Dicas Práticas

Como é viajar de ônibus pela Europa: prós, contras e dicas práticas

Quando você planeja uma viagem pela Europa provavelmente pensa logo em andar de trens, que quase não levam passageiros no Brasil, ou em aproveitar as famosas passagens baratas das companhias aéreas low cost. Mesmo depois de cinco idas ao Velho Continente, eu só tinha o costume de usar ônibus pra viajar dentro do mesmo país, como quando morei na Espanha. No meu último mochilão europeu, no entanto, fiz quase tudo de busão. Além de superbarato, achei muito prático. <3 Mas será que viajar de ônibus pela Europa vale a pena pra você?

Antes de mais nada, afirmo: trens são disparado meu meio de transporte preferido. Não balançam, são confortáveis e espaçosos, costumam sair de regiões centrais, geralmente são pontuais e não envolvem muita burocracia. Mas em alguns países eles são terrivelmente lentos; em outros, assustadoramente caros; e pra muitas rotas não estão nem disponíveis.

Aviões têm a vantagem óbvia: levam você do ponto A ao ponto B no menor tempo possível (cadê teletransporte?). Mas também envolvem todo aquele mimimi de check-in, despachar malas e inspeção de segurança. Sem falar no limite de bagagens cada vez menor, aeroportos longe do centro, ter que chegar com muita antecedência, assentos apertados e, pra muita gente, um leve (ou grande) pânico por estar no ar.

No caso dos ônibus, é claro que também existem prós e contras, que devem ser avaliados na hora de escolher o melhor meio de transporte pra sua viagem. Vamos dar uma olhada em alguns deles, com base nas minhas experiências pela Europa?

Pontos positivos

  • O preço, é claro: quase sempre os trechos de ônibus saem mais em conta.
  • Em algumas situações, os trajetos levam o mesmo tempo que um trem ou até menos. Exemplos são os trechos de Praga ou de Viena pra Bratislava, ou de Munique pra Praga.
  • A possibilidade de comprar passagens de última hora com variações de preço muito menores do que no caso de aviões e trens.
  • Muitas empresas permitem remarcar passagens de graça ou por uma taxa bem pequena – algumas, inclusive, até no mesmo dia da viagem.
  • Se comparados aos aviões, os ônibus costumam oferecer mais espaço entre as poltronas.
  • Muitas companhias, incluindo mais baratinhas, oferecem wi-fi (com limite de dados), tomadas junto aos assentos e telas individuais touch screen com filmes e séries (como na foto abaixo) até pra trechos relativamente curtos.
  • Os limites de bagagem são mais tranquilos que nas companhias aéreas low cost.
  • Sua mala fica num bagageiro, então não é preciso se preocupar em achar um buraco pra enfiá-la, como no trem.
  • Costumam ter ponto de partida e chegada em localizações centrais.
  • Somando a relativa facilidade de deslocamento até o ponto de saída e a quase inexistência de burocracias pré-embarque, economiza-se até três horas nesse período “pré-viagem” em comparação com um trecho de avião (ou seja, se a diferença de tempo do voo pra o ônibus for de até três horas, o busão sai ganhando).
  • Muitos lugares dão direito a paisagens lindas no caminho. E mesmo quando o cenário não é assim tão deslumbrante, cruzar os lugares por terra dá outra dimensão à viagem, oferecendo uma noção dos entornos.

tela touch screen em viagem de ônibus pela europa

Vai pra Europa? Não se esqueça que o seguro viagem é obrigatório pra entrar lá! 
Clique aqui e saiba como contratar o seu com desconto.

Pontos negativos

  • A maior desvantagem costuma ser o tempo, já que não tem como competir com a velocidade dos aviões e, na maioria dos casos, dos trens. Pra quem só tem 10 ou 15 dias de viagem por várias cidades, a demora pode não valer a pena.
  • Em alguns lugares as estradas são ruins e o percurso pode ser meio perigoso; não passei por nenhum destino assim, mas vale se informar: nem todas as partes da Europa “funcionam” tão bem.
  • Muitos ônibus de companhias baratas têm assentos meio apertados se comparados a companhias brasileiras. Depois de meses viajando com a Flixbus fiquei me sentindo na 1ª classe durante o percurso Floripa-Curitiba com a Catarinense (em ônibus convencional!) :P
  • O Wi-Fi normalmente só funciona no país ao qual pertence a companhia de ônibus, então se você estiver indo ou vindo de outro país, espere ficar off-line nessa outra parte da viagem.
  • Essa coisa do bagageiro é ótima porque você entrega a mala ali e “se livra”, mas por outro lado não pode ficar de olho nela. Nas diversas companhias que usei, nunca vi um controle muito bom pra confirmar quem era o dono de cada bagagem.
  • Algumas companhias de ônibus (especialmente as mais baratas) usam como ponto de chegada e partida lugares que não são rodoviárias propriamente ditas, e muitas vezes mal sinalizados. Já peguei ônibus internacionais em paradas que ficavam embaixo de viadutos ou que pareciam simples pontos de ônibus municipais, sem muita proteção contra frio ou chuva.
  • Quando não se trata de uma rodoviária, às vezes não há um ser humano sequer pra dizer qual é a plataforma do seu ônibus ou informar sobre atrasos; no máximo uns papéis com instruções como esse na foto abaixo. A solução, às vezes, é ir perguntando pra quem tá por lá, mas você certamente vai se encontrar.
  • Se for cruzar de um país pra outro, prepare-se pra possíveis paradas pra controle de passaportes (que sempre acontecem entrando ou saindo do Espaço Schengen) e pra revista de malas. Como é muita gente no ônibus, esses processos podem demorar um pouco.

