Alagoas

O que fazer em Piranhas: roteiro, passeios, onde comer, onde ficar

Alagoas | 04/07/22 | Atualizado em 11/08/22 | Deixe um comentário

Já fazia muito tempo que eu queria conhecer Piranhas, cidadezinha charmosa no Sertão de Alagoas. Além do pequeno centro histórico delicioso, do encantador Rio São Francisco logo ao lado e da atmosfera sertaneja sempre tão rica, alguns passeios famosos saem de lá, como a Rota do Cangaço e o Cânion do Xingó. Mas tem muito mais o que fazer em Piranhas além dos cartões postais.

Neste artigo vou falar sobre quando ir pra Piranhas, como chegar e quanto tempo ficar. Depois, vou dar várias dicas de o que fazer em Piranhas, incluindo passeios menos conhecidos, e compartilhar meu roteiro dia a dia. Ah, e vou dar também algumas dicas de onde comer e onde se hospedar em Piranhas.

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Quando ir para Piranhas e quanto tempo ficar

Fui em fevereiro, então o verão sertanejo estava com tudo. O calor que senti foi o único ponto negativo da viagem, mas nada que um chapéu grande, muita água e protetor solar e uns bons banhos de rio não aplacassem.

Se possível, prefira ir pra Piranhas no inverno; em junho deve ser uma delícia, com o clima de São João. Mas se tiver que ir no verão como eu, se proteja bem do sol e prefira caminhar pela cidade no comecinho da manhã e no final da tarde. Por volta do meio-dia, o lugar parecia uma cidade fantasma – não por acaso!

Passei cinco dias lá, considerando os dias de chegada e partida, e deu pra curtir tudo com calma. Recomendo ficar pelo menos três dias inteiros se quiser fazer todos os principais passeios e aproveitar o clima de interior sem pressa, mas com dois dias já dá pra ter um gostinho.

o que fazer em piranhas

Como chegar em Piranhas

Piranhas fica bem na divisa de Alagoas com Sergipe. A partir de Aracaju, são 210 km, o que dá umas 3h30 a 4 horas de carro. De Maceió são 270 km, ou aproximadamente 4h30. Outra opção é partir do Recife, que fica a 450 km, mas nesse caso são umas 7 horas de viagem.

Eu fui pra lá saindo de Aracaju, de ônibus até Canindé de São Francisco, cidade vizinha a Piranhas que fica em Sergipe, a uns 12 km de distância do Centro Histórico. São umas 4 horas de viagem desde a capital sergipana.

Chegando em Canindé você pode procurar um táxi – eu acabei pegando um mototáxi, uma van e depois outro mototáxi, mas verifique com sua hospedagem a disponibilidade de transfer ou o contato de um taxista. Outra opção melhor ainda é checar com o motorista se o ônibus vai passar por Piranhas, a caminho do destino seguinte, e descer lá mesmo.

Passei uns dias em Piranhas sozinha e depois meu pai foi me encontrar lá de carro com a esposa, saindo do Recife, onde moramos; na volta, vim de carro com eles.

O que fazer em Piranhas: meu roteiro dia a dia

Dia 1: Cheguei em Piranhas sozinha, à tarde, vindo de Aracaju. Fiz check-in na pousada Trilha do Velho Chico, fui andando pra o Centro Histórico, jantei um PF no restaurante O Casarão (não achei particularmente gostoso).

Dia 2: Passeei pelo Centro Histórico de Piranhas, subi o Mirante da Igreja Nosso Senhor do Bonfim, tomei um milk-shake no Café da Torre, tomei banho de rio na pousada, fui ver o fim de tarde no Mirante Secular (subi de mototáxi e desci a pé) e jantei no Nalva Cozinha Autoral (maravilhoso!).

Dia 3: Fiz a Trilha da Linha Férrea e tomei mais um banho de rio na pousada. Meu pai e a esposa dele chegaram de carro, vindos do Recife. Caminhamos pelo Centro Histórico, fomos no Museu do Sertão e comemos um almoço-jantar no Restaurante Flor de Cactus, no topo do Mirante Secular (fomos de carro).

