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20 filmes africanos e sobre a África disponíveis online

Viajantes | 26/05/20 | Atualizado em 19/06/20 | Deixe um comentário

O que você sabe sobre os 54 países que formam o continente africano? É bem provável que a resposta seja parecida com a minha: “muito pouco”. Afinal, apesar da grande importância de várias dessas nações pra formação da nossa cultura, a maioria dos brasileiros tem ideias muito limitadas e estereotipadas sobre o que é “a África”. Não costumamos ver filmes africanos, ler livros de escritores africanos ou consumir outras fontes de informação que sejam nativas do continente ou se dediquem a retratá-lo seriamente.

As consequências negativas desse tipo de comportamento são o tema do TED “O perigo de uma única história”, da excelente escritora nigeriana Chimamanda Adichie. Na palestra, ela observa que as histórias que consumimos são definidas pelas mesmas estruturas de poder mundiais que também determinam relações econômicas e políticas.

Não é uma casualidade que não costumemos consumir histórias sobre os diferentes povos africanos, e muito menos produzidas por eles. E quando mostramos repetidamente uma só visão sobre um povo, é aquilo que ele se tornará aos olhos de todos. As poucas histórias que chegam até nós sobre essa parte do mundo geralmente são cheias de estereótipos, em sua maioria negativos.

No entanto, o continente africano é cheio de diversidade e tem muitas coisas incríveis pra nos oferecer, além de ser importante entendermos quais relações de poder estão envolvidas nos desafios que o continente enfrenta.

E assistir a filmes africanos, ou boas obras que abordem o continente, é uma ótima forma de nos aproximar a algumas das suas muitas culturas. Como diz Chimamanda no vídeo, “Histórias podem destruir a dignidade de um povo, mas também podem reparar essa dignidade perdida”.

Já passou da hora de ampliarmos nosso consumo cultural além dos cânones imperialista estadunidenses e europeus, né?

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Lista colaborativa de filmes africanos e sobre a África

Pra compor essa lista de filmes africanos e sobre a África, contei com a colaboração de três mulheres inspiradoras. Shola é da Nigéria, Carol mora em Gana e Mel viajou de ônibus pela África por um ano e meio. No final, separei também algumas recomendações de filmes que vi e curti, ou que encontrei facilmente na internet.

Lembrando que evidentemente não se pode falar de “cinema africano” como algo uniforme. Devido à disponibilidade desses filmes africanos online e a afinidades das colaboradoras, alguns países se repetiram nessa lista e muitos outros ficaram de fora.

Por isso, proponho ampliarmos essa corrente: se tiver outros filmes africanos pra recomendar, fala nos comentários e acrescentarei ao post, com os devidos créditos.

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Cena do filme Uma lição de vida

Dicas de filmes africanos por Melissa Ferreira (@meljustgo), “eterna buscadora”, que viajou de ônibus pelo continente africano por 18 meses, admira a cultura africana e ama estudar sobre os povos originários. Os comentários a seguir são dela.

The First Grader (Uma lição de vida)

País de produção: Reino Unido. Onde se passa: Quênia.

O filme é baseado em fatos reais e retrata a história de Kimani Maruge, queniano que aos 84 anos decidiu entrar na escola primária, após o governo instituir o programa “educação para todos”.

O octogenário lutou durante a insurgência Mau Mau e sofreu todas as repressões decorrentes do conflito, por isso não conseguiu frequentar a escola durante a infância.

Para entendermos o contexto do filme, precisamos conhecer um pouco da história do Quênia. O país foi colonizado pelos ingleses, que chegaram lentamente, trazendo a palavra de Deus, se apossando de terras vazias e oferecendo trabalho para os moradores locais.

Entretanto, com o passar do tempo, os britânicos começaram a cometer práticas abusivas. E, assim, surge o conflito entre colonizador (minoria da população) e colonizado (maioria da população).

Parte da população queniana, tribo Kikuyo, criou um exército guerrilheiro chamado Mau Mau que lutou a favor da independência do Quênia. A insurgência Mau Mau aconteceu entre os anos de 1952 e 1960.