informações para viajar de ônibus pela europa

15 dicas para viajar de ônibus pela Europa

  1. Pra decidir se é mais vantajoso mesmo ir de ônibus e ver algumas opções de companhias que oferecem o trecho desejado, acesse sites como o GoEuro e o Rome2Rio (meu queridinho).
  2. Resolveu ir de ônibus mesmo? Além de ir pra os sites das companhias listadas em buscadores como esses acima, veja outras opções de empresas nacionais e internacionais. Ouvi falar bem do site Bus Radar, buscador com foco em ônibus.
  3. Sempre que possível acesse o site da própria companhia pra comprar a passagem (ou vá na rodoviária, se preciso). O único site “externo” que já usei foi o da GetByBus pra os trajetos na Croácia, porque muitas das companhias de lá não tinham opção de venda online. O GetByBus tem um suporte excelente: comprei duas passagens pra datas erradas e pra trocar era preciso entrar em contato direto com eles, mas a resposta foi super rápida e depois uma pessoa me escreveu pra confirmar se tinha dado tudo certo.
  4. Sempre cheque se é preciso imprimir a passagem ou se basta levar a versão digital pra mostrar no celular, porque depende da empresa.
  5. Não conheço ninguém que tenha tido bagagens roubadas do bagageiro, mas por precaução sempre tento deixar a minha mais pra o meio (com outras na frente dela) e não demorar muito pra descer do ônibus ao chegar no destino.
  6. Vá no banheiro antes de embarcar. A grande maioria dos ônibus tem banheiro, mas peguei alguns que não tinham e tivemos que esperar pela parada num posto de gasolina, onde se formou uma fila grande.
  7. Leve lanches. Às vezes tem venda de comida a bordo, mas na maioria não, e nem sempre são feitas paradas em postos com lojas de conveniência.
  8. Chegue no ponto de saída do ônibus com antecedência, porque nem sempre a parada ou plataforma está bem sinalizada e você pode demorar um pouco pra encontrar o lugar certo.
  9. Cheque o número do ônibus na passagem, porque pode acontecer de a plaquinha indicativa não mostrar todos os destinos e você não reconhecer o seu busão.
  10. Tenha ao menos o equivalente a 1 euro na moeda local, porque podem existir cobranças extras pra colocar as malas no bagageiro, que nem sempre ficam claras na hora da compra da passagem.
  11. Não leve malas de mão grandes. Na maioria dos ônibus, os bagageiros superiores só comportam uma mochila relativamente pequena.
  12. Se tiver itens de valor, melhor deixar a bolsa no colo, porque não são raros os casos de roubos enquanto a pessoa dorme, como contei num post sobre furtos em viagens.
  13. Verifique se a companhia marca assentos. Se não marcarem e você viajar acompanhado ou tiver preferência de assento, é bom tentar ser um dos primeiros da fila.
  14. Esteja com a documentação em dia. Não é porque não existe o controle rígido dos aeroportos que você vai passar tranquilo por qualquer fronteira. Pode ser feita fiscalização de passaportes e vistos (se necessários), e se tiver bronca não te deixam seguir viagem.
  15. Se for usar muito a mesma empresa, como a Flixbus, vale a pena baixar o app deles. Assim não é preciso imprimir as passagens (basta mostrar o QR code que aparece no aplicativo) e dá pra conferir o percurso do ônibus e informações sobre atrasos.

ponto de saída de ônibus

Principais companhias de ônibus da Europa

Na Europa existem algumas grandes companhias que abrangem vários países. As mais conhecidas são a Eurolines e a low cost Flixbus, que mencionei acima. Usei a Flix quase sempre porque tem bons preços e um sistema bem organizado. Só fique atento porque às vezes eles usam ônibus de outras empresas, então não estranhe se aparecer um veículo com outra marca na sua plataforma.

