Aprendizado e trabalho

Produtividade no home office: empreendedoras contam suas estratégias

Aprendizado e trabalho | 14/12/17 | Atualizado em 20/12/17 | Deixe um comentário

Trabalhar de casa, fazendo seu próprio horário e evitando estresses como trânsito e a terrível fila do self service é um sonho de muita gente. Mas como nada nessa vida é só emojis de coração, esse estilo de trabalho traz consigo alguns desafios. Entre eles, acredito que o maior é se manter disciplinado e produtivo, com motivação suficiente pra tocar seus trabalhos sem um chefe na sala ao lado. Desde que pedi demissão pra focar no blog e freelas, li muito sobre produtividade no home office, mas só com o tempo fui percebendo que as supostas “regras” que aparecem por aí não necessariamente serviam pra mim.

Algumas foram bem fáceis de ignorar, como essa história de vestir uma roupa como se estivesse saindo pra trabalhar fora. Poder vestir shortinho e top é, pra mim, uma das maiores vantagens de trabalhar de casa – tá doido que eu ia abrir mão disso? Outras dicas já sabia que eram úteis pra me sentir bem e “render”, como trabalhar sempre à mesa, num ambiente ventilado e bem iluminado. Mas é só através da tentativa e erro que tou começando a entender de fato o que funciona pra mim nessa batalha de manter a produtividade alta sendo minha própria chefe (e tendo minha cama delícia logo ao lado).

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Ao trocar uma ideia com mulheres desenroladíssimas que conheço e que têm mais experiência com esse estilo de trabalho, aprendi que não existe mesmo fórmula pronta. Ainda assim, compartilhar vivências ajuda a quebrar alguns paradigmas e a ter novas ideias de métodos pra testar.

Mas antes de mostrar o que elas me contaram, deixa eu te alugar um pouco mais contando um tiquinho do que tem dado certo pra mim:

Minha produtividade no home office

  • Tenho metas mensais, que deixo num papel bonitinho na minha frente, e no início de cada mês distribuo as tarefas num planner com visão semanal. Assim, dá pra saber se será realista atingir todas as metas e se preciso priorizar algumas e adiar outras. É claro que a cada semana surgem compromissos ou me dou conta de novas demandas, mas essa base me ajuda a me organizar, especialmente quando tenho viagens no meio. Consigo saber se precisarei trabalhar durante o final de semana, por exemplo, ou se posso ficar mais tranquila.
  • Tou morando com a família e felizmente na minha casa não costuma ter muito barulho de gente conversando, entrando e saindo etc. Ainda assim, ouvir música com fone é importante pra mim, porque me coloca numa “bolha” e evita algumas pequenas distrações do ambiente ao redor.
  • Um problema grande pra mim são as redes sociais, em especial o Whatsapp e o Instagram. Tenho um “attention span” muito curto e fico sempre querendo checar as redes, então tou tentando me acostumar a deixar o celular longe enquanto trabalho e só checar durante o almoço ou no máximo entre uma tarefa e outra.
  • Ler (tanto livros quanto na internet) é importantíssimo pra meu trabalho, mas ainda tou encontrando o equilíbrio pra fazer isso sem sentir que tou procrastinando (porque às vezes é bem isso mesmo :P). Tenho tentado focar nas tarefas do dia enquanto ainda tenho energia e cabeça fresca, e quando a concentração fica mais capenga vou consumir informação.

notebook e xícara de café com paisagem no fundo

E agora, passo a palavra pra cinco mulheres arrasantes que trabalham de casa, levando adiante projetos superlegais, e tiveram a gentileza de compartilhar comigo seus aprendizados:

Anna Terra, consultora de estratégia digital

Anna já não trabalha em escritórios tradicionais há mais de dois anos e diz que nesse período muita coisa mudou na sua percepção de home office:

