Colômbia

Guia da Ilha de San Andrés: Caribe barato e tranquilo

Um caribe sem frescura e glamour, mas cheinho de comidas deliciosas, águas turquesas, peixinhos e alto astral. San Andrés, na Colômbia, parece bem meu tipo de praia. Tanto que fiquei acompanhando atentamente a viagem que a amiga Camila Lemos, ilustradora e criadora da marca Proa, fez pra lá em janeiro. Os posts dela no Instagram foram tão informativos que não me aguentei e pedi pra trazer as dicas todas aqui pra o blog. Com a palavra, então, Camila:

Tudo sobre a ilha de San Andrés

San Andrés é uma ilha simples. Já estive em Cancun, Playa del Carmen e Cozumel e nem de longe SA tem a mesma infraestrutura. Não existe o glamour do Caribe dos cruzeiros, então se é isso que você quer sugiro Turks and Caicos ou Cancun. San Andrés é canga na areia, comida fresca e ruas de terra.

Como chegar

San Andrés é uma ilha colombiana, apesar de estar mais pra cima, a 700km da costa do país. Tem várias formas de chegar, mas quando estive lá em 2016 e em 2018, saindo do Recife, usei duas: a primeira foi com a Copa Airlines, direto pra o Panamá e de lá pra San Andrés, tudo lindo e confortável. A segunda foi de Avianca no voo novo do Recife pra Bogotá, e de Bogotá pra SA de low cost. Não foi tão confortável, mas foi barato.

Pra fazer o trecho de Bogotá a San Andrés você pode comprar as passagens diretamente pelo site das companhias aéreas, com cartão internacional e moeda em dólar ou peso colombiano. As companhias que conheço são Viva Colombia (que tinha passagens por cerca de 40 USD por trecho), Wingo (25 USD por trecho) e Latam Colombia (40 USD por trecho). Comprei ida de Latam Colombia e volta de Viva Colombia por causa dos horários que queria e gastei 85 USD com os dois trechos.

Fique ligado: se for por Bogotá não é necessário passaporte, apenas RG, porque o país faz parte do Mercosul, mas se for pelo Panamá, precisa de passaporte. Além disso, vale lembrar que a Colômbia exige certificado de vacina de febre amarela, então tem que procurar um posto de saúde pra tomar a vacina (em dose única, não serve a fracionada) e tirar o certificado internacional.

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Clima 

O clima sempre é quente, mas em janeiro (apesar de verão) chove bastante. Choveu quase todos os dias em que estivemos lá, ainda que por períodos curtos, mas uma semana antes teve uma frente fria e chuva todos os dias. Só que os ventos de janeiro são fortíssimos, então as águas não estavam tão calmas. Nada que estragasse o paraíso, mas em 2016 fui em março e além de não pegar nenhum dia de chuva, as águas estavam bem mais calmas. Acho uma ótima época pra ir.

o que fazer em san andrés

Preços e comidinhas

Existem opções pra todos os bolsos, mas no geral os preços em San Andrés são muito amigos comparados a outras praias do Caribe. Come-se superbem com R$ 15 ou R$ 25. Por R$ 35 você pede pratos de frutos do mar luxuosos. Por menos de R$ 15 é possível comer lanches locais, com destaque pra as empanadas de vários sabores, incluindo lagosta (R$ 6 em qualquer lugar).

Os pratos são uma mistura típica de pescado, arroz (de coco ou branco) e patacón ou fruta de pan. Também há os “risotos”, que podem ser de caranguejo, lagosta, polvo, etc. Como SA é uma ilha de pescadores, tudo é muito fresco. Há opções de comidas veganas também. As bebidas típicas são as limonadas (de coco, de cereja, de morango, etc), e também uma mistura alcóolica chamada Cocoloco. Não sei muito bem o que ela leva, mas tem água de côco e licor. Não pense que ela é fraca, pois os efeitos vêm depois. hahaha.

Cerveja em bar/restaurante é cara, então todo mundo anda com sua bolsinha térmica com cerveja comprada no supermercado. Não tenha medo de ser farofeiro, porque lá é normal. Inclusive é sempre bom levar um sanduíche na mochila para passeios maiores. Não que eu não seja farofeira sempre, mas ok. ;)

cerveja e nachos com guacamole em san andrés

coco em san andrés

empanada de lagosta em san andrés

Os passeios também são acessíveis. Enquanto em outras praias paradisíacas se paga em dólar, em San Andrés a maioria custa em torno de R$ 25 a R$ 30. Há passeios mais caros, como “voar pelo mar” ou “tirar foto com as arraias”, mas esses eu não faço, não sei quanto custam e sou contra perturbar a arraia. #deixaelaempaz.

Se você não quiser pagar nenhum passeio, ainda assim está com os pés no paraíso. Pega carona ou ônibus e vai ser feliz sem barco, pois as praias da ilha principal são lindas e já valem a viagem. Quase todas as ilhotas e atrações possuem banheiros e o acesso geralmente custa por R$ 3.

