Espanha

Curiosidades sobre a Espanha: parte 1

Espanha | 22/03/13 | Atualizado em 03/01/18 | 13 comentários

Hoje vou dar uma pausa na série de posts sobre a viagem pela Suíça e sul da França pra comentar algumas curiosidades sobre a Espanha (ou, em alguns casos, Valladolid, já que obviamente muita coisa muda de uma região a outra de cada país). É claro que nada do que eu vou dizer pode ser generalizado; é tudo apenas fruto das minhas observações morando por aqui, ou de conversas com espanhóis e com outros estrangeiros vivendo pelas bandas de cá.

Mas depois que eu comentei nesse post sobre algumas das particularidades que me chamam a atenção aqui (as lojas de chineses salvadoras que vendem tudo e mais um pouco, as criancinhas andando com roupas iguais, os 1897 bares por km²…) fiquei pensando em outras coisinhas que queria dividir. :)

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1. Filmes dublados

Começo logo pelo ponto que me faz sofrer. Não acredito que seja exclusividade dos espanhóis (em Lyon não era muito fácil encontrar uma sessão legendada), mas esse hábito de só ver filmes dublados – inclusive no cinema – me deixa louca. Tem um cinema quase do lado da minha casa, mas só fui lá em duas ocasiões: durante o Seminci (festival de cinema, raro momento em que todas as sessões são em “versão original”, ou seja, legendadas) e pra ver No, filme chileno. Aqui em Valla, em 99% das salas a realidade é a mesma: em todos os horários, só filme dublado. A exceção é um cinema “de arte”, que exibe poucos filmes por vez e alguns que chegaram aos cinemas há uns dois anos.

O resultado? Conheci um vallisoletano de 27 anos que nunca viu, em toda sua vida, nenhum filme americano em versão original. Não faz ideia do som da voz de Brad Pitt, Julia Roberts, Anthony Hopkins, insiraaquioutronomedeatordehollywood. Até na universidade os professores passam filmes dublados. Tive que assistir a Um, Dois, Três (comédia de Billy Wilder com diálogos super rápidos que dão toda a graça ao filme) em espanhol e, traumatizada por experiências como essa, não tive coragem de ir ao cinema pra ver os lançamentos dos últimos cinco meses :(

Tem quem diga que o costume foi reforçado na época franquista, porque assim era mais fácil censurar os filmes; tem quem defenda que os dubladores espanhóis são muuuuito bons (hmm… ok) ou que a indústria da dublagem move dinheiro demais pra mudar isso (nesse argumento eu acredito); mas acho que no fim das contas é uma questão de hábito mesmo. Juro que tento entender e respeitar, mas a restrição me parece uma pena… [atualização: em Madrid, como era de se esperar, é mais fácil encontrar filmes em versión original]

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2. Palavrões

Em geral, o pessoal aqui fala muuuuito palavrão. Sei que muita gente no Brasil não ficaria atrás, mas esse é um fator que chama a atenção de muitos estrangeiros. Sem pudores, de jovens a idosos usam palabrotas como se não houvesse amanhã. Não vou traduzir porque esse é um blog de família (haha), mas joder, coño, una putada, qué coñazo, está cojonudo, estoy hasta los cojones, no jodas, de puta madre, tomar por culo… são ouvidos com tanta frequência que até passam despercebidos. O que ainda me choca um pouco é o tal do “me cago en…”. A galera caga em tudo: en la leche (sim, a palavra “leite” é usada em muitas situações estranhas), en tu madre, en tu padre, en los muertos, en Dios (uou!). É claro que em momentos mais formais as pessoas têm mais cuidado, digamos assim. Mas já ouvi de tudo, em tudo quanto é canto: na aula, na rua, na chuva, na fazenda…

3. Horários

Esse é um dos aspectos mais clássicos da cultura espanhola. Já comentei aqui que demorei um pouco pra me acostumar com a siesta, quando cheguei em Sevilha. No primeiro dia, não tínhamos consciência de que realmente (quase) tudo para das 14h às 17h e teríamos passado fome se não fosse por uma loja chinesa salvadora (são muitas, tanto em Sevilha quanto aqui, e vendem absolutamente tudo que você puder imaginar). Chegando em Valla, três anos depois, precisei passar por um período de readaptação pra me lembrar que não, não ia conseguir imprimir meu trabalho no caminho pra aula, que começava às 16h. E que o banco fecha às 13h30, abrindo de novo às 16h30. E por aí vai…

Por outro lado, não tive dificuldades pra me acostumar com outro aspecto da relação dos espanhóis com as horas: o dia começa tarde e acaba tarde. Minha orientadora quer marcar uma reunião e pergunta se eu posso “na primeira hora”. E que hora é essa? Oito? Nove? Nada, 10 horas da manhã. E quando eu dizia que ia almoçar às 12h e todo mundo me olhava estranho? A hora da “comida” aqui é das 14h em diante. E é claro que o jantar também acaba sendo empurrado pra mais tarde… 20h é cedo ainda, rapaz!

