Rio de Janeiro

Como chegar e o que fazer em Paquetá, oásis de tranquilidade no Rio de Janeiro

Rio de Janeiro | 11/01/18 | Atualizado em 21/05/18 | 21 comentários

Paquetá é um oásis. Uma ilha – literalmente – de tranquilidade e segurança a menos de uma hora de barca desde a Praça XV, no Centro do Rio de Janeiro. Um lugar pra caminhar ou pedalar sem rumo sabendo que não vai se perder e sem se preocupar com engarrafamentos (afinal, automóveis são proibidos). Pra puxar assunto com os moradores, admirar o infinito azul da Baía de Guanabara, admirar as casas históricas, deitar na areia e pensar na vida. Esse bairro peculiar em uma das mais caótica cidades brasileiras parece ter parado no tempo de propósito pra nos recordar: desacelera, relaxa, respira. Ficou interessado? Veja o que fazer em Paquetá e programe seu passeio.

Como chegar em Paquetá

O passeio na Ilha de Paquetá começa muito bem já no caminho. É que pra ir até lá é preciso pegar uma barca na histórica Praça XV, no Centro do Rio, e o percurso é bem bonito. Como as embarcações não são tão frequentes, é aconselhável checar a tabela de horários de ida e volta no site da CCR Barcas, que opera o transporte, e se programar. Na estação da Praça XV tem lanchonetes na área externa e banheiros e bebedouros depois da catraca.
Atualmente (janeiro de 2018), cada trecho da passagem custa R$ 5,90 ou R$ 5 com bilhete único, ou ainda R$ 8 pra integração da barca com metrô, trem ou ônibus. O transporte de bicicletas é gratuito até o limite de 10 bikes por viagem; acima dessa quantidade podem não deixar você embarcar com a magrela, então se for seu caso é bom chegar cedo pra ser um dos primeiros da fila.
Quando fui (num dia de semana, em maio) a barca tava bem vazia, mas acredito que deve ficar cheia aos finais de semana, especialmente no verão. Durante a viagem, que dura cerca de uma hora, vendedores ofereciam várias comidinhas, de esfirras a amendoins. Mas eu fiquei foi com os olhos grudadinhos na janela, sacando a vista linda da Baía da Guanabara, com direito a passar por baixo da imponente Ponte Rio-Niterói. Como a embarcação é grande e as águas da baía são calmas, mesmo pessoas facilmente enjoáveis como eu não devem ter problemas. ;)
barca para paquetá
barca para paquetá
barca para paquetá
ponte rio-niterói
barca para paquetá
barca para paquetá
estação paquetá

O que fazer em Paquetá

Os amigos que me hospedaram no Rio gostam tanto de Paquetá que já comemoraram vários aniversários por lá (achei uma ideia ótima, aliás). Saí de casa com algumas dicas deles, mas chegando lá peguei um mapa e me informei sobre outros lugares “turísticos” da ilha. Preciso alertar, no entanto, que não me ative tanto a eles. É que a atmosfera lá é tão slow travel que me parecia desconexo me preocupar com localização, horários e burocracias do tipo.

Ainda que não ache necessário percorrer nenhum atrativo em especial pra curtir a atmosfera paquetaense, vou mencionar algumas das coisas que você pode fazer por lá, pra dar um gostinho do que vai te encontrar. :)

Ao descer da barca você já estará na principal praça da ilha, a Pintor Pedro Bruno. Quando começamos a sair todos juntos da barca rolou uma agitação, mas em pouco tempo tudo voltou ao seu ritmo normal, com vários idosos jogando dominó, batendo papo ou vendo a vida passar. Nesse momento eu já sabia que ia gostar desse lugar.

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ilha de paquetá

Alugar uma bicicleta

Ao redor da praça tem um boteco, uma padaria e, seguindo pela rua principal ali em frente (Rua Furquim Werneck), alguns restaurantes e lojas de aluguel de bicicletas. Como na ilha não é permitida a circulação de motos e carros (com exceção de carros de bombeiros, polícia, ambulância e caminhão de lixo), o principal meio de transporte é a bike. É tranquilo percorrer Paquetá quase toda andando, mas achei tão delícia pedalar por lá que recomendo fortemente o aluguel.
Peguei a minha na primeira loja da rua, que cobrava R$ 5 por hora ou R$ 25 pelo dia inteiro (das 8h às 17h), ou ainda R$ 35 por 24 horas de uso. Lembre-se de levar um documento pra deixar de “garantia” pra o aluguel. Outra opção é alugar triciclos com dois lugares por R$ 20 a hora ou R$ 75 pelo dia.
Um detalhe que me fez amar ainda mais Paquetá foi que quando pedi um cadeado ao cara da loja pra deixar a bicicleta parada e entrar no parque, onde elas não são permitidas, ele disse que não precisava: eu podia deixá-la solta mesmo, que não tinha perigo de ninguém roubar. Ah, as delícias de estar numa ilhota. <3
 o que fazer em paquetá
bicicleta em paquetá