A taxa mais cara que se paga é a “tarjeta turismo” pra entrar na ilha, que deve ser comprada no embarque pra San Andrés. Quando fui de Copa Airlines paguei em dólar no Panamá, e de Latam paguei 108.000 pesos colombianos (cerca de 40 USD). Na saída de Bogotá não é aceito pagamento em dólar, só pesos colombianos ou cartão de crédito.

Lá é zona livre de impostos, mas não sei quanto custam equipamentos eletrônicos, porque não comprei nada. Só comida, aí sei tudinho: o abacate é R$ 2 e os nachos R$ 8. Fica a dica: leve um tupperware pra fazer guacamole e levar pra praia. Chegando lá compre nachos no supermercado e vá ser feliz!

Onde se hospedar

A ilha é bem pequena e tem uma parte central onde se faz tudo a pé. Tem um calçadão pra caminhar, uma praia linda em frente e muitos restaurantes e bares. É do centro também que partem os passeios de barco de tours para as ilhotas. Essa é a melhor região pra se hospedar se você quer fazer tudo a pé. O centro fica entre o aeroporto e a ponta norte da ilha e no restante tem praias lindas para explorar, sendo muito fácil dar a volta na ilha.

Acredito que hospedagem é o item mais caro por lá. Alguns lugares que conheço e recomendo, pertinho do centro, são o El Viajero Hostel (R$ 91 por cama em dormitório), o Hostal Posada San Martin (R$ 141 por quarto duplo), o Airbnb Tu Casa en el Mar (R$ 166 por quarto duplo), o Villa San Miguel (R$ 272 por quarto duplo), o Hostal Mar y Mar, que fica a 20 minutos andando (R$ 220 por quarto duplo) e o hotel Molino de Viento, no calçadão principal (R$ 380 por quarto duplo). Lembrando que os valores são os que encontrei em fevereiro de 2018, pra datas aleatórias, e podem mudar pra o dia da sua viagem. Veja aqui outras opções de hospedagem em San Andrés.

centro turístico da ilha

Como circular pela ilha

Alugamos um carrinho de golfe que anda a 30km/h e fomos parando onde queríamos. O aluguel durante um dia custa hoje 150.000 pesos (cerca de R$ 180) e nele cabem até 4 pessoas. É preciso mostrar a habilitação brasileira para alugar, então não esqueça a sua. É permitido estacionar em qualquer lugar exceto no centro e a ilha é bem segura.

Mas essa não é a única opção pra circular por lá: além do carrinho de golfe é possível alugar um carrinho mais potente, pagando-se mais caro. Outra opção é o ônibus: a passagem custa R$ 3 e para em todos os pontos da ilha, o que é ótimo para quem viaja só. O ruim é esperar o ônibus chegar, mas de férias não tem estresse, né? É só sentar na calçada e esperar. Os ônibus param em qualquer lugar.

Tem também um tour de bus pela ilha por cerca de R$ 30 que para em todos os pontos, mas no tempo do grupo. E dá ainda pra alugar bike ou pegar carona. Os trajetos são lindos e dá pra conhecer tudo em um dia, mas o melhor é curtir com calma ou voltar depois nos lugares que você mais gostou. Fizemos assim e deu super certo. Alugamos um carrinho pra primeira volta, e no dia seguinte voltamos de ônibus pra lugares específicos que quisemos repetir.

carrinho de golfe em san andrés

ilha de san andrés

O que fazer em San Andrés

A praia principal é Spratt Bay. É central, na frente do calçadão principal, e todo mundo leva a canga, algum jogo, um cooler com bebidas e passa o dia por lá. Você só verá as pessoas indo embora com o por do sol. É nessa praia também que tem aluguel de jet ski, caiaque ou parasail. Não fiz nenhum (preferia curtir a praia com o snorkel), então não sei os preços exatos. Mas é fácil saber por lá. No centro da ilha dá pra comprar aqueles sapatinhos pra não machucar o pé nas pedras, por R$ 15, e snorkel por R$ 30. Leve eles pra todos os passeios.

praia spratt

De barco fomos até El Acuario. O percurso dura 10 minutos e custa cerca de R$ 18. É um dos mares mais lindos. Um banco de areia no meio do mar e um azul inacreditável. As águas são rasas, mas ficam fundas a medida que você se afasta do banco de areia. O nome El Acuario se dá por conta dos peixes que vivem pela área, e eles só são vistos com snorkel e óculos.

acuario

De lá você pode ir a pé pra outra ilhota chamada Haynes Cay, onde há uma grama verde e sombras de coqueiro pra estender a canga e comer algo. Você pode levar algo na marmita, ou pedir um prato típico em uma restaurante da ilhota. Geralmente eles custam uns R$ 30 e são compostos de pescado, arroz e patacón.