Primeiro, eu achava que tinha que planejar tudo. O ambiente ideal, lindo e confortável, o plano de horários e tarefas, até uma roupa mais organizada tinha que rolar. Mas logo isso tudo foi por água abaixo. Muito por conta do meu estilo de trabalho, eu basicamente só preciso do computador ou do celular, sem muitas outras ferramentas a não ser um livro ou outro, às vezes um caderno. Então desisti de criar um espaço pra isso e trabalho na mesa da sala mesmo, muitas vezes com a mesma roupa que eu acordo. Pois é, isso de trabalhar em casa muitas vezes faz a gente trabalhar da hora que acorda até a hora que vai dormir, de vez em quando sem nem perceber isso. Então eu posso dizer que não sou um bom exemplo de pessoa que trabalha em home office, pois eu renego a maioria das “regras” que criaram pra facilitar esse trabalho. Mas, ainda assim, tenho algumas dicas que fazem a diferença pra mim:

  • Se eu estiver com sono, eu vou parar e tirar um cochilo, nem que sejam 20 ou 30 minutos. Claro, nem sempre dá se a gente tiver compromisso com o horário e outras pessoas envolvidas, mas muitas vezes nós não fazemos isso pela culpa que sentimos, pelo tanto que nos cobramos. Então a dica é se julgar menos e aproveitar um pouco mais das regalias desse formato de trabalho que tanto nos cobra. Tira um cochilo, colega. Faz mal não.
  • Pra diminuir a minha procrastinação, não tem pomodoro que dê jeito. Então eu resolvi me recompensar com algo que é muito importante pra mim: comida. Quando eu vejo que estou enrolando demais pra fazer algo, eu me comprometo só almoçar/ jantar/ lanchar quando terminar essa etapa. Mexeu com o bucho, mexeu comigo fortemente. Você pode buscar outras “recompensas” que te representem.
  • Não importa qual seja o ambiente, mas deixe ele o mais limpo e organizado que puder. Essa dica pode parecer besta e até óbvia, mas a energia da bagunça e da sujeira traz muita coisa negativa que influencia de forma silenciosa e sorrateira na nossa produtividade. Então mesmo que você queira trabalhar no sofá, deixe ele ser um ambiente limpo e organizado pra você trabalhar.
  • Se você tiver liberdade pra sair e trabalhar em outros ambientes, como cafés, parques ou até na praia, aproveita! Sair do ambiente da casa, respirar outros ares, ver outras coisas e pessoas faz um bem danado e geralmente aumenta consideravelmente minha produtividade.
  • Chame outros amigos que trabalhem em casa pra vocês trabalharem juntos. Não precisa ser no mesmo projeto, nem na mesma área. Vocês nem precisam se falar durante o dia, na real. Mas a companhia de alguém pode ajudar muito, seja pra você querer fazer as coisas pra poder parar e ter aquele lanche juntos, ou até pra pedir uma opinião ou dar um pitaco. Pode ser bem proveitoso pra os dois!

Camila Lemos, ilustradora e criadora da marca Proa

Camila está trabalhando de casa em tempo integral desde março deste ano, mas passou antes um ano em “período sabático”, fazendo freelas e cursos. Atualmente, ela divide o tempo entre sua marca de roupas e acessórios e trabalhos de freelancer como ilustradora. “O conselho que eu dou não é tentar seguir um modelo preestabelecido”, diz Camila, explicando que no começo foi bem difícil, mas que com o tempo tem conseguido desenvolver suas próprias estratégias:

