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Como cuidar dos cachos em viagens

Dicas Práticas | 29/11/18 | Atualizado em 03/01/19 | 2 comentários

“Cabelo cacheado dá trabalho”, dizem por aí. Será mesmo? Dá mais trabalho que ir no salão regularmente, usar produtos químicos que fazem mal, não poder molhar de chuva, mar ou piscina ou precisar usar secador depois de cada lavagem? Nem sempre é tanto trabalho assim, vai! Mesmo na estrada.

Vez ou outra, uma leitora me pergunta: “como cuidar dos cachos em viagens?”. E sempre deixei esse assunto no fundo da gaveta de possíveis pautas.

Mas depois de ouvir uma mulher dizer que não deixava os cachos naturais porque viaja muito e “seria trabalhoso demais” e de uma leitora me procurar porque vai viajar em meses e já tá preocupada e “paranoica” com isso, resolvi tirar o assunto da gaveta. :)

Antes de mais nada, vou contar sobre minha relação com o cabelo cacheado, pra contextualizar a forma em que lido com eles agora. Se quiser ir direto pra as dicas, role o post pra baixo!

viagem para nova york

Minha história com os cachos

Não sou cabeleireira, muito menos especialista em cachos, mas carrego ondinhas na cachola desde que me entendo por gente. O que não significa, vejam só, que sempre exibi meus cachos por aí. Muito pelo contrário, aliás.

Como muitas outras mulheres, passei a vida ouvindo que cabelo cacheado era bagunçado, feio, ruim. Desejando ter o cabelo “fácil” das minhas amigas. Detestando ir ao salão de beleza porque isso significava, quase que invariavelmente, ouvir “mas por que você não alisa?” de gente que nem me conhecia.

Eu não sabia como lidar com meu cabelo. Não sabia que corte ficaria melhor, como cuidar, como prender. Felizmente não alisava, porque sempre achei que ficaria muito artificial, mas escolhia uma solução não muito melhor: prender o cabelo, muitas vezes ainda molhado, numa espécie de híbrido estranho entre rabo de cavalo e coque baixo.

Minha mãe e minha tia diziam sempre: “solta esses cachos! Libera esse volume! Cacho é um arraso!”. O que é um privilégio, frente a tantas mães que obrigam meninas de cinco anos a fazer alisamento. Mas não era suficiente pra me fazer criar a autoconfiança necessária pra ir contra os padrões. Via meu cabelo como algo de que me envergonhar, e até hoje encontro partes dessa concepção lá no fundo de mim.

Foi só no meio da faculdade, uns 10 anos atrás, que tomei coragem. Fui num dos poucos cabeleireiros no Recife que, na época, eram conhecidos por levar jeito com cabelos encaracolados.

Cortei curto e fiquei usando solto pela primeira vez na vida, ainda que nunca conseguisse arrumar os cachos da mesma forma em que o moço fez no salão. Uma amiga que me conhece desde essa época comentou recentemente: “mulher, naquela época tu desabrochou”.

Não se engane: eu ainda era bem brega. Usava uns diademas (tiaras) meio uó, dividia o cabelo sempre no meio e às vezes fazia uns cortes curtos demais pra meu rosto. Mas com o tempo, e principalmente com o movimento de valorização dos cachos que tem rolado nos últimos anos, fui entendendo melhor como meu cabelo funciona.

Ainda tenho muito a aprender sobre cuidados e arrumação, principalmente porque não me importo tanto com isso. Não tenho paciência pra testar oito mil produtos, passar horas na frente do espelho experimentando penteados ou mesmo me preocupar muito com a aparência do cabelo antes de sair de casa.

Mas acredito que, ainda assim, consigo ficar com uma aparência decente na maior parte do tempo. Às vezes até bonitinha, vai. E, nesse jeitinho, vou aprendendo a cuidar dos cachos em viagens sem me estressar.

Se você quer informações profissionais ou procura conselhos pra ficar sempre DIVA, pode parar de ler esse post. Mas se pensa que pode ser útil ler dicas práticas com base na experiência de uma cacheada que passa tanto tempo viajando quanto em casa, continua aí!

Ah, a quem interessar possa: meus cachos são predominantemente do tipo 3B, tenho MUITO cabelo e os fios são grossos, de acordo com minha cabeleireira, Carol Borba.

Como cuidar dos cachos em viagens

De maneira geral, minha forma de cuidar dos cachos em viagens não é tão diferente do que faço no dia a dia em casa: faço um pseudocronograma capilar, uso finalizadores e seco com uma toalha de microfibra. Mas existem, sim, algumas particularidades da vida na estrada, que vou abordar a seguir.

E tem uma dica simples que faz diferença: deixar os cabelos bem cuidados antes de viajar. Nas semanas que se antecedem a uma longa viagem, tento dar uma atenção extra aos fios, pra que eles lidem melhor com as mudanças de clima e redução de cuidados do período seguinte.

cabelo solto em san diego

Tratamento

Sabe o “pseudo cronograma capilar” que mencionei acima? Falo “pseudo” porque não sigo um calendário certinho e só o que faço com frequência é hidratação, mas de vez em quando também uso produtos de nutrição e reconstrução.

Isso significa que vou levar na mala ou mochila aqueles potes gigantes de produtos de tratamento pra cuidar dos cachos em viagens? Não mesmo! Tenho tentado viajar cada vez mais leve – e super recomendo.

Quando a viagem é curta (até umas duas semanas), tento cuidar bem dos fios antes de partir e deixo pra tratar de novo na volta. Mas quando o mochilão é longo, como o que fiz pela Europa ano passado durante quatro meses ou mesmo meu rolê de um mês pelo México esse ano, tento dar uma atenção extra aos cachos durante a trip.