Os ingleses tentaram eliminar os dissidentes utilizando técnicas aprendidas na Segunda Guerra Mundial, como tortura, campos de concentração e trabalho forçado.

Além de todo o contexto histórico, o filme demonstra a resiliência de Maruge em aprender a ler e escrever depois de tantos anos, demonstrando o quanto o conhecimento traz poder para as pessoas.

Vale ressaltar, no entanto, que a obra não se aprofunda em fatos históricos. Seu foco é a dificuldade de Maruge em seguir com seus estudos, mas são mostradas algumas cenas da memória do personagem principal.

Encontrei The First Grader na plataforma Stremio

Rafiki

Países de produção: África Do Sul, Quênia, França. Onde se passa: Quênia.

Rafiki é uma palavra em Suahili, língua oficial do Quênia, que significa amigo. O filme conta a história de duas adolescentes, Kena e Ziki, que se apaixonam. Nele, acompanhamos as dificuldades enfrentadas pelas protagonistas para seguirem com o relacionamento.

Primeiro, nenhuma das duas se reconhecia como lésbica; segundo, seus pais são rivais políticos; e por último, mas não menos importante, no Quênia as relações entre pessoas do mesmo sexo são consideradas crime.

No filme podemos ver vários elementos da cultura do Quênia, como imagens dos bairros de subúrbio de Nairóbi (capital do Quênia), as cores dos kitenges (tecidos coloridos), as comidas de rua (chapati) e o transporte local (mototáxi e tuktuk). Além disso, o longa foge dos estereótipos de pobreza do continente ao mostrar a classe média queniana.

Encontrei Rafiki na plataforma Stremio

Queen of Katwe (Rainha de Katwe)

País de produção: EUA. Onde se passa: Uganda.

O filme é baseado em fatos reais e retrata a história de Phiona Mutesi, ugandense, órfã, trabalhadora e moradora de uma região pobre chamada Katwe, em Kampala, capital de Uganda.

A personagem principal começa a jogar xadrez para ganhar comida em uma associação, e para surpresa de seu treinador, em pouco tempo ela se torna uma grande enxadrista, ganhando diversos campeonatos nacionais e internacionais.

No filme, podemos ver a cultura de Uganda em cenas da região do Katwe, nas cores dos kitenges (tecidos coloridos), nas feiras de rua, na liberdade das crianças que vendem produtos na rua, nas comidas de rua e no transporte local (mototáxi e vans que são chamadas de táxi), por exemplo.

O interessante do curta é que mesmo com toda a pobreza e dificuldade da região, Phiona se desenvolveu com o apoio de seu treinador e de sua comunidade, ou seja, não existiu nenhum salvador branco (ocidentais que vão a África para acabar com a pobreza).

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Também vale ressaltar que a história é contada através da ótica feminina, dando enfoque para Phiona e sua Mãe. O filme traz luz para a relação entre mãe e filha, demonstrando toda a força e resiliência das duas para conseguirem seguir adiante.

Por fim, vale conhecer a história dos bastidores da produção. Tim Croters, escritor americano, escreveu o livro homônimo em 2012 contando a história de Phiona. Os estúdios Disney compraram os direitos do livro no mesmo ano.

O produtor Tendo Nagenda, americano com ascendência ugandense, soube da nova aquisição dos estúdios Disney e decidiu encontrar uma maneira de executar a produção. Ele foi construindo uma boa reputação nos estúdios Disney, escreveu um bom roteiro e contratou grandes estrelas para participarem da produção (David Oyelowo – treinador e Lupita Nyong’o – Mãe de Phiona).

Em 2016, ele apresentou a proposta para seus superiores e conseguiu convencê-los a produzir um filme bem diferente da realidade dos estúdios, demonstrando a realidade de um país africano e com 100% de atores pretos.

Encontrei Queen of Katwe na plataforma Stremio e está também no Amazon Prime Video em alguns países.

War dance

País de produção: EUA. Onde se passa: Uganda.

