Aprendizado e trabalho

Bolsas de estudo no exterior para jornalistas

Aprendizado e trabalho | 28/08/12 | Atualizado em 25/02/19 | 6 comentários

Bem que minha irmã (e todos os amigos dela) tentaram me avisar pra correr do jornalismo, mas foi pra essa profissão cheia de dores e delícias que dediquei os primeiros anos da vida acadêmica e profissional. Depois de terminar a graduação, acabei indo fazer mestrado na Espanha com uma pesquisa sobre meios de comunicação alternativos, focados em direitos humanos, feitos por jornalistas de lá. Mas enquanto morava fora, descobri que existem diversos outros programas de estudos e trabalho no exterior com foco na área. E, pra alegria dos nossos bolsos vazios de comunicadores, a maioria.

Leia mais:

Guia completo sobre estudos no exterior

Vamos conhecer algumas dessas bolsas de estudos para jornalistas? Pra mais informações, clique no nome de cada programa:

Erasmus Mundus Journalism (Dinamarca e outros países)

O que é: O Erasmus Mundus Master’s in Journalism, Media and Globalisation tem dois anos de duração. O primeiro é passado na Aarhus University e na Escola Dinamarquesa de Mídia e Jornalismo, na Dinamarca. Nesse período, os alunos estudam os contextos econômicos, sociais, políticos e culturais da globalização e aplicam conceitos e métodos relevantes pra o estudo e a prática de mídia global e jornalismo. Em seguida, os alunos escolhem uma especialização, que pode ser Communicating Europe (na Universidade de Amsterdam, na Holanda), Business and Finance Journalism (na City University London, na Inglaterra), Journalism and Media Across Cultures (na Universidade de Hamburgo, na Alemanha) ou War and Conflict (na University of Swansea, no País de Gales).

Quem pode participar: Candidatos devem ser graduados, possuir notas “acima da média” e experiência de trabalho como jornalista. Como todos os cursos são dados em inglês, também é preciso ter proficiência na língua. Metade das vagas costuma ser ocupada por europeus e a outra metade por gente do resto do mundo. Do total de alunos aceitos a cada ano (de 80 a 90), 25% recebem bolsa.

O que inclui: Bolsa de 47.000 euros pra totalidade do programa.

Internationale Journalisten-Programme (Alemanha)

O que é: Jornalistas da América Latina têm a oportunidade de ganhar uma bolsa para trabalhar por dois meses como redatores-visitantes em um veículo de comunicação da Alemanha. O principal objetivo, no entanto, é que os participantes trabalhem como correspondentes temporários para suas redações no Brasil. Durante o estágio, os jornalistas poderão familiarizar-se com a realidade política e econômica da Alemanha, assim como conhecer a cultura e mentalidade de sua população. O trabalho diário numa redação assegurará o contato com jornalistas alemães e a criação de laços profissionais e de amizade.

Quem pode participar: O programa é direcionado a jornalistas profissionais com idade entre 25 e 35 anos (estudantes não podem se candidatar) e com bons conhecimentos da língua alemã (em casos excepcionais, fluência em inglês e espanhol podem ser suficientes). Os candidatos têm que trabalhar no Brasil em tempo integral como jornalistas ou colaboradores em um veículo de comunicação (jornal, revista, televisão, rádio ou online). Jornalistas trabalhando em agências de relações públicas ou no serviço público não podem se candidatar. No entanto, profissionais de redações de empresas públicas de comunicação estão aptos para o programa.

O que inclui: A bolsa para os participantes latino-americanos consiste em uma quantia de 3.600 euros. Com esse dinheiro, o bolsista deve cobrir todos os seus gastos, incluindo viagem, acomodação e alimentação na Alemanha. O IJP não se responsabiliza por gastos extras. Os custos de hospedagem durante o seminário de introdução serão cobertos pela organização do programa. O trabalho durante o estágio não será remunerado pelo veículo de comunicação alemão.

Fundação Heinz Kühn (Alemanha)

O que é: A Fundação Heinz Kühn oferece bolsas de estudo na Renânia do Norte-Vestfália pra jornalistas de “países em desenvolvimento”, com duração de quatro a seis meses, pra que desenvolvam seus conhecimentos jornalísticos e conheçam pessoalmente uma nova cultura de forma intensa.

Quem pode participar: Jovens de até 35 anos, com curso superior em jornalismo e experiência na área, que possuam especial interesse em políticas de desenvolvimento e nível básico de alemão.

O que inclui: Ajuda de custo para despesas pessoais e passagens aéreas e um adicional pra compra de livros e pra viagens. A fundação também oferece um curso de alemão, de até quatro meses, nos Institutos Goethe de Düsseldorf e Bonn.

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Máster de Periodismo El País (Espanha)

O que é: Com duração de 22 meses, esse curso começa com um período de nove meses de formação prática nas instalações da Escuela de Periodismo e continua com um ano de estágio remunerado em algum dos meios de comunicação do grupo PRISA, do qual faz parte o El País. O programa confere aos concluintes o título de Mestre em Jornalismo pela Universidade Autônoma de Madri.

