Aprendizado e trabalho

Conselhos para empreendedores criativos: você não está só

Aprendizado e trabalho | 26/06/18 | Atualizado em 04/07/18 | 4 comentários

Acordo e agradeço todos o dias por poder trabalhar com algumas das coisas que mais amo no mundo: palavras, viagens e criatividade. Por ter o privilégio de, ainda que aos trancos e barrancos, ganhar a vida criando coisas e me conectando com pessoas. Tudo é muito bonito, muito especial, coisa e tal. Mas é quase inevitável incluir um monte de medos e inseguranças no pacote.

Afinal, estamos (supondo que você também faz parte desse time de doidos que tenta transformar paixão em fonte de renda) colocando pra fora muito do que somos. E se abrir pra o mundo é maravilhoso, mas também deixa a gente vulnerável pacas, né?

Ser empreendedor, mesmo que você não se reconheça assim, também é aquela famosa montanha-russa. Precisamos, muita vezes sozinhos, decidir entre mil caminhos. Superar receios e paranoias, deixar de nos comparar com o outros, manter a sanidade quando o trabalho se mistura com quase todo o resto da vida.

E, nesse meio tempo, colocar em prática aqueles planos que parecem mirabolantes e facilmente podem se acomodar no quentinho e confortável da imaginação, do sonho, do projeto. Se esforçar pra não abrir mão da nossa essência, lidar com o fracasso e começar de novo quantas vezes for necessário.

Sem contar com uns desafios extra que acometem grande parte de nós, tipo aprender a ser produtivos no home office ou a trabalhar com amigos e familiares. Ufa!

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Produtividade no home office: empreendedoras contam suas estratégias

Se identificou com algum desses dilemas-processos-desafios? Dá aqui um abraço! :) Acho que saber que não estamos sós em nossas angústias e dificuldades é um grande passo no caminho da realização como empreendedores criativos. Por isso acho massa quando vejo alguém compartilhar algumas dessas noias e começar conversas sobre elas, mesmo que não sejam exatamente novidade.

Things are what you make of them: life advice for creatives

Tou falando tudo isso porque quando entrei na livraria alternativa-ativista-cooperativa-maravilhosinha Bluestockings, em Nova Iorque, e sentei pra comer um donut de café e folhear o livro Things are what you make of them: life advice for creatives, me senti como se alguém tivesse acabado de pegar na minha mão e dizer: tá tudo bem.

Escrito por Adam J. Kurtz, esse livrinho é pequenino, podendo ser lido de uma sentada. E não traz, a meu ver, nenhum insight revolucionário ou proposta muito inovadora. Mas oferece, por outro lado, aquele conforto da empatia, aquela lembrança de verdades que insistimos em esquecer e aquele empurrãozinho pra gente deixar de se cobrar tanto e simplesmente seguir em frente.

Desde que superei minha birra com esses livros meio autoajuda, percebi que o óbvio às vezes é o que mais precisa ser dito. Resolvi, então, trazer aqui umas traduções livres, leves loucas (adaptadas e com comentários pessoais) de alguns dos “conselhos” dele que mais mexeram comigo, pra ver se inspiram mais alguém.

Aparentemente o livro ainda não tem versão em português. Mas é tão pouco texto que, se você se interessar, acho que vale o esforço de entender, mesmo que não domine o inglês. Dá pra comprar a versão original na Amazon e em outras livrarias. :)

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10 coisas que aprendi sobre empreendedorismo
Economia criativa: como lidar com a precariedade?

Conselhos para empreendedores criativos

Sim, você pode fazer isso

Sabe qual é a real? A real é que ninguém sabe muito bem o que danado tá fazendo, e tá tudo bem. Um dos medos mais comuns do mundo é aquele que nos diz, em forma de vozinha interna: “não sou capaz de fazer isso”. Mas como você sabe que não pode se não tentou de verdade?