O documentário aborda a vida de três crianças ugandenses, Nancy, Dominic e Rose, que irão participar de um concurso nacional de música e dança.

As três crianças vivem em um campo de refugiados dentro de seu próprio país e sofreram as atrocidades praticadas pelo LRA (Lord’s Resistance Army – Exército de Resistência do Senhor).

Para entendermos o contexto do filme, precisamos conhecer um pouco da história de Uganda. O país possui 54 etnias, ou seja, é como se fossem 54 países dentro de um único país.

Ele foi colonizado pelos ingleses, que utilizaram violência expansionista, com manipulação das diferenças étnicas preexistentes e políticas administrativas de divisão e domínio.

Essas políticas não apenas reduziram a legitimidade do Estado, mas também impediram o surgimento de um nacionalismo ugandense, gerando mais divisões étnicas, religiosas e regionais e contribuindo para a instabilidade política na região.

Após sua independência, em 1962, a nação passou por diversos embates políticos, sendo governada por vários ditadores, como o famoso Idi Amin. E somente em 1986 encontrou alguma “estabilidade” com a posse de Yoweri Museveni como presidente.

Entretanto, em 1987, surgiu o LRA, sob comando de Joseph Kony, para depor o presidente Yoweri Museveni e impor em Uganda um governo teocrático baseado nos Dez Mandamentos bíblicos.

Kony recrutava soldados crianças das tribos Acholi, do norte de Uganda. Matava os pais e doutrinava as crianças a participarem dos massacres.

Ele fcou famoso após um documentário de 30 minutos disponível no Youtube, chamado “Kony 2012”. O curta foi muito criticado por simplificar e dar uma solução romantizada para a guerra civil que já durava 20 anos no país.

A guerra ugandense possui muitas dimensões, como política, social, econômica e humanitária, por isso, soluções duráveis precisarão responder a todos esses desafios.

Por fim, forças-tarefa dos EUA foram a Uganda para dar apoio à captura do ditador, mas até hoje ele está foragido. Entretanto, perdeu sua força e possui poucos soldados. Acredita-se que ele está vivendo no Sudão (país vizinho a Uganda).

O documentário dá enfoque ao sofrimento a que as três crianças foram submetidas pelo LRA e como elas tentam superar a dor através da arte.

Encontrei o documentário War Dance no Youtube, com legendas em inglês.

Sarafina! O som da liberdade

Países de produção: África Do Sul, EUA, Reino Unido, França. Onde se passa: África do Sul.

Esse filme de 1992 com Whoopi Goldberg conta a história de Sarafina, uma adolescente negra moradora de Soweto – área destinada aos negros em Johanesburgo durante o regime de Apartheid.

Para entendermos o contexto do filme, precisamos conhecer um pouco da história da África do Sul. O país viveu sob o Apartheid durante 46 anos, de 1948 a 1994, como herança da colonização anglo-holandesa.

Em africâner, Apartheid significa separação. Essa foi uma política de segregação racial onde os brancos (minoria) detinham o poder sobre os negros (maioria).

Os negros possuíam a menor porcentagem de terras no país (cerca de 10%) e viviam afastados das grandes cidades, não tinham direito ao voto e precisavam portar uma carteira de identidade especificando a sua raça para circularem em áreas restritas, sob o risco de serem presos caso não o fizessem. Além disso, os casamentos inter-raciais eram proibidos, entre outras restrições.

O filme se passa nessa época e demonstra o quanto a educação de Sarafina a ajudou a criar a consciência política. Nele, a arte é encarada como instrumento de luta para reivindicar uma educação que valorize os todos os grupos e que acabe com o segregacionismo racial.

Um ponto interessante do longa é trazer uma militante mulher, a professora de Sarafina. Afinal, sempre que pensamos na luta contra o Apartheid lembramos de homens como Mandela (Presidente em 1994) e Desmond Tutu (Arcebispo da Cidade do Cabo).

Encontrei o filme Sarafina no Stremio e no Youtube.

Invictus

País de produção: EUA. Onde se passa: África do Sul.