Pra mim, que produzo muito mais à noite do que de manhã cedo, isso é uma bênção. Mas confesso que ainda estranho a forma de dividir os períodos do dia. A manhã, é claro, dura até a hora da siesta. E “vamos sair hoje à tarde?” é uma pergunta capciosa. Pra mim, esse período do dia vai até as 18h e nada mais. Aqui, 20h ainda não são noite. Daí que é superfácil ver crianças e idosos na rua ou em bares no começo da madrugada. É claro, porque a noite acabou de começar… ;)

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Siesta = ruas vazias

4. Supermercados

Ahhh, esse tópico é um dos meus preferidos. Acho que todo estudante que mora na Espanha desenvolve uma relação muito especial de carinho com o supermercado que frequenta. Em Sevilha, meu coração pertencia ao Día. Agora, é do Mercadona que vou sentir falta quando deixar essas terras (e da sua musiquinha adoravelmente irritante: Mercadooona, Mercadona! ^^).

Mas também vou me lembrar com ternura do Lupa, do Gadis… <3 É que a maioria dos supermercados arrasa muito na “marca branca”. São aquelas marcas próprias, que oferecem produtos mais baratos do que as marcas famosas – e, em geral, tão bons quanto. Devo a eles os quilos a mais que tou ganhando aqui, com toda certeza. Porque olha, comprar um produto com o mesmo gosto do famosão, o dobro da quantidade e a metade do preço é amor!

E você? O que mais lhe chamou a atenção em termos de curiosidades sobre a Espanha ou outro país onde morou? Discorda de algum desses pontos? Conta aí nos comentários :)

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13 Comentários

  1. Itziar

    jajajajajaja me ha encantado lo de las palabrotas. =)=)

  2. RFK

    Eu sei que é um blog de família, mas que o tal do ‘caga’ é muito engraçado, isso é, ” A galera caga em tudo”…rssssss RFK

  3. Natasha

    pô, mt verdade essas curiosidades! aqui em granada, meu caso de amor com supermercados é o coviran, que tem um em cada esquina perto das faculdade. salva-vidas dos bons!
    uma palabrota que usam muito aqui é a tal da ‘polla’. tudo está ‘hasta la polla’, hahaha. e uma expressão que eu acho engraçada aqui é ‘la vín compae’, que vem de ‘la viregen con padre’ e se usa pra dizer que alguma coisa é massa.

    • Adorei esse “la vín compae”, é beem granadino, né? O andaluz é sensacional! haha :)

  4. Gabi

    amei!!!! é isso mesmo

  5. Adoro seu bom-humor ao escrever, rio junto.
    Aqui na Itália tbm tem o inferno dos filmes no cinema e seriados na TV dublados!
    Os lugares (tipo supermercados ou padarias, por exemplo) fecham por 2 ou mais horas para o almoço, é surreal isso! rs

    • Hahaha. Que bom, rimos juntas ;) Pois é, uma amiga tava me falando ontem que na Itália é a mesma coisa! Pelo menos tem muita coisa que compensa, né? :) Obrigada pela visita, Nely!

  6. Carolinne Oliveira

    Palmas!!! Concordo absolutamente com tudo o que escreveu!! Em 2008 morei 1ano em Madrid, e assim como você estranhei muita coisa dos costumes. Mas confesso que de tudo que contou meu coração bateu mais forte quando falou do Mercadona HAHAHA Tem como não amar seus produtos Hacendado? Tenho saudades até hoje dos pacotes de croissant recheados de chocolate que eles fazem. Em 2001 fui fazer um mochilão pela Europa com um amigo e ao passar por Madrid tive que leva-lo ao famoso Mercadona de que tanto eu falava, e não deu outra, se apaixonou também!
    Amei seu blog Luisa, muito sucesso pra você!

    • Mercadona é muito amor, né? :D Todo mundo se apaixona! hahaha. Obrigada pelo comentário, Carolinne :) Fico feliz por você ter curtido o blog. Espero que volte sempre ^^ Um abraço!

  7. Thairiny

    Oiiii Luisa!

    Estava me preparando para ir de intercâmbio pra Valladolid em setembro de 2014 e seu blog deu um ajuda e tanto. Voltei em fevereiro de 2015 e hoje “fuçando” na internet , me deparei novamente com o blog :D geeeeente que saudade!
    Valladolid é simplesmente linda! Estudei na Facultad de Comércio ( em frente ao de Letras y Filosofía). Lembrando de Mercadona, massa quando chega época de natal e a musiquinha fica rodando sem parar (Feliz navidad, feliz navidad…), vale mencionar os montaditos tbm , muy exqusito!
    Meu sonho é voltar lá de novo

    Abraços e parabéns pelo blog!

    • Luísa Ferreira

      Oi, Thairiny! Que legal que o blog ajudou e mais legal ainda que você apareceu por aqui de novo ^^ Hhahaha bote fé, tinha me esquecido da musiquinha de Natal… Saudades de Valla! Espero que possamos voltar lá mesmo. Um abraço :)

  8. Fábio Masculino Mascarenhas

    Que nostalgia lembrar de Sevilla cidade que echo de menos vivi 5 anos por ai ( cerro del águila) lembranças boas…😀

    • Oi, Fábio! Que delícia :) Tava hoje mesmo relembrando meus tempos em Sevilha e sentindo saudades também… É uma cidade muito especial, né? Obrigada pelo comentário!

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