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Óleo nas praias do Nordeste: cancelar ou não a viagem?

Brasil | 31/10/19 | Atualizado em 18/11/19 | 2 comentários

“Devo cancelar minha viagem por causa do óleo nas praias do Nordeste?”. Muita gente tem perguntado isso por aí e eu acredito que a resposta não é a mesma pra todos. Nesse texto, pretendo te ajudar a decidir.

Se sua dúvida é como está a situação de uma praia específica que pretende visitar, recomendo procurar os órgãos oficiais competentes e acompanhar as notícias nos jornais locais.

Mas além disso, vou te dar algumas razões pra vir ou não pra as bandas de cá apesar do grande desastre que foi esse derramamento de óleo.

Cancelo minha viagem por causa do óleo nas praias do Nordeste?

Razões para cancelar sua viagem

Se o foco principal da sua viagem é curtir as águas quentinhas do mar nordestino e comer frutos do mar e você não quer explorar outros possíveis atrativos, nem esquentar a cabeça pensando se vai ter óleo ou não na praia, talvez seja melhor não vir. Afinal, não dá pra garantir que nenhuma praia esteja livre de ser afetada pelo derramamento.

Vale ressaltar que mesmo que as manchas sejam limpas, os ecossistemas afetados ainda vão sofrer por muito tempo. Como observa essa matéria do G1, “toda a população terá que se manter alerta por um longo período e cobrar dos órgãos governamentais monitoramento periódico das praias, peixes e mariscos”.

E se você quiser cancelar um pacote ou reservas já pagas? Como divulgou a Agência Brasil, o Procon de São Paulo tinha divulgado que “Consumidores que tenham comprado pacotes de viagem ou hospedagem para as praias do Nordeste que foram afetadas pela mancha de óleo têm o direito de cancelar ou remarcar a reserva, sem a necessidade de pagar multa”.

Posteriormente, a instituição orientou negociar com os fornecedores de serviço, como mostra esse texto. Além disso, os Procons do Nordeste reforçaram que será preciso analisar caso a caso (leia mais aqui), lembrando que “o Nordeste é muito mais aprazível e rico de diversidade que apenas as nossas praias mundialmente famosas”.

Razões para não cancelar sua viagem

Tá, mas manter os planos de viagem apesar do derramamento de óleo nas praias do Nordeste é inviável? Não. Pra começar, nem todas as praias foram atingidas, como observa esse post do Viaje na Viagem (lembrando que as fontes são relatos de leitores e antes de entrar na água é preciso procurar o posicionamento de órgãos oficiais).

Mas além disso, tem um ponto que acho essencial lembrar: existe muita coisa pra se fazer por essas bandas além de sol e mar.

Há menos de um mês, trouxe pra o Recife e arredores cinco instagrammers e blogueiros de viagem (vindos de cidades sem praia!) e montei um roteiro de uma semana sem incluir nenhum banhozinho de oceano. Eles ficaram entediados? Em momento algum.

Duvida? Dá uma olhada no roteiro completo de passeios alternativos no Recife, Olinda e Litoral Norte. Tem museus, vida noturna, passeio de bike, tour cervejeiro, turismo de base comunitária, restaurantes, cafeterias…

“Ah, mas numa capital, ainda mais uma tão antiga, é fácil achar opções além do mar. Mas e aquelas vilas de praia pequeninas?”.

É claro que é frustrante não poder usufruir do atrativo mais conhecido de um lugar. Mas em qualquer viagem, existem inúmeras vivências que vão além do cartão postal.

Tem muita cidadezinha “de praia” que vai além disso, sim, como exemplifiquei nesse post: Litoral Norte de Pernambuco: o que fazer em Itamaracá, Itapissuma e Igarassu.

O que fazer no litoral além de entrar no mar

Que tal conversar com as pessoas? Conhecer suas histórias e, nesse caso, entender os impactos do desastre nas vidas delas? Se apropriar mais da nossa relação de dependência da natureza, que em grandes cidades insistimos em ignorar? Entender pessoalmente o que lemos nas notícias?