Invictus é baseado na história real da final da copa do mundo de rúgbi de 1995, em Cape Town, capital da África do Sul. O país tinha acabado com o regime do Apartheid apenas um ano antes. Nelson Mandela, presidente na época, enxergou o campeonato como uma oportunidade de reduzir a segregação ainda existente.

O rúgbi era considerado um esporte “branco”, por isso, o primeiro presidente negro decidiu dar apoio ao time. Ele usou, estrategicamente, a linguagem universal do esporte para unir a população que sofreu durante 47 anos de regime de segregação.

Para mim, o ponto mais interessante do filme é perceber a sutileza e tolerância de Mandela, pois mesmo depois de 27 anos de prisão ele falava com muita calma e demonstrava cuidado por todos.

Existem diversos outros filmes sobre a vida de Mandela que também vale conferir, como “Mandela: o caminho para a liberdade” e “Mandela e De Klerk”.

Encontrei o filme Invictus no Stremio

Dicas de filmes africanos por Shola Lawal (@sholalawal__), jornalista e videomaker nigeriana baseada em Lagos. Os comentários a seguir são dela, traduzidos por mim do inglês.

Saworoide

País de produção/onde se passa: Nigéria.

Saworoide é um filme clássico de Nollywood dos anos 90 que eu acho intrigante porque destacou um problema que, muitos anos após a independência, ainda atormenta a Nigéria: corrupção.

Dirigido por um dos melhores diretores de cinema da Nigéria, Tunde Kelani, o filme de 1999 conta a história de Lapite, um aspirante a líder que é corrupto e aterroriza Jogbo, uma nação pacífica.

O filme é uma alegoria ousada, fazendo uma crítica aos primeiros governantes da Nigéria pós-independência, a maioria dos quais eram ditadores militares que subiram ao poder através de golpes sangrentos.

Encontrei Saworoide no Youtube com legendas em inglês.

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Cena de Hotel Ruanda

Hotel Ruanda

País de produção: EUA, UK, África do Sul e Itália. Onde se passa: Ruanda.

Apesar do nome, Hotel Ruanda não trata das nuances da administração hoteleira em uma pequena nação do leste da África. O filme conta a história do genocídio étnico de 1994 em Ruanda, em que um milhão de Tutsis foram mortos por seus vizinhos Hutus.

A história mostra um gerente de hotel tentando salvar a vida de milhares de pessoas, mas principalmente salvar sua própria família – ele é Hutu, mas sua esposa é Tutsi. Ao mesmo tempo, é um lembrete de como, graças aos colonizadores belgas, tribos hostis obrigadas a interagir em um casamento forçado se voltam uma contra a outra, e como o mundo silenciou em relação a essa situação gravíssima.

Encontrei Hotel Rwanda no Amazon Prime Video.

Xala

País de produção/onde se passa: Senegal.

Esse filme de 1975 do diretor Ousmane Sembene é considerado por muitos como a melhor produção cinematográfica do continente africano. A comédia satírica acompanha a trajetória de um empresário no Senegal recém-independente.

Ele concorda em cantar canções de libertação para o povo junto com seus colegas enquanto atua como figurante para os colonialistas franceses que ainda ocupam muitos espaços de poder.

Depois disso, o empresário casa-se com uma terceira esposa para celebrar, mas descobre que ficou impotente. Seus esforços para se curar o levam à sua ruína.

Encontrei Xala no Youtube com legendas em inglês.

Dhalinyaro

País de produção/onde se passa: Djibouti.

A cineasta Lula Ali Ismaïl ela conta a história de amadurecimento de três jovens adolescentes no Djibouti. No último ano do ensino médio, elas precisam decidir se vão continuar no seu país ou ir estudar na França.

“Dhalinyaro oferece uma visão inédita da capital do Djibouti, de mesmo nome que o país, como uma cidade deslumbrante e dinâmica que combina modernidade e tradição. Uma cidade na qual os jovens, assim como em todos os lugares, lutam para decidir como serão seus futuros”, diz esse artigo sobre o filme (tradução minha).

