O que fazer em Estocolmo: roteiro pelas principais atrações
Estocolmo não estava no topo da minha lista de lugares a visitar, mas quase todas minhas viagens acontecem meio por obra do destino, e esse foi o caso mais uma vez. Eu estava morando em Budapeste, uma amiga estava passando o verão lá com a família, a passagem estava barata… E acabei percebendo que a capital sueca é bem mais interessante do que eu imaginava.
Neste artigo, reuni minhas principais dicas do que fazer em Estocolmo, passando pelo centro histórico, bairros como Södermalm e atrações como o Skansen e o Museu do Vasa (uma grata surpresa).
A cidade fica localizada em cima de 14 ilhas, o que dá a ela uma característica que me ganha muito fácil: tem água pra todo lado. Estocolmo também é conhecida por ser limpa, segura, organizada e bem-preservada. Mas tudo isso por si só poderia resultar num lugar um pouco chato, “certinho” demais. No entanto, eu senti que a cidade tem uma personalidade interessante.
Além disso, é bem fácil viajar por lá. Apesar da língua diferente, incluindo essas bolinhås em cimå dås letrås que eu acho um charme, todo mundo fala inglês. E todos os suecos com quem falei foram muito solícitos e simpáticos.
O lado negativo é que a cidade é bastante cara, como você deve imaginar. Consegui viajar por lá em um orçamento mais enxuto, mas para isso eu me hospedei em hostel, caminhei muito e aproveitei os menus executivos de almoço, que estão disponíveis em muitos restaurantes na área mais comercial do centro, perto da estação de trem. Se quiser ficar mais tempo e reduzir bem mais seus custos, considere fazer um voluntariado trocando trabalho por hospedagem pela Worldpackers.
Pra quem tá de passagem, a geografia da cidade é bem simples. Como turista, você provavelmente vai circular basicamente pela área comercial (Norrmalm e arredores), pela ilha Djurgården, cheia de museus, pela cidade antiga (Gamla Stan) e por Södermalm, o bairro mais trendy e cenário das histórias de Stieg Larsson, conhecido pela trilogia policial Millennium. No mapa abaixo você pode ter uma noção dessas regiões.

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O que fazer em Estocolmo: o Centro e a torre da prefeitura
É bem provável que você passe pelo centro comercial de Estocolmo. Além de abrigar a estação de trem central (Stockholm Centralstation), é por ali que param muitos dos ônibus de/para os aeroportos. E ali pertinho fica também a Sergels Torg, uma praça que costuma receber manifestações e serve de ponto de encontro pra muita gente, inclusive pra os free walking tours que eu fiz assim que cheguei.
Quando fui, fiz dois passeios com a Free Tour Stockholm, que funciona naquele esquema de tour “grátis” que já expliquei aqui: o City Tour pela região central e o Old Town Tour, por Gamla Stan. Foi uma ótima forma de me situar na cidade antes de voltar para explorar os bairros sem pressa.
Nessa parte central, vale conferir a Drottninggatan, uma rua só pra pedestres cheia de lojas, cafeterias e restaurantes. Essa rua vai dar na Sergels Torg e nas perpendiculares a ela tem também vários restaurantes e padarias legais.
Também por ali entre Norrmalm e Östermalm você pode dar um pulo na Biblioteca Nacional (National Library of Sweden), que tem um gramado simpático pra tirar um cochilo; no mercado Hötorget, que não amei, mas achei que vale uma passadinha; e no Kungsträdgarden, um jardim bem simpático e movimentado que fica por trás da bonita Opera House.
Na ilha ao lado, a uma caminhada curta desde a Central Station, você encontra a prefeitura (City Hall, ou Stadshuset). O prédio pode ser visto desde Gamla Stan e oferece uma vista panorâmica do centro da cidade a partir do topo da sua torre, que fica aberta pra visitação durante o verão.

A torre tem 106 metros de altura e pra chegar ao topo é preciso subir cerca de 365 degraus, além de alguns corredores inclinados. Existe um elevador que leva até aproximadamente a metade do percurso.
No meio do caminho fica o Museu da Torre, que existe desde a inauguração da Prefeitura, em 1923, e reúne desenhos e modelos de esculturas e elementos decorativos encontrados no interior e no exterior do prédio.
A visita à torre dura aproximadamente 40 minutos e os ingressos são limitados: são só 27 vagas por horário. Eu subi e adorei; se você curte ver os destinos desde o alto, recomendo!
O prédio em si também pode ser visitado, em tours guiados em sueco ou inglês com duração de 45 minutos, mas esse não consegui fazer.

