Chile

O que fazer na charmosa Valparaíso, no Chile

Chile | 20/08/15 | 15 comentários

Valpo foi uma das cidades que tive mais pena de deixar. Fui lá pela segunda vez na minha última viagem ao Chile, depois de uma visita cinco anos antes em que dei só um breve passeio combinado com a vizinha Viña del Mar, como tanta gente faz. E aconteceu o que eu temia: morri de pena de ir embora. A arte de rua incrível, as casas coloridas, o sobe-desce das ladeiras, a vista pra o mar, a atmosfera boêmia e a aparente desordem me encantaram. Ou melhor: me surpreenderam e me pegaram de jeito.

Nas duas vezes, optei por fazer bate-volta; é bem tranquilo, já que a cidade fica a apenas 115 km de Santiago e tem ônibus indo e vindo a cada 15 minutos, fazendo o percurso em cerca de 1h30. Mas fica a dica: se puder, passe mais tempo. Prometo que se seu gosto for pelo menos um pouco parecido com o meu, não vão faltar coisas pra fazer em dois dias (ou mais) por lá. Duvida? Olha só alguns exemplos:

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Roteiro pela Região dos Lagos, Santiago e Valparaíso

Caminhar sem rumo

Quando cheguei na cidade, peguei um ônibus pertinho da rodoviária (saindo dela, virei à direita) e desci na Plaza Victoria. Pra fazer o mesmo, basta você se informar com qualquer passante e com os motoristas dos ônibus, que não tem muito mistério.

Daí, dei uma olhada na Catedral de Valparaíso, que fica na praça, e fui andando até chegar à rua Almirante Montt. No caminho, passei pela Plaza Aníbal Pinto, onde o pessoal se encontra pra sair à noite, e aí fui subindo um dos muitos cerros (morros) que compõem a cidade. Afinal, um dos maiores charmes de Valpo é seu relevo, e é lá em cima que as coisas mais interessantes acontecem ;)

Na parte baixa (chamada de “el plan”), você encontra bonitos prédios históricos e o porto, mas prepare as pernas pra umas boas subidas pra poder explorar os verdadeiros tesouros de lá. As ladeiras nem são assim tão íngremes, mas se não estiver na vibe de fazer esforço físico você pode pegar um dos ascensores (funiculares) que levam até em cima – o que também é uma experiência legal.

Os cerros Concepción e Alegre são os mais interessantes (e seguros, devido à movimentação turística), mas é difícil diferenciar onde começa um e acaba o outro. Casas com arquitetura meio louca vão surgindo no meio dos cerros – tipo com uma árvore no meio ou com três andares de um lado e dois do outro, devido ao relevo – e as ruelas, passagens estreitas e paredes coloridas são uma lindeza.

Depois da Almirante Montt, passei pela Igreja Luterana e pela Igreja Anglicana, subi pela rua Templeman até a Iglesia San Luis e desci pela rua Miramar, pegando o lindo passeio Bavestrello pra chegar até a rua Urriola. De lá, subi pela Pasaje Fischer até a Pasaje Gálvez pra ir comer num lugar fofo do qual falarei logo mais e depois desci até a Plaza Sotomayor pra encontrar o pessoal do Tour 4 Tips, que é assunto do próximo tópico :)

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Free Walking Tour

Recomendo muito o Free Walking Tour do Tour 4 Tips, que fiz também em Santiago (post em breve). Foi um dos melhores tours que já fiz e me ajudou a entender melhor não só a cidade, mas o Chile de forma mais ampla, graças ao preparo do simpático guia Felipe. O funcionamento é no mesmo esquema de tantos outros “free tours” mundo afora, como falei nesse post: você encontra o pessoal num lugar predeterminado, passa umas três horas caminhando a pé pela cidade e no final paga o quanto acha que deve – o que motiva o guia a fazer um passeio informativo e divertido.

