Aprendizado e trabalho

Curso de Escrita Criativa: dois dias de inspiração na Escola de Escrita

Aprendizado e trabalho | 20/12/17 | Atualizado em 01/05/18 | Deixe um comentário

“Quando é verdadeira, quando nasce da necessidade de dizer, a voz humana não encontra quem a detenha. Se lhe negam a boca, ela fala pelas mãos, ou pelos olhos, ou pelos poros, ou por onde for. Porque todos, todos, temos algo a dizer aos outros, alguma coisa, alguma palavra que merece ser celebrada ou perdoada”, disse Galeano.

Essa necessidade de falar, acompanhada da vontade de falar da melhor forma possível, foi a motivação pra que os alunos do curso Escrita Criativa: Primeiros Passos passassem, no início de dezembro, um (raro) final de semana de sol em Curitiba nos sofás e cadeiras da Esc. Escola de Escrita.

Eu fui parar lá, vinda do distante (e ensolarado) Recife, como um claro pretexto pra conhecer Curitiba (e Floripa, já que tá ali pertinho, né?). E motivada, claro, a repetir o empurrãozinho que tinha sentido depois de fazer um workshop com a professora do curso, Julie Fank, no seminário da Associação Brasileira de Blogs de Viagem.

“Valeu a pena?”, me perguntou a querida profe no final do curso, sabendo que eu tinha percorrido tantos quilômetros pra estar ali. Vou logo dar spoiler da minha resposta e dizer que, sim, valeu. E como uns seguidores lá no Instagram do blog viram minhas publicações nos stories e perguntaram se ia ter post sobre o curso, aqui estou pra contar minha experiência nessas 16 horas de aula (bem que eu queria que fossem 61 <3).

Escrita Criativa e a Esc.

Como lembra Julie, nos 11 anos que passamos na escola a matéria que mais estudamos é português, mas ninguém termina a escola “pronto”. Caso você pretenda escrever – seja por trabalho, hobby ou obsessão – é sempre preciso continuar estudando e se aprimorando. Ainda assim, essa história de escrita criativa demorou pra pegar aqui no Brasil.

Nos Estados Unidos, creative writing já é moda há séculos – literalmente. Já pelos idos de 1800 e bolinha, escritores se reuniam pra debater literatura, e não demorou pra que diversos cursos com esse foco se espalhassem pelas universidades de lá, e depois por vários cantos do mundo. Universidades como a de Iowa, nos EUA, e a de East Anglia, na Inglaterra, são exemplos de expoentes na área, tendo formado vários escritores consagrados.

Aqui em terra brasilis, no entanto, oficinas e cursos de escrita criativa começaram a se popularizar há poucas décadas, e o primeiro programa de mestrado e doutorado com esse enfoque ainda é uma criança: foi criado na PUCRS em 2011. Doutoranda de lá, Julie é fundadora da Esc. Escola de Escrita, além de escritora, artista visual e muito desenrolada nesse métier de fazer todo tipo de gente perder o medo do bicho-gramática, abrir os olhos pra novas possibilidades estilísticas e ganhar ou retomar o gosto pela escrita.

A escola tem sede em Curitiba, mas às vezes “Esc.apa” pra Cascavel (PR), Belo Horizonte (MG) e Brasília (DF). Além de vários eventos, eles oferecem cursos como Oficina de Crônica, de Romance e de Criação poética, Jornalismo de moda, Literatura e Redação pra vestibular, Revisão e edição de texto, Como escrever textos acadêmicos, Como escrever cartas de amor e Comunicação institucional.

sala do curso de escrita criativa

Primeiros passos

Escrita Criativa: Primeiros Passos é um curso introdutório e intensivo, considerado pré-requisito pra outros programas de longa duração lá da Esc. É como abrir uma janela (com o perdão do trocadilho bloguístico) pra pensar sobre o texto literário, quando você não tem esse costume ou o deixou esquecido numa gaveta.

“A ideia é, durante o curso, falar sobre pilares (repertório, técnica e marca autoral) e aspectos constitutivos de qualquer peça artística (forma, conteúdo) costurando com a linguagem literária e todas as outras linguagens das quais a escrita se alimenta”, define a programação. Na prática, é um lembrete pra olhar tudo como leitor, desde uma propaganda a um filme. O que, em última instância, ajuda a construir uma marca autoral própria.

Éramos uns 12 alunos em sala, numa mistureba boa de perfis, idades e áreas de atuação. Além de mim e mais umas três pessoas de Comunicação e uma de Letras, a turma era bem variada, com profissionais de exatas e saúde. Tinha gente que queria resgatar o prazer de ler e escrever, perdido com a vida acadêmica e laboral, e gente que sempre teve a escrita como tabu. Outros viviam experiências marcantes no dia a dia de trabalho e gostariam de se sentir mais capazes pra compartilhar isso com o mundo. E uma menina de 17 anos, ainda no colégio, queria ter uma ideia melhor do caminho a seguir.

Mesmo com objetivos tão diversos, o curso pareceu funcionar pra todo mundo. É que ele não é necessariamente pra quem quer ter algo publicado, e sim pra rever nossa relação com a escrita. Me pareceu, assim, uma experiência interessante pra quem quer testar algo diferente, dar uma cutucada na criatividade ou mesmo pensar em mudar de área – não necessariamente como ficcionista.

É, em outras palavras, um primeiro passo pra quem quer contar histórias de um jeito mais interessante e (re)despertar a sensibilidade pra riqueza das palavras e seus sons. Ou, ainda, um abrir de olhos pra possibilidades estilísticas e pra o prazer de ser um leitor mais atento e um escritor mais consciente e assíduo.

Durante os dois dias de aula, numa casa aconchegante num bairro que é quase um abraço, lemos crônicas e descobrimos alguns livros de artista, trocamos referências, fizemos exercícios individuais e em grupo e descobrimos que conseguimos (pasmem!) espremer uns textos até razoáveis (e alguns excelentes) em pouquíssimo tempo.

Claro que não existe fórmula mágica pra ensinar alguém a escrever bem em dois dias (ou dois meses que fossem). Esse é, afinal, um processo que exige muito consumo de referências, prática, feedbacks e autoanálise. Mas enquanto aproximação ao tema e botão de destravamento textual, achei o curso uma delícia. Preciso dizer de novo que valeu a pena?

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