Dia 4: Fizemos o passeio de barco pra Entremontes, Ilha do Ferro e Grota do Anjico em passeio de lancha voadeira privativo. À noite, vimos uma apresentação de xaxado na pracinha e jantamos no O Sertão Vai Virar Mar (bem gostoso).

Dia 5: Fizemos o passeio dos Cânions do Xingó e Gruta do Talhado em passeio privativo, saindo de manhã cedo. Almoçamos num self-service baratinho fora do Centro Histórico e voltamos ao Recife de carro.

piranhas vista do rio

O que fazer em Piranhas: atrações detalhadas

Agora que compartilhei meu roteiro em Piranhas dia a dia, vamos às informações mais detalhadas sobre cada uma das atrações. Eu não acredito em “atração obrigatória”, então recomendo que você veja cada item a seguir como uma sugestão e monte seu roteiro de acordo com sua disponibilidade, interesses e orçamento.

Centro Histórico de Piranhas

A primeira dica de o que fazer em Piranhas é simplesmente caminhar pelo Centro Histórico da cidade, que foi tombado pelo IPHAN em 2004. Não por acaso: a arquitetura é uma graça, com casas históricas coloridinhas e o Velho Chico embelezando ainda mais a paisagem.

Vale a pena dar um pulo na Orla Fluvial Altemar Dutra, a prainha do centro, de onde costumam sair dos passeios de barco da Rota do Cangaço. Ali você encontra uma estátua do cantor Altemar Dutra, cidadão piranhense.

barcos em piranhas

Dali você pode dar uma passada no Centro de Artesanato (Centro de Artes e Cultura Regional), espécie de galpão com vários vendedores. Confesso que nada chamou muito a minha atenção em termos de artesanato propriamente dito, mas você também encontra ali coisas úteis como chapéu, saídas de banho e camisas UV – não subestime o calor do Sertão!

Logo juntinho dali fica o Museu do Sertão, que funciona no prédio da antiga Estação Ferroviária de Piranhas. Ele é pequeno e bem simples; é uma pena que não cuidem mais da estrutura do local. Ainda assim, achei muito interessante.

O espaço reúne alguns itens históricos, como objetos que pertenceram a Lampião, e painéis com informações sobre a história de Piranhas e do Cangaço.

museu do sertão e torre do relógio

museu do sertão em piranhas

objetos de lampião no museu do sertão em piranhas

Dali você pode seguir até a lojinha de artesanato Giramundo, que reúne obras lindas de artesãos de Alagoas e arredores. Achei a curadoria muito boa. A loja fica em frente ao restaurante Nalva Cozinha Autoral, que me pareceu o melhor da cidade – mas vou falar mais sobre onde comer em Piranhas mais adiante.

Outra opção é ir no Café da Torre, que fica no topo da Torre do Relógio, de 1879, bem em frente ao Museu do Sertão. O prédio abrigava uma antiga caixa d’água que irrigava os arredores.

café da torre do relógio

Dali, são poucos minutinhos até a Praça do Centro Histórico, que fica bem movimentada à noite, reunindo vários restaurantes e barzinhos. Numa das entradas da praça você encontra mais uma loja de artesanato bem legal, a Cafundó.

lojinha de artesanato

É bem legal ir jantar por lá, ou comer uns petiscos com cervejinhas artesanais da região. Nos finais de semana à noite costuma ter apresentação de xaxado e bandinhas de forró.

Também recomendo muito ir caminhar sem rumo, indo além das imediações da pracinha. Você pode dar um pulo na Igreja de Nossa Senhora da Saúde, padroeira da cidade, construída no século 19 em estilo Neoclássico.

Passe também pelo Conservatório Musical Municipal; talvez você dê sorte como eu e encontre músicos ensaiando. O visual de Piranhas fica ainda mais bonito com uma trilha sonora espontânea.

