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Viajar trocando trabalho por hospedagem: 10 dicas essenciais

Dicas Práticas | 29/01/18 | Atualizado em 07/10/18 | 2 comentários

Trocar trabalho por hospedagem é uma forma barata, divertida e pessoalmente enriquecedora de viajar. Albergues, pousadas, fazendas orgânicas, famílias e organizações sociais mundo afora oferecem acomodação e, em alguns casos, alimentação pra pessoas dispostas a trabalhar algumas horas por dia (geralmente de três a cinco) nas mais variadas funções. Parece massa, né? E é!

Dá pra dar aulas de idiomas, cozinhar, fazer reparos, pintar paredes, recepcionar hóspedes, arrumar camas, organizar passeios e festas, trabalhar o marketing, desenvolver sites, criar peças gráficas, cuidar de jardins e hortas… Em geral, o período mínimo de permanência do voluntário é de duas semanas, com um ou dois dias de folga e tempo livre durante a semana pra descansar, fazer farra, explorar a cidade ou trabalhar em projetos pessoais.

Algumas vezes a troca pode virar abuso, mas na maioria dos casos esse tipo de intercâmbio traz grandes vantagens: além de economizar com hospedagem (um dos maiores gastos em viagens), o participante tem uma imersão na cultura local e contato com pessoas de outros países, além de adquirir novas habilidades.

Normalmente não rola muita privacidade e não é possível fazer “o que der na telha” como se você estivesse ali apenas como turista, mas quase sempre a experiência de vida compensa demais.

Leia também:

Work exchange: quando a troca de trabalho por hospedagem vira exploração

Já viajei assim três vezes e conheço muita gente que passou meses na estrada nesse esquema, e recomendo muito! Só é preciso ficar ligado em algumas dicas básicas pra não entrar numa roubada e aproveitar o melhor dessa experiência. Vamos às dicas?

Dicas para trocar trabalho por hospedagem

1. Monte um perfil num site especializado

Tem mil formas de conseguir um esquema de work exchange: mandando e-mails ou até mensagens pelo Facebook pra hostels na cidade aonde você quer ir, pedindo indicações a outros viajantes ou mesmo batendo perna e visitando lugares ao chegar no destino. Mas a forma que sempre usei, e que teoricamente é mais segura, é fazer um perfil num dos sites especializados em fazer o link entre estabelecimentos e “voluntários”.

As principais plataformas de work exchange atualmente são Worldpackers, Workaway, WWOOF, Helpx e Work Nomads. Você encontra mais informações sobre cada uma delas nesse outro post que escrevi sobre troca de trabalho por hospedagem e alimentação, mas adianto que eu e vários conhecidos já usamos Worldpackers, Workaway e WWOOF.

O ponto negativo desses sites é que todos cobram uma taxa pra contactar os anfitriões, mas pontos positivos são vários: você tem acesso a descrições das tarefas e benefícios e a avaliações deixadas por quem já foi “voluntário” no local; além disso, alguns dos sites oferecem suporte pra o viajante caso se verifique que o anfitrião não tá cumprindo o combinado, como algumas noites de hospedagem num hotel.

Como escolher o site melhor pra você? Não tem muito mistério: dê uma olhada nos planos ($$) e nas oportunidades disponíveis em cada um. Pra quem busca exercer uma função mais específica, recomendo o Worldpackers porque ele tem bons filtros por tipo de trabalho.

Pra quem quer ver mais opções de oportunidades (e mais variadas), o Workaway é uma boa. E se seu foco for trabalhar em fazendas orgânicas pode ser que você encontre algo nesses dois primeiros, mas senão, o ideal é olhar no WWOOF, que é focado nisso, mas tem sites separados pra cada país.

Na hora de montar o perfil, que normalmente inclui fotos e informações sobre sua personalidade, qualificações e interesses, dedique tempo e atenção. É como se seu cadastro fosse um currículo, e quanto mais caprichado ele estiver, mais chances você tem de conseguir uma oportunidade legal – lembrando sempre de ser honesto e não criar falsas expectativas.