  • Eu tinha lido muitas entrevistas com pessoas falando coisas como “estabeleça um horário igual ao que tinha quando você trabalhava fora”. E pensava “vou acordar às 7h, trabalhar das 8h às 12h e voltar a trabalhar à tarde, até as 18h”. Só que eu sempre fui uma pessoa que rende mais à tarde e à noite, e no home office percebi realmente isso. Vi que essa rotina em horário comercial não ia dar certo pra mim, porque às 17h eu parava de trabalhar, mas minha mente continuava superprodutiva e eu não queria parar. Por outro lado, pela manhã eu sou quase uma lesma. Comecei, então, a prestar atenção ao que meu corpo estava me dizendo antes de criar um método de trabalho. Hoje em dia não acordo antes das 8h: espero meu corpo despertar naturalmente. Assim, sei que vou passar o dia inteiro bem e não vou ter sono. Como pela manhã não rendo muito pra coisas que exijam raciocínio, faço logo as tarefas de casa e elimino essa pendência. Começo a trabalhar umas 11h, faço uma pausa pra almoço às 13h e vou até 00h ou 01h tranquila.
  • Tentei usar o método pomodoro, mas normalmente quando eu foco e a tarefa é longa eu prefiro fazer até o fim, em vez de dar uma pausa, porque demoro a voltar depois. Até faço pausas (por exemplo, vou fazer um suco e volto), mas minha cabeça continua na tarefa. Gosto de começar e terminar as coisas.
  • Percebi que não dava pra unificar minha metodologia, porque diferentes tipos de tarefas exigem atitudes diferentes. Por exemplo, tem coisas que preciso fazer escutando música, enquanto pra outras preciso de concentração total.
  • Passei também a tirar o máximo possível de informação do meu cérebro, porque sempre ia deitar pra dormir pensando em coisas que precisava fazer no dia seguinte. Tenho um planner sempre do meu lado e no domingo preencho a semana com as tarefas já programadas. Ao longo do dia vou adicionando coisas, mas com a visão semanal consigo realocar os itens de acordo com o que é prioridade. Se vejo que minha quarta tá muito pesada, por exemplo, puxo algo mais operacional pra quinta pela manhã. Se vou passar o dia em reunião, tiro a noite pra fazer algo que exige pouco raciocínio, como organizar estoque.
  • Tem coisas que só se descobre fazendo mesmo. Hoje sei que não adianta, por exemplo, desenvolver cor e pintar aquarela no mesmo dia. Passo horas e gasto muita energia desenvolvendo uma paleta de cores, então tenho que pintar a aquarela no dia seguinte, com a cabeça fresca.
  • Faço um quadro de metas semestral bem simples, ilustrado, e ele fica na minha frente todo dia (olha ele aí na foto abaixo). Não como uma cobrança, mas pra eu lembrar o que propus pra mim; se não fizer mais sentido, eu mudo. A ideia é não me perder em relação aos meus objetivos, porque às vezes a gente tá fazendo algo que não vai dar em lugar nenhum.

quadro de metas

Luiza Antunes, blogueira no 360 Meridianos

Luiza mora em Portugal e escreve para o blog de viagens 360 Meridianos, criado por ela e os amigos Natália e Rafael – que moram hoje em Belo Horizonte. A internet facilita muito a comunicação entre eles, mas ela considera que esse esquema de trabalho pode ser desafiador. “Eu acho que muita gente sonha com o home office sem ter noção do quanto é difícil e solitário. Para mim, ficou muito mais difícil desde que comecei a morar sozinha”, diz. Ela dá algumas dicas:

  • O que funcionou para que eu conseguisse manter a produtividade foi delimitar as horas a serem trabalhadas no dia e cumprir isso. E também inventar outras coisas para fazer fora desse horário, de forma que eu cumpra o programado. Por exemplo, definimos que temos que trabalhar, com o 360meridianos, cinco horas por dia. Eu já penso o meu dia e defino quais serão essas horas. Mesmo quando estou viajando me organizo assim. Eu posso até quebrar os horários se estou fora de casa, mas sempre tento cumpri-los.
  • Além disso, uma coisa que deu muito resultado para manter a produtividade foi começar a fazer relatórios diários do que eu fiz no dia. Assim é bem fácil entender o que te motiva mais, algum trabalho que você faz e passa despercebido ou alguma atividade que demora muito mais tempo do que o esperado.

Luciana Aires, criadora da Garupa Marketing

Luciana trabalha em home office há 1 ano e descobriu que ama essa forma de trabalho, “porém nas doses certas”. Como seus clientes são empresas baseadas no Recife, onde mora, a depender da atividade ela vai no escritório do próprio cliente pra ficar rodeada pela equipe. “Quando é algo mais meu, como apresentações, relatórios e planejamentos, eu fico em casa. Me concentro melhor com uma música rolando”, explica. Olha o que ela costuma fazer pra ter mais produtividade no home office:

