Aprendizado e trabalho

10 coisas que aprendi sobre empreendedorismo

Aprendizado e trabalho | 25/03/18 | Atualizado em 04/04/18 | 2 comentários

Não lembro de nenhuma ocasião em que empreendedorismo tenha sido assunto quando eu estava na escola, nem na faculdade. Com uma breve exceção, a história profissional dos meus familiares nunca envolveu empresariado. No meu círculo de amizades mais próximas também não. Sempre achei que não tinha nascido com uma “veia empreendedora” e a ideia de ter uma empresa jamais passou pela minha cabeça. Mas depois que passei a encarar o Janelas Abertas como negócio e pensar mais seriamente sobre outros projetos, tive que girar essa chavinha na cabeça e entender na marra que posso, sim, ser “empreendedora”.

No tempo que se passou desde que deixei meu último emprego fixo, como coordenadora de conteúdo numa agência de publicidade, fiz várias viagens e aprendi muito sobre mim como pessoa. Mas também fiz cursos mega interessantes, como o Empretec (metodologia da ONU aplicada no Brasil pelo Sebrae) e o Decola! Lab (curso online voltado pra empreendedores da área criativa). Li muito sobre o assunto, participei de eventos voltados pra blogueiros de viagem e o mais importante: comecei o longo processo de desenvolver em mim “comportamentos empreendedores” na prática, mudando atitudes e percebendo outras.

Ainda tou no início dessa caminhada e não faço ideia do que o futuro vai me trazer, mas nos últimos meses aprendi sobre empreendedorismo muito mais do que em toda minha vida até então. Vim trazer, então, minha humilde contribuição pra quem quiser trocar figurinhas. :)

Pelo que aprendi sobre empreendedorismo até agora, quem quer criar um negócio tem mais chances de “dar certo” (e não enlouquecer pelo caminho) se conseguir…

1. Assumir-se empreendedor

Pode parecer óbvio, né? Mas pelas minhas conversas com amigos, por mais que o hype em torno do empreendedorismo esteja crescendo, muita gente também se sente muito mais “programado” pra seguir uma carreira padrão do que construir seu próprio caminho.

Mas acredito que todo mundo tem ou pode desenvolver algum talento, habilidade ou ferramenta que traga valor aos outros de um jeito que ninguém mais vai poder fazer igual. E, também, que todos saímos da fábrica com a “chavinha” da criatividade e do empreendedorismo; só é preciso entender o processo pra liga-la, caso você queira. Ambiente, educação e estímulo influenciam nosso comportamento, mas com algumas oportunidades e muita força de vontade é super possível desenvolver as habilidades que estiverem mais “fracas”.

E assumir essa faceta internamente, encarando a si mesmo de outra forma, faz uma diferença monstra. Como disse algum pensador da internet: “Grandes momentos de mudança começam com grandes mudanças de crenças”.

2. Ter clareza sobre aonde quer chegar

Algo que fez a diferença pra mim no Decola! Lab foi um exercício bem simples, que tinha a ver com entender as coisas que me fazem feliz, as liberdades das quais não quero abrir mão e minha definição de sucesso. Tudo isso pra compreender as motivações por trás do que tou fazendo, com base não na coisa em si, mas no sentimento que ela me proporciona.

Afinal, é preciso ter autoconhecimento e entender muito concretamente o que significa, pra você, essa história de “realização”, em vez de se medir pelos outros. É poder fazer seus próprios horários? Estar trabalhando sempre “na rua”, em vez de ficar no escritório? Estar perto da família o máximo possível? Fugir de qualquer tipo de rotina? Ajudar pessoas a realizar sonhos? Ter uma renda suficiente pra arcar com determinadas despesas?

Ter clareza sobre aonde você quer chegar é essencial pra não perder tempo com desvios de rota e não gastar energia com o que não contribui pra esse objetivo. Quando você tem muitos interesses e sente prazer em várias atividades, pode ser bem difícil priorizar. Mas é necessário, ou a vida pode ficar muito mais cheia de ansiedade do que de satisfação.

