Chile

Santiago: Museu da Memória e dos Direitos Humanos

Chile | 22/09/15 | Atualizado em 31/07/18 | 2 comentários

Os ataques às Torres Gêmeas em 2001 ficaram marcados na memória de boa parte do mundo. Mas e aquele outro 11 de setembro, lá em 1973? Longe de ser uma terça-feira comum, esse foi um dia fatídico no Chile, em que as vidas de milhares de pessoas mudaram radicalmente. O golpe militar que deu início à ditadura encabeçada por Augusto Pinochet marcou o começo de uma época de repressão, exílio, medo, tortura, execuções, censura e muitas outras violações de direitos – infelizmente, não muito distintas das que ocorreram em diversos outros países, incluindo o nosso.

Pra dar visibilidade a essas violações, estimular a reflexão e o debate sobre o assunto e tentar contribuir pra que esses fatos não se repitam, foi criado em Santiago, em janeiro de 2010, o Museo de la Memoria y los Derechos Humanos (ou, em bom português, Museu da Memória e dos Direitos Humanos).

Através de documentos, materiais multimídia, fotografias, cartas e outros recursos, o museu nos leva num passeio – incômodo e essencial – por boa parte dessa história.

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Na entrada, um mapa mundi mostra como o que aconteceu no Chile teve suas semelhanças com regimes ditatoriais, guerras civis e outros fatos terríveis da história de outros países. Depois, dá pra ir percorrendo o espaço em ordem cronológica: começa com vídeos e áudios que mostram o momento do golpe, incluindo uma grande projeção de um interessante vídeo que registra o bombardeio do palácio de La Moneda.

Dá pra ouvir também o discurso de Allende na rádio antes de morrer, além de depoimentos de várias pessoas envolvidas. Aqui e ali, você encontra ainda alguns artefatos da época, como uma torre de vigilância encontrada em uma antiga unidade da CNI (Centro Nacional de Informações), que aparece na foto abaixo.

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Ainda no térreo, há registros de ações terríveis como o uso do Estadio Nacional como lugar de detenção e tortura e de ações positivas, como as demonstrações de solidariedade internacional. Também tem vários depoimentos de pessoas que foram torturadas durante o regime e cartas e desenhos de crianças que sofreram as consequências da ditadura – difícil não se emocionar ao testemunhar essa pequena amostra da dor de los niños. 

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No segundo andar, uma salinha chama atenção: toda transparente, ela é rodeada por um painel de fotografias de pessoas que seguem desaparecidas, acompanhadas por velas artificiais que compõem tipo um oratório. As velas falsas fazem referência às verdadeiras que eram usadas durante protestos e ao redor de centros de detenção e tortura. No meio do espaço, uma tela touch screen permite buscar informações sobre cada uma das vítimas. São rostos de pessoas que foram retiradas de suas famílias e de suas vidas. Mais uma vez, difícil não se emocionar.

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E por aí vai: os corredores do museu são cheios de informações sobre ações como detenção de mulheres grávidas, operações de desinformação, desaparecimentos forçados, proibição de entrar no país e censura. Espalhados pelo espaço, você vê representações de algumas das centenas ou milhares de pessoas que foram mortas e jogadas ao mar durante o regime (assim como na Argentina), acompanhadas de breves descrições sobre quem eram: nome, profissão, idade. Informações burocráticas que nos deixam imaginando qual era a personalidade de cada um ou o quanto sofreram ao serem mortos de forma tão cruel, ou ainda o que suas famílias sentiram ao perdê-los.

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No fim do percurso, você encontra cartazes e propagandas do plebiscito realizado em 1988 pra decidir se Pinochet seguiria ou não no poder – ganhou o NO, com 55,99% dos votos válidos, levando ao começo do período de transição pra democracia. A campanha do NO, marcada por um jingle grudento que dizia “La alegría ya viene“, ficou pra história – e originou um filme com Gael García Bernal que vale a pena assistir :)

Essa é, na minha opinião, uma visita essencial pra quem se interessa por direitos humanos e história, pra quem quer entender um pouco mais sobre as crueldades desse mundo e pra quem quer conhecer melhor a sociedade chilena, que ainda guarda muitas marcas desse período. É bom ir com tempo, já que o museu tem muita informação e vários vídeos que vale a pena assistir.

Serviço

Chegar no Museu da Memória e dos Direitos Humanos é fácil: basta descer na estação de metrô Quinta Normal (linha 5) e o museu fica bem em frente, na Avenida Matucana, 501. A entrada é gratuita! Pra conferir informações mais atualizadas e verificar os horários de funcionamento, clique aqui.

O Janelas Abertas não se responsabiliza por eventuais alterações em tarifas, horários e outras condições. Confirme as informações antes de ir. :)

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2 Comentários

  1. rodolfo nícolas

    lugar mais marcante de minha visita a santiago. por vários momentos me pegava assustado e com calafrios.

    • Luísa Ferreira

      É pesado mesmo :( Mas também é excelente a existência desse lugar, né? Também precisamos conhecer/nos lembrar mais da nossa história…

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