmo sem bolsa e não tiver um orçamento folgado, vale priorizar países onde os cursos são gratuitos ou baratos e o custo de vida mais em conta, além de se informar sobre a possibilidade de trabalhar em meio período durante os estudos. Cursos nos Estados Unidos e Inglaterra, por exemplo, costumam ser absurdamente caros. Já países como França têm pós-graduações praticamente gratuitas.

Por fim, vale a pena levar em consideração as práticas culturais do país, o clima, o tamanho e estilo da cidade. Não dá pra ser mega exigente nesse sentido, já que o foco são os estudos, mas é bom ir pra um lugar onde você se sinta minimamente confortável, né? Se frio intenso é insuportável pra você, pense bem antes de se inscrever pra um curso no Canadá, por exemplo.

globo do mundo

6. Definição de calendário

Pra transformar um sonho em plano e fazer dele realidade, é preciso ter metas bem definidas com prazos pra cada uma delas. E caso você queira se inscrever em vários programas de pós-graduação no exterior, pode acabar ficando confuso com as diferentes datas e pré-requisitos.

Por isso, sugiro criar um arquivo com o nome de cada programa, os prazos de inscrição de cada um (e das bolsas, caso seja um processo à parte) e os respectivos pré-requisitos. Separe uma coluna pra o “status” de cada etapa e vá marcando quando estiver concluída.

7. Teste de proficiência

Presente em quase toda convocatória, o teste de proficiência merece atenção especial porque nem sempre pode ser feito tão rápido quanto você gostaria. A prova necessária depende do idioma em questão (como DELE pra espanhol, DELF e DALF pra francês, onSET pra alemão) e da universidade também. Muitas instituições de países não anglófonos oferecem aulas em inglês, especialmente na pós-graduação. Nesse caso, pode ser pedido o IELTS ou o TOEFL, sendo que esse último é mais aceito nos EUA e Canadá.
O processo pra fazer as provas e obter os certificados deve ser feito com antecedência por dois motivos: primeiro porque mesmo que você já seja fluente no idioma em questão, é preciso se preparar pra prova; e também porque em alguns casos é preciso esperar semanas ou até meses até a próxima data de realização do exame, que às vezes nem está disponível na sua cidade, e mais um tempo pra liberação dos resultados. Sem falar que essas provas costumam ser caras, então também é preciso ter uma grana separada pra isso.

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8. Documentação

Essa é uma das partes mais chatinhas – e caras – do processo de preparação. É preciso ficar bem atento às especificidades dos documentos exigidos. Quase sempre você terá que enviar uma cópia do diploma e do histórico da faculdade, mas podem ser pedidas outras coisas mais incomuns também.

No caso da minha bolsa pra Valladolid, por exemplo, eles exigiam um “documento que comprovasse que o nível de estudos que eu tenho me daria acesso ao mestrado”, sendo que isso não existia oficialmente na minha universidade e levei um tempo até achar alguém lá que topasse escrever e assinar. Também pode ser que peçam pra enviar certificados de outros cursos ou atividades mencionadas no seu currículo, como monitoria ou iniciação científica.

Além disso, tem a parte que pesa no bolso: a não ser que você esteja se inscrevendo pra um país de língua portuguesa, vai ser preciso mandar os documentos no idioma do país de destino ou em inglês. A bronca é que as instituições costumam pedir a tradução juramentada dos documentos, o que significa que não dá pra contratar qualquer tradutor, nem fazer o trabalho sozinho.

É preciso procurar um tradutor público, registrado na junta comercial do seu estado (em Pernambuco, por exemplo, você encontra a lista de tradutores no site da Jucepe). Esse tipo de tradução é supercara, cobrada por lauda da versão final, e deve incluir qualquer carimbo ou selo presente na frente ou no verso dos documentos.

Pra coroar a burocracia, algumas instituições pedem ainda que os documentos acadêmicos sejam validados pelo Ministério das Relações Exteriores brasileiro. No meu caso isso só foi pedido na hora de tirar o visto de estudante pra Espanha, e o próprio pessoal do consulado honorário no Recife me ajudou, mas é bom procurar saber com antecedência pra ter tempo de lidar com todos os detalhes.

9. Cartas de recomendação

Também acho essa parte chatinha porque envolve incomodar outras pessoas, mas não é nada de outro mundo: muitos processos seletivos exigem que professores e/ou chefes, atuais ou do passado, escrevam cartas dizendo por que recomendam você pra essa vaga.

Em alguns casos o “recomendador” pode escrever a carta, assinar e mandar pra você, e fica a seu cargo envia-la ao sistema junto com os outros documentos. Em outros, eles têm que entrar no site da universidade e fazer upload numa seção específica. E tem também instituições que pedem só o e-mail de quem vai fazer a indicação e entram em contato diretamente com eles pra pedir referências.

Caso as pessoas a quem você pedir a carta nunca tenham feito isso antes, recomendo enviar pra eles um modelo que sirva de referência (dá pra buscar na internet ou pedir a algum amigo). Também é muito importante explicar a eles qual é o curso pra o qual você tá se inscrevendo e por que, já que no texto eles devem deixar claro por que acreditam que você é um bom candidato pra aquela “vaga”. E é claro: quanto mais essas pessoas conhecerem você e seu trabalho, melhor, porque poderão escrever de forma mais pessoal e menos genérica.