Isso tem a ver com dizer não pra algumas oportunidades, escolher projetos pra guardar na gaveta e enxugar sua lista de tarefas. Não dá pra abraçar o mundo, e quanto mais claro for seu objetivo final, mais natural vai ser esse processo.

3. Acreditar no que faz

Outro insight que tive durante o Empretec foi sobre minha dificuldade de “vender” o que faço. Falta de autoconfiança é um problema comum, mas é também um mega tiro no pé. Afinal, se você mesmo não demonstra acreditar que seu produto ou serviço é bom, como vai convencer os outros?

Por isso, a galera experiente ressalta muito a importância de ser mais positivo, o que envolve desde traçar suas metas e planos com otimismo, tendo confiança na sua capacidade de enfrentar desafios, até a forma em que você fala dos seus projetos pra os outros.

Nesse aprendizado, vale praticar um pitch pra falar do que você oferece, vale listar seus diferenciais, vale pedir pra outras pessoas opinarem sobre o que tem de especial no que você faz/pretende fazer, vale adotar o mantra fake it until you make it. Só não vale “usar o pessimismo como talismã” e apagar suas qualidades.

empreendedorismo

4. Pesquisar e traçar estratégias

Na afobação, pode ser tentador tomar decisões com base em pressupostos, como a crença de que as pessoas vão querer seu produto só porque você o acha muito genial, ou de que seu público é formado por jovens quando na verdade tem muito mais a ver com uma galera de outra faixa etária. Em vez de focar apenas na sua paixão, é essencial olhar pra o mercado e entender como você pode se posicionar e se manter competitivo.

Por isso, uma das lições mais básicas é traçar um plano de negócios embasado, definir seu cliente ideal (sempre que possível, através de pesquisas, e não de “achismos”) e refletir sobre os objetivos que você pretende alcançar com cada ação. Sair atirando pra todo lado sem estratégia pode até resultar em alguns alvos acertados, mas é um baita risco e um gasto danado de balas (energia, dinheiro e tempo).

Ah, claro: isso não termina nunca. É preciso estar o tempo todo revendo estratégias, analisando riscos e observando  oportunidades, novas tendências e formas de adaptar seu negócio. É muito trabalho, é um terreno arriscado, mas é divertido também.

5. Estabelecer metas SMART

Todo mundo tem mil ideias boas, né? Aqueles oitocentos projetos engavetados e ideias de negócios que alguém colocou em prática antes de você (“juro que pensei nisso há oito anos! Até anotei num guardanapo!”). O que faz a diferença é coloca-las em ação. E pra isso, é preciso criar processos e se comprometer.

Por isso, os sonhos precisam se transformar em planos, e os planos têm que ser destrinchados em metas. E não é qualquer meta, tipo “quero ficar milionária com minha loja”, e sim um negócio que a galera da área chama de metas SMART, da sigla em inglês pra Específicas, Mensuráveis, Atingíveis, Relevantes e Temporais.

Ou seja: o ideal é reformular aquela meta abstrata ali em cima e transformá-la em algo como “Ter um lucro mensal de R$ x até junho de 2019”, ou “Abrir duas filiais em dois Estados do Nordeste até dezembro de 2021”. Metas específicas, que podem ser alcançadas, com um prazo pré-estabelecido e que fazem sentido pra sua empresa.

Às vezes, estabelecer essas metas pode parecer um desafio; especialmente se você for novo nessa área e não tiver muita noção do que é possível alcançar em quanto tempo. Mas é preciso cria-las pra sair da zona de conforto, evitando se contentar com qualquer resultado que você atingir, ou mesmo pensar “meus concorrentes tão chegando nesse ponto, então tá bom pra mim também”. Com foco na meta, você vai ter que se virar pra chegar lá, e nesse “se virar” podem sair soluções surpreendentes.