Quem pode participar: Graduados em qualquer área que falem e escrevam espanhol corretamente e tenham conhecimentos de inglês. Para concorrer à bolsa da Fundación Carolina é preciso não morar na Espanha e demonstrar bons conhecimentos de inglês com certificados como FCE, IELTS ou TOEFL.

O que inclui: O número de bolsas disponíveis é divulgado a cada ano quando a convocatória é aberta. Nos anos anteriores, metade das vagas foram para bolsistas, de acordo com as qualificações dos candidatos e documentos que demonstrem sua necessidade econômica. Atualmente, a bolsa inclui 8.867 euros da taxa do curso, que custa um total de 13.300 euros, além de 750 euros mensais para manutenção durante o primeiro ano acadêmico, passagens de avião e seguro médico. Para mais informações sobre a bolsa, acesse o site da Fundación Carolina.

Máster de Periodismo El Mundo (Espanha)

O que é: O programa acadêmico do Máster Universitario en Edición, Producción y Nuevas Tecnologías Periodísticas, oferecido pela Universidad San Pablo (CEU), conjuga o jornalismo escrito com a elaboração de reportagens de TV, boletins de rádio, design de páginas web e jornais digitais. Tudo através de profissionais das redações dos veículos do grupo Unidad Editorial (El Mundo, Expansión, Marca, elmundo.es, Veo TV). Está incluído um estágio de seis meses em um dos veículos.

Quem pode participar: Graduados em qualquer área que não morem na Espanha e de preferência trabalhem com comunicação.

O que inclui: Atualmente, a bolsa cobre 3.976 euros do total de 11.900 euros do curso, além de 750 euros mensais para alojamento e manutenção, passagens de ida e volta e seguro médico. Para mais informações sobre a bolsa, acesse o site da Fundación Carolina.

Máster de Periodismo Agencia EFE (Espanha)

O que é: Promovido pela Universidad Rey Juan Carlos em convênio com a Agência EFE, o curso inclui módulos teóricos e práticos e seis meses de estágio na redação central de Madri ou delegações nacionais e internacionais da Agência EFE.

Quem pode participar: Candidatos devem não morar na Espanha e ter diploma de nível superior, de preferência em Comunicação, além de comprovar conhecimento suficiente da língua espanhola. Também se valoriza o conhecimento de outro idioma estrangeiro, como inglês ou francês.

O que inclui: Atualmente, a bolsa cobre 5.300 euros das taxas do curso, que custa 7.950 euros, além de 750 euros mensais para alojamento e manutenção, passagens aéreas e seguro médico. Para mais informações sobre a bolsa, acesse o site da Fundación Carolina.

Máster en Periodismo Multimedia El Correo (Espanha)

O que é: O curso é promovido pelo El Correo em cooperação com a Universidad del País Vasco. O programa aborda aspectos de imprensa escrita, rádio, TV e online e inclui um período de estágio de 2 a três meses em um dos veículos do grupo Vocento.

Quem pode participar: Candidatos devem não morar na Espanha e ser graduados sem experiência profissional ou no início da carreira, além de demonstrar interesse nos novos modelos de gestão e em tecnologia.

O que inclui: Atualmente a bolsa cobre 3.870,80 euros do total do curso, que custa 5.806,20 euros, além de 750 euros mensais para alojamento e manutenção, passagens aéreas e seguro médico. Para mais informações sobre a bolsa, acesse o site da Fundación Carolina.

Beca Gabriel García Márquez de Periodismo Cultural (Colômbia)

O que é: A Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano (FNPI), criada pelo próprio García Márquez, e o Ministério de Cultura da Colômbia oferecem esse curso de jornalismo cultural em Cartagena de Indias e Barranquilla, durante cerca de 20 dias. O objetivo é que os jornalistas fortaleçam suas capacidades de fazer jornalismo cultural e, ao mesmo tempo, explorem a cultura do Caribe colombiano. São três módulos de trabalho: música, cultura popular e literatura, pra os quais serão convidados especialistas de vários países. A língua principal do curso é inglês.

Quem pode participar: Editores ou repórteres com experiência em cobertura de temas de cultura e textos de ficção, com domínio de inglês e no mínimo três anos de experiência e que trabalhem ou publiquem em meios de comunicação impressos ou digitais.

O que inclui: Passagens aéreas, hospedagem, gratuidade do curso, seguro médico internacional, materiais de trabalho e algumas refeições.