Mirantes de Piranhas

Outra recomendação bem legal de o que fazer em Piranhas é ver a vista do Centro Histórico a partir dos seus dois mirantes. Um deles é o que abriga a Igreja Nosso Senhor do Bonfim, que só pode ser acessada a pé, subindo 265 degraus.

É puxado, especialmente se você cometer a loucura de subir com sol a pino como eu, mas o visual compensa muito! Vá com calma, fazendo paradas no caminho pra ir admirando a vista em etapas – a desculpa de parar pra tirar foto é sempre muito válida pra quem não está com o fôlego em dia, hehe.

o que fazer em piranhas

Outra vista linda de Piranhas é a partir do Mirante Secular, que fica no topo de uma escadaria ainda mais longa: são 365 degraus. A boa notícia é que nesse caso é possível ir de carro, pegando um acesso pela estrada antes da entrada do Centro Histórica (ou, se você já estiver no centrinho, voltando no sentido de Canindé).

Antes do meu pai chegar, quando estava sem carro, fui de mototáxi. O mototaxista Ronaldo, que conheci enquanto caminhava por Piranhas, me cobrou R$ 7 pelo percurso saindo da minha pousada. O telefone dele é 82 98875.5383.

O Mirante Secular foi construído no século XIX como uma espécie de pequeno farol pra orientar as embarcações a vapor que passavam pelo São Francisco. Lá no topo fica o Restaurante Flor de Cactus, com vistas belíssimas.

À noite, às vezes fica um cara tocando Sax no restaurante; pessoalmente, não curto muito. Ainda assim, vale demaaaais ir no fim da tarde pra ver a cidade ir se iluminando aos poucos e o céu ficar laranja lá atrás.

vista noturna de piranhas

restaurante flor de cactus em piranhas

vista do restaurante flor de cactus

Bares e restaurantes em Piranhas

Eu confesso: uma das coisas que mais gostei de fazer em Piranhas foi comer. Como já comentei acima, meu primeiro jantar por lá foi um “prato feito” no restaurante O Casarão, na Praça do Centro Histórico, mas achei meio “comida de shopping”. Mas tem outras opções na pracinha que parecem boas, sendo a mais famosa a Cachaçaria Altemar Dutra, onde não cheguei a comer.

pracinha em piranhas à noite

Felizmente, minhas outras refeições foram todas ótimas. No Restaurante Flor de Cactus, comemos uma moqueca muito boa. Era pra duas pessoas, mas alimentou bem nós três, e custou cerca de R$ 100.

Outro lugar que curti muito foi o restaurante super fofo O Sertão Vai Virar Mar, também na pracinha do Centro Histórico. Além da decoração linda, eles têm petiscos bem gostosos, como peixinhos fritos, e cervejas artesanais da região. A carta de drinks também era de dar água na boca.

restaurante o sertão vai virar mar

Mas o campeão, na minha opinião, é o Nalva Cozinha Autoral, inaugurado recentemente. O chef é de Maceió e usa ingredientes da caatinga com uma proposta inovadora. Pedi o “arroz de bode” e amei! Tem opções vegana e vegetariana e os drinks e sobremesas pareciam maravilhosos, mas não dei conta de comer.

O espaço é decorado com obras de arte lindos, a maioria à venda lá. Além disso, os funcionários foram extremamente simpáticos. Ah, e eles vendem mel, licores, molhos e outras delícias de produção própria e da região, pra levar pra casa.

Se quiser uma refeição mais em conta, na parte mais alta da pracinha geralmente ficam barraquinhas de tapioca, hambúrguer e outros lanches. Outra opção é pedir um PF pelo iFood; tem restaurantes com comida caseira com ótimo custo-benefício. Ah, e se quiser ir de carro até Piranhas Nova, a parte “não turística” da cidade, você também encontra vários restaurantes baratinhos. Peça recomendações aos moradores!