Faça uma descrição bem completa, ressaltando suas habilidades e, se possível, mencione experiências anteriores que demonstrem que você é um bom candidato. Vale trabalho remunerado ou voluntário, viagens e intercâmbios, por exemplo, especialmente se as habilidades forem relacionadas à função que você quer.

Também deixe claro o que você procura tirar dessa experiência (“passear muito, encher a cara e não ter que pagar pela hospedagem” não vale, né?) e como pode contribuir além das funções práticas do trabalho.

Saiba mais sobre minhas experiências com work exchange:

Trabalhando num hostel em Budapeste
Trabalhando numa pousada em Paraty
Trabalhando com um casal no interior da França

2. Escolha um destino interessante

Existem centenas de vagas disponíveis pra intercâmbio de trabalho por hospedagem e pode ser difícil filtrar as que mais o interessam. Uma boa forma de começar é delimitando alguns destinos específicos. Pense em quão longe você pode ir (de acordo com preços de passagens e tempo disponível), veja se precisaria emitir visto e avalie o custo de vida, idioma e clima dos destinos.

Reflita também sobre sua vibe nessa viagem: tá a fim de ficar no meio do mato e entrar em contato com seu eu interior ou quer ir pra balada numa cidade grande? É surfista e tá doido por uma praia ou quer aprender a esquiar? Quer sair da zona de conforto e buscar algo totalmente novo ou está numa das suas primeiras viagens e prefere um lugar mais parecido com sua cidade natal?

Avalie ainda as condições do país na época específica em que você pretende viajar, caso já tenha isso bem definido: clima, datas comemorativas, eventos… Pode ser interessante evitar um destino muito frio no auge do inverno, ou uma cidade de praia na época de chuvas. Por outro lado, pode ser legal ir na época de algum festival, como aconteceu comigo no Bourbon Jazz Festival em Paraty. :)

pessoas curtindo o festival de jazz bourbon em paraty

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3. Procure uma atividade adequada para você

Escolheu alguns países ou tipos de destino pra focar? Agora é hora de determinar que tipo de trabalho você quer fazer. Como mencionei lá em cima, existem vagas pra todo tipo de atividade, e é essencial escolher uma pela qual você tenha interesse, além de se sentir capacitado.

Não adianta aplicar pra uma vaga que exige muito trabalho físico se você tem alguma limitação, pra uma função específica tipo programação se você não tem a habilidade necessária ou pra um trabalho que exige lidar com pessoas o tempo inteiro se você não tem aptidão nem interesse nisso.

Não que não seja massa sair da zona de conforto: uma das viagens que fiz de work exchange envolveu jardinagem e pintura, duas coisas nas quais eu tinha zero experiência, e foi ótimo aprender um pouco na prática – mas antes confirmei com os anfitriões se eles poderiam me ensinar.

Essa pode ser sua chance de usar habilidades profissionais, ganhando inclusive um item legal pra o currículo, mas também pode ser a oportunidade de descobrir algo novo, como permacultura ou culinária asiática.

Seja como for, leia com atenção a descrição das funções e benefícios da vaga. Leve em consideração o nível de esforço que o trabalho vai lhe exigir e os benefícios oferecidos em troca, pra avaliar se vale a pena pra você.

Nessa fase é importante pensar também se a quantidade de horas de trabalho e as exigências da função são compatíveis com o que é oferecido em troca, se essa vaga parece estar substituindo o trabalho que seria de um funcionário contratado em tempo integral, se você vai ter que realizar funções que oferecem algum risco à sua saúde ou à de outras pessoas ou animais e se vai precisar realizar tarefas muito complicadas sem supervisão, por exemplo.

4. Pesquise sobre o anfitrião

Uma das vantagens das plataformas específicas pra work exchange é, como mencionei, a chance de conferir o feedback de outros voluntários que já passaram pelo lugar. Leia os comentários com atenção, tentando ver se não tem nenhuma bronca nas entrelinhas.