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O que fazer em Södermalm, o bairro descolado
Se você for fã dos livros de Stieg Larsson, autor da trilogia Millennium, já deve ter ouvido falar em Södermalm. Esse é o bairro mais trendy de Estocolmo, onde vivem os personagens dos livros e filmes. Pra quem quiser percorrer os lugares mencionados nas histórias, uma opção é fazer um dos tours dedicados à trilogia.
Mas mesmo que você não faça ideia de quem é Lisbeth Salander, um passeio por Södermalm é altamente recomendado, porque esse distrito é lar de cinemas de arte, brechós, cafés descolados e bares interessantes, entre outros pequenos tesouros que podem ser descobertos em uma caminhada descompromissada.
Aliás, brechós e coisas vintage em geral são muito comuns na capital sueca. Perdi a conta do número de lojas dedicadas a vender roupas e objetos de decoração de segunda mão, além de lojinhas de designers independentes e outras tentações. Minha amiga comprou roupas baratas e bem legais na Stockholms Stadsmission, que tem algumas unidades pela cidade, incluindo uma grandona na rua Hornsgatan.


Ainda na Hornsgatan, uma dica é ir no Mellqvist Kaffebar, a cafeteria preferida de Larsson e de alguns dos seus personagens. Quando fui, o café era pequeno e simples, mas bem popular entre os locais (e não só entre turistas e fãs do autor) e tinha comidinhas e cafés gostosos.
Se você conseguir um lugar pra sentar na frente, aproveite pra observar o povo em volta, um dos meus passatempos preferidos. E não estranhe se alguém pedir pra sentar na sua mesa – é muito comum fazer isso por lá, e foi assim que conhecemos um escritor local muito gente boa.


Outra parada legal é na Medborgarplatsen, uma das maiores praças da cidade, onde costumam acontecer eventos. Tinha uma ótima banda tocando blues quando chegamos. De lá, pegamos o metrô pra voltar ao centro.
Pelo que pesquisei, a maioria dos lugares trendy de Södermalm fica em SoFo (a área ao sul da rua Folkungagatan) e na rua Götgatan. Mas você também pode simplesmente caminhar sem rumo, é claro! No caminho, aproveite pra reparar nos latte papas, como são chamados os pais que tiram licença paternidade e passam o dia passeando com carrinhos de bebê. Achei muito legal.
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O que fazer em Gamla Stan, a Cidade Antiga
Gamla Stan significa Cidade Antiga. A cidade foi fundada ali, ainda na Idade Média, mas a maioria dos prédios atuais foi construída nos séculos 16 e 17. Suas ruas estreitas e sinuosas, com calçadas com paralelepípedos e cercadas por edifícios de diferentes cores, tornam Gamla Stan um dos principais cartões postais da cidade (você certamente já viu os prédios abaixo) e uma das regiões mais gostosas de explorar.

O centro da Cidade Antiga é a praça Stortorget e as atrações principais estão todas a poucos minutos de distância. Entre um ponto e outro, você passa por cafés e restaurantes fofinhos, lojas turísticas e galerias.
No free walking tour que fiz por essa região descobri que na Stortorget aconteceu em 1520 um massacre chamado “banho de sangue de Estocolmo”. O episódio foi depois da invasão da Suécia pelos dinamarqueses, quando vários nobres foram mortos a mando do rei Cristiano II da Dinamarca. Depois disso, houve uma guerra civil que acabou levando à separação da Suécia e Dinamarca.