A Fanpage do filme diz que ele está disponível na Amazon Prime Video, mas acredito que ainda não chegou aqui no Brasil. Se encontrar, me avisa!

Dicas de filmes africanos por Ana Carolina Ussier (@carol.ussier), dançarina que mora em Gana e viaja pela África Ocidental desde 2017. As sinopses foram extraídas de sites especializados.

Mokalik (Aprendiz de mecânico)

País de produção/Onde se passa: Nigéria.

“A história gira em torno de um garoto de 11 anos de idade, Ponmile (Toni Afolayan), morador de um subúrbio de classe média, que passa o dia como um aprendiz em uma oficina mecânica a fim de ver e a vida por outros ângulos.

Quando o pai chega para leva-lo para casa, Ponmile tem que decidir se quer voltar à escola ou assumir seu aprendizado de período integral a longo prazo”, diz a sinopse no site Rotten Tomatoes.

Molakik está disponível na Netflix.

Atlantics (Atlantique)

Países de produção: França, Bélgica e Senegal. Onde se passa: Senegal.

Primeiro longa da diretora francesa de origem senegalesa Mati Diop, Atlantique foi ganhador do Grand Prix no Festival de Cannes.

“Na história, um grupo de construtores senegaleses que não recebem o salário há meses parte para a Espanha em busca de melhores condições de vida. Dentre eles, se encontra o jovem Souleiman (Traore), que está apaixonado por Ada (Mame Bineta Sane). A paixão é recíproca, no entanto a garota está prometida pelos pais a casar com o rico Omar (Babacar Sylla)”, diz a crítica do filme no site Plano Crítico.

Atlantics, ou Atlantique, é mais um dos filmes africanos disponíveis Na Netflix.

The Burial of Kojo (O Enterro de Kojo)

Países de produção: Gana, EUA. Onde se passa: Gana.

“Há sete anos, a família de Kojo vivenciou uma tragédia terrível que acabou resultando na morte da noiva de seu irmão, Kwabena. Desde então, Kwabena nutre um desejo de vingança irrefreável por Kojo, responsável pelo acidente.

Um dia, o homem rancoroso deixa seu irmão inconsciente e arrasta-o para uma mina, relegando-o à morte. A filha de Kojo passa a ter sonhos estranhos que misturam memórias antigas com a realidade, e que podem ajudá-la a descobrir o paradeiro do pai” (sinopse do site Adoro Cinema).

Encontrei The Burial of Kojo na plataforma Stremio.

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Cena do filme Timbuktu

Timbuktu

Países de produção: Mauritânia, França e Qatar. Onde se passa: Mali.

“Indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, o longa da Mauritânia retrata o dia a dia de uma pequena cidade histórica no norte de Mali que passa a ser controlada por extremistas religiosos. De um dia para o outro, os moradores são obrigados a conviver com restrições às suas liberdades.

Há um toque de recolher, a proibição de confraternizações mesmo em casas e homens que passam a agir como juiz e executor. Nos vemos diante de um lugar que não tolera mais a alegria ou o amor”, diz o site Adoro Cinema.

Também encontrei Timbuktu na plataforma Stremio.

I am not a witch (Não sou uma bruxa)

Países de produção: Reino Unido, França, Alemanha e Zâmbia. Onde se passa: Gana

No filme, uma menina de oito anos é condenada por bruxaria e forçada a viver em uma comunidade sob a custódia do estado. A escritora e diretora Rungano Nyoni se inspirou em histórias reais de acusações de bruxaria na Zâmbia. Em sua pesquisa para o filme, ela viajou para Gana e passou um tempo em um verdadeiro “witch camp”, observando sua vida e seus rituais diários.

Encontrei I am not a witch no Stremio e no iTunes.

Keteke

País de produção/onde se passa: Gana.

“Na década de 1980, o trem era o único meio de transporte que ligava os subúrbios e o centro da cidade. Um casal, Boi e Atswei, se concentra para o parto de seu primeiro filho, mas perde o horário do trem. Uma má decisão os desafia no meio do nada. Chegarão a tempo para o parto ou correrão o risco de perder o bebê e a mãe?” (sinopse do IMDB).

