Chile de carro: roteiro e dicas de viagem pela Região dos Lagos
Fazer uma viagem pelo Chile de carro foi uma escolha acertadíssima. Com estradas excelentes, paisagens cinematográficas e cidades pequenas cheias de charme pelo caminho, o país é perfeito pra quem gosta de roteiros em que o trajeto faz tanta diferença quanto o ponto final. Eu vivi essa experiência na Região dos Lagos, no sul do país, e recomendo.
Minha viagem aconteceu em pleno inverno, época que eu já sabia não ser a ideal pra visitar a região. Mesmo assim, me surpreendi. Entre lagos, vulcões, cachoeiras, bosques, cervejarias e pequenas cidades com influência alemã, passei sete dias numa road trip que virou uma das minhas preferidas. Além dessa semana perambulando de carro com meu pai, fiquei mais alguns dias em Santiago e Valparaíso, totalizando 12 dias de viagem.
Essa região frequentemente é comparada à Suíça, e achei que faz sentido. Tem uns cenários que parecem plano de fundo do Windows, sabe? Percorremos lugares como Puerto Montt, Puerto Varas, Frutillar, Valdívia e Pucón, num roteiro bem gostoso.
Além da natureza bonitona, uma viagem de carro nessa parte do Chile tem outra vantagem: as distâncias são relativamente curtas, as estradas são bem conservadas e a infraestrutura turística é ótima, o que torna tudo prático até pra quem nunca fez uma road trip internacional.
Neste artigo, conto como foi meu roteiro viajando de carro pela Região dos Lagos no Chile, com dicas das cidades onde parei e das atrações que conheci pelo caminho.

Aluguel de carro no Chile
Alugamos um carro no aeroporto de Puerto Montt, cidade que costuma ser usada como ponto de partida pra explorar a região, e foi ótimo fazer esse roteiro com liberdade.
Muitas das atrações dessa região ficam fora dos centros urbanos, espalhadas entre estradas cênicas, parques naturais e pequenos povoados. Estando de carro você pode montar o roteiro no seu ritmo, fazer paradas espontâneas e conhecer lugares que seriam bem mais difíceis de visitar dependendo só de transporte público ou excursões.
Uma plataforma muito útil pra comparar preços de aluguel de carro e as condições de diferentes locadoras é a DiscoverCars, que reúne ofertas de várias empresas em um só lugar. Na plataforma você pode filtrar e comparar facilmente detalhes como especificações do carro, política de combustível e avaliações de outros viajantes, o que ajuda bastante a entender qual opção vale mais a pena.
Pra quem está planejando uma viagem pelo Chile de carro, principalmente em alta temporada, vale a pena fazer a reserva pela DiscoverCars e chegar lá já com tudo certo.
No nosso caso, escolhemos um carro compacto da Avis e foi suficiente para as nossas necessidades. Pra navegação usamos o bom e velho Waze, no meu celular com chip chileno que comprei quando cheguei em Santiago. Os deslocamentos foram muito tranquilos, porque as estradas são boas e bem-sinalizadas.
Recomendo manter o carro sempre bem abastecido, porque não tinha tantos postos de gasolina por onde passamos. Ah, vale ressaltar que combustível lá não é barato, e que pagamos pedágios pelo caminho. Prepare o bolso, mas vai valer a pena!

Roteiro de viagem pelo Chile de carro
Aqui está meu roteiro resumido dia a dia, com as hospedagens. Em seguida vou contar em detalhes sobre cada lugar.
Dia 1: Chegada em Santiago
Aproveitei o primeiro dia pra descansar, comprar chip de celular chileno e trocar dinheiro.
Dia 2: Dia em Santiago
Dia 3: Santiago – Puerto Montt (avião). Noite em Puerto Varas no hotel Puerta del Lago.
Dia 4: Passeio de barco pelo Lago de Todos Los Santos. Noite em Puerto Varas no hotel Puerta del Lago.
Dia 5: Dia em Frutillar. Noite em Puerto Varas no hotel Puerta del Lago
Dia 6: Puerto Varas – Valdívia e Dia em Valdívia. Noite em Valdívia no hotel Diego de Almagro.
Dia 7: Valdívia – Pucón. Dia em Pucón e Noite em Pucón no hotel Enjoy Pucón – Gran Hotel Pucón.
Dia 8: Dia em Pucón e arredores. Noite em Pucón no hotel Enjoy Pucón – Gran Hotel Pucón.
Dia 9: Pucón – Puerto Montt (carro) e Puerto Montt – Santiago (avião).
Dias 10: Dia em Santiago
Dia 11: Bate-volta em Valparaíso
Dia 12: Dia em Santiago
Dia 13: Retorno ao Brasil
Leia também:
Onde ficar em Santiago
O que fazer em Valparaíso
Onde ficar em Valparaíso