Vale ressaltar que determinar distintas metas pra prazos como 1 ano, 2 anos, 5 anos e 10 anos também ajuda a manter a estratégia da empresa alinhada e priorizar objetivos de curto prazo. Mas é lógico que tudo isso vai sendo mudado durante o caminho.

6. Não esperar estar pronto para começar

Esse é um dos principais mantras do Decola! Lab, e foi diretamente responsável pra eu começar a fazer vídeos pra o Youtube mesmo me sentindo um desastre nisso e não possuindo as melhores ferramentas. O princípio é simples: se você for esperar pra aprender tudo que tem pra aprender, comprar os melhores equipamentos, aperfeiçoar infinitamente seus métodos e chegar num produto 100% perfeito, é bem capaz de adiar o início pra sempre.

Além, é claro, de perder vários feedbacks valiosos que poderiam ajudar seu negócio a melhorar e só vão poder ser fornecidos caso você coloque o bloco na rua – mesmo que seja em verão beta. Em vez de focar no que falta você ter/aprender/saber pra chegar lá, a dica é ir testando o modelo de negócio usando o que você já tem e melhorar durante o processo.

7. Ter persistência

Ainda não esgotou todas as possibilidades e já desistiu da meta? Então o que tá faltando é persistência. Outra coisa que foi muito reforçada no Empretec: se você não tentar de tudo, é porque aquela meta não tinha significado pessoal, ou porque você não tá levando essa história a sério.

Muitas vezes, caímos na tentação de culpar obstáculos externos, tipo “a situação econômica não é a ideal”, “o fornecedor me deixou na mão”, “tenho muitos concorrentes” ou sei lá o que for. Mas os obstáculos sempre estarão lá, e se você tiver se planejado direitinho e estiver trabalhando em algo que tenha potencial, sempre poderão ser contornados com criatividade. É preciso não parar de se mexer, alterar estratégias quando necessário e evitar se colocar numa posição de vítima – que sem dúvidas é mais confortável, mas bem improdutiva também.

8. Lidar com altos e baixos

Acho que todo livro, vídeo ou palestra de empreendedores menciona isso, mas é sempre bom lembrar: quando você tá criando algo por conta própria, especialmente em áreas de negócio relativamente recentes, pode se preparar pra montanha-russa emocional.

Vão rolar momentos de realização total, em que você agradece aos céus pela oportunidade de se dedicar a algo que o motiva e apaixona. Vai haver dias em que tudo dá certo, você se empolga ao aprender coisas novas, vê resultados positivos e sente que o esforço está valendo a pena.

Mas vão existir também mil dúvidas, horas de trabalho que parecem não dar em nada, resultados desanimadores, obstáculos, gente dizendo que não vai dar certo, noites em claro pensando “o que diabos eu estou fazendo?”. Acredito que ninguém tá totalmente imune a isso, mesmo o mais bem-sucedido dos empreendedores. É preciso lembrar que você não é o único a se auto-questionar e angustiar, e que se tá dando medo é porque você tá fazendo algo que vale a pena ser feito.

trabalhando no café malakoff no paço do frevo, no recife

9. Transformar sua ilha em arquipélago

Claro que você é muito incrível e maravilhos@, tem ideias incríveis, múltiplas habilidades e uma visão mais clara do que ninguém sobre como seu negócio deve ser. Parabéns, arrasou, urrul! Mas por mais top das galáxias que você seja, não tem como nenhum ser humano saber tudo nessa vida. E fingir que sim fica até feio, além de ser contraproducente.

Não tem nada de errado em pedir ajuda, desde ouvir conselhos e opiniões de outras pessoas a contratar gente pra dar conta de tarefas que você não consegue desempenhar (ou fazer permuta, se for uma troca boa pra ambos). Essa história de networking nunca foi meu forte, mas é muito importante ser proativo ao colaborar ou pedir a colaboração de pessoas-chave que possam ajudá-lo a alcançar seus objetivos.

