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A diferença entre nômade digital e “location independent”

Dicas Práticas | 23/11/18 | Atualizado em 30/11/18 | 6 comentários

Cansou de trabalhar em horário comercial, ficar preso no engarrafamento na hora do rush e esperar ansiosamente pelas férias pra poder finalmente aproveitar a vida? É provável que você já tenha se deparado com o termo “nomadismo digital” e pensado que esse estilo de vida seria uma solução pra seus problemas.

Um contraponto à rotina tradicional de trabalho, o nomadismo digital tem se tornado cada vez mais comum. Mas além de não servir pra todo mundo, nem ser uma fórmula mágica que conserta todos os males da vida, ele não costuma ser sustentável. A “location independence”, por outro lado, talvez se encaixe mais com o que você procura. Mas espera: que danado é isso?

A diferença entre nômade digital e location independent

Ser nômade digital é, basicamente, ser nômade (não ter um lar fixo e estar sempre se movendo de um lugar a outro) e se manter através de meios digitais (ou seja, ganhar dinheiro pela internet).

Essa é a única forma de se manter financeiramente viajando pelo mundo? Não! Você também pode viajar por longos prazos trocando trabalho por hospedagem, procurando empregos temporários por aí afora ou gastando suas economias, por exemplo.

Pra que alguém seja considerado um nômade digital, no entanto, a segunda parte do termo (o tal do “digital”) precisa estar presente.

E isso pode rolar de várias formas: dá pra trabalhar remotamente como funcionário contratado de uma empresa, ser freelancer com atuação online ou ter seu próprio negócio baseado na internet (desde um blog como esse aqui a uma loja virtual, por exemplo).

A diferença entre o nômade digital e location independent, por outro lado, se baseia na primeira parte do termo: o nomadismo.

A expressão location independent, que costuma ser usada em inglês mesmo, se refere a quem tem um trabalho que pode ser feito de qualquer lugar do mundo, geralmente baseado na internet. Mas isso não significa que a pessoa esteja sempre se mudando.

Resumindo: todos os nômades digitais são location independents, mas o contrário nem sempre é verdade.

Trabalhando de forma remota, você pode não ter amarras em canto algum, mas também pode escolher ficar num lugar só. A diferença em relação a um trabalhador comum é que você PODE viajar quando quiser, mas essa é só uma possibilidade.

location independent

As desvantagens de ser nômade digital

 

Já conheci muitos nômades digitais, mas a grande maioria deixou o nomadismo de lado depois de alguns anos na estrada, ou pretende fazê-lo no futuro. “Mas como assim, se essa vida é um sonho?”, você me pergunta. É um sonho mesmo, sob diversos aspectos.

É incrível, por exemplo, ter a liberdade de não estar amarrado a custos ou compromissos fixos em lugar algum, uma rotina repleta de surpresas e descobertas e um incentivo constante a trabalhar a resiliência e se reinventar.

Mas apesar das muitas vantagens, a vida do nômade digital também tem vários pontos negativos. É cansativo estar sempre procurando hospedagem no novo destino, se adaptando a uma nova cultura, fazendo conversões pra diferentes moedas e descobrindo onde fica o supermercado mais barato e a cafeteria com o melhor cappuccino.

É desafiador ter que buscar constantemente lugares com bom wi-fi, se concentrar em ambientes barulhentos ou com pouca estrutura, lidar com diferenças de fuso-horário e administrar o tempo de trabalho (que costuma ser a maior parte) com o tempo dedicado a conhecer o lugar onde está.

Também pode ser exaustivo fazer novos amigos a cada poucas semanas e estar sempre dizendo adeus, e mesmo não ter uma cozinha equipada ou um quarto com sua cara.

Encontrar um(a) companheiro(a) e formar uma família enquanto você pula de um lugar pra o outro são outras tarefas desafiadoras, ainda que nada impossíveis (e muito menos obrigatórias).

É divertido pular de um lugar pra outro quando você tá de férias, ou num período sabático pra reorganizar as ideias. E dependendo da sua personalidade, você pode lidar de diferentes formas com essas desvantagens – talvez nem as veja como problemas.  Mas a longo prazo, acredito que a maioria das pessoas sente falta de ter um lugar pra chamar de casa.

As vantagens de ser location independent

Sabe a rotina, aquela moça que anda tão mal falada? Depois de muito tempo sem ela, você provavelmente vai sentir saudades da bendita. De ter um grupo de amigos com quem sair com frequência, fazer algum curso/atividade de forma regular, ter um barzinho preferido…

Nesse sentido, ser location independent é como juntar o melhor dos dois mundos. Você pode ter um lugar pra chamar de seu, mas ao mesmo tempo mantém a liberdade de comprar passagens em promoção e ir pra o outro lado do mundo quando bem entender. Não precisa lidar com os problemas do primeiro parágrafo desse texto, mas pode se conectar a um lugar e a outras pessoas de forma mais perene do que quando tá sempre de passagem.