Trilha da Linha Férrea

Não tinha encontrado essa dica em nenhuma das minhas pesquisas sobre o que fazer em Piranhas, mas adorei. A Trilha da Linha Férrea começa bem ao lado da Pousada Trilha do Velho Chico, onde me hospedei; é só pegar a estradinha pra direita, em vez de entrar à esquerda pra acessar a pousada.

O percurso é bem demarcado, sem elevação ou bifurcações. Achei muito tranquilo de fazer sozinha, mas é bom sair cedinho porque a maior parte do percurso é sem sombra e o sol castiga.

No caminho você passa por uma mini capela muito fofa e vai margeando o Velho Chico, sempre belíssimo! Fui até a altura do restaurante O Lampião e voltei; ao todo, levei pouco mais de meia-hora.

pequena capela na trilha

rio são francisco visto da trilha

o que fazer em piranhas - trilha da linha férrea

Povoado Entremontes

Esse atrativo e os dois seguintes você pode conhecer num só passeio de barco, como eu fiz. Contratei o barqueiro Carlinhos pra um passeio privativo de dia inteiro (saímos umas 9h e voltamos umas 16h30) com paradas nos povoados de Entremontes e Ilha do Ferro e no Espaço Angicos, onde fizemos a trilha até a Grota do Angico. Esse é o passeio conhecido como Rota do Cangaço. Carlinhos tem uma lancha voadeira e é bem pontual e profissional; o Whatsapp dele é 82 98728.5158.

passeio de barco rota do cangaço

Navegar pelo São Francisco já é uma delícia por si só, mas as paradas também foram todas lindas! Começando por Entremontes, um povoado histórico onde teve início a ocupação de Piranhas. O lugar também é conhecido porque Dom Pedro II ficou hospedado lá quando seu navio encalhou no leito do São Francisco.

Entremontes é famoso pelos bordados, principalmente o chamado “rendendê”, mas também o “ponto de cruz” e o “boa noite”. Lá você encontra várias lojinhas que vendem peças bordadas e outros artesanatos, além de uma cooperativa de bordadeiras onde pode comprar as peças e aprender um pouco sobre a importância do bordado pra cidade.

bordado em entremontes

loja de artesanato no povoado de entremontes em piranhas

Mas o que eu mais gostei foi caminhar pelo povoado, admirando as casinhas muito fofas, uma igreja minúscula dedicada ao Padre Cícero e a vidinha de interior, com cadeiras de balanço em todas as casas e até uma bandinha ensaiando pra as festas do fim de semana. Uma delícia!

Adorei, também, refletir sobre a importância do Rio São Francisco pra quem vive às suas margens. Afinal, o rio é fonte de alimento, trabalho, transporte, lazer… É vida!

Como dizia um textinho na cooperativa, “Os homens vivem dos ofícios ligados à terra ou à água. São pequenos agricultores e produtores, agropastoris, vaqueiros, comerciantes, pescadores, barqueiros e construtores de barcos. Acorda-se muito cedo pra pescar ou trabalhar na roça. À tarde, quando o sol é muito quente, arrumam-se as redes ou joga-se dominó. A grande intimidade dos moradores de Entremontes com o rio ultrapassa as relações de trabalho e se estende ao lazer, seja para brincar, lavar-se, namorar, encontrar os amigos ou se refrescar num banho de fim de tarde”.

povoado de entremontes em piranhas

pequena igreja no povoado de entremontes

Povoado Ilha do Ferro

De lá, seguimos pra outro povoado que eu queria muito conhecer: a Ilha do Ferro. Esse é um importante polo de arte popular brasileira, com foco no artesanato em madeira e na renda “boa noite”.

Assim como Entremontes, o povoado em si também é uma graça, com casinhas coloridas (muitas das quais são ateliês) e uma atmosfera acolhedora. O que eu mais gostei de fazer por lá foi sair caminhando por aí e me embrenhando nos ateliês. Era só chegar na porta pra o pessoal começar a contar história.

