Viajantes

Como ser um nômade digital e viver viajando

Trabalhar, trabalhar, trabalhar e, depois de um ano de muito – adivinhem – trabalho, tirar 30 dias de férias pra viajar. Chegar no escritório às 8h, bater ponto, sair às 17h, bater ponto de novo, pegar trânsito. Essa ainda é a realidade da maioria das pessoas, mas imagina se pudesse ser diferente? Se você pudesse viver sem endereço fixo, decidir mudar de cidade ou país a cada par de semanas só pra conhecer lugares novos e ao mesmo tempo manter uma renda entrando na sua conta? Imagina que massa seria poder viajar pra sempre? Pois pode parar de imaginar: tudo isso é possível, e já tem um monte de gente que tá vivendo desse jeito. São os chamados “nômades digitais”.

Obviamente, existem algumas limitações a esse estilo de vida. Difícil ser um médico nômade, por exemplo. Mas muitas profissões permitem que você trabalhe como freelancer ou monte seu próprio negócio online, entre outras soluções criativas. Tem quem viaje fazendo de forma remota o mesmo que fazia em sua cidade natal e tem os que ganham dinheiro com as próprias viagens, escrevendo sobre elas, fazendo materiais audiovisuais, dando palestras etc.

E dá mesmo pra sustentar esse estilo de vida? Alguns dos que tão na estrada nessa vibe ganham até mais do que no trabalho fixo onde tavam antes; outros ganham menos, mas também gastam menos. Mas peraí: gastar menos viajando do que ficando em casa? No fim das contas, é uma questão de estilo de vida: quem paga aluguel ou uma salgada prestação do apartamento, faz compras com frequência e vai a muitos bares e restaurantes em alguma das principais capitais do Brasil sabe que dá pra gastar muito sem viajar. Por outro lado, em muitas partes do mundo dá pra viver com pouquíssimo dinheiro se você não fizer questão de luxo, desde a América do Sul à Ásia. E quem resolve fugir às convenções muitas vezes se dá conta de que precisa de muito pouco pra viver :)

E esse negócio aí é só lazer? Não. Em geral, é preciso uma boa dose de disciplina pra trabalhar na estrada. Afinal, em vez de tirar aqueles 30 dias totalmente livres, você precisa sempre equilibrar o ganha-pão com a diversão, além de lidar com toda a insegurança de trabalhar pra si mesmo (Será que o negócio vai dar certo? E se o cara não me pagar pelo freela?). Também é preciso administrar toda a logística das viagens com a responsabilidade de entregar o serviço pronto no dia certo.

Mas então, será que vale a pena mesmo? Com certeza esse estilo de vida não é pra todo mundo. Não só devido a questões práticas, mas também psicológicas. Você tem que estar preparado pra sacrificar muitas coisas, mas em troca pode ganhar mais qualidade de vida, liberdade e flexibilidade. E pode aprender muito, todo dia, o tempo todo, com todas as pessoas, lugares, costumes e desafios inesperados que encontra pelo caminho. Mas aí você me pergunta: tás dizendo isso tudo como, se não és uma “nômade digital”? Olha aí, me pegou ;) Tou falando com base na experiência alheia mesmo, depois de ler sobre as vivências de uma penca de gente que tá se aventurando nessa onda. Quer conhecer alguns deles? Saca só:

Fluent in three months

Benny Lewis foi um dos primeiros “eternos viajantes” que eu “conheci”. Leio o blog dele há um bom tempo e curto a abordagem que ele tem da aprendizagem de línguas. Esse é, aliás, o foco das viagens desse irlandês que já tá correndo o mundo há 10 anos, e também seu ganha-pão. Benny não falava nenhum idioma estrangeiro até os 21 anos e sempre teve dificuldade nas aulas de línguas na escola. Um belo dia, ele percebeu que não é necessário nenhum dom especial pra aprender outros idiomas e resolveu mostrar isso pras pessoas. Agora, ele vive de país em país, com a meta de se tornar fluente na língua local. Pra se sustentar nessa década de viagens, Benny já trabalhou como professor, fotógrafo, recepcionista de albergue, guia turístico, tradutor e muito mais. Hoje, ele vive das vendas do Speak from Day One package, um material que reúne suas melhores dicas pra aprender a falar uma língua desde o primeiro contato com ela. Ah, e uma curiosidade: dentre as dezenas de países onde ele morou, Benny diz que o seu preferido é o Brasil ;)

Benny arrasando em Salvador ;) Foto: Benny Lewis/Fluent in Three Months

Benny arrasando em Salvador ;) Foto: Benny Lewis/Fluent in Three Months

As the bird flies

Frankie vivia em Londres, com um bom emprego, um apartamento legal e uma vida social bem agitada. Até que ela se apaixonou por um cara que já vivia como nômade digital e percebeu que as viagens que tanto gostava de fazer no tempo livre podiam ser permanentes. Ela é escritora/redatora e o namorado dela é programador, e os dois vivem na estrada juntos desde o final de 2011. No blog, além de falar das viagens e da vida ela dá várias dicas pra quem também quer ser nômade. Aproveita!