Um segredinho nem tão secreto assim: muito do que a gente faz é aprendido durante o caminho, quando abraçamos novos projetos e nos deparamos com novas perspectivas. Todo mundo começou de algum lugar e todo mundo tá aprendendo constantemente. Antes de determinar que não é capaz, experimente tentar.

O fracasso na verdade é uma opção

Sabe quando dizem que “fracassar não é uma opção”? Hmm, na verdade é, sim. É, aliás, uma das duas principais opções na maioria das situações. Em vez de mentir pra si mesmo sobre essa possibilidade, escolha se preparar pra o que vier e aprender com a experiência.

Sim, aquele projeto pode não sair como você imaginou. Mas você vai dar seu melhor de todo jeito, torcer pra dar certo e entender que mesmo o fracasso faz parte do processo. Sua vida criativa é uma jornada e cada passo ajuda a te levar adiante, seja como for.

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Precisamos falar sobre o fracasso

Você não tem que ser o melhor em tudo

Tudo bem, você é foda, tou ligada. Mas nunca vai ser o melhor em tudo. E isso não é uma fraqueza, é autoconhecimento. Hoje em dia se valoriza muito o profissional multitarefas e é massa experimentar coisas diferentes, sair da sua zona de conforto etc. Mas mesmo que seu negócio seja só seu, não é obrigação sua dar conta de absolutamente tudo.

Entenda quais são seus pontos fortes e colabore com (ou contrate) pessoas que sejam boas no que você não é. Cresçam juntos, enquanto você se concentra em fazer o que realmente ama.

Ser legal não é uma fraqueza

Você sabe como as coisas podem ser difíceis, né? Mas aposto que às vezes teima em esquecer que todo mundo também tá lidando com umas merdas (apesar de o Instagram frequentemente indicar o contrário). E que você não tá realmente competindo com todos os outros. Aquela velha história: você é único e seu trabalho tem seu próprio valor.

Foque, então, em ser a versão mais positiva de si mesmo sempre que possível. Ser gentil e bom com os outros não é um sinal de fraqueza. Não precisa significar ser ingênuo ou otário, e sim tratar o mundo com leveza. E pode, também, provocar a confiança de quem tá ao redor, gerando inclusive boas colaborações e ajuda.

Celebre cada pedacinho

Várias coisas que a gente nem valoriza podem ser grandes conquistas pra outras pessoas. Tem gente que me fala em coragem por fazer certas coisas que nem acho “nada de mais” porque já naturalizei, mas parecem uma montanha enorme pra outros. Da mesma forma, coisas que muita gente faz sem dificuldade me dão medo em oitocentos níveis. :P Resumo da ópera: é importante sempre lembrar de dar valor a cada pedacinho do que fazemos, a cada batalha que ganhamos.

Pense se você também não tá deixando de celebrar aquelas pequenas conquistas do dia a dia. Tipo conseguir dinheiro pra pagar o aluguel. Terminar sua lista de afazeres do dia. Iniciar aquele projeto que você adiou por tanto tempo. Tomar coragem pra entrar em contato com aquele possível parceiro ou patrocinador. Até acordar pela manhã é uma conquista que merece ser celebrada (possivelmente com café).

Não se compare aos outros

É normal se comparar a outros empreendedores, especialmente do mesmo nicho. De certa forma, isso pode ser útil, porque nos faz aprender com os erros e acertos alheios e pode dar aquele empurrãozinho pra chegar aonde queremos. Mas tudo tem limite e isso pode facilmente se tornar algo nocivo.

Tá perdendo tempo checando a quantidade de seguidores ou o número de jobs ou de vendas dos concorrentes? Pare! Em vez disso, olhe pra dentro. No que VOCÊ está trabalhando agora?

Todo mundo compartilha a melhor versão de si mesmo. Seja mais do que você tem de melhor. E em vez de sentir inveja se alguém da mesma área estiver se dando muito bem, tente ficar feliz por saber que o que vocês oferecem é atraente pra o mercado e tá ganhando reconhecimento.