Além disso, o barqueiro Carlinhos nos levou até a casa do mestre Aberaldo, um dos mais conhecidos por lá, que tem peças vendidas Brasil e mundo afora. Fomos muito bem recebidos por lá, com direito a suco pra aplacar o calor. Nos fundos do ateliê dele funciona uma pequena pousada muito gracinha, bem organizada e confortável. Ah, e também dá pra combinar de almoçar lá.

o que fazer em piranhas - ilha do ferro

o que fazer em piranhas - ilha do ferro

Rota do Cangaço: trilha até a Grota do Angico

A terceira e última parada do dia foi no ápice da chamada Rota do Cangaço: o Espaço Angicos, uma das bases pra conhecer a Grota do Angico, onde Lampião e seu bando foram emboscados e mortos.

Tem um restaurante bem grande lá, com uma área delimitada onde é seguro tomar banho de rio, além de redes dentro e fora d’água. Almoçamos moqueca, mais uma vez, e assim como no Flor de Cactus custou uns R$ 100 e foi suficiente pra três pessoas comerem bem.

espaço angicos em piranhas

espaço angicos em piranhas

Lá no restaurante você pode fazer a trilha guiada até a Grota do Anjico, pagando R$ 20 por pessoa. Sai um grupo a cada hora; fomos no das 15h, que era o último do dia, pra dar tempo de almoçar com calma e pra evitar o sol mais forte.

O passeio começa na casa de taipa de Pedro Cândido, que era coiteiro de Lampião (coiteiros eram as pessoas que davam abrigo e comida aos cangaceiros). Acredita-se que Pedro tenha sido torturado até revelar o paradeiro de Lampião. Na casa você encontra alguns objetos que pertenceram a ele e reproduções de fotografias da época.

casa de pedro cândido

A trilha só tem 680 metros, sendo uns 200 metros de subida. Achei fácil pra quem não tem limitações de saúde, mas é bom se proteger do sol. Recomendo ir de tênis, mas dá pra fazer de sandália.

Essa trilha feita pela primeira vez em 1938 por volantes (grupos policiais) de Alagoas. Na época, a vegetação era totalmente fechada, e eles tinham que usar facão e foice pra percorrer em três a quatro horas o caminho que hoje a gente faz em meia hora.

O percurso é guiado por uma guia local caracterizada como cangaceira. Nossa guia era de Entremontes e apaixonada pelo assunto, o que tornou a experiência muito rica. Ela relatou conversas que teve aos 12 anos com ex cangaceiros, por exemplo, e falou sobre os vários lados da complexa história do Cangaço. Geralmente a trilha dura uma hora, mas como nosso horário era o último e nos empolgamos nas perguntas, ficamos quase duas horas.

Também dá pra fazer a trilha da Grota do Angico saindo de outro restaurante e complexo de lazer chamado Ecopark. Segundo me disseram, essa empresa pertence a um grande empresário que tentou comprar a Fazenda Angicos, não conseguiu e abriu uma concorrência. O contexto histórico é o mesmo e o percurso é parecido. Boa parte das terras de Angico ainda está no comando da terceira geração de Pedro Cândido e outra parte é uma reserva.

Se não quiser ou puder fazer um passeio de barco com paradas em Entremontes e Ilha do Ferro (que recomendo muito!) você pode ir direto no Ecopark ou no Espaço Angicos. Acredito que a opção mais barata é fazer um passeio de catamarã, que sai do atracadouro de Piranhas e chega no restaurante em cerca de 30 minutos.

Cânions do Xingó

Outro passeio que faz a fama de Piranhas tem seu ponto de saída na cidade vizinha, Canindé de São Francisco. Trata-se do passeio pelos Cânions do Xingó, que pode ser feito em catamarã ou lanchas de diferentes tipos.

passeio dos cânions do xingó

Como queríamos ir e voltar cedo, pra pegar a estrada de volta ao Recife no mesmo dia, também fizemos esse passeio com um barco privativo (lancha voadeira), com o barqueiro Carlinhos.

