Aprendizado e trabalho

Jornalismo independente: 10 sites para ajudar a entender o Brasil e o mundo

Aprendizado e trabalho | 01/11/18 | Atualizado em 23/04/19 | 4 comentários

Viajar é uma ótima forma de tentar entender o mundo, mas tá longe de ser a única e jamais será suficiente. Afinal, obviamente é impossível estar em todos os lugares ao mesmo tempo, ouvir toda a pluralidade de vozes que compõe nosso planeta e mergulhar a fundo nas questões mais complexas da sociedade. Entre outras coisas, é importante recorrer ao bom e velho jornalismo, essa profissão que inventei de seguir. E especialmente, diria, ao jornalismo independente.

Não é que eu queira desmerecer a importância de veículos de comunicação tradicionais, que ainda reúnem muitos bons profissionais. Mas não se pode negar que muito frequentemente o interesse público da informação é passado pra trás a favor da mercantilização da informação.

Chomsky e outros homens e mulheres sabidos já alertam há muito tempo: a concentração da propriedade dos meios de comunicação, a publicidade como principal fonte de renda e a dependência das informações fornecidas pelo governo, empresas e aqueles “experts” de sempre provocam uma falsa representação da realidade.

Às vezes, essas distorções não são nem intencionais. Mas em muitas outras vezes, respondem diretamente a interesses políticos e econômicos. “Ah, é assim mesmo. Temos que nos conformar, o jornalismo morreu”, argumentam alguns. “Nananinanão”,  respondem outros (como eu). Ainda existe bastante jornalismo de verdade por aí, cheio de saúde.

fake news e jornalismo independente

Sim, é difícil sobreviver à margem do mercado tradicional de comunicação (e inclusive dentro dele), no Brasil e no resto do mundo. O jornalismo “alternativo” e a dificuldade de monetizá-lo foi, inclusive, o tema da minha dissertação de mestrado na Espanha.

Mas a boa notícia é que, ao contrário de muitas coisas nessa vida, a solução desse problema tá a nosso alcance: todos nós, juntos, podemos ajudar o jornalismo independente a ter vida longa.

Um primeiro passo é conhecer alguns dos melhores jornais independentes que existem hoje Brasil afora e são, cada um com suas particularidades, comprometidos com a defesa dos direitos humanos. O segundo é assinar suas newsletters, dar audiência aos sites e compartilhar seu conteúdo. E o terceiro é fazer uma doação ou assinatura dos seus preferidos.

Sim, assinatura. Acostumados que estamos com a avalanche de informações gratuitas pela internet, pagar por conteúdo parece uma afronta, né? Mas é pagando que, de grão em grão, a gente consegue evitar o controle da informação por gente com muito mais dinheiro e poder que eu e você (a não ser que você seja um megaempresário, político poderosão ou, sei lá, o Sérgio Moro).

Não posso te obrigar a seguir os passos dois e três dessa minha receitinha médica pela sobrevivência do jornalismo independente, mas posso facilitar o primeiro. Acompanho alguns veículos bem legais há tempos e conheci outros quando pesquisava pra esse post. Como resultado, tá aqui uma lista de sites que vale a pena conferir:

10 iniciativas de jornalismo independente

Agência Pública

Provavelmente o maior ícone do jornalismo independente no Brasil, a Pública é uma agência de jornalismo investigativo fundada em 2011 por repórteres mulheres.  As reportagens da agência costumam ser bem aprofundadas e têm como princípio fundamental a defesa dos direitos humanos e são republicadas em centenas de veículos de comunicação sob a licença Creative Commons.

Eles também atuam fomentando o jornalismo independente através de mentorias, bolsas pra realização de reportagens, eventos e apoio a projetos inovadores.

Fontes de receitas: doações de fundações privadas nacionais e internacionais, patrocínio a projetos e eventos, editais, crowdfunding e financiamento dos leitores.

jornalismo independente da agência pública

Nexo Jornal

Lançado em 2015, o Nexo é um jornal digital que se destaca pelo esforço pra abordar assuntos de interesse geral de forma mais aprofundada e clara. Eles têm ótimos materiais interativos, infográfios e podcasts – rolam até quizzes pra saber se você tá por dentro das notícias da semana. Gosto de como eles costumam ser concisos sem ser superficiais, e a newsletter deles é uma das minhas preferidas.

Fonte de receitas: assinaturas mensais, que custam R$ 12. O jornal dá acesso a 5 conteúdos livres por mês e não tem anúncios.

Ponte

Fundado com apoio da Agência Pública, o Ponte é um jornal independente focado em Segurança Pública, Justiça e Direitos Humanos. A proposta do veículo é dar voz a pessoas que são excluídas do sistema. Os assuntos incluem violência policial, racismo e questões de gênero. A equipe já produziu materiais especiais sobre transsexuais, a Palestina e assédios na PM.

Fontes de receitas: não encontrei essa informação explícita no site, mas aparentemente o financiamento é coletivo. É possível fazer uma contribuição mensal de a partir de R$ 5.

AzMina

Além de uma revista online feminista, a AzMina é uma instituição sem fins lucrativos que usa a informação pra combater a violência contra a mulher. A equipe promove campanhas de conscientização nas redes sociais e produz jornalismo investigativo com enfoque no empoderamento feminino.