10. Carta de motivação e CV

Essa parte é com você: a carta de motivação é sua chance de convencer os selecionadores de que você é um ótimo candidato e merece ser escolhido. É preciso escrever uma pra cada curso em que você queira se inscrever, porque nela devem estar presentes elementos relacionados às especificidades daquele programa de estudos.

Em uma ou duas páginas, você terá que falar sobre sua trajetória acadêmica e/ou profissional, explicar por que aquele curso lhe interessou, quais são seus planos para seu futuro profissional e o que você trata de positivo para a universidade. Já dei aqui mais dicas sobre como escrever uma carta de motivação.

Também podem pedir seu currículo, às vezes através de um formulário online ou de um formato específico como o Europass. Lembre-se de também adaptar o conteúdo do CV pra cada oportunidade específica. Ah, e é recomendável pedir pra alguém fluente no idioma revisar tanto a carta quanto o currículo, porque sempre passam uns errinhos despercebidos.

carta de motivação

11. Projeto de pesquisa e provas

Diferentemente do Brasil, é muito comum programas de pós-graduação no exterior não pedirem um projeto de pesquisa na hora da inscrição. Mas existem, sim, universidades em que isso é um dos pré-requisitos. Se for seu caso, lembre-se de inscrever um projeto relacionado às linhas de investigação da instituição e deixar claro o porquê de você querer ir estudar isso naquele lugar específico.

Em algumas universidades você também deve, já antes da inscrição, encontrar um professor pra orientá-lo. Pesquise se isso deve ser feito através do departamento ou diretamente com os professores. Antes de entrar em contato com um possível orientador, informe-se sobre os trabalhos passados e atuais do profissional, e quando for escrever mostre a ele que fez seu “dever de casa”.

Ah, e alguns cursos (especialmente nos EUA e Canadá) podem pedir ainda pontuações mínimas numas provinhas com siglas estranhas como GMAT ou GRE, que testam habilidades verbais, lógicas e analíticas dos candidatos. Prepare-se bem, porque são sistemas de avaliação diferentes do que estamos acostumados.

12. Inscrição

Chegou até aí? O importante, agora, é não morrer na praia: fique atento ao calendário que você fez lá atrás, prepare e confira todos os documentos com antecedência e faça sua inscrição o quanto antes. Imagina ter todo esse esforço e perder o prazo de inscrição ou só perceber que tem um documento faltando na última hora?

Sei que às vezes a vontade é só “se livrar” do trabalho que é fazer a inscrição, ainda mais quando você está aplicando pra várias universidades. Mas é importante ter muita atenção, revisar tudo e enviar com segurança e com uma folguinha de tempo antes do deadline. Depois é só esperar e torcer!

E lembrando: se não der certo, não leve muito pra o lado pessoal – você nunca sabe com quem estava concorrendo. E fracasso mesmo, como eu disse lá em cima, é não tentar. :)

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4 Comentários

  1. Djenifer

    Você teve que validar seu diploma para estudar na Espanha? Como funcionou esse processo de comprovação da sua formação para ser elegível para um mestrado?

    • Oi, Djenifer! Falei mais sobre meu mestrado aqui: https://janelasabertas.com/2014/02/06/faq-mestrado-na-universidad-de-valladolid/
      Não precisei validar os diplomas pra inscrição, só que tive que obter um documento da minha faculdade dizendo que no Brasil a conclusão da graduação dá acesso a estudos de mestrado. Quando fui selecionada, precisei reconhecer as assinaturas em cartório e fazer a tradução dos documentos (diploma, histórico etc.) com uma tradutora juramentada na Espanha. Quando estava tirando o visto, tive que enviar esses documentos pra o Ministério de Relações Exteriores pra eles reconhecerem também, mas o pessoal do Consulado Honorário da Espanha no Recife fez isso pra mim.

  2. leo

    olá!
    Em Portugal especificamente, voce saberia dizer se é exigido uma prova para ingresso no mestrado como é feita por aqui?
    Atualmente você está fazendo algum curso em universidade?
    Se meu curriculo não for extenso assim, ainda teria chances de tentar uma bolsa?
    No meu caso específico, estou um pouco afastado da vida academica e agora vou concorrer ao mestrado da edumatec-ufpe, mas, mesmo assim dá para ganhar uma bolsa?
    grato!

    • Oi, Leo! Até onde sei, em Portugal não costuma ter prova, mas você pode confirmar pesquisando sobre cursos que lhe interessem e analisando os pré-requisitos de cada um. Eu fiz meu mestrado na Espanha em 2012/2013 e atualmente não estou estudando. Sim, sempre há chances de conseguir uma bolsa :) Tudo depende de com quem você está concorrendo e do que aquele programa específico tem como prioridade. Em alguns casos, a experiência profissional pode contar muitos pontos. A única certeza de que você não vai conseguir é se não tentar ;) Um abraço!

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