Esse filme estava disponível na Netflix quando Carol o indicou, mas não está mais. Se alguém encontrar em outra plataforma, avisa aí!

Outros filmes africanos ou sobre países africanos

Por fim, incluo na lista alguns filmes africanos que outros amigos me recomendaram, que assisti nos últimos tempos ou que vi que estão disponíveis na Netflix.

Lionheart

País de produção/onde se passa: Nigéria.

Segundo essa matéria do El País sobre Lionheart, “a trama gira em torno de Adaeze, a filha de uma família nigerina rica, formada nos EUA, que, quando seu pai fica doente, deve assumir o controle da empresa de transportes da família, Lionheart, e demostrar sua capacidade de liderança.

Dirigido e protagonizado pela estrela africana Genevieve Nnaji (Nigéria, 1979), não oferece somente o relato de uma mulher inteligente e capaz: também introduz uma imagem do continente africano honesta e próxima. Romper com esses clichês de miséria e exotismo e trazer uma perspectiva realista foi justamente um dos principais objetivos da diretora e atriz”.

Lionheart é mais um dos filmes africanos disponíveis na Netflix.

Azali

País de produção/onde se passa: Gana.

“A adolescente Amina leva uma vida pacata ao lado de sua família em uma pequena vila. Por engano, acreditando que está enviando sua filha para um lugar melhor, a mãe de Amina vende a garota para estranhos.

Amina foge ao lado de outras pessoas que foram traficadas e acaba se perdendo em Acra, a capital de Gana. Sozinha e sem ter como pagar o aluguel, ela começa a se prostituir” (sinopse da Revista Bula).

Azali também está disponível na Netflix.

Catching Feelings (Mais uma página)

País de produção/onde se passa: África do Sul

Essa comédia romântica mostra uma África do Sul moderna, onde tensões raciais e questões sobre privilégio ainda são bem presentes. O filme conta a história de Max, um escritor cínico que virou professor de inglês e vê surgirem tensões na relação com sua esposa quando um escritor mais famoso e hedonista entra nas suas vidas.

Não amei esse filme, mas achei bem interessantes as problemáticas que ele traz sobre a sociedade de classe média sul-africana. Também é interessante por mostrar uma face moderna da África, que não é necessariamente “exótica” como muitos imaginam.

Esse é outro filme africano disponível na Netflix.

Beasts of No Nation

País de produção: EUA. Onde se passa: Nigéria.

Baseado no romance homônimo do autor nigeriano-americano Uzodinma Iweala, Beasts of No Nation foi o primeiro longa-metragem de ficção produzido pela Netflix. Ele conta a história de um garoto separado da família durante a guerra civil e obrigado a lutar ao lado de mercenários e se tornar um menino-soldado.

Segundo a crítica do site Adoro Cinema, “O filme traz performances vigorosas do estreante, não-profissional, Abraham Attah (de 14 anos, que aparenta ser ainda mais novo), como o protagonista da história, e de Idris Elba (Thor), como Comandante, num registro ao mesmo tempo carismático e assustador”.

O filme está disponível na Netflix.

Yeelen – A Luz

Países de produção: Mali, Burkina Faso, França, Alemanha e Japão. Onde se passa: Mali

O filme Yeelen (A Luz) fez muito sucesso no Festival de Cannes de 1987, onde ganhou o Prêmio do Júri, e chegou a ser exibido no Brasil em circuito comercial e na televisão.

“Dotado de poderes mágicos, o jovem Niankoro (Issiaka Kane) parte com o objetivo de descobrir os mistérios da natureza. Com a ajuda da mãe (Soumba Traore) e do tio (Ismaila Sarr) ele terá de lutar contra o pai Soma (Niamanto Sanogo), um poderoso feiticeiro que pretende matá-lo”, diz a sinopse do Adoro Cinema.

Encontrei Yeelen no Stremio.

Você já viu algum desses títulos ou tem mais recomendações de filmes africanos ou que retratam o continente de forma interessante? Compartilha aí nos comentários!

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