Os assuntos abordados no site incluem temas como saúde e sexo, política, maternidade, meio ambiente, violência contra a mulher, esporte, cultura e beleza. Elas já fizeram umas séries de reportagens investigativas bem interessantes, abordando temas como a exploração sexual nas rodovias de Minas Gerais, a criminalização da prostituição e casamentos infantis entre ciganos.

Fontes de receitas: doações de fundações privadas nacionais e internacionais, crowdfundings e financiamento dos leitores, patrocínio a projetos ou eventos e editais.

jornalismo independente do azmina

Leia também:

7 ótimas newsletters pra se informar ou se inspirar

Amazônia Real

Sediada em Manaus, a agência de jornalismo independente Amazônia Real tem como foco produzir reportagens sobre questões da Amazônia. O site costuma ser atualizado uma vez por semana e os temas abordados incluem meio ambiente, povos indígenas, questão agrária, economia, política e cultura.

Acho o portal muito interessante porque raramente vejo essas questões presentes na grande mídia e infelizmente me sinto muito distanciada da realidade dos povos indígenas brasileiros.

Fontes de receitas: apoios da Fundação Ford e da Aliança pelo Clima e Uso da Terra, além de doações de pessoas físicas.

Marco Zero Conteúdo

O Marco Zero Conteúdo é um coletivo de jornalismo investigativo que aposta em matérias aprofundadas, independentes e de interesse público. Com sede no Recife, o site foca em três vertentes principais: semiárido nordestino, urbanismo e relações de poder. A equipe é formada por uma galera com longos anos de atuação em veículos tradicionais e dá bastante voz a movimentos sociais.

Durante as eleições de 2018, o site fez uma cobertura especial das candidaturas femininas em Pernambuco, através do projeto Adalgisas, e fez uma parceria com a iniciativa Truco, da Agência Pública, pra checar o que foi dito em sabatinas, entrevistas e redes sociais.

Fontes de receitas: parcerias com fundações e organismos internacionais, prestação de serviços editoriais, realização de cursos e palestras e assinaturas ou doações de leitores. Não recebem patrocínio de empresas ou governos.

jornalismo independente do marco zero conteúdo

Agência Lupa

Criada em 2015, a Agência Lupa foi a primeira agência de notícias do Brasil especializada em fact-checking, ou seja,
em acompanhar o noticiário diário pra corrigir informações imprecisas e divulgar dados corretos. A Lupa já produziu checagens em formato de texto, áudio e vídeo, e seu material é veiculado no próprio site da agência e também em veículos de comunicação (independentes ou não).

Apesar de garantir que tem total independência editorial, a Lupa está hoje incubada no site da revista piauí, no modelo de startup.

Fontes de receitas: eles vendem reportagens para publicação em outros meios de comunicação, no mesmo modelo de outras agências de notícias. Além disso, contam com apoio financeiro da Editora Alvinegra, que publica a revista piauí. Outra fonte de receitas é o LupaEducação, que oferece palestras e workshops sobre fact-checking

Alma Preta

A Alma Preta é uma agência de jornalismo especializada na temática racial do Brasil. As principais seções do site são Realidade, que traz a discussão do racismo na política, economia, cultura e esporte; Da Ponte Pra Cá, que aborda a visão da periferia em aspectos como encarceramento em massa e genocídio da população negra; Mama África, com notícias do continente africano; e O Quilombo, onde são publicados artigos opinativos.

Fontes de receitas: eles têm planos de assinatura, aceitam anúncios e oferecem serviços de assessoria de imprensa, design e programação.

jornalismo independente da alma preta

Opera Mundi

A missão do Opera Mundi, criado em 2008, é “traduzir os acontecimentos globais sem perder de vista a perspectiva brasileira e latino-americana sobre os fatos”. Eles publicam notícias diariamente e também produzem materiais multimídia e reportagens aprofundadas sobre temas em mais evidência. Eles são parceiros do Uol e veiculam publicidade, mas se consideram um veículo independente e progressista.

Fontes de receitas: publicidade e assinaturas de leitores.

Brasil de Fato

O Brasil de Fato foi lançado em 2003 e tem uma pegada bem esquerdista, tendo sido criado por movimentos populares. Além do site de notícias com cobertura nacional, eles têm uma radioagência e versões regionais (inclusive impressas) no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, em São Paulo, no Paraná e em Pernambuco.

As principais seções são opinião, política, direitos humanos, cultura, geral e internacional. Além dos especiais, que já incluíram reportagens sobre o cangaço, os 130 anos da Lei Áurea e os conflitos agrários no Pará.

Fontes de receitas: anúncios de sindicatos e ONGs.

Essa lista não tem a pretensão de ser exaustiva. Pra ver muito mais exemplos de projetos de jornalismo independente no Brasil, confira esse ótimo levantamento da Agência Pública.

Ah, e lembrando também que a ideia de uma prática jornalística “neutra” ou “isenta” é mito. A “independência” a que me refiro nesse texto tem a ver com graus maiores ou menores de liberdade em relação aos poderes políticos e econômicos que controlam a grande mídia.

E você, quais outros exemplos de jornalismo independente costuma ler e recomenda?

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4 Comentários

  1. Guilherme Venancio

    Tem um site bem legal de jornalismo independe também. A sede do portal fica no estado de Santa Catarina, o polo do conservadorismo brasileiro. O nome do site é Portal da Resistência (https://portaldaresistencia.org)

  2. Silvannir Jaques

    Oiiee Luísa, tudo bem?! Adorei seu post. Estou estudando sobre Jornalismo Independente e aqui encontrei ótimas fontes! Parabéns!

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