Atrativos da viagem de carro no Chile
Puerto Montt e Puerto Varas: o começo da road trip
Comecei minha viagem no Chile de carro indo encontrar meu pai em Santiago, porque ele estava morando lá. Então pegamos juntos um voo de Santiago pra Puerto Montt, e lá pegamos o carro alugado no aeroporto mesmo. Antes de ir até Puerto Varas, onde ficamos hospedados, demos uma circulada por Puerto Montt.
Na minha opinião, algumas horas por lá são suficientes, passando pela Plaza de Armas, pelo muelle (cais) e visitando o Mercado de Angelmó, que pra mim foi o ponto alto da cidade. Lá você encontra barracas de vendedores de peixe, marisco e ceviche fresquinho, além de restaurantes simples e bem simpáticos.


De lá, em uns 30 minutinhos (22 km), você chega em Puerto Varas, que me pareceu mais interessante. Confesso que gostei ainda mais dos seus arredores, mas a cidade é uma ótima base e vale a pena passar umas horinhas explorando-a também.
No primeiro dia, fui conhecer a Costanera, avenida ao lado do grande lago que é cartão-postal da cidade. Também visitei o Parque Philippi, que fica em um morro e tem uma vista legal. À noite, a dica é ir em um dos muitos restaurantes que ficam na Costanera.

Passeio de barco pelo Lago de Todos los Santos
O segundo dia foi um dos mais bonitos da viagem. Nesse dia fizemos um passeio de barco pelo Lago de Todos los Santos até Peulla, uma pequena vila de 120 habitantes.
Contratei o passeio, operado pela Turistour, no centro de informações turísticas de Puerto Varas. A primeira parte do passeio é terrestre, num ônibus executivo confortável. Durante cerca de 1h30, um guia vai dando informações sobre a região.
A primeira parada são os Saltos de Petrohué, quedas d’água azul turquesa que você vê desde passarelas. Mesmo no inverno, quando o céu não está tão limpo a ponto de permitir a visibilidade completa do Vulcão Osorno no fundo, o lugar é lindo.

De lá, fomos até o porto de onde sai o barco, que é tipo um catamarã gigante com primeiro andar. A estrutura da embarcação era ótima, com banheiros, assentos normais, sofás com mesinhas, lojinha de souvenirs e uma cafeteria.
No caminho, o guia dá informações sobre os locais por onde passamos. Não tem muito o que fazer além de se impressionar com o lago esmeralda – que não é chamado assim por acaso – e as paisagens ao redor, que incluem vulcões (Osorno, Puntiagudo e Tronador), montes e cachoeiras. Mas por mim já estava bom demais.
Como fui no inverno, já sabia que a visibilidade não seria muito boa e que choveria bastante, mas mesmo assim deu pra curtir o passeio. Meu casaco impermeável foi um grande amigo, já que passei boa parte do tempo na parte externa do barco. Achei tudo lindo e fiquei imaginando como deve ser ainda melhor na alta estação.


Depois de quase duas horas, chegamos em Peulla. Tem gente que reclama porque a cidadezinha é minúscula e a excursão fica parada lá por umas quatro horas, mas eu adorei a atmosfera, e existem atividades pagas à parte pra passar o tempo, como passeio de caiaque, de 4×4 ou a cavalo.

Você também pode almoçar e ficar relaxando em um dos dois únicos hotéis do lugar, o charmoso Natura Patagônia. Se quiser economizar, recomendo levar uns sanduíches, porque o restaurante do hotel não é barato, mas a vista é linda e a comida estava boa.

Depois do almoço tardio embarcamos de volta pra Puerto Varas, de barriga cheia e felizes por saber que íamos passar mais duas horas passando por aquele lago lindo.
Frutillar: a joia dos Lagos Chilenos
No terceiro dia hospedados em Puerto Varas fizemos um bate-volta em Frutillar, cidade bem charmosa que foi uma das minhas preferidas na viagem pelo Chile de carro. Simpatizei com ela já pelo nome: frutilla é morango, então soa como Morangar, hehe. Também adorei as casinhas com influência da colonização alemã e as confeitarias fofas.
Frutillar fica às margens do Lago Llanquihue, a 1000 km de Santiago. Ela é pequenina, com uns 5 mil habitantes, e é considerada uma das mais agradáveis da região. A cidadezinha foi chamada de “joia do sul da República” por seu fundador, Vicente Pérez Rosales. Chegando lá, não tem mistério sobre onde ir primeiro: assim como nas suas vizinhas, um dos destaques de Frutillar é a área à beira do lago.