É claro que esse estilo de vida também tem suas desvantagens em relação a um emprego tradicional, especialmente pra quem é freelancer ou tem seu próprio negócio. É preciso, por exemplo, lidar com a falta da estabilidade financeira e ter disciplina pra organizar os próprios horários (o que pode incluir ficar trabalhando num domingo enquanto seus amigos estão na praia, porque você passou a semana viajando e produziu menos – #truestory).

Mas pra quem busca um caminho alternativo ao padrão, acredito que o conceito de location independence é mais sustentável que o tão falado nomadismo digital.

diferença entre nômade digital e location independent

Minha experiência

Eu deixei meu último emprego fixo há dois anos. No primeiro ano depois disso, passei uns 8 meses viajando, sendo 6 deles seguidos. Minha ideia, quando saí de casa pra esse mochilão, era não ter data pra voltar. Depois de viajar um pouco pelo Brasil e passar uns meses na Europa, pretendia ir explorar a Ásia e ver aonde a vida ia me levar.

Na prática, percebi que minha prioridade não era simplesmente viajar sem parar. O que eu queria, e ainda quero, é ter a liberdade de viajar sem precisar esperar pelos feriados ou férias. É poder escolher uma cidade diferente pra chamar de casa por um tempo se quiser, mas poder também ficar na minha cidade natal quando estiver a fim.

Nunca tive a pretensão real de ser nômade, porque sempre gostei de brincar de moradora por um período mais longo em cada lugar. Mas a possibilidade de ir aonde quiser pode deixar o serumaninho meio confuso: por que parar se existe um mundo inteirinho a se descobrir?

Depois de um tempo, senti na própria pele o que entendia na teoria: cada um faz seu caminho do seu jeito. Cada escolha traz consigo uma renúncia, e cada um sabe o peso que têm as vantagens e desvantagens das suas decisões. Pouco a pouco, tenho descoberto quais são minhas prioridades e do que topo abrir mão.

Por enquanto, pra mim, ir à aula de yoga três vezes por semana, ver meu sobrinho crescer e encontrar meus amigos com frequência são coisas tão importantes quanto poder ir passar três meses em outro país sem ter que pedir autorização a ninguém. Conciliar esses dois lados não é fácil e exige muito trabalho, mas também é um privilégio pelo qual sou muito grata.

Quer ser nômade mesmo, sem amarras a lugar algum? Vá nessa! Só não se prenda a isso, transformando o que devia ser liberdade em mais uma prisão. É bonito publicar fotos no Instagram sempre em um canto diferente do mundo, mas antes de sair pulando de galho em galho por aí, tente entender suas motivações.

De nada adianta substituir a obsessão por coisas materiais pela fixação em colecionar carimbos no passaporte.

Tem alguma experiência pessoal ou dúvida sobre ser nômade digital e location independent? Conta aí nos comentários!

Crédito da foto em destaque: Pexels – licença Creative Commons Zero (CC0)

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6 Comentários

  1. Ainda trabalho de segunda à sexta das 9 às 5… mas quando chego em casa à noite e nos finais de semana estou dedicando todo meu tempo no meu blog e outras mídias sociais. Tanto o nômade digital quanto o location independent ainda não são uma realidade pra mim, mas acredito estar no caminho certo que me levará a uma das duas.
    Adorei o post.

    • Oi, Nadia! Acredito que quando a gente tem paixão e dedicação, dá certo, sim! Passei muitos anos como você e tou começando a colher os frutos. Boa sorte! :)

  2. Lucas

    Muito bom refletir sobre esses detalhes.

    Já tinha percebido essa diferença a algum tempo pois não gosto dessa vibe corrida, nem do turismo frenético constante.

    • Oi, Lucas! Pois é, acho que poucas pessoas conseguem ficar realmente satisfeitas depois de um longo período de “turismo frenético”. Acredito que muitos continuam assim meio que no automático… Eu mesma já viajei de forma mais “corrida” e hoje costuma me dar preguiça de seguir assim :P

  3. Marina

    Já sou frila trabalhando de casa e viajando bem, mas tenho dificuldade de trabalhar qd estou viajando, aí acabo tendo que ficar mais tempo na minha cidade mesmo… Como vc se organiza para escrever em meio a uma viagem?

    • Também tenho dificuldade de trabalhar quando tou viajando :P O que tenho feito é trabalhar mais do que o “normal” quando tou em casa pra aliviar a carga nas viagens, e passar mais tempo em cada cidade pra tirar no mínimo um dia inteiro só pra trabalhar. Como sou meio ansiosa, geralmente vou logo conhecer o que tou muito a fim e depois fico produzindo mais tranquila :) Mas ainda tou nesse exercício!

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