Além disso, existem empresas próprias de cada país, que muitas vezes também fazem viagens entre ele e destinos internacionais. Alguns exemplos são a Alsa na Espanha, NationalExpress no Reino Unido, Bus Eireann na Irlanda e Rede Expressos em Portugal. Na França existe a Ouibus, na Polônia a PolskiBus, na República Tcheca a Regiojet (minha queridinha, com serviço melhor que a Flixbus por preços baixíssimos), na Finlândia a Onnibus e na Suécia a Swebus.

menino em ônibus

Minhas experiências

caso você esteja pensando em percorrer um desses trechos de ônibus ou queira mais detalhes sobre viagens de busão low cost na Europa, talvez as informações abaixo possam ajudar. :) Só lembrando que cada caso é um caso! Tudo que eu comentar aqui pode variar e até as rotas e procedimentos podem ser alterados com o passar do tempo.

De Nantes para Paris com a Flixbus: a saída era numa parada de ônibus simples meio “no meio do nada”, mas tinha sinalização. Paramos por 15 minutos num posto com banheiro bom (gratuito) e loja de conveniência enorme. A chegada era na estação de Bercy.

De Paris para Bruxelas com a Flixbus: a saída era na estação de Bercy, que é bem cheia e bagunçada; são muitos ônibus parados e você tem que sair procurando o seu, porque não tem painéis indicativos e os funcionários não informam nada. Paramos pra controle de passaporte e checagem de malas, mas foi rápido.

De Bruxelas para Amsterdam com a Flixbus: tanto a saída quanto a chegada eram ao lado de estações de trem conectadas ao metrô.

De Amsterdam para Berlim com a Flixbus: foi a viagem mais longa que fiz (quase 11h), mas o ônibus era confortável e o banheiro razoável. Na chegada em Berlim tinha várias opções de estações; escolhi a central (ZOB), que tem metrô e S Bahn a poucos minutos de caminhada.

De Berlim para Praga com a Regiojet: saí da estação ZOB também, que é uma rodoviária organizada: tem lugar coberto com cadeiras pra esperar, painel com horários de partidas/chegadas dos ônibus e números das plataformas e um aviso sonoro quando começa o embarque. O ônibus da Regiojet tinha TV individual touch screen, uma tomada no meio de cada 2 assentos, Wi-Fi (só dentro da República Tcheca), banheiro, fones de ouvido, cafés e chás de graça  (incluindo latte e cappuccino!) e venda de água, chá gelado, cerveja e alguns petiscos bem baratinhos.

rodoviária na europa

De Praga para Cesky Krumlov com a Regiojet: a estação em Praga é uma rodoviária mesmo, e perto do Centro; em Cesky Krumlov, é tipo um estacionamento, que não tem muita proteção pro frio se for inverno. Tinha TV com bons filmes na ida e volta.

De Praga para Bratislava com a Regiojet: A estação de chegada em Bratislava era uma rodoviária de verdade, com estrutura. Um Uber de lá pra o centro deu uns 3,50 euros.

De Bratislava para Budapeste com a Flixbus: A “estação” de saída em Bratislava ficava embaixo de um viaduto, com pouco abrigo pra chuva e frio. o ônibus atrasou 1h30 e no site constava como se estivesse no horário; não tínhamos nenhuma informação, nem pra ter certeza de que estávamos esperando no lugar certo.

De Budapeste para Ljubljana com a Flixbus: em Budapeste, a estação deles é a Népliget, que é conectada ao metrô e tem estrutura de rodoviária, com painéis indicando plataformas e lugares pra comprar comida e esperar com segurança. Em Ljubljana existe uma estação bem pequena e os ônibus param do lado de fora, sem abrigo pra o clima, mas dentro tem onde pedir informações e comprar passagens e comida, além de guarda-volumes pra deixar malas por algumas horas.

De Budapeste para Belgrado com a Flixbus: a estação em Budapeste é a mesma que mencionei acima. Em Belgrado o ônibus parou perto de uma rodoviária de verdade, que tem guichês de informação e fica relativamente perto do centro, além de ter paradas de tramway e caixas eletrônicos bem na frente. Ao sair da Hungria e entrar na Sérvia (que não faz parte do Espaço Schengen) tivemos que descer do ônibus pra o controle de passaportes, que levou cerca de 1h.