Passear de charrete elétrica

Caso você não queira ou não possa caminhar ou pedalar, uma alternativa é fazer um passeio de charrete elétrica. Esses carrinhos tipo aqueles de golfe foram adotados em 2016, quando a prefeitura proibiu a circulação das charretes tradicionais, puxadas a cavalo, devido a denúncias de maus tratos dos animais.
Os motoristas dos veículos fazem as vezes de guia, visitando os principais pontos da ilha por R$ 70, dando a volta completa por R$ 100 e levando os passageiros a qualquer ponto específico por R$ 5 (valores de maio de 2017). Além deles, tem também os ecotáxis, triciclos que se assemelham ao riquixá.
charretes elétricas

Curtir as praias e arredores

Esse item pode parecer estranho, já que as praias de Paquetá não são conhecidas pela limpeza das suas águas – afinal, o que corre de sujeira ali na Baía da Guanabara não é brincadeira. Ainda assim, algumas delas são consideradas como próprias pra banho. Pelo que pesquisei, as praias da Moreninha e José Bonifácio têm águas limpas, porque um canal que passa por ali conecta essa parte da baía com o oceano.

Mesmo que não queira se arriscar, vale a pena dar um pulo nas praias pra pegar sol ou simplesmente curtir o visual. A de José Bonifácio é a mais popular da ilha e conta com alguns bares e barraquinhas, além de grandes pedalinhos coloridos em formato de cisne, árvores oferecendo sombra e banquinhos pra dar aquela descansada.

praia em paquetá

o que fazer em paquetá

pedalinhos em paquetá

Saindo da estação das barcas e virando à direita, chega-se à Praia dos Tamoios. Por ali, um dos pontos altos é o charmoso Caramanchão dos Tamoios, uma pequena pracinha com bancos e flores, superfotogênica (onde ironicamente, ou burramente mesmo, não tirei fotos).

Sem falar no baobá Maria Gorda, um exemplar bonitão dessa árvore que adoro (tem um lindo no meu Recife também, na Praça da República). Com centenas de anos e mais de sete metros de circunferência, a árvore é envolta por uma lenda, como anuncia uma placa colocada junto a ela: “Sorte por longo prazo a quem me beija e respeita, mas sete anos de atraso a cada maldade a mim feita”. Por via das dúvidas, melhor dar bastante carinho pra essa moça, né?

Ah, outra lenda é a que explica o nome da árvore africana: dizem que Maria Gorda era uma mucama de um comerciante português que morava na ilha e nunca se conformou com a escravidão. Ela teria pedido aos orixás pra que ela e suas raízes negras nunca fossem esquecidas em Paquetá. De acordo com a história, no dia em que Maria Gorda morreu, apareceu em frente à casa um arbusto diferente dos outros: o baobá, fincando as raízes africanas ali.

Quer mais? Se tratando de uma ilha, é claro que existem várias outras praias: alguns exemplos são a da Moreninha, que vou mencionar logo mais, a das Gaivotas, a de São Roque, a do Buraco e as de Moema e Iracema, batizadas em homenagem ao romance de José de Alencar. Se você for passar o dia inteiro por lá acredito que vale a pena dar uma volta completa na ilha, mas só passei a tarde e preferi me ater a preguiçar em poucos lugares do que percorrer muitos. :P

praia em paquetá

o que fazer em paquetá

paquetá

Cemitério de pássaros

Vários cemitérios mundo afora já foram transformados em pontos turísticos, mas essa foi minha primeira vez em um dedicado a passarinhos. Criado há décadas por artistas nascidos na ilha, o lugar abriga algumas dezenas de jazigos onde repousam vários tipos de aves. Segundo essa matéria do Globo, qualquer um pode acomodar seus pássaros falecidos na minicova.
Me surpreendi ao descobrir que o lugar é cheio de placas com trechos de poemas que falam sobre esses animais. Tem desde Drummond (“Um sabiá na palmeira, longe/ Estas aves cantam um outro canto”) a Chico Buarque e Francis Hime (“Xô, pescador-martim/ Some, rolinha/ Anda, andorinha/ Te esconde, bem-te-vi”). No mínimo curioso, né?
cemitério de pássaros

Parque Darke de Mattos

Depois de circular pelas ruazinhas e visitar o minicemitério, meu próximo destino foi o tal parque onde não é permitido entrar de bicicleta. Localizado na ponta da orla da praia José Bonifácio, o Parque Darke de Mattos é bem agradável e vale uma caminhada com calma. Me apaixonei loucamente pelas árvores centenárias de lá: pudera, são românticas que só elas. :)

parque em paquetá
parque em paquetá
parque em paquetá

Mas por mais legal que seja o parque em si, o destaque é o Mirante Boa Vista, no morro da Cruz, que além de ser bem bonitinho dá direito a uma vista deslumbrante.

mirante em paquetá
mirante em paquetá
 mirante em paquetá

Ponte da Saudade

Na outra ponta da praia de José Bonifácio, logo antes da Praia da Moreninha, fica outro ponto bem charmoso da ilha: a Ponte da Saudade. Pra minha surpresa, na verdade não ela é bem uma ponte, mas um pier.