Que tal conhecer o artesanato local e, quem sabe, aprender a técnica com quem mantém vivas tradições seculares? Procurar saber se existem ritmos musicais típicos dali? Se tem alguma trilha, um pôr do sol deslumbrante, ruínas históricas, um pequeno museu?

É lazer e preguiça que você quer? Então você pode provar drinks de frutas locais (anota aí: caipirosca de umbu-cajá!), experimentar toda a culinária que vai muito além dos bichos do mar, pegar um bronze, tomar banho de piscina, paquerar?

Vale lembrar que o litoral do Nordeste é a parte do Brasil com clima mais agradável no verão, já que chove pouco, as temperaturas não são tão extremas e a brisa do mar alivia o calor. Além disso, em muitas praias você encontra hotéis e pousadas com piscina e estrutura pra famílias.

Leia também:
25 atrações gratuitas no Recife
O que fazer em Olinda: de igrejas a cachaça no Sítio Histórico
Roteiro pelo Centro Histórico de Salvador
O que fazer no Centro de Fortaleza

Considere ampliar sua visão de turismo

Em resumo: que tal tentar sair do óbvio, expandir seu conceito de turismo, viver experiências que não são vendidas pelas grandes agências e, de quebra, ajudar parte da população que foi prejudicada pelo desastre a seguir adiante?

Quem trabalha o ano todo merece descanso e descontração nas férias? É claro. Mas será que isso nos impede de ter uma visão mais aberta do que significa fazer turismo? Nem sempre boiar em águas calmas é o rolê mais interessante que você pode fazer.

Leia também:
Por que devemos parar de falar em “atrações imperdíveis” em viagens
Turismo criativo: viagens com foco em experiências
Turismo de base comunitária: o que é e por que você deveria viajar assim
Turismo responsável: reflexões e dicas práticas

Sabe quando você vai num destino conhecido por atividades ao ar livre e chove sem parar todos os dias? Você pode sentar e chorar, ou pode descobrir outras coisas pra fazer. Muitas vezes essas “outras coisas” são ótimas descobertas.

Nenhuma das melhores lembranças que tenho das minhas últimas idas à praia, no Pará, tem a ver com estar dentro da água, mas sim com a cultura do povo e as conexões que fiz por lá.

piaxaxá em itapissuma

Acho essa reflexão muito importante não só num momento desastroso como agora, mas também pra combater a sazonalidade, que é um dos grandes problemas do turismo de massa.

Destinos “de praia” ou “de inverno” ficam lotados em certas épocas e desertos em outras, e isso é ruim tanto pra quem viaja quanto pra o meio ambiente, que fica sobrecarregado, e pra economia local.

Tem muita gente falando sobre como os nordestinos estão sendo inspiradores por resolver (literalmente) com as próprias mãos o que o poder público ignorou. Mas não vamos esquecer que o povo daqui é inspirador todos os dias, com ou sem desastre. E tem sempre muito mais a oferecer que um mergulho no mar.

Projeto #NordesteAlémdasPraias

O blog Destinos & Afins criou o projeto#NordesteAlémdasPraias. Participaram da ação vários blogueiros de viagens que entendem a sua responsabilidade com o fomento do turismo em nosso país e com a consciência de preservação ambiental dos seus leitores. O objetivo da ação foi mostrar exemplos do que o Nordeste oferece muito além das praias. Confira alguns dos textos publicados como parte da iniciativa e planeje sua viagem:

O que fazer em São Luís, no Maranhão
O que fazer no Centro Histórico de Aracaju
O que fazer em Pipa (RN) além das praias
O que fazer em Alagoas além das praias
O que fazer em Trancoso (BA) além das praias
O que fazer em Morro de São Paulo (BA) além das praias
O que fazer em Pernambuco além das praias

Se tiver mais sugestões de passeios do tipo nesses ou em outros destinos turísticos do Nordeste, compartilha aí nos comentários!

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2 Comentários

  1. Fernanda

    Que post maravilhoso!! Reflexão mais que necessária.

    • Oi, Fernanda! Que bom que você gostou! :) Obrigada por comentar. Um abraço!

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