De Belgrado para Sarajevo com a Lasta: não dá pra comprar as passagens online, só no guichê na estação. Todos os atendentes com quem conversei falavam inglês, mas só era aceito pagamento em dinheiro. Recebi uma passagem de papel bem simples e uma moeda pra passar pela catraca que dava acesso às plataformas. Precisei perguntar pra um funcionário o número da plataforma (tava escrito no bilhete, mas tava tudo em sérvio). Quando o ônibus chegou, não dizia Lasta e tava com tudo escrito em cirílico, mas me confirmaram que era esse mesmo. Me cobraram 60 dinars (50 centavos de euro) pela bagagem, pagos na hora. Paramos no controle de fronteira, mas não descemos do ônibus: os policiais entraram, pegaram nossos passaportes e depois os trouxeram de volta. Não vale a pena pegar trem pra esse trecho porque a ferrovia é péssima e a demora é absurda. Em Sarajevo, a estação de chegada era na parte Sérvia da cidade, que é afastada do Centro; existe uma estação bem central, mas os horários de chegada lá eram péssimos. Tive que andar uns 10 minutos pra achar um caixa eletrônico e sacar a moeda local, mas junto da estação tem mercadinhos e um ponto de táxi.

Dentro da Croácia: fiz diversos trechos de ônibus na Croácia: de Mostar (Bósnia) pra Dubrovnik, de Dubrovnik pra Split, de Split pra Trogir (bate-volta) e de Spit pra Zagreb. Usei diferentes companhias (Croatia Bus, Salinea, Promet Makorska e Imotski-Autoherc), mas comprei quase todas pelo site GetByBus, porque muitas das cias de lá não têm site próprio. Em todos os casos cheguei e saí de rodoviárias.

Também já viajei bastante dentro da Espanha com a Alsa e sempre correu tudo bem, comprando a passagem pelo site ou nas estações; escrevi um post falando sobre como ir de ônibus do Aeroporto de Madri para outras cidades (coisa que fiz umas dezenas de vezes).

E você, já viajou muito de ônibus pela Europa? O que aprendeu e o que viveu de bom ou ruim nessas aventuras? Compartilha nos comentários!

Contrate seu seguro viagem com desconto
Pesquise e reserve hotéis com os melhores preços no Booking

Quando você usa esses links, o blog ganha uma pequena comissão pra se manter vivo e você não paga nada a mais por isso. <3 Saiba mais sobre as políticas de monetização do Janelas Abertas clicando aqui.

Pra conferir muito mais conteúdo sobre viagens todos os dias, siga o Janelas Abertas no Facebook, no Instagram e no Youtube. Espero você lá! :)

Posts Relacionados

8 Comentários

  1. Lenivaldo Leni

    Luisa, teu blog tá me ajudando muito a planejar minha viagem. A proposito, lembra de um cara que falou sobre o blog contigo no dia da Macuca? Sou eu. :) haha

    Oa, me tira uma dúvida. Quando você fez um mochilão extenso, tu reservou muitas hospedagens com antecedência ou so as primeiras? Eles costumam pedir isso na imigração?

    • Oi! hahah Lembro, sim, que massa! :D Fico feliz por saber que tá ajudando :) Nunca vi pedirem todas as hospedagens na imigração; normalmente só pra os primeiros dias no país de entrada já é suficiente. Na verdade nunca me pediram nada além da passagem de volta pra o Brasil (ou de saída do Espaço Schengen). Nunca vi alguém sair pra passar mais de um mês com todas as hospedagens já reservadas… Nesse último mochilão eu só sabia pra que países iria no primeiro mês e não levei comprovação de hospedagem nenhuma, porque ia ficar na casa de amigos e não pedi carta-convite nem nada, mas tinha telefones e endereços pra informar caso necessário. :)

  2. Jhonny Miranda

    Hey, amando seu blog… pois então, eu vou fazer um muchilao pela EU e os destino são quase idênticos ao seu. Nesse seu roteiro, usando Hostel, Bus e comida de mercado, quanto mais ou menos vc gastou?

    • Oi, Johnny! Em muitos lugares eu não paguei pela hospedagem, então isso deixou minha viagem mais barata. Gastei uma média de 700 euros por mês. Um abraço e boa viagem! :)

  3. Karen

    Oi luiza! Parabens pelo blog, estou usando super para montar nossa viagem!

    No exemplo q vc deu de amsterda para berlim q foi mais longo, teve desconforto com frio? Digo pq ja passei perrengue nos onibus aqui do brasil de ficarem mega gelados..
    Abs!

    • Oi, Karen! Que bom, espero que a viagem seja incrível :D Não passei perrengue com o frio, não! Mas sempre viajo de calça e meia e levo casaco e um lenço que posso usar como cobertor caso necessário :) Pela minha experiência, é mais comum algum espaço interior ficar meeega gelado no Brasil do que na Europa :P Um abraço!

  4. Rômulo Santiago

    o melhor site que encontrei, muito direto e objetivo.. Parabéns e muito sucesso por prestar esse serviço.. NOTAS INFINITAS.

    • Oi, Rômulo! Que elogio! :) Muitíssimo obrigada. Fico muito feliz por saber que os posts foram úteis :) Um abraço!

Deixe o seu comentário