Pra isso, é só levar cremes de tratamento em versão pequena. Valem aquelas ampolas de ação intensiva, envelopes de óleo de coco vendidos nas lojas de cabeleireiro e também potinhos plásticos de viagem, que preencho com produtos que já tenho em casa.

E na prática, como eu faço? Quando tenho certeza de que vou poder lavar o cabelo no dia seguinte, aplico óleo de coco antes de dormir. E quando sei que vou estar numa hospedagem onde posso passar mais tempo no banheiro (ou seja, quando não tem poucos banheiros pra muita gente), aproveito pra fazer uma hidratação.

cachoeira na chapada diamantina

Finalizadores

Felizmente, as marcas brasileiras de produtos pra cabelo se ligaram no super filão das cacheadas e não param de lançar itens pra esse público. Viajando pelo Brasil, costumo encontrar finalizadores legais mesmo nas farmacinhas mais capengas de cidades pequenas. Mas no exterior, nem sempre é tão fácil.

Em muitos países europeus, não encontrei quase nenhuma opção de creme pra pentear; só espumas, géis e pomadas. E mesmo nos EUA, onde cheguei a pensar que faria uma “feira” de produtinhos chiques, tive dificuldade de achar opções que não deixassem o cabelo pesado.

Por isso, abro mão de outras coisas pra incluir mais finalizadores na bagagem. Costumo levar embalagens menores de shampoo e condicionador, que posso repor mais facilmente em qualquer lugar, e deixar mais espaço/peso reservado pra os produtos que sofro mais pra substituir.

E outra dica é apostar em produtos coringa. Um exemplo é o Yamasterol, que serve tanto como condicionador quanto como finalizador. Além disso, ele tem uma composição leve, podendo ser usado também no day after, pós-praia e tal.

Ele ainda é baratíssimo e é vendido em versão de 90g, que é perfeita pra viagens sem despachar bagagem e pra deixar na bolsa de praia. E a embalagem pode ser reabastecida depois, de forma mais ambientalmente amigável.

Leia também:
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Secando o cabelo

Não costumo secar o cabelo com secador em lugar nenhum, então nem me preocupo com isso quando vou viajar. Até porque nem sempre fico em hotéis, nem gosto da ideia de ter que carregar um secador comigo. Sem falar que encontrar um difusor num banheiro aleatório tá mais difícil que dar de cara com um unicórnio, né?

Por isso, tento não lavar o cabelo à noite e secar o excesso com toalha mesmo, naquele movimento de baixo pra cima.

Minha toalha de viagem é daquelas que secam rápido, feita de microfibra, então o problema da toalha comum que gera frizz tá resolvido. Se não for seu caso, vale levar uma toalhinha pequena de microfibra ou uma camisa velha de algodão pra secar os cachos.

Antes de dormir

Raramente fico 100% satisfeita com meu cabelo no “day after” a ponto de usá-lo solto sem molhar pra ajeitar, mas se você é das que ostentam cachinhos definidos por vários dias, aproveita! O negócio é tentar potencializar isso.

Segundo especialistas, o segredo tá na hora do sono. O algodão das fronhas não faz bem pra os cabelos, roubando a umidade natural dos fios e até provocando quebra, devido ao atrito. Por isso, eles aconselham envolver os cachos em uma touquinha de cetim ou seda antes de dormir. Algumas amigas fazem isso e adoram.

Outra dica mais simples é fazer um coque abacaxi, que deixa os cachos pra cima e reduz a fricção com o travesseiro. Nesse caso, tem que amarrar bem de leve, pra não marcar.

E os bad hair days?

Quase toda cacheada sabe que tem dias em que não rola tempo ou paciência de arrumar a juba, ou em que ela simplesmente se rebela e não fica do jeito que queremos. Aí entram em cena os elásticos (prefiro aqueles tipo fio de telefone, que quebram menos os fios), grampos (tenho sempre um monte, porque eles tendem a desaparecer) e lenços.

Sou preguiçosa e faço o mesmo rabo de cavalo alto ou coque abacaxi quase sempre, amarrando às vezes um lencinho ou bandana (que é, aliás, uma ótima saída pra quem fica com fiozinhos arrepiados).

Mas existem muitas opções de penteados com o cabelo preso. É só jogar no Google, testar e aprender a amar seu cabelinho em todas as suas versões. :)

como cuidar dos cachos em viagens

E se nada der muito certo?

Pode ser que mesmo fazendo tudo isso, seu cabelo não fique nos seus melhores dias durante a viagem, ou parte dela.

Especialmente em destinos com clima muito diferente do nosso, ou com água diferente (a da Europa, por exemplo, costuma ser bem calcária), é difícil prever como os cachos vão se comportar. Mas sabe o que você pode fazer, qualquer que seja o destino? Não se deixar abalar.

Não é um cabelo meio “quén” que vai estragar sua viagem, né? Se ele tá mais ou menos e não rola de tentar resolver, vida (ou viagem) que segue. Não deixe isso lhe estressar e foque em curtir o lugar!

cabelo preso com lenço

E você, tem outras dicas pra cuidar dos cachos em viagens? Conta aí nos comentários!

 

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2 Comentários

  1. Mariane

    Amiga vou para a nova Zelândia visitar meu filho em junho e só retorno em julho tem alguma dica?

    • Oi, Mariane! Que tipo de dica? Em relação aos cuidados com os cachos? Se for o caso, como é um período curto sugiro levar os produtos que você costuma usar no Brasil mesmo :)

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