Se cercar de gente empreendedora, que também está criando coisas, também faz uma diferença gigante. Não só pra tirar dúvidas e aprender com erros e acertos alheios, mas também pra ter com quem desabafar quando tudo parecer desesperador. Ter com quem se motivar naqueles pontos mais baixos da montanha-russa e poder celebrar as pequenas vitórias que só quem tá numa situação parecida é capaz de entender de verdade.

Caso não existam muitos empreendedores no seu círculo social – assim como no meu -, não entre em pânico: é pra isso que serve um negócio chamado internet, com suas redes sociais e afins, e também várias situações offline como eventos, seminários, espaços de coworking, capacitações… Muitas vezes, não se sentir só faz uma diferença gigante.

10. Entender que o “fracasso” não é pessoal

Um dos maiores meus maiores desafios até agora foi assumir pra mim mesma e pra o mundo que queria encarar o blog como negócio. Muito por causa dessa falta de afinidade com o universo empreendedor, mas também por algo que só entendi de fato durante o Empretec: o medo de fracassar. Assumir um sonho e declará-lo em voz alta pode ser assustador. É como se a partir daí tudo ficasse muito mais concreto, e as cobranças internas e externas se tornassem reais.

Mas é preciso lidar com isso. E uma das coisas que me ajudaram foi algo que li no livro “Grande Magia: vida criativa sem medo”, que já ganhou post aqui no blog. Nele, Elizabeth Gilbert sugere uma forma de lidar com o medo de fracassar: lembrar que sucessos ou fracassos podem acontecer, e muitas vezes isso não depende de você.

Se considerarmos que talento, sorte e disciplina são os principais fatores que costumam levar ao sucesso convencional, é preciso reconhecer que só controlamos um deles – a disciplina. Por isso, o conselho de Elizabeth é medir seu valor com base na sua dedicação ao processo, e aproveitar a delícia que é interagir com sua criatividade.

A ideia por trás disso, e da argumentação de outros empreendedores de sucesso, é não se identificar tanto com o trabalho ao ponto de tomar tanto os êxitos quanto os fracassos de forma pessoal. Não é porque aquele projeto ou negócio não deu certo que você não deu certo. Não é porque aquela ideia se mostrou infrutífera que você não tem valor.

Separar totalmente o ego dos produtos ou serviços aos quais dedicamos enorme energia e paixão me parece impossível, mas quanto menos a gente mede nosso valor a partir disso, mais fácil é ligar o “foda-se” pra o medo e ir em frente, fazendo o que você pode fazer: seu melhor.

Assumindo de peito estufado que você tá correndo atrás disso, entendendo o que é mais importante pra você, acreditando no valor do que você propõe, tendo serenidade pra lidar com os altos e baixos, criando estratégias e persistindo até alcançar as metas, se aliando a gente que o ajuda a crescer e fazendo uso das ferramentas que já tem pra colocar os sonhos em prática.

E sabendo, durante esse tempo todo, que o caminho vale a pena tanto quanto o destino.

Crédito das fotos que ilustram o post: Linda Meléndez

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2 Comentários

  1. alcindo Queiroz

    Luisa,
    Parabéns, maravilhoso texto. Principalmente para os jovens que estão começando a empreender. Não é fácil, tudo e todos são contra ao seu negócio dar certo, mas quando acontece, é de uma alegria incrível.
    Possibilitar o crescimento de uma empresa, pessoas e região é uma das coisas mais nobres que a nossa dedicação pode alcançar. Parabéns.

    • Oi, Alcindo! Que alegria ler esse comentário. Muito obrigada por tomar o tempo pra deixar esse feedback :) Realmente é um caminho árduo (já é no meu caso, que não fiz grandes investimentos financeiros e não tenho funcionários, imagino quando se trata de algo com maior risco), mas vale a pena! Um abraço

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