  • Eu sempre me organizo no início da semana, sabendo quando vou estar no cliente e quando vou estar em casa. E também de acordo com as minhas atividades pessoais! Afinal, a escolha de um trabalho com mais liberdade tem que trazer a parte boa de você fazer o seu horário, né? Então, sempre que tenho alguma atividade perto do cliente x, ou quero almoçar com alguém, por exemplo, eu organizo para estar naquele cliente naquele dia, ou até em um café, e assim vou planejando minha semana com o equilíbrio perfeito.
  • Meu segredo é não passar todos os dias da semana no meu home office. Pessoalmente, preciso de equilíbrio e de estar com pessoas em alguns momentos, até para valorizar o estar em casa. Tem distrações? Tem. Às vezes as pessoas não entendem que você tá trabalhando? Sim. Mas separo atividades mais específicas em que normalmente fico mais absorvida e acabo conseguindo focar mais do que se estivesse executando atividades de rotina como envios de e-mails. Deixo isso pra quando estiver num café! E as pessoas da minha casa passaram a entender isso… Tenho a sorte de ter um pai que também fica em home office, então rola bastante empatia.
  • Uso uma ferramenta para organizar as minhas atividades chamada Omnifocus. Eu tenho absolutamente tudo que vou executar na minha vida por lá. Ela vem de um método chamado GTD (Getting Things Done), que mudou minha vida quando fui apresentada a ele. Sem isso eu jamais conseguiria dar conta de tudo que tenho pra fazer! Tem um livro e vários materiais online sobre o assunto.
  • Além disso, tem os clichês: tenho uma rotina matinal que me ajuda a iniciar o dia (acorda, medita, toma café, toma banho, senta pra trabalhar). Coloco uma música e deixo sempre o meu lugarzinho em casa o mais organizado possível.

Tássia Spinelli, Fundadora e Experience Designer na Double Diamond

Quase dois anos depois de sair do ambiente de trabalho tradicional, Tássia já acumulou muita experiência: foi consultora de UX em uma empresa inovadora em trabalho remoto (Toptal), convivendo com um time com fusos horários e línguas diferentes. E, em paralelo, fundou sua própria empresa (Double Diamond). Ela já falou sobre trabalho remoto no Medium (leia também a parte 2 aqui) e comentou comigo algumas de suas preferências e desafios desse estilo de trabalho:

  • Resolvi tudo a distância com uma empresa de contabilidade remota (Contabilizei) e fechei propostas com todos os meus clientes até então em São Paulo e no Rio de Janeiro. Algumas vezes precisei estar presencial para aplicar dinâmicas, mas da mesma forma consegui realizar entrevistas com usuários, reuniões, pareamentos, design de interação e arquitetura de informação a partir do meu escritório base (que por coincidência, fica a 5 passos do meu quarto).
  • Nesse escritório, não se trabalha de pijama! Atualmente tenho um espaço que eu venho decorando para ser agradável o suficiente para me manter focada e motivada.
  • Também me senti feliz quando pude ter uma vida mais saudável e cozinhar para mim sem precisar passar pelo sufoco de praça de alimentação, ou fazer companhia para minha filha canina – mas também mostrar pra ela que preciso de privacidade quando estou em reunião.
  • Para quem está remota, é importante ter uma presença enérgica diante da câmera e proatividade nas ferramentas de comunicação.
  • Em alguns momentos, também trabalhei a partir de cafés, coworkings e casa de amigos para dar uma variada.
  • Em contrapartida, o trabalho remoto vem se mostrando carente de alternativas quando o assunto é processo. Dependendo da empresa, as ferramentas que normalmente são necessárias a quem escolhe esse estilo de vida (Slack, Evernote, Screenhero, Toggl, Appear, Skype, Hangout e outras) se tornam ineficazes nos ambientes mais analógicos e tradicionais.Quando se trabalha em ambientes que não são ágeis, a sensação de solidão é muito grande. Quem não está remoto dificilmente tem tempo e disposição para utilizar todas aquelas ferramentas.
  • Trabalhar de forma remota não é ser um freelancer, é muito mais do que isso: é uma nova cultura que vem sendo construída e precisa ter seu embasamento das metodologias adequadas. Quando o processo é ágil, a colaboração é mais fluida e todos têm o ownership do processo, distribuindo no projeto responsabilidades individuais e em grupo de maneira mais consciente e eficiente, independente de localização geográfica.

E você, trabalha em home office ou tem esse sonho? Quais são seus principais desafios e o que tem aprendido nessa aventura pra equilibrar liberdade e produtividade no home office? Conta aí nos comentários!

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