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O melhor texto do mundo sobre a megalomania pernambucana

Pernambuco | 14/05/20 | Atualizado em 26/05/20 | 2 comentários

Já ouviu falar na famosa megalomania pernambucana? Se você já fez algum passeio guiado no Recife ou conhece pernambucanos, provavelmente já escutou um par de anedotas que falam sobre como fomos os “primeiros” ou “maiores” em algo. 

Esse exercício exacerbado de autoestima pode parecer fantasioso, e em alguns casos realmente é. Mas muitas dessas histórias têm seu fundo de verdade, e não é por acaso. 

Afinal, o território de Pernambuco foi um dos primeiros a serem ocupados no Brasil. Além disso, o Estado foi muito importante no período colonial, já que as plantações de cana de açúcar davam muito dinheiro a Portugal. E por aqui também nasceram revoltas e revoluções que aparentemente nos deixaram com tendência à luta e ao orgulho.

Mas com o declínio do comércio de cana de açúcar, o eixo econômico brasileiro se transferiu pra o Sudeste, que até hoje recebe mais holofotes. Frente a isso, o que nos resta? Ressaltar nossas conquistas, é claro! Mesmo que muitas delas não sejam assim tããão incríveis. ;)

Pra falar mais sobre a megalomania pernambucana, convidei meu conterrâneo José Jayme. Autor do blog Juntando Mochilas e aficcionado pelas histórias curiosas que fazem de Pernambuco um canto tão peculiar, ele criou até um passeio guiado com esse tema. 

recife antigo

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Megalomania pernambucana: o maior, o melhor e o primeiro

Por José Jayme, travel writer e autor do blog Juntando Mochilas

No Brasil, muitos estados são famosos pelo orgulho que têm de suas raízes. Gaúchos e baianos, por exemplo, sempre exaltam seu passado histórico de lutas e realizações. Os pernambucanos não ficam para trás nesse quesito. 

E se já não bastasse o orgulho que temos de nosso estado, ainda temos uma característica peculiar. Somos megalomaníacos! Digo mais: somos o povo mais megalomaníaco do mundo!

Para citar alguns exemplos, já se falou que o Shopping Center Recife é o maior do Brasil (e de fato até foi por um tempo), que o Galo da Madrugada é o maior bloco do mundo (também já foi, constando até no Guinness) e que a capital abriga o segundo maior polo médico nacional (o que é verdade).

bloco de carnaval em olinda

Outra anedota bem representativa da megalomania pernambucana é falar que Avenida Caxangá, uma das vias mais importantes do Recife, é a maior avenida em linha reta da América Latina. 

A curiosidade virou piada entre os próprios recifenses, e é bem possível que você nos escute dizer que uma coisa (ou até mesmo uma pessoa) é a maior ou melhor “em linha reta”. Infelizmente, esse fato entra para a lista dos não verdadeiros.

Há até um documentário ainda inédito da cineasta Luci Alcântara que trata dessa nossa mania de grandeza, chamado “O melhor documentário do mundo”.

De onde vem a megalomania pernambucana?

As raízes dessa nossa peculiar característica são incertas. É provável que a megalomania pernambucana tenha origem no movimento regionalista encabeçado por Gilberto Freyre. Mas também considera-se que ela remonta ao período da proclamação da República, quando buscamos nossas origens nobres com o término da monarquia. 

de onde vem a megalomania pernambucana?

E lá estavam elas: no período holandês do conde Maurício de Nassau. Num espaço de tempo de quase dez anos, o Recife pertenceu à Holanda e recebeu da corte um grande investimento humanístico. 

É verdade que pouca coisa sobrou daquela época, já que os portugueses fizeram questão de destruir tudo que podiam com a retomada. Mas ficou no imaginário e do recifense que seríamos um lugar muito melhor se tivéssemos continuado prestando contas para Amsterdam. Portugal nunca mereceu um povo de nossa grandeza.

Anedotas megalômanas

O escritor e assessor de documentação da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) Paulo Gustavo conta a história de uma senhora de engenho que manda o filho estudar na Europa e pede para que ele não diga a ninguém que é de Pernambuco. O filho não entende o pedido e ela justifica: “Não se deve humilhar ninguém, meu filho”.  

Muitas outras histórias ilustrativas da megalomania pernambucana ganham contorno anedóticos. Fala-se até que a pangeia (supercontinente hipotético que teria sido o único a existir na Terra até o período cretáceo) começou na antiga Padaria Pangea, no bairro recifense do Pina. 

E, claro, os rios Capibaribe e Beberibe (os mais importantes do Recife) se unem para formar o que hoje conhecemos como o Oceano Atlântico. Quem discordar que o prove!

a megalomania pernambucana envolve os principais rios do recife

Nem tudo é brincadeira

Mas brincadeiras à parte, alguns episódios ocorridos na “terra dos altos coqueiros” têm a chancela de documentos históricos. Tivemos, por exemplo, a primeira ponte do Brasil – onde também se cobrou o primeiro pedágio.

essa megalomania pernambucana é fato: a primeira ponte foi no Recife

Além disso, temos o primeiro prédio em estrutura metálica pré-moldada, a primeira travessia aérea do Atlântico Sul e o jornal mais antigo em circulação na América Latina. Ah, e a primeira cerveja fabricada nas Américas só poderia ter sido feita no Recife. 

A megalomania pernambucana se orgulha, também, da mais bem sucedida revolta separatista do período colonial, quando Pernambuco se tornou uma república independente por 75 dias. E antes que me esqueça: somos o maior consumidor de uísque do mundo, numa região próxima aos trópicos que desafia a lógica. 

Tour guiado sobre a megalomania pernambucana

Quem ficou interessado em saber mais sobre a megalomania pernambucana pode conferir um tour temático promovido pela Recicultura em parceria com o blog Juntando Mochilas. No passeio, os visitantes passam pelos principais lugares que fazem referência à mania de grandeza dos pernambucanos. E é claro que ele não poderia ter outro nome: O Melhor Tour do Mundo. Para mais informações, entre em contato através do Instagram @Recicultura

E me conta aí nos comentários: você já conhecia essas ou outras anedotas que retratam a megalomania pernambucana?

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2 Comentários

  1. Bom dia, Luisa!
    Eu não conhecia esse lado, já estive em pernambuco algumas vezes. É uma “terra” maravilhosa e muito rica culturalmente.

    • Eita, Stéphanie! Na próxima visita, mencione alguma dessas curiosidades pra o pernambucanos que encontrar haha. Que bom que você curte minha terra :D Um abraço e obrigada por comentar!

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