Wandering Earl

Earl saiu dos Estados Unidos no Natal de 1999 pra passar três meses viajando pela Ásia, depois de terminar a faculdade. Só que os três meses acabaram virando uma viagem sem fim e ele tá até hoje pelo mundo, tendo passado por mais de 85 países. Como ele pagou por isso? Dando aulas, trabalhando em cruzeiros e, há alguns anos, com a renda das vendas dos seus e-books (ele explica aqui). Ficou com inveja? Aprenda com o mestre: Earl escreveu um guia sobre como viver viajando (em inglês, “How to live a life of travel”), que tá à venda no blog por US$ 27.

Making it Anywhere

Mish e Rob têm algumas coisas em comum com o pessoal acima: também saíram de Londres e também partiram em uma viagem que inicialmente deveria ser de curto prazo. Deveria. O período sabático de seis meses já tá em um ano e nove meses, passando por várias cidades dos EUA, Paris, Londres, Bangkok, Chiang Mai, Sofia, Madrid e Penang. No entanto, eles têm uma diferença: não querem só viajar, mas também juntar dinheiro pra viver uma vida “convencional” quando cansarem de ser nômades. Eles têm hoje uma consultoria de branding que rende mais dinheiro do que os empregos antigos batendo ponto todo dia. E garantem que qualquer um pode fazer o que eles fazem, e pra ajudar têm uma lista enorme com links úteis pra quem quer ser um nômade digital. Favoritos já!

Never Ending Voyage

Os ingleses Simon e Erin começaram “devagar”, digamos assim. Primeiro, eles partiram em um período sabático de um ano. Só que ao voltar  pra casa, eles não conseguiram se readaptar. E tomaram uma decisão radical: venderam tudo que tinham, pediram demissão e saíram pra “jogar dados com o destino”. O casal partiu do Reino Unido em março de 2010 com apenas uma mochila cada e uma passagem de ida pra o Rio, e desde então estão vivendo da renda de negócios baseados na web. No começo, trabalhavam remotamente com design e desenvolvimento de sites; depois, se especializaram na criação de aplicativos de iPhone relacionados a viagens.

Almost Fearless

Aí você pensa: “Ah, mas é muito bom, só gente jovem e sem filhos, sem responsabilidades. Quero ver gente com família conseguir viver assim”. O casal por trás desse blog, Christine e Drew, mostra que é possível viver um estilo de vida diferente, se mexendo pelo mundo e contando com a ajuda da internet, até com um bebê a tiracolo. Eles tão viajando desde 2008, e no começo Cole (o bebê) ainda não existia (no lugar dele, dois cachorros acompanhavam a dupla) e Drew trabalhava como designer pra uma empresa grande. Desde então, o filho nasceu, Drew perdeu o emprego, eles gravaram um documentário sobre outros viajantes com grana de crowdfunding, Christine escreveu um livro e eles passaram por 38 países. O que eles aprenderam? “Que tudo é possível”, diz Christine. Fica a dica ;)

Oi, esse é Cole :) Foto: Almost Fearless

Oi, esse é Cole :) Foto: Almost Fearless

Nomadic Matt

E pra quem acha que tudo isso é coisa de travelfreaks de berço, conheçam Matt, cuja primeira viagem pra o exterior aconteceu quando ele tinha 23 anos. Durante uma viagem de férias pra Tailândia, ele conheceu cinco mochileiros que mostraram a ele que não é necessário ficar amarrado a um emprego que não lhe faz feliz e que não é preciso ser rico pra viajar. No ano seguinte, Matt virou nômade, e resolveu criar o blog pra inspirar outras pessoas, assim como aqueles cinco mochileiros o inspiraram.

Quer mais dicas? Veja essa lista de 22 coisas que o Spartan Traveler aprendeu em dois anos como nômade digital; esse artigo sobre “Por que você deveria pedir demissão pra viajar pelo mundo” e esses conselhos de planejamento pra o nômade digital. Tão em inglês, mas prometo que valem a leitura! Aqui na terrinha, quem entrou nessa há pouco tempo foi a galera do blog 360 meridianos, um trio de jornalistas gente boa que já deu a volta ao mundo e recentemente desistiu de ter um lugar fixo pra chamar de lar. E o amigo Google também tem muito mais informação legal, se você estiver pensando em fazer igual ;)

Você conhece outras histórias interessantes de nômades do século XXI? Conta aí!