Trabalhe colaborativamente

Trabalho sozinha na maior parte do tempo e isso não me incomoda, mas é impressionante a energia instantânea que rola quando me envolvo num projeto com alguém com boas ideias. Combinar vários talentos e visões nos permite chegar muito mais longe, especialmente quando se trata de pessoas que compartilham de uma mesma visão. Colaborar com outros criativos pode estender nosso alcance coletivo. Traga à tona outras vozes e lembre-se que uma meta compartilhada é muito maior do que qualquer indivíduo.

Seja verdadeiro consigo mesmo

A internet ajuda a mostrar pra gente que temos muito mais em comum com os outros do que pensávamos, né? Vide aquelas comunidades do Orkut que nos fizeram descobrir que aquele gosto super específico e esquisito que pensávamos ser só nosso na verdade era compartilhado com outras 3.485 pessoas. Ainda assim, só você é você.

E apesar de termos uma tendência, em nossa maioria, a querer nos sentir “encaixados” na sociedade, é importante valorizar o que nos faz únicos. Não precisa tentar anular suas características mais profundas pra encaixar em algum molde. Seja pessoal, cru e apaixonado. Seja você mesmo no mais alto volume, pra abafar qualquer voz que queira silenciá-lo, inclusive a sua própria.

Pense em quem você quer ser no futuro

Cuidado, no entanto, pra não se prender a uma suposta versão de si mesmo. Todos mudamos com o tempo, e isso é totalmente natural. Por isso, pense também em quem você quer se tornar no futuro. Esse desejo é tão importante quanto quem você é atualmente, porque vai ajudar a determinar os passos que você deve tomar pra chegar lá.

O que fazer quando falhar

Falamos lá em cima que é normal que alguns planos “fracassem”, ou não saiam como você tinha planejado, né? Encerro o post com as dicas de Adam J. Kurtz pra esses casos:

Não faça nada no calor do momento. Sinta-se uma merda. Reavalie seu trabalho. Processe feedbacks. Procure conselhos. Faça ajustes. Planeje seu plano de ataque. Tente de novo.

Comprei o livro e o recomendei por iniciativa própria, mas se você comprá-lo pela Amazon usando os links do post, o blog ganha uma pequena comissão e você não paga nada a mais por isso. O Janelas Abertas preza pela transparência com os leitores e você não vai encontrar aqui nenhum conteúdo de caráter comercial que não esteja sinalizado como tal. Saiba mais sobre as políticas do blog.

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4 Comentários

  1. Que post mais necessário <3 Às vezes eu me pergunto se não tô fazendo tudo errado na Internet porque eu sempre me guio muito pelas coisas que eu acredito (do tipo, não seguir ninguém no Instagram só pra ter o tal do follow back e depois dar unfollow lol) e ultimamente as coisas que eu acredito parecem estar ficando tão ignoradas… Dá uma tristezinha mas depois de ler esse post eu acho que eu me sentiria pior abrindo mão do que acho importante pra seguir o que ~parece~ que tá funcionando por aí. Comentário longo, só queria dizer que curti bastante você mostrar esse livro.

    • Oi, Thyeme! Sempre bom te ver por aqui :D Eu li ontem o livro de Camila Coutinho e fiquei também pensando sobre essa história de não seguir “o que está funcionando”. Ela foi pioneira em várias coisas, testando umas ideias que não tinham sido feito antes, e por isso mesmo se destacou. Acho que não basta “ser quem somos”, mas que dá pra tornar nossa essência algo atraente pra o mercado, com pensamento estratégico :)

  2. CINTIA VAZ GODINHO

    Chegou na hora certa!!! Quando as vezes eu acho que não vou dar conta, preciso lembrar que todos começaram de alguma maneira e nem todo mundo começou sabendo de tudo! Show de bola! Vou compartilhar! <3

    • Oi, Cintia! Que bom que o post foi útil pra você, fico muito feliz! :) Esse livro foi como um abraço pra mim, como falei no texto, e senti que precisava compartilhar. Tou pensando até em anotar alguns desses pontos e pendurar na parede pra reler sempre, haha. Um abraço!

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