Knight Science Journalism, no MIT (Estados Unidos)

O que é: O programa Knight Science Journalism, do Massachussets Institute of Technology (MIT), oferece bolsas de nove meses semana para jornalistas da área que escrevam sobre ciência. Cada bolsista define seu próprio programa de estudos, devendo produzir um projeto de pesquisa que pode servir de base para uma reportagem, proposta de livro ou apenas um relatório detalhado sobre uma área da ciência. O programa inclui seminário com pesquisadores e jornalistas renomados, viagens para lugares relevantes para a área, treinamento em mídias digitais, workshops e aulas em instituições como MIT e Harvard.

Quem pode participar: Candidatos devem ser jornalistas em tempo integral (contratados ou freelance) e ter pelo menos três anos completos de experiência cobrindo ciência, tecnologia, meio ambiente ou medicina. Os candidatos podem ser repórteres, editores, ilustradores, produtores, fotógrafos ou trabalhar com vídeo.

O que inclui: Participantes recebem 70.000 dólares e alguns benefícios adicionais, como seguro saúde.

Knight-Bagehot Fellowship (Estados Unidos)

O que é: A Knight-Bagehot Fellowship in Economics and Business Journalism oferece a jornalistas a oportunidade de ampliar os conhecimentos em negócios, economia e finanças durante um ano acadêmico (de agosto a maio), em um programa integral administrado pela escola de jornalismo da Universidade de Columbia, em Nova Iorque. Os participantes assistem a aulas nas faculdades de jornalismo, administração, direito e negócios internacionais, participam de seminários e encontros com executivos, economistas e acadêmicos e visitam empresas de mídia e finanças com sede em NY.

Quem pode participar: A bolsa se dirige a funcionários em tempo integral de veículos midiáticos, assim como jornalistas freelance, com pelo menos quatro anos de experiência na área. Não existem pré-requisitos acadêmicos.

O que inclui: Os 10 participantes selecionados a cada ano têm gratuidade nas taxas do curso e uma bolsa que cobre os custos de vida em NY. Pra 2018, a bolsa será de 60 mil dólares pra cada um.

Programa Jornalistas de Visão (Estados Unidos e Europa)

O que é: O Programa de Bolsas de Estudo Jornalista de Visão tem como objetivo reconhecer os jovens talentos da imprensa brasileira, oferecendo bolsas de estudos a jornalistas em atividade para cursos de Mestrado e Pós-Graduação nas melhores universidades dos Estados Unidos e da Europa.

Quem pode participar: A “pegadinha” dessa bolsa é que os candidatos são indicados por “profissionais da imprensa reconhecidos pelo histórico de independência, seriedade e bom jornalismo, situados em posições-chave nos veículos de comunicação no Brasil”. Ou seja: não há inscrições abertas ao público. Os candidatos devem ter nacionalidade brasileira, idade entre 25 e 35 anos, curso superior completo, fluência comprovada na língua inglesa, entre outros pré-requisitos.

O que inclui: As bolsas oferecidas são parciais, prevendo, como contrapartida dos contemplados, o custeio de algumas despesas com seus estudos no exterior. Essas variam de acordo com a modalidade de bolsa recebida. As modalidades podem ser conferidas no site oficial, no item “premiação”.

Foreign Correspondents’ Programme (Finlândia)

O que é: Desde 1990, em quase todos os anos esse programa selecionou um jovem brasileiro pra passar um mês na Finlândia junto com colegas de outros 15 países e aprender mais sobre a Finlândia, a sociedade e o estilo de vida finlandês.

Quem pode participar: O programa costumava ser voltado a jornalistas recém-formados e estudantes de jornalismo e áreas afins, mas atualmente também dá espaço para quem produz conteúdo para blogs e redes sociais. Os candidatos deviam ter conhecimentos avançados de inglês, ter até 29 anos e a capacidade de se adaptar a um grupo de pessoas de várias nacionalidades.

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6 Comentários

  1. Bolsas abertas – Janeiro de 2013 « Janelas Abertas

    […] Bolsas no exterior pra jornalistas […]

  2. EU QUERIA ESTUDAR CURSO DE JORNALISMO MAS TOU MEIOS FINANCEIROS POR QUE O MEU PAI JA FALECEU E A MAE TAMBEN ENTAO EU FEZ 12 ANO TOU SEM FORMAÇAO EU TOU A NECETAR DA VOSSA AJUDA 6061704 EU DA GUINE-BISSAU AFRICA

  3. Thalita Juliana

    Quero muito fazer Jornalismo.. Mais tenho um pouco de medo de nao da certo essa carreira

  4. Victoria

    Oi, adorei o post! Eu queria muito saber se você tem alguma idéia de cursos de jornalismo mas para pessoas que não estão fazendo a faculdade, porque eu queria muito trabalhar na área mas também como bióloga. O que você acha??

    • Luísa Ferreira

      Oi, Victoria! Que bom que você curtiu o post :) Infelizmente não conheço cursos (pelo menos não com bolsa) pra quem não tenha experiência acadêmica ou profissional na área :/ Mas certamente se você pesquisar no Google na língua do país de destino devem surgir alguns cursos curtos e mais acessíveis… Boa sorte! :)

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