Tomamos café da manhã bem cedinho e chegamos no ponto de saída, que fica próximo ao restaurante Karrancas, umas 8h da manhã, depois de cruzar a ponte que separa Sergipe e Alagoas. Amei demais a vista do Velho Chico a partir da ponte!

Foram uns 40 minutos de barco até chegar nos Cânions. No caminho, o barqueiro foi nos mostrando várias pedras com formatos inusitados e algumas imagens de santos apoiadas nas rochas. Ele também explicou que essa atração não existe há muito tempo: foi só com a construção da hidrelétrica de Xingó que a área ficou alagada por um braço do São Francisco.

Depois de um percurso bem bonito admirando os cânions, paramos numa plataforma flutuante onde pagamos mais R$ 20 por pessoa pra fazer um mini passeio num barco menor.

O destino era a linda Gruta do Talhado, em que os paredões de rochas parecem ter sido talhados à mão. Esse trecho é famoso porque em dias de sol a água fica beeeem verde e o ambiente tem uma atmosfera meio mágica (e talvez por ser “instagramável”), mas o passeio é rapidinho: são 15 minutos.

gruta do talhado

E aí voltamos pra o flutuante, onde uma parte do rio fica protegida pra não passarem bichos e dá pra tomar banho, tipo uma piscina. São 9 metros de profundidade, mas tem colete salva-vidas e macarrão à disposição e também uma “piscina” menor, com 1 metro de profundidade, pra crianças ou quem não saiba nadar.

passeio dos cânions do xingó

passeio dos cânions do xingó

Como saímos cedo, fomos os primeiros a chegar por lá e tive a piscina só pra mim por um tempo. Achei muito bonito e adorei ter mais uma oportunidade de me banhar no Velho Chico, mas confesso que o passeio dos Cânions do Xingó foi o que menos me impactou dentre os rolês que dei em Piranhas.

Jamais faria um bate-volta desde Aracaju ou Maceió só pra esse passeio, como várias agências vendem (são umas 3 a 4 horas por trecho). E sem barco privativo você fica à mercê dos horários das agências; amigas que foram de catamarã falaram que encontraram a piscina de rio lotada e barulhenta, bem diferente da atmosfera de tranquilidade que eu tive a sorte de curtir.

Como tínhamos hora pra voltar, voltamos dali pra Piranhas, mas geralmente esse passeio inclui parada pra almoço em algum dos restaurantes à beira do rio, como o Show da Natureza e o Castanho.

passeio dos cânions do xingó

Pelo que pesquisei, indo numa lancha compartilhada ou catamarã esse passeio dos Cânions custa hoje (2022) de R$ 100 a R$ 200 por pessoa, dependendo do tipo de barco e duração do passeio.

Com Carlinhos, na lancha privativa, os valores atuais são R$ 175 por pessoa com um mínimo de 4 pessoas ou R$ 700 pela lancha, se tiver menos gente.

Outro atrativo que costumava estar incluído nesse passeio é o Vale dos Mestres, sítio arqueológico com uma baía gostosinha no final. Infelizmente, o acesso foi fechado pelo Ministério Público indefinidamente, porque tinha gente indo de lancha, fazendo festa sem noção e prejudicando o meio ambiente. Uma pena!

Outros passeios em Piranhas

Gostou dessas dicas de o que fazer em Piranhas? Isso tudo foi o que eu fiz, mas tem mais! É possível, por exemplo, visitar a Usina Hidrelétrica de Xingó, numa visita guiada que dura em torno de uma hora e inclui um vídeo explicando o surgimento da usina, uma maquete, e visita pelas áreas interna e externa.

Perto da saída do Restaurante Karrancas fica o Museu de Arqueologia de Xingó, que não consegui conhecer, mas parece uma ótima opção pra quem sai de carro do atracadouro depois do passeio dos cânions. O museu é da Universidade Federal de Sergipe e foi inaugurado em 2000, reunindo peças de arte rupestre, esqueletos e utensílios descobertos durante pesquisas em sítios arqueológicos da região.

