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Mil dias nas Américas

Viajantes | 17/09/12 | Atualizado em 20/06/16 | Deixe um comentário

Foi a paixão por viagens que despertou o interesse do economista Rodrigo Junqueira, 42 anos, pela publicitária Ana Biselli, 30. “Ao ouvir Ana contar sobre sua viagem pra Indonésia pra uma amiga, Rodrigo quis conversar com aquela moça falante”, contam. Ele economista, ela publicitária, mas antes de tudo aventureiros: mergulhadores e alpinistas, praticam natação, ciclismo e corrida. Juntos, partiram de Curitiba em março de 2010 na expedição 1000 dias por toda a América. Como não podia deixar de ser, criaram um site pra compartilhar histórias e fotos da viagem, em que percorrem as Américas em uma caminhonete modificada.

Eles, que ainda estão na estrada, fazem questão de ressaltar que não é preciso ser super-homem ou super-mulher pra realizar uma viagem como essa. “No entanto, é preciso ter disposição pra vivenciar situações adversas e ficar longe da família, além de um grande poder de adaptação, pois estamos lidando o tempo todo com culturas, comidas e estruturas diferentes”, pondera Ana. 

A caminhonete Fiona enfrenta o granizo no Parque Cotopaxi, no Equador

 

Muitos se perguntam: e como bancar tudo isso? “Com nossas próprias economias. Gastamos em torno de R$ 5 mil por mês. Em vez de comprarmos um apartamento, resolvemos investir nessa viagem”, explica Ana. Quem duvida de que foi um bom investimento?
O casal viveu tanta coisa que não consegue eleger qual foi a mais incrível. “Nos encantamos com a revoada dos guarás em Trinidad, o mergulho em Noronha, a convivência com a comunidade na Ilha de Lençóis, no Maranhão, e o encontro com Tom, um inglês que viveu por dois anos na Antártida, nas Ilhas Virgens”, enumeram. 
Confira a entrevista que fiz com Ana:

Como surgiu a ideia da viagem?

Tudo começou por uma simples viagem de férias, com duração de 30 dias pelo litoral brasileiro de carro. Mas era pouco, 30 dias não seriam suficientes. “Precisamos de pelo menos 3 meses”, disse o Rodrigo. Aos poucos, o sonho começou a crescer e vimos que seria possível ampliar a viagem. Demorou quase um ano e meio para que ficasse definido que faríamos todo o continente.

 

Ana com crianças de San Marcos la Laguna, na Guatemala

Foi difícil convencer amigos e família de que largar tudo e ir pra estrada era uma boa ideia?

No começo todos estranharam, pois nós tínhamos bons trabalhos, vidas bem estabilizadas e havíamos casado fazia pouco tempo. O rumo normal seria unir as economias, comprar um apartamento, ter filhos, etc. Acredito que do meu lado foi mais fácil, todos apoiaram, a não ser o chefe que me fez uma proposta pra continuar na empresa. Meus pais e amigos já me conheciam e sabiam que esse era um sonho antigo. Rodrigo, por ser um pouco mais velho, enfrentou um pouco mais de resistência de seus pais, que achavam que já seria
hora dele fixar raízes e pensar no futuro, afinal já não era a primeira vez que ele partia pra uma longa viagem.
Qual foi o lugar que mais os encantou?

Essa pergunta é difícil, ela poderia ter inúmeras respostas e todas seriam corretas. Já que temos que escolher uma, o Sertão nordestino seria sem dúvida um destes lugares. Uma riqueza de vida e histórias, paisagens fantásticas nunca imaginadas por grande parte dos brasileiros que se contentam em achar que lá só há pobreza e caatinga seca. Lugares como Lage do Pai Mateus (Paraíba), a Serra da Capivara (Piauí), Parque Nacional do Catimbau (Pernambuco), entre outros. Foi mesmo uma surpresa!

Quais foram os maiores desafios que vocês enfrentaram?

Cruzar 200km em trechos sem estradas entre o extremo sul do Maranhão e o 
Jalapão em dois dias, chegar ao cume de um vulcão de 5820m no Perú, mergulhar a 60m de profundidade em Noronha. Os desafios surgem a cada dia e essa é uma das maiores motivações da nossa viagem.

Parque Nacional Cajas, na região de Cuenca, no Equador

O que mudou nas suas vidas desde o início da viagem? 

Aprendemos a dar valor a cada dia, respeitar e admirar cada vez mais a 
cultura e a história de cada povo e cada pessoa que encontramos no caminho. Treinamos o desapego e o jogo de cintura para enfrentar situações inesperadas e adversas, tudo que é tão diferente passa a ser parte do seu dia a dia.

Castillo San Felipe, em Cartagena, na Colômbia

O que tem de melhor e de pior em viver na estrada?

O melhor é vivermos intensamente todos os dias, sempre em lugares bonitos e diferentes. O pior é a rotina cansativa de fazer e desfazer malas, carregar e descarregar o carro.

Vocês dormem no carro?

Até podemos dormir em situações especiais, mas como regra, dormirmos em pousadas e hostals. Adoramos um chuveiro quente e lençóis limpos.

Iguana em Tortuga Bay, na Ilha de Santa Cruz, em Galápagos

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Contei um pouco da história de Rodrigo e Ana pela primeira vez no caderno de Turismo do Jornal do Commercio, em setembro de 2011. Todas as fotos que ilustram o post são creditadas ao projeto 1000 dias nas Américas, de autoria de Ana Biselli e Rodrigo Junqueira. 

 

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