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15 Comentários

  1. Muito legal o post, Luísa. Entendo bem o que você está dizendo: depois de muito pelejar para me adaptar ao trabalho normal, resolvi aderir e ter uma vida nômade. Entreguei minha casa em agosto. E olha, não me arrependo! Tem sido uma experiência fantástica, trabalhando de qualquer lugar onde eu estiver.

    Não é pra todo mundo mesmo, mas pra quem pode é uma ótima saída; =)

    Abraço!

    • Que bom que você curtiu, Rafael :) Acho ótimo que mais e mais gente mostre por aí que há outras – excelentes – opções e torço muito por vocês! Um abraço!

    • David

      Olá Rafael, bom dia. Gostaria de saber como você faz para se manter com esse estilo nômade de viver pois, tenho vontade de sair por aí tbm mas não faço ideia de como captar recursos para me manter caso venha realmente a me aventurar e viver dessa forma.

      Grato;

      David Rodrigues

  2. Adorei o post! E amei o irlandês hehehehe. Morei 2 anos na Irlanda, e é o máximo. Eles são muito acolhedores!
    Viajar é algo inexplicável. Conhecer lugares, estória, histórias, pessoas, culturas, é tudo o máximo!

    Bjs.
    http://arianaviajante.blogspot.com.br/

  3. RFK

    Excelente post! Já se sabe que o que vale para hoje pode já não valer para amanhã. A velocidade das possibilidades é estonteante. Isso explica em grande parte a dificuldade dos jovens hoje, em geral, terem certeza do que ‘querem ser quando crescer’. Aqueles que pensam ‘qual emprego me dará mais segurança, ou mais dinheiro, ou até mais prazer’ também não encontram uma resposta satisfatória. Esse seu post é muito bom pelas histórias que apresenta e também porque mostra que viver flexivelmente, e a internet possibilita o que nem imaginamos ainda, é provavelmente a melhor forma de viver mais feliz. Valeu!
    PS. Eu já ia dizer ‘é, tudo isso é muito bom quando não temos quem dependa da gente, tipo, filhos’, mas até isso vemos que é possível!

    • É, acho que tem que experimentar, né? :) Sempre correndo atrás da felicidade mesmo, e pensando fora da caixa. Beijo!

  4. Obrigada pelas recomendações, entraram na minha listinha de favoritos. Quero me inspirar para um dia ser eu escrevendo sobre minha experiência como nômade digital :)

    • Que bom, Helena! Quando você estiver nessa, vem aqui contar ;) um abraço!

      • Eduardo

        Muito bacana o post , Luísa!! Dá uma balançada nos valores que por vezes elegemos na vida, sem priorizar a vida!!
        Vc sempre surpreendendo!!

        • Que bom que você gostou :) Obrigada! Um abraço.

  5. Pedro Cardoso

    Muito bom o post, eu já venho com essa ideia há algum tempo, eu queria sair do Brasil de alguma forma e não sabia como, na verdade estava bastante confuso quanto ao que eu ia querer fazer da minha vida(Tenho apenas 19 anos) mas há poucos meses descobri essa forma de vida e notei que eu podia juntar o útil ao agradável, eu sempre fui de mexer muito com computador, internet e já havia algum tempo que eu aprendia o básico sobre criação de sites(Porque queria criar um pra mim mesmo) mas depois que conheci os nômades, pretendo estudar bastante, conseguir manter uma renda, guardar o da emergência e partir em viagem!!
    Talvez isso leve uns 2 anos.. mas vai valer a pena todo o esforço.
    Abraço, gostei muito do post :-)

    • Luísa Ferreira

      Oi, Pedro! É isso aí :) Se essa é sua meta, tem que se planejar, trabalhar pra isso e correr atrás ;) Boa sorte! Um abraço

  6. Pessoal, gostaria de compartilhar a minha experiência com vocês vivendo como nômade. Vivo assim há 7 meses, poderia ter começado a viver dessa maneira há 3 anos, quando larguei o meu emprego e comecei a trabalhar pela internet. Estou fazendo uma série de vídeos sobre o assunto. Espero que gostem:

    https://www.youtube.com/watch?v=RAVG7p24IS4

  7. Tainara

    Lu, na sua opinião, quais profissões mais possibilitam o trabalho remoto?

    • Oi, Tainara! Algumas profissões têm se tornado cada vez mais demandadas no esquema de freelancer, como as ligadas ao marketing digital, TI, design, tradução, contabilidade etc. e se adaptam bem, então, ao trabalho remoto. Mas dá pra trabalhar remotamente em quase qualquer área, se você adaptar seu estilo de trabalho. Um advogado pode ser consultor, por exemplo, e um psicólogo, nutrólogo ou professor podem atender por Skype. :) Com o acesso à internet fácil do jeito que é hoje e a mudança de mentalidade que vem acontecendo (ainda que não tão rapidamente), as possibilidades são quase infinitas. Um abraço!

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