No tour, eu soube que existem 16 cidades chamadas Valparaíso, que aconteceram no Chile 5 dos 25 terremotos mais fortes do mundo e que a época de ouro da cidade portuária (os moradores se chamam porteños, como em Buenos Aires) foi quando os europeus paravam lá no caminho pra ir pegar ouro na Costa Leste americana, influenciando a cidade de várias formas com o passar do tempo. Descobri, ainda, que as casas são cobertas de metal pra proteger o adobe – material prático e barato que as compõe – da umidade, e que elas são coloridas com restos de tinta descartados da pintura de barcos do porto, pra evitar a oxidação.

Aprendi também que Valpo sedia uma corrida de bicicletas em que o pessoal desce os morros loucamente (vale a pena ver esse vídeo) e que a cidade teve a primeira igreja protestante, o primeiro estúdio fotográfico e mais um monte de “primeiros” na América Latina (megalomania pernambucana feelings). Uma ótima introdução, o passeio acontece todo dia às 10h e às 15h, em espanhol e/ou inglês (dependendo da quantidade de pessoas interessadas em cada idioma).

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Casa de Pablo Neruda

Na minha primeira visita a Valpo, não andei muito pela cidade, então o ponto alto foi sem dúvida a visita a uma das casas de Neruda (as outras ficam em Santiago e Isla Negra). Depois de viajar o mundo como diplomata, o poeta encantou-se por uma peculiar construção na cidade portuária e se mudou pra o lugar que seria seu refúgio e também um espaço pra receber amigos – “uma casinha para viver e escrever tranquilo”, como escreveu ele.

Não deixe de passar umas horinhas lá, apesar de estar um pouco afastada do resto da rota turística. Amei a casa, com suas janelas de escotilhas de navio e uma vista linda, e me senti mergulhando na intimidade do poeta, conhecido por sua vida boêmia e romântica. Colecionador de artigos excêntricos trazidos de várias partes do mundo, Neruda deixou marcas em cada canto da casa – e me deixou sonhando em, um dia, viver em um lugar tão cheio de poesia. Falei mais sobre a casa aqui.

Passeio de barco

Eu sou aloka dos passeios de barco (os curtos, porque senão enjoo :P) e fiquei triste ao pensar que não teria tempo de fazer um em Valpo, porque o walking tour terminava no início da noite e eu precisava voltar pra Santiago. Na verdade, não podia ter sido mais perfeito: consegui ir num passeio com pouca gente e no pôr do sol, com direito a um céu lindíssimo em tons de rosa e laranja <3

Vale muito a pena, viu? Basta ir até o porto em frente à Plaza Sotomayor (de onde sai o Tour4Tips) e procurar um dos barqueiros, pagar 3 mil pesos por pessoa (valor atual) e esperar ele achar gente suficiente pra compor o barco. Tem barcos de vários tamanhos; o meu foi um dos maiores, mas de qualquer forma confirme se eles dão colete salva-vidas. O passeio se afasta um pouco da baía e depois volta, com duração de uns 40 minutos. É massa pra ver a cidade de outra perspectiva – e ainda espiar uns simpáticos leões marinhos no caminho ;)

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Comer e beber

As ruas dos cerros Alegre e Concepción são repletas de lugarzinhos simpáticos pra comer e beber. Depois de encontrar muitas dicas legais no Foursquare, resolvi ir até o pitoresco Color Café, mas no caminho esbarrei com outro lugar que me pareceu ainda mais interessante: o Café MartEva, que fica na charmosa Pasaje Gálvez e tem sanduichinhos, salada, bolinhos, cafés e uma vista linda, linda. E a cozinheira ainda tinha morado no Brasil <3

À tarde, com o pessoal do walking tour, paramos na casa de Don Sergio, um senhor que faz deliciosos alfajores e empanadas. Provei a de pino (carne moída, cebola, uma azeitona e meio ovo cozido) e a de salmão e tavam ambas muito deli. Elas custaram uns 1.200 pesos cada e pra comprá-las você deve ir na Pasaje Bavestrello, procurar uma plaquinha que diz “Alfajores” e bater na porta na cara de pau mesmo.