Outra ilhota linda é Johnny Cay, que se vê a partir da praia principal. Em menos de 10 minutos de barco você chega la, a um custo de R$ 22. Nessa ilhota a água é mais forte, mas ela é linda, tem iguanas supercoloridas e mais um azul inacreditável (San Andrés é conhecida pelo seu “mar de sete cores”, então entende-se de onde vem esse título). Em Johnny Cay há muito espaço pra deitar, dormir e ler um livro. Sombra e água fresca não faltam. Aliás, falando em água, as barracas vendem bebidas de todos os tipos, incluindo os drinks típicos de San Andrés, como o Cocoloco.

johnny cay

Dando a volta pela ilha, você chega ao outro lado (oeste), que é um lado que não tem “praia”, mas tem mar. Com águas calmas, é possível descer direto no mar pra fazer snorkel (fizemos isso em 2016). Com os ventos fortes e águas agitadas, dessa vez isso não foi possível, mas seguimos pra as atrações que tinham o acesso ao mar facilitado.

O primeiro deles é West View, onde paga-se uma taxa de preservação de R$ 5 para entrar. O acesso ao mar é feito por escadinha e é bastante fundo. Para quem não sabe/quer nadar, há aluguel de coletes a R$6. Dá pra ver todo o mar embaixo com snorkel. A água é muito azul e transparente, e há muitos peixes.

west view

Outro lugar lindo é a Piscinita, parecido com o West View, mas mais calmo. Também tem taxa de R$ 5. Nesta atração, há um pequeno restaurante que serve snacks e sucos de fruta para repor as energias gastas no mar.

piscinita

Seguindo com o passeio ao redor da ilha, outra praia que vale conhecer é a Playa San Luis. Quando fomos em 2016 estava supercalma, uma piscina. Dessa vez o mar estava bem forte, então sentamos em um restaurante e esperamos por umas 3 horas até a maré baixar enquanto almoçávamos. Vale a pena. A medida que as horas vão passando a areia vai ficando cheia de cangas e a água super transparente. A hora mais bonita dessa praia é a tarde, quando o mar tem a melhor iluminação por conta da posição do sol. Chegando cedo, você consegue uma sombra de coqueiro.

playa san luis

Terminando o tour pela ilha chega-se a Rocky Cay, uma praia que fica em frente a uma ilhota que dá seu nome, e possui um naufrágio de navio (você verá vários por San Andrés). Dá pra ir caminhando pela água da praia até a ilhota, e vale a pena carregar o snorkel (como sempre). Nesta praia, a água é mais verde e um pouco menos transparente, mas linda.

Mais dicas sobre San Andrés

Essa foi a nossa segunda vez em San Andrés e definitivamente queremos voltar. É um local seguro, pequeno, autêntico e receptivo, além de estar a poucas horas de voo daqui. Faz-se tudo a pé e com tranquilidade. As distâncias dos passeios de barco são curtas, e pra quem não gosta de barco, é possível curtir a as praias e atrações da ilha principal.

Há muitos turistas latinos, principalmente argentinos e os próprios colombianos, então espanhol é o idioma mais falado por lá. A comunicação é fácil, pois a maioria das pessoas que lida com turistas entende o “portunhol”. Além disso, o segundo idioma da ilha é o crioulo, de base inglesa, então o inglês também é compreendido por muitos locais.

Vimos muitos jovens solteiros, casais em lua de mel e famílias com crianças. A impressão é que San Andrés é pra todo mundo que gosta de relaxar na areia e mergulhar em águas transparentes e azuis. Assim, simples e prático.

Ah, a água da ilha é proveniente de processo de dessalinização, por isso é “salobra” e não recomendável para consumo. Encontrar chuveiro com água quente nas pousadas também não é comum, mas a temperatura natural da água é morna. Porém, alguns lugares possuem água quente, como o Hostal Mar y Mar, onde me hospedei das duas vezes que fui.

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5 Comentários

  1. Amei tanto esse post e esse destino que tive que deixar um comentário! <3
    Já quero conhecer, sério! Sou fascinada por destinos de praia.
    Beijos,

    Priih

    • Também amei muito o destino, fiquei doida pra conhecer! :) Já coloquei no calendário de viagens do ano que vem, hehe. Um abraço!

  2. victor

    Luisa, bom dia,
    Estou indo agora dia 20/03 em lua de mel, gostaria de saber se é melhor trocar dinheiro lá ou aqui no Brasil, e qual a melhor opção dólar ou peso?
    Obrigado, post ficou super bacana!
    Abraços

  3. Camila

    Olá boa tarde é possível me dizer qual o valor da taxa de entrada na ilha ?

    • Oi, Camila! Tua xará explicou no post: “A taxa mais cara que se paga é a “tarjeta turismo” pra entrar na ilha, que deve ser comprada no embarque pra San Andrés. Quando fui de Copa Airlines paguei em dólar no Panamá, e de Latam paguei 108.000 pesos colombianos (cerca de 40 USD).”

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