Por lá, esse canto ganha um charme especial por causa da areia escura que compõe uma prainha, além do lindo píer, do Teatro del Lago e da bela visão do Vulcão Osorno, que aparece no horizonte em dias de céu limpo e transforma a paisagem num cartão-postal. Mesmo no inverno, com o vulcão escondido e pouco clima de praia, achei a atmosfera interessante, meio melancólica e romântica.
Vale a pena ir no Teatro del Lago, que chama atenção na paisagem por sua arquitetura peculiar, apoiado numa base que entra pelo lago. Inaugurado em 2010, o teatro foi planejado por um grande especialista em acústica e recebe atrações musicais de renome mundial, além de espetáculos de teatro e dança. O espaço também tem uma cafeteria e uma vista bem bonita do lago e arredores, e rolam visitas guiadas.
Todo verão acontecem por lá as “Semanas Musicales de Frutillar”, com sede no teatro. O festival é realizado desde 1968 e mobiliza a cidade, além de atrair gente de várias partes do Chile e de outros países pra conferir grandes orquestras, corais, grupos de jazz etc.

Saindo dessa região mais perto do lago, não deixe de perambular pelas ruas organizadas, floridas e cheias de casas de madeira lindinhas, além de restaurantes e salões de chá. Quando bater a fome, recomendo ir em uma das confeitarias que oferecem os deliciosos strudels e kuchens (tortas) que fazem a fama da cidade.

Outro destaque de Frutillar é o Museu Colonial Alemão, que eu não consegui visitar porque já estava fechado. Ao ar livre, o museu conta a história da cidade com foco nas famílias alemãs que colonizaram o lugar em 1856 e deixaram como herança a arquitetura, a gastronomia e alguns costumes e tradições.
Valdívia: mercado, passeio de barco e cervejaria
Depois de deixar Puerto Varas, seguimos de carro rumo a Valdívia, numa viagem de cerca de duas horas, e passamos uma noite lá antes de seguir pra Pucón.
Cheguei sem muitas expectativas, porque sabia pouco do lugar além do fato de que essa foi uma das cidades mais afetadas pelo grande terremoto de 1960, que atingiu 9,5 pontos na escala Richter (o maior do mundo até hoje). Mas o dia rendeu bastante!
Pra começar, fomos andando até o Mercado Fluvial, que fica perto do hotel. Lá você encontra peixes, mariscos, frutas e verduras, mas a grande atração são os leões marinhos que ficam ao lado esperando os restos de peixes que os pescadores jogam depois de limpá-los. Sempre atentos à oferta constante de comida, os simpáticos bichos pesam por volta de 250 kg e comem cerca de 15 quilos de peixe por dia.

Outro atrativo por ali é o passeio de barco pelo rio Calle Calle, oferecido por vários tipos de embarcações no porto ao lado do mercado. Em umas duas horas, passamos pelo bosque chamado de “selva valdiviana” e alguns outros tipos de vegetação meio pantanosos. Dá pra ver também um pouco da Isla Teja, a Universidade Austral, o Jardim Botânico e ruínas do terremoto de 1960. Não achei o passeio imperdível, mas sempre curto ver os lugares desde as águas, e o barqueiro nos explicou muitas coisas sobre o lugar.

De volta à terra firme, tentamos visitar o Museu Submarino O’Brien, que é um submarino atracado. Como a próxima visita ainda ia demorar e eu iria sozinha porque meu pai é claustrofóbico, acabamos desistindo.
Com a fome batendo, fomos até o Mercado Municipal, que fica pertinho do mercado fluvial. Comprei empanadas deliciosas em um dos restaurantes que ficam no primeiro andar – o bar La Estrella, que um pessoal da cidade nos recomendou.
Até aí fizemos tudo a pé, mas depois voltamos ao hotel pra pegar o carro e ir até o Fuerte Niebla, onde funciona o Museo de Sitio Castillo de Niebla. No complexo do forte você encontra uma exposição permanente que conta a história do lugar.

A visita também vale muito a pena pelas vistas panorâmicas. Você pode caminhar por cima das fortificações através de passarelas e escadas de metal, e tem também um farol (eu amo faróis!).
O grand finale do dia foi a visita à Cervejaria Kunstmann, que fica no caminho de Niebla pra Valdívia. A cervejaria funciona como bar/restaurante e lojinha de souvenirs, além de promover visitas guiadas, que incluem degustação.
Não fiz o tour, mas comi um pernil de porco defumado cozinhado em cervejas e acompanhado de chucrute e pedi uma degustação das cervejas da casa. Vieram vários mini copinhos com informações sobre cada rótulo; achei muito legal.