O guia do tour nos recomendou também a cervejaria Altamira, onde você pode tomar cervejas artesanais, fazer um tour pra conhecer a história da casa e de outras pequenas cervejarias no Chile, comer um menú del día (entrada, prato principal e sobremesa por um preço fixo) e ver apresentações de jazz em algumas noites. Ela fica na base do Ascensor Reina Victoria. Morri de vontade de ir, mas ficou pra próxima, assim como o café que fica em frente à cervejaria e tantos outros lugares onde fazem boas empanadas, chorrillanas e etcéteras.

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Valpo Street Art Tour

No walking tour exploramos um pouco do muralismo, que é uma característica marcante da cidade e diz muito sobre o Chile, mas existe também um tour específico pra quem quiser saber mais sobre o tema. Nesse caso, o valor é fixo (atualmente, 10 mil pesos chilenos). Não fiz esse passeio, mas no site eles dizem que explicam tudo sobre graffiti, incluindo as técnicas usadas, o background dos artistas, os estilos e o impacto dessa arte em Valparaíso. Mais informações aqui.

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Tour noturno no cemitério

Pra quem for passar a noite na cidade – e não for muito medroso -, uma opção que parece massa é fazer um tour noturno pelo cemitério :D Os tours começam às 21h e custam, atualmente, 3.500 pesos por pessoa. Tem mais infos aqui.

Subir no Ascensor Polanco

Localizado no Cerro Polanco, esse ascensor (elevador) também ficou pra minha próxima visita, mas foi uma forte recomendação do pessoal do Tour4Tips. Ele é interessante por causa da sua torre, que serve como mirante, além da entrada por um túnel e dos arredores cheios de graffiti. Só fique ligado se for por lá, porque essa área não é tão turística e pode ser menos segura. Mais informações aqui.

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15 Comentários

  1. Leonardo

    EXCELENTE!!!! Comentários e fotografias….

    • Luísa Ferreira

      Obrigada! :D

  2. caroline falcao

    Oi, Luisa! Muito legal seu blog e suas dicas!!!
    Tb sou de Recife, moro no Rio, mas estou indo para o chile em Fevereiro.
    Esse passeio é mais tranquilo durante a semana?
    Obrigada,
    Carol

    • Oi, Caroline! Que bom que você curtiu o blog, valeu :D Normalmente sim, mas no fim de semana também não costuma ser uma loucura de gente, não :) Um abraço!

  3. JANDA

    Oi, adorei suas dicas, vamos ao Chile em marco de 2018, vamos ficar em santiago e gostaria de conhecer Valparaiso, ficar 1 dia, onde vc me indicaria de ficar, gosto mto da praia. Obrigada.

    • Oi, Janda! Se você gosta de praia talvez valha a pena se hospedar em Viña del Mar, que fica perto de Valparaíso :) Conheci ambas no esquema de bate-volta, então não sei te indicar um lugar onde se hospedar, mas você pode dar uma olhada no Booking filtrando pelos lugares com nota acima de 8, por exemplo: http://www.booking.com/index.html?aid=810824

      Um abraço e boa viagem!

  4. Carla Boechat

    Estive por aqui e peguei dicasss!!! AMEI suas fotos!!!

    • Oi, Carlinha! Que bom saberrrr <3 Já fosse pra Valpo ou ainda vais? Aproveita por mim! Brigada pelo comentário :)) beijo

  5. Bruno Belchior

    Parabéns pelo site e dicas. anotei várias coisas para fazer. Abs!

  6. Dédi

    Oi Luísa, valeu pelas dicas. Estou tentando montar um roteiro, mas esta difícil decidir eheheh
    Como são as praias em Valparaíso? Tem praia para banhista?
    Obrigada
    Bjo

    • Oi, Dédi! Não conheci as praias de lá, mas até onde eu sei tem muito mais praias pra banho em Viña del Mar mesmo. Mas Valpo é mais interessante, na minha opinião :) As duas estão pertinho, se você tiver dois dias dá pra combiná-las!

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