Reza a lenda que um escravo chamado João Saudade se sentava ali pra chorar pela falta que sentia da família, que havia ficado na África. Não sei se tem um fundo de verdade nessa história, mas é certo que o lugar tem um quê de melancolia, com o mar batendo no pier e simpáticas garças brancas descansando nas pedras.

ponte da saudade

ponte da saudade

Pedra da Moreninha

Continuando pela orla você chega à Praia da Moreninha, que também é bem gostosa pra uma caminhada, e à Pedra da Moreninha. O lugar supostamente serviu como inspiração de cenário pra o romance A Moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo, considerado o primeiro marco do romantismo na literatura brasileira.

Muita gente me falou pra subir na pedra – que pode ser acessada por uma escada e uma ponte de madeira – pra ver o pôr do sol. Como tive que ir devolver a bicicleta pra loja, acabei estendendo minha canga na areia da praia mesmo. E foi lá que esperei o céu ficar cor de rosa, enquanto juntava coragem pra voltar à loucura do Rio, quer dizer, do resto do Rio (sério, é difícil crer que aquilo ali é a mesma cidade).

ilha de paquetá

praia da moreninha

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21 Comentários

  1. Thalles

    Alguns dos momentos ao longo do ano que esta paz deste paraíso é modificada são no Carnaval por conta de blocos que agitam os/as foliões/foliã, e nas festas juninas quantos novamente milhares de pessoas vão pata ilha para curtir um ” arraiá “. No restante do ano é essa paz que você relatou. Inclusive há pousadas ótimas para quem quiser passar um fim de semana por lá. Saudades deste lugar!!!

    • Oi, Thalles! Lembro que quando eu estive lá uma seguidora recomendou ir no Carnaval; ela falou que a animação já começa na barca e toma conta da ilha toda, né? Deve ser massa! Obrigada pelas dicas e pelo acolhimento <3 Saudades também, de lá e de vocês!

  2. Ricardo Gomes

    Parabéns. Uma matéria e tanto sobre Paquetá. Lindo lugar. Ainda vou morar lá. Parabéns mais uma vez.

    • Ah, seria uma delícia morar em Paquetá! :D Que bom que você gostou do texto, muito obrigada! :)

  3. ANDRADE FERNANDO GOMES

    Gostei, vou pra lá no fim de agosto se DEUS quiser e ele quer, obgo

  4. Lucélia

    Gostaria de referências de lugares para se alimentar que seja com valores mais acessível possível?

    • Oi, Lucélia! Comprei comida num mercadinho lá, então infelizmente não sei te falar sobre bares e restaurantes :/ Boa viagem!

  5. vilma cruz

    Amei a descrição que você fé, de tudo. Perfeito! Obrigada.

  6. Isabela

    Adorei a matéria! Vou pegar essa paz no meu aniversário. Obrigada

    • Que bom que você gostou, Isabela! É um ótimo programa de aniversário :D Aproveita! Um abraço

  7. Carlos Vieira - Porto Alegre/RS

    Oi Luísa. Muito bom seu blog. Sou do RS e já estive na ilha de Paquetá em 2012, pena que somente por 1 dia para conhecer. Deu até saudades daquele lugar lindo e muito tranquilo. Naquela época ainda existiam as charretes com cavalos. Quem sabe ano que vem eu vá passar alguns dias por lá. Forte abraço. Parabéns!

    • Oi, Carlos! Que bom que você gostou do blog, muito obrigada pelo comentário! :) Também espero poder voltar a Paquetá em breve, gostei muito. Um grande abraço!

  8. Elaine Landim

    Adorei a matéria!
    Pretendo levar meu filho no dia 12/10, tomará que ele goste!!!
    Apesar de ser criança ele adora um lugar calminho..rs!
    Obrigada pela ajuda sua linda, Bjs!!

    • Oi, Elaine! Que coisa boa :) Se ele gosta de lugares calminhos, deve se divertir bastante por lá! Vê se dá pra alugar uma bike, é uma delícia pedalar por lá sabendo que não tem perigos. Um abraço e boa viagem pra vocês!

  9. Mariana Leão

    Amei a matéria, é um tipo de matéria que relata o melhor do lugar e te faz querer explorar o quanto antes. Estava na duvida, mas depois de me deparar com essa leitura maravilhosa, tentarei ir dia 13/10. Hiper, super, mega obrigada!

    • Oi, Mariana! Que alegria! :) Espero que você goste de lá. Como é feriadão, talvez esteja bem cheio, mas ainda assim é uma delicinha :) um abraço e muito obrigada por comentar!

  10. Almerindo de Araujo

    Sem sombra de dúvida é um lugar estonteante. Só em ver já desperta o desejo de participar. Estou me programando para que, nas férias escolares de dezembro eu, minha esposa e meu filho passemos uma semana lá.

    • Oi, Almerindo! Espero que vocês curtam o lugar, que acho mesmo encantador! :) Um abraço e obrigada por comentar

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