Pucón: cachoeiras, lagos e vulcão
Pucón foi a última etapa da nossa viagem de carro pela Região dos Lagos no Chile, e outra queridinha minha e do meu pai. A cidade fica a 780 km de Santiago e tem muitas atrações tanto pra quem curte uma vibe mais relax ou romântica quanto pra quem gosta de aventura e contato com a natureza. De Valdívia pra lá foram 150 km de carro.
Ruas simpáticas, lindas paisagens e as famosas termas de águas vulcânicas vão agradar quem procura descanso, mas você também pode fazer trilhas em lindos parques naturais, além de rafting, caiaque, esqui, snowboard e a desafiadora subida até o topo do vulcão Villarrica.
O inverno não é a melhor época pra ir a Pucón, porque chove bastante, dificilmente se vê o vulcão Villarrica e não dá pra fazer alguns dos passeios. Mas tem também algumas vantagens, como a atmosfera meio misteriosa nas paisagens e a tranquilidade de aproveitar os lugares sem os montes de turistas que chegam por lá no verão.
Como já disse, achei ideal viajar por essa parte do Chile de carro, mas também é possível contratar passeios pelos arredores com operadoras turísticas que você encontra facilmente no centro de Pucón.
Na cidade em si, dá pra circular a pé numa boa. Banhada pelo lago Villarrica, Pucón é pequena. A principal avenida é a Bernardo O’Higgins, e nela e nos seus arredores você encontra lojas, cafés e restaurantes.
No final da avenida fica uma pequena baía de onde saem passeios de barco. Infelizmente não tinha saídas nos dias em que estávamos lá, por ser baixa temporada. Mas aproveitamos muito bem o tempo pra fazer os passeios que vou contar a seguir.
Ojos del Caburgua e Lago Caburgua
Um dos principais cartões-postais dessa região é o conjunto de quedas d’água azul-turquesa conhecido como Ojos del Caburgua (Caburgua é o nome do lago que passa por lá). O lugar fica a 18 km de Pucón, em uma área privada, e pagamos uma taxa por pessoa pra ter acesso ao bosque.
Depois de estacionar, basta caminhar alguns minutos em um terreno levemente acidentado até chegar à passarela de madeira de onde se vê as quedas d’água. O tom da água é lindo, mas não é permitido tomar banho.
Ouvi dizer que na alta temporada o lugar fica lotado, mas quando fui tinha só um grupo além de nós e deu pra contemplar o lugar com muita tranquilidade. Por ali fica também a Laguna Azul, com outra queda d’água bonita. Ah, tem banheiros no local e em dias de sol você pode fazer canopy, que é tipo uma tirolesa.

Saindo de lá, vale a pena ir mais adiante na estrada até o Lago Caburgua, que é cercado por vegetação e um vulcão inativo. Ao redor do lago se formam duas praias, a Playa Blanca e a Playa Negra, que visitamos. Os nomes se referem à cor da areia, que no caso da Negra é mais escura devido à sua origem vulcânica.
O lago é conhecido por ter águas mais mornas do que a média da região e atrai muita gente nos meses mais quentes, num esquema de praia mesmo. Totalmente diferente do cenário invernal que pegamos, mas achei o clima nublado bem charmoso.

Parque Nacional Huerquehue
Outro lugar muito legal e fácil de ir de carro é o Parque Huerquehue. Ele tem 12.500 hectares e fica a uns 30 km de Pucón, sendo uma das áreas silvestres protegidas mais antigas do Chile. Ele é cheio de araucárias, e essa região é conhecida como Araucanía.
Existem várias opções de trilhas, que são a principal atração do local: tem das mais curtinhas, com menos de 1 km, a outras de 5 km e até 20 km. Como estava chovendo, exploramos só alguns caminhos mais curtos, e mesmo assim achei lindo.
Depois de passar por áreas pra camping e mesas de piquenique, encontramos por trás das árvores um lago lindíssimo rodeado por montanhas. Foi até meio mágico!