Além disso, as agências de receptivo local oferecem um passeio pra ver o pôr do sol em frente aos Cânions e visitação a dois Sítios Arqueológicos, onde você encontra gravuras rupestres feitas entre 3 mil e 9 mil anos A.C.

Outra atração na região é a Trilha Vale dos Mestres: o início da trilha fica a cerca de 30 minutos de carro do centro de Piranhas. São 2,6 km de trilha ida e volta, com duração de 3h a 4h e dificuldade moderada. Tem também a Trilha Cachoeira do Lajedão, com cerca de 2km de nível leve, caminhando às margens do riacho da Cachoeira do Lajedão, onde dá pra tomar banho e fazer rapel.

Pra mais informações sobre passeios em Piranhas você pode entrar em contato com agências como a Lampião Tour e a Candeeiros Tour. Não usei os serviços de nenhuma das duas, mas parecem bem profissionais.

E se não quiser fazer reserva antecipada, pode se informar e agendar ao chegar em Piranhas. Na sua hospedagem certamente vão saber indicar empresas de confiança. Além disso, na Praça do Centro Histórico eu sempre via à noite alguns representantes de agências oferecendo os tours. Ah, e já mencionei acima o contato do barqueiro que contratei pra os passeios privativos, mas segue novamente: Carlinhos, Whatsapp 82 98728.5158. Se puder, comente que veio através de Luísa do Janelas Abertas. :)

Onde ficar em Piranhas

Uma dica pra quem está planejando uma viagem pra Piranhas é reservar sua hospedagem com antecedência, especialmente em períodos de férias e feriados e se você for sem carro ou tiver alguma restrição de mobilidade.

A oferta de pousadas e hotéis com bom custo-benefício não é tão grande e algumas podem ser barulhentas com o agito do Centro Histórico, ou ficam mais afastadas, ou exigem subir e descer muitos degraus.

Como mencionei algumas vezes no artigo, minha escolha de onde ficar em Piranhas foi na Pousada Trilha do Velho Chico e amei. Ela fica a cerca de 1km da Praça do Centro Histórico, por uma estrada de terra que fica escura à noite, mas é bem tranquilo pra ir de carro e quando estava sozinha fui andando numa boa também.

Amei demais o ambiente, o café da manhã, a piscina com vista pra o rio, os animais vindo visitar e principalmente o acesso fácil pra tomar banho no Velho Chico. É um lugar super tranquilo e silencioso; ficar lá já valeu a viagem.

pousada em piranhas

pousada em piranhas

Outra opção de hospedagem em Piranhas com ótima reputação é o Hotel Pedra do Sino, que tem uma vista deslumbrante a partir da área da piscina. O hotel é muito elogiado, com nota média de avaliação dos hóspedes 9,3. Um amigo já ficou lá e adorou! No entanto, atente-se ao fato de que ele fica lá no topo do Mirante Secular, então pra ir até o Centro Histórico você precisa de carro (ou de muita disposição pra subir a escadaria na volta, ou então pegar um táxi ou mototáxi).

Se você busca algo mais em conta, vale conferir a Pousada Porto de Piranhas, bem junto do centrinho. É essa que aparece do lado direito na foto abaixo. Passei por lá e achei bem simpática e muito bem localizada, especialmente pra quem gosta de fazer tudo a pé; ao mesmo tempo, não fica tão perto da pracinha ao ponto de ficar barulhenta. Eles também têm uma varanda com vista pra o rio, que deve ser linda.

pousada porto de piranhas

Caso prefira um hotel com estrutura mais padrão, uma opção é o Hotel Dunen, muito bem avaliado. Ele fica em Piranhas Nova, mas se estiver de carro é fácil chegar ao Centro Histórico e principais atrações de Piranhas. Além disso, ele tem padaria, farmácia, restaurantes mais baratos e outras lojas nas imediações; na parte mais turística é difícil encontrar esses serviços.

Também me recomendaram o Hotel São Francisco, que parece ter uma área comum agradável. O café da manhã é bem elogiado.

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