Se achar necessário, entre em contato por mensagem privada com o pessoal que deixou reviews – já fiz isso várias vezes e também já fizeram comigo, tanto pra confirmar se o lugar era mesmo de boas quanto pra pedir mais detalhes sobre a experiência.

Também costumo pesquisar sobre o anfitrião no Google mesmo, jogando o nome da pessoa ou do estabelecimento, além de procurar comentários e fotos extras em sites como Facebook, Booking e TripAdvisor.

Conheça histórias de outras viajantes que usaram work exchange:

Pernambucana viaja pelo mundo sem pagar por hospedagem
Slow travel: jornalista explora América Latina e Ásia sem pressa
Paulista viaja pelo Brasil e Europa trocando trabalho por hospedagem
WWOOF: trabalhando numa fazenda orgânica na Itália

5. Inscreva-se para uma ou mais vagas

Escolheu alguns lugares que parecem massa? O ideal é aplicar pra mais de um, especialmente se faltar pouco tempo pra sua viagem ou se você já tiver comprado passagens pra o destino. Vi uma recomendação do pessoal da Worldpackers pra que os viajantes se inscrevessem pra 8 ou mais oportunidades com uma antecedência de seis semanas, mas não considere isso uma regra.

Eu nunca apliquei pra mais de três lugares porque sempre fui meio exigente com relação ao trabalho que ia fazer, até porque não tava realmente dependendo do work exchange pra viabilizar minhas viagens. Por outro lado, sempre pedi com mais de seis semanas de antecedência, porque sou ansiosa e aloka do planejamento.

E apesar de nunca ter sido recusada, já tive que desistir de algumas oportunidades porque minhas datas não batiam com o que o anfitrião tava precisando. Resumindo: tudo depende do quão essencial é pra você conseguir uma vaga e do quão flexível está em relação a trabalhos, datas e tempo de permanência.

Mas mesmo que você se inscreva em 20 vagas, não é bom copiar e colar o mesmo textinho pra todas. É importante mencionar algo na sua mensagem que demonstre que você leu o perfil do host, explicando por que aquela oportunidade em especial chamou sua atenção.

Ressalte os pontos do seu background que têm a ver com a vaga, conte um pouco sobre seus planos de viagem e diga por que acredita que é um bom candidato(a). Assim, você aumenta muito suas chances de receber uma resposta positiva.

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6. Esclareça todas as dúvidas

Você e seu anfitrião deram match e a troca trabalho-hospedagem vai rolar? Massa! \o/ Mas antes de sair comemorando, comprando passagens e fazendo as malas, veja se todos os detalhes sobre a hospedagem estão bem claros.

É bom ter uma conversa aberta com a pessoa que vai lhe receber pra esclarecer qualquer dúvida relativa à carga horária, tipos de trabalho, dias de folga e estrutura da hospedagem (tipo de quarto, banheiro privativo ou compartilhado, acesso à cozinha e demais benefícios, tipo uma bicicleta pra uso gratuito ou sei lá, um unicórnio).

Cada lugar tem uma política diferente pra receber os “voluntários” e cada viajante tem expectativas distintas, então é importante estar tudo alinhado e bem esclarecido pra ninguém ficar frustrado na hora H. Aproveite também pra checar quão fácil é o acesso ao local, pedindo instruções pra saber como chegar lá.

Já vi, por exemplo, fazendas nas quais só dava pra chegar de carro e o dono não se disponibilizava pra buscar os voluntários, que tinham que se virar pra arrumar carona. Já no lugar onde fiquei na França não tinha acesso fácil de transporte público, mas o casal ótimo que me recebeu foi me pegar no aeroporto. :)

Só compre passagens e tudo mais depois de confirmar a viagem pelo site e se certificar de que as datas propostas estão OK. Mais perto da data, entre em contato pra reconfirmar tudo e avise a hora aproximada em que vai chegar. Com sorte, você vai ser recepcionado num lugar fofo como essa cozinha onde passei boa parte do meu tempo na França hehe.

cozinha da casa na frança

7. Separe dinheiro para outros gastos

Um detalhe importante: a hospedagem será grátis e talvez a alimentação também, mas você vai ter que arcar com os custos do resto da viagem. Dependendo do destino isso pode incluir vistos, seguro viagem, passagens de avião, transporte desde o aeroporto, passeios, compras e viagens pelos arredores.