Vulcão Villarrica
É claro que não podia faltar ele: o vulcão Villarrica, que se impõe na paisagem com seus 2.847 metros de altura e atrai muitos visitantes dispostos a desbravá-lo.
Você pode ir de carro até a base, que fica a uns 20 km do centro, por uma estrada conhecida como Camino al Volcán. Mas atenção: durante o inverno, o caminho pode ficar meio perigoso e a partir de certo ponto só é possível seguir com correias nas rodas do carro.
Fomos lá com um carro pequeno e sem correias porque o pessoal do centro de informações turísticas não nos alertou sobre nada. Deu tudo certo, mas foi uma aventura que não recomendo. Se estiver por lá no inverno, informe-se bem antes de fazer o mesmo.
Felizmente deu tudo certo e adorei o passeio, apesar de não podermos seguir adiante depois de um ponto em que a neve ficou mais espessa. No caminho vimos árvores lindas e simpáticas ovelhas, mas no lugar onde paramos já tinha gente subindo com sapatos de neve e fazendo bonecos de neve.
Em dias de tempo aberto e pouco vento, no entanto, dá pra praticar esqui no vulcão, que tem uma estação com cafeteria, teleféricos e aluguel de equipamentos. Outra opção é subir o vulcão por uma trilha, com o acompanhamento de guias autorizados.
Você pode contratar o passeio, que exige bom preparo físico, nas agências de turismo de Pucón. Devido ao clima, não pude nem pensar em subir, mas chegar lá em cima deve ser incrível.


Salto de la China
Além da célebre Ojos del Caburgua, a região tem várias outras cascatas, como os saltos del Carileufu, Marimán, Palguín, El León e La China, que valem muito a visita. Acredito que nenhuma tem águas tão azuis quanto as da Caburgua, mas são bem mais altas e ficam em lugares lindos no meio da mata.
Através de uma escolha meio aleatória, seguindo o Waze e as indicações do pessoal na estrada, acabamos indo no Salto de La China, que fica a uns 30 km de Pucón e pode ser acessada por uma trilha de uns 15 minutinhos.
O chão estava molhado e escorregadio por causa da chuva, mas ir até o meio do bosque e encontrar aquela queda d’água linda, com 75 metros de altura, foi incrível.


Termas
Por causa dos vulcões, Pucón é conhecida por suas águas termais, que têm sais e minerais com propriedades medicinais. Os centros termais ficam a menos de 35 km da cidade e não faltam opções pra escolher: Los Pozones, Trancura, Montevivo, Palguín, San Luis, Huife e San Sebastián foram os de que ouvi falar.
Vi muitas agências oferecerem passeios com traslado, principalmente pra as Termas de Huife e Los Pozones. Pelo que li, o primeiro local é mais estruturado, enquanto a Los Pozones é mais rústica.
Normalmente existem várias “piscinas” com diferentes temperaturas e substâncias, cada uma com uma finalidade curativa. Não fui em nenhuma porque não curto muito termas em geral, mas pode ser legal ir lá no começo da noite, depois de um dia cansativo.
Fim da viagem de carro no Chile e dicas finais
Depois de dois dias explorando Pucón e arredores, chegou a hora de pegar a estrada de volta rumo a Puerto Montt, devolver o carro e voar pra Santiago.
Depois de sete dias dirigindo pela Região dos Lagos, posso dizer que fazer uma road trip pelo sul do Chile foi uma experiência deliciosa. Mesmo no inverno – que não é a época mais indicada pra viajar por lá –, encontrei menos frio e chuva do que esperava, e muitas paisagens maravilhosas. Confesso que curti bastante a atmosfera meio misteriosa e melancólica dos dias nublados.
Se eu pudesse dar algumas dicas pra quem quiser fazer um roteiro parecido, seriam:
- Voar de Temuco pra Santiago, em vez de voltar pra Puerto Montt: confira os preços dos voos e a possibilidade de devolver o carro alugado nessa cidade, que fica a uns 100 km ao norte de Pucón, pra não ter que fazer o desce-sobe.
- Passar uma noite (ou mais) em Valparaíso: fui num bate-volta e quis ficar mais; pouco tempo depois, voltei pra o Chile e passei duas noites lá.
- Ficar mais tempo em Santiago: não é das minhas cidades preferidas e acho que as paisagens mais naturais do país são mais interessantes, mas tem muita coisa legal pra fazer na capital também. Eu fiquei poucos dias porque já tinha ido antes.
- Descer até a Terra do Fogo: no inverno não vale a pena descer tanto, mas deve ser incrível e é uma das minhas viagens dos sonhos.
- Ir até Bariloche: dá pra cruzar pelos lagos até a cidade argentina, que fica relativamente perto de Peulla.
- Ir pra o norte do Chile: se você tiver mais tempo, vale a pena explorar também outras partes do país, como o deslumbrante Deserto do Atacama.
Em resumo, se você gosta de natureza, cidades pequenas e charmosas e paisagens bonitas, a Região dos Lagos chilena merece muito entrar na sua lista, e me pareceu ser uma ótima área para explorar no Chile de carro.

Tem alguma dúvida sobre essa viagem pelo sul do Chile de carro? Me conta nos comentários!











0 Comentários