Por ali, você encontra também o Palácio Real (Kungliga Slottet), um prédio grandão (são 600 quartos!) que pode ser visitado por dentro. Outras atrações são a bonita Catedral de Estocolm (Storkyrkan) e o Museu do Prêmio Nobel (Nobel Prize Museum). Não consegui entrar no museu, mas deve ser interessante conhecer mais sobre a história desse prêmio, que é entregue anualmente na capital da Suécia (com exceção do da paz, que tem sua cerimônia em Oslo, na Noruega), e do seu criador, Alfred Nobel.
Já em Helgeandsholmen, uma pequena ilha junto de Stadsholmen, fica o Parlamento Sueco (Riksdag), que também pode ser visitado em tours guiados.
Segundo o guia do tour, entre a metade do século 19 e a metade do século 20, muitos dos prédios históricos dessa região estavam abandonados, até que o lugar virou uma atração turística, por volta de 1980.
Skansen: um museu a céu aberto em Estocolmo
Uma das melhores coisas para fazer em Estocolmo em um dia de bom clima é visitar o Skansen, um museu ao ar livre que fica na ilha Djurgården. Essa ilha também abriga museus como o do Vasa, um famoso navio que afundou logo após sua construção (falo sobre ele mais adiante) e o Museu Nórdico, entre outros.
Esse foi o primeiro museu a céu aberto do mundo, fundado em 1891, e serviu de inspiração pra vários outros parecidos na Suécia e em outros países. A ideia era recriar a cultura tradicional rural da Suécia, com o objetivo de manter as tradições que foram modificadas pela industrialização.
Pra fazer isso, o criador do espaço literalmente transportou pedaços desses ambientes rurais pra capital. São 150 construções que foram desmontadas de várias regiões do país e depois montadas novamente, peça por peça.


O espaço é bem bonito, arborizado e bem cuidado. Dá pra passar horas perambulando pelo imenso terreno, explorando jardins simpáticos, casas totalmente mobiliadas, partes de fazendas, escolas e lojas típicas de várias regiões do interior da Suécia do século XVI à metade do XX.
E o mais incrível é que ele é muito interativo. Dá pra entrar nas casas, comprar comida na padaria e até conversar com “habitantes” desse mundo de antigamente, que ficam por lá vestidos com roupas típicas e exercendo atividades manuais tradicionais com couro, tecido, vidro etc. Na escolinha, por exemplo, eu conversei com um homem vestido de professor, que explicou como eram as escolas suecas no século XIX.


O Skansen inclui também um zoológico dedicado principalmente a animais da Escandinávia, como bisão, ursos, alces, linces, raposas, lobos e renas. Tem também cavalos, bodes, gansos, patos e outras tantas espécies selvagens.

Obviamente, já que boa parte do museu fica ao ar livre, a experiência varia bastante de acordo com a época do ano. O Skansen funciona durante o ano inteiro, com horários diferentes conforme a estação. No fim do ano, também acontece por lá um tradicional mercado de Natal.
Reserve umas três ou quatro horas (ou mais se estiver com crianças) pra curtir esse tour pelo passado.
Museu do Vasa: de fracasso a atração turística
Fiquei impressionada ao saber que o Museu do Vasa (Vasamuseet) é uma das principais atrações de Estocolmo. Isso porque o museu é dedicado a contar a história do Vasa, um navio de guerra sueco construído com muito alarde no século XVII, que foi na verdade um grande fracasso: ele afundou logo depois de deixar o porto pela primeira vez.
Encontrado submerso mais de 300 anos depois, o navio foi içado, levado para a ilha dos museus Djurgården e submetido a um longo processo de conservação. Lá você pode ver o impressionante navio ao vivo, mas a melhor parte para mim foi ver como a Suécia transformou uma grande vergonha nacional em uma interessante atração.

O Vasa foi ideia do rei Gustavo Adolfo, que queria construir o navio de guerra mais potente da época. Ele é realmente enorme, com capacidade pra uma tripulação de 400 pessoas, e chama atenção pelo esmero com que foi decorado com esculturas entalhadas em madeira. A maior parte da população local estava envolvida na construção, direta ou indiretamente, e por um bom tempo a vida em Estocolmo girava em torno do Vasa.
Só que talvez o mesmo cuidado ao embelezar o navio tenha faltado na hora de projetá-lo, já que em 10 de agosto de 1628 ele navegou por uns poucos minutos e um vento forte o fez inclinar e naufragar na frente da população quase toda da cidade.
Eu comecei minha visita ao Museu do Vasa pela sala em que é exibido um vídeo de 17 minutos contando a história, logo no começo do andar térreo. Depois, fui explorar as exposições que se espalham nos vários andares, abordando temas como as guerras navais da época, a recuperação do navio, navegação no século XVII, as pessoas que estavam a bordo e as extravagantes esculturas que adornavam o casco.
Subindo os andares, dá pra ter uma boa visão do navio sob vários ângulos, mas não é permitido tocá-lo ou entrar nele.

Minha viagem a Estocolmo já faz alguns anos, mas a cidade continua entre as boas surpresas que encontrei nas minhas andanças. Adorei a mistura de prédios históricos, água por todo lado, bairros gostosos de explorar a pé e museus muito bem pensados. Espero voltar um dia!











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