Se a grana estiver curta, vale priorizar lugares perto de casa (vamos explorar esse Brasilzão!), com câmbio favorável pra nós (como a maioria dos países da América Latina e Sudeste Asiático) e que ofereçam refeições (no work exchange na França não gastei nenhum eurinho com alimentação).

Outra opção é encontrar formas de ganhar um “dinheiro de bolso” durante a viagem, em complemento ao trabalho do work exchange. Tem gente que faz freelas online, vende brigadeiros ou bijuterias, encontra outros trabalhos (remunerados) de poucas horas ao dia… Use a criatividade!

8. Tenha um Plano B

Mesmo tomando todas as precauções possíveis, sempre existe a chance de que a realidade se mostre diferente do combinado. Além de informar os dados de contato e endereço do lugar pra alguém de confiança, vale a pena guardar uma reserva de grana, pesquisar formas de chegar a outros lugares a partir de lá e dar uma olhada em outras oportunidades de work exchange, couchsurfinghotéis ou hostels nas proximidades.

Também recomendo comprar um cartão SIM do país (ou um internacional, como o da EasySim4You, que usei na última vez na Europa) pra poder se comunicar caso algo dê errado.

Também é importante, no caso de experiências negativas, notificar a plataforma que você usou pra fazer as negociações. Assim, eles podem não só lhe ajudar como até remover o anfitrião da plataforma. E não se esqueça também de deixar um review contando como foi a sua experiência, seja ela positiva ou negativa.

9. Fique atento à imigração

Sempre me perguntam sobre como lidar com vistos numa viagem desse tipo, no caso de quem vai pra outro país. Como não existe vínculo empregatício, você não será remunerado e não terá um contrato formal de trabalho voluntário, normalmente os viajantes embarcam como turistas mesmo. Não tou dizendo que é o certo, só que todo mundo que conheço fez assim, tá?

É bom checar as regras de cada país, porque os sites que mediam esse processo não se responsabilizam por essas broncas burocráticas (nem euzinha aqui! hehe). Mas em geral o conselho é não falar que você vai trocar trabalho por hospedagem, já que a maior parte do seu tempo será ocupada com turismo mesmo, e se você falar em “trabalho” sem ter o visto apropriado, pode ser barrado.

10. Leve o trabalho a sério

Não é porque você não tá sendo pago que o trabalho não deve ser levado a sério, né? Se você concordou com a execução de determinadas tarefas e o anfitrião tá oferecendo o que prometeu em troca, espera-se comprometimento da sua parte.

Lembre-se que você não é só um hóspede e se esforce pra exercer bem suas funções, conversando com os responsáveis caso sinta alguma dificuldade. Afinal, a troca precisa ser justa pra os dois lados. E quanto mais feliz a galera ficar com seu trabalho, mais fácil quererem continuar recebendo gente, o que beneficia outros viajantes. :)

Também é importante ter jogo de cintura pra lidar com pessoas de outra cultura, sejam elas funcionários do local, outros “voluntários” ou hóspedes/clientes. Abra a mente pra entender diferentes costumes e se adaptar – sempre com bom senso e respeitando seus direitos, é claro.

Leia também:
As dicas do Worldpackers pra fazer trabalho voluntário no exterior

horta na frança

E você, já deu uns rolês por aí trocando trabalho por hospedagem? Como foi? Conta aí nos comentários!

Crédito da foto em destaque no topo do post: Pexels – licença Creative Commons Zero (CC0)

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