Rio de Janeiro

Conhecendo o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro

Rio de Janeiro | 12/02/16 | Atualizado em 29/04/19 | 2 comentários

“Amanhã é hoje. E hoje é o lugar da ação.”

A frase que estampa as sacolinhas da loja de presentes do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, resume bem o espírito do lugar. E eu, ignorando os princípios das fábulas da nossa infância, vou começar esse texto pela moral da história. É que a proposta do museu, inaugurado em dezembro de 2015, é provocar os visitantes pra construirmos um amanhã melhor que esse que se desenha no momento.

Na visita, você se dá conta de que nos próximos 50 anos o planeta vai passar por mais mudanças do que nos últimos milhares de anos. Então me diz: como não se impactar? Em entrevista ao Estadão, o doutor em cosmologia e curador do espaço Luiz Alberto Oliveira esclarece que o nome escolhido não foi Museu do Futuro porque o amanhã não é algo longínquo, e sim algo que nos diz respeito. Urgentemente.

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Ponto positivo pra o Museu do Amanhã pela abordagem e também porque ele segue essa onda de equipamentos culturais como o Cais do Sertão e o Museu da Língua Portuguesa (RIP) de apresentar os conteúdos de forma sensorial e interativa. Através de instalações audiovisuais e artísticas, além de jogos e informações em touch screen, o espaço apresenta diversos dados sobre nosso passado, presente e futuro.

E pra mim tá aí outro ponto positivo: a visita, que pode ser feita em cerca de três horas (ou muito mais, se você parar pra ler tudo e interagir com tudo), segue uma narrativa linear, falando de onde viemos, quem somos, onde estamos, pra onde vamos e como queremos ir.

O museu tem parceria com instituições como o Inpe, a Unesco e o MIT e as experiências foram desenvolvidas por dezenas de consultores entre cientistas, artistas, jornalistas etc. O resultado, pra mim, foi um espaço que entretém os visitantes (vi muito mais gente lendo e interagindo com as coisas do que só passeando e tirando selfie) e provoca um impacto, suponho, praticamente inevitável. Mas como é, na prática, a visita? Continua lendo que eu te mostro!

Visita ao Museu do Amanhã

A exposição permanente

A exposição principal, no primeiro andar, é dividida em cinco áreas: Cosmos, Terra, Antropoceno, Amanhãs e Nós. Pra acessar a primeira delas, o Cosmos, é preciso ficar em uma fila, porque ela comporta até 80 pessoas por vez. São oito minutos de projeção num domo de 360 graus, em que um texto poético e imagens ilustrativas nos lembram que somos feitos da mesma matéria que as estrelas.

Deixei essa parte por último porque tinha acabado de enfrentar uma filona na bilheteria e não tava no clima pra esperar, mas se você tiver disposição acho que vale a pena ver primeiro pra tornar a narrativa mais redondinha. Ah, e se puder ser um dos primeiros da fila melhor ainda, porque dá pra pegar lugar numa das almofadonas no chão :D

Depois de lá você vai pra parte da Terra, onde três grandes cubos representam a Matéria, a Vida e o Pensamento.

No primeiro cubo, o da Matéria, uma instalação artística lindona coloca tecidos furta-cor pra dançar seguindo o movimento do vento que vem de baixo, fazendo referência aos diferentes fluxos do planeta – desde o movimento das placas tectônicas ao das correntes marinhas. O conceito é simples, mas achei emocionante pensar em como tudo tá sempre se transformando nessa coisa quase mágica que é a natureza.

visita ao museu do amanhã

O seguinte, dedicado à Vida, é revestido pelas letras que correspondem às bases do DNA e abriga no seu interior várias imagens que vão se alternando e ilustram a variedade dos ecossistemas que formam nosso planeta.

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No terceiro cubo – meu preferido -, o foco é o Pensamento. Cheio de colunas “temáticas” (família, história, festividades, poder etc.), o espaço reúne fotos dos lugares mais diversos mundo afora, mostrando como somos tão iguais em nossas diferenças e como tudo o que sentimos e criamos dá sentido ao mundo atual.

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Depois, você chega à parte central da exposição, chamada de Antropoceno (a Era dos Humanos). Nesse espaço, o museu discute a condição atual do planeta: já não existe nenhuma região do mundo que não seja afetada direta ou indiretamente por nossas atividades.

Pra expressar um pouquinho do que isso significa, foram criados totens bem altos onde é exibido um vídeo em looping sobre os efeitos negativos da influência humana. Difícil não se sentir “cutucado” pelos dados e imagens que exemplificam como somos capazes de mudar o clima, destruir biomas e bagunçar ecossistemas inteiros.

Deitada nesse pufe aí do meio, acabei vendo o vídeo duas vezes seguidas e bateu aquele sentimento de “que merda tamos fazendo, hein”.

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Mas não, nem tudo está perdido. Pelo menos não se a gente agir. E é aí que vem a parte dos Amanhãs, onde você pode participar de games como o Jogo das Civilizações, baseado num modelo estudado pela NASA. No jogo, você decide como administrar recursos que podem fazer uma civilização sobreviver ou entrar em colapso.

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Esse pedaço do percurso também mostra algumas tendências que devem moldar o futuro nos próximos 50 anos, como expansão do conhecimento, escassez de recursos naturais, maior longevidade, mais gente morando em regiões de pobreza e a criação de seres naturais e artificiais ao mesmo tempo.

Por fim, já impactado por um monte de informações e estímulos, você chega à parte batizada de Nós, que é tipo uma oca de madeira. Diferentemente das áreas anteriores, essa não tem grandes paranauês tecnológicos.

O que senti, ao entrar nela e perceber que chegava ao final da exposição, foi como se estivesse aberto o espaço pra reflexão sobre nosso legado pra galera que ainda vai ocupar esse mundo. E o simbolismo se confirmou: no meio da estrutura, foi colocado um artefato usado por aborígenes australianos que representa a passagem dos saberes de uma geração pra outra.

O passeio das baratas

No meio disso tudo, algo mais me chamou atenção – um grupo de pessoas vestidas de baratas caminhando pra lá e pra cá. E tem como isso não chamar atenção? :P Fui fuçar e descobri que eram participantes do “Passeio das Baratas”, atração promovida pelo coletivo artístico dinamarquês Superflex.

Disponível aos sábados e domingos, duas vezes por dia, o passeio é gratuito e leva os visitantes pra percorrer o museu na perspectiva desses insetos, sendo guiados por dois atores. Afinal, as baratas tão por aqui há 300 milhões de anos e provavelmente continuarão por muito mais tempo do que a gente. “Amanhã pra quem?”, provocam os insetos, metaforicamente. Ficou interessado? Clique aqui pra saber como participar.

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A arquitetura e o entorno

O post já tá ficando é longo, né? Mas a atração não se limita ao que tá lá dentro. Com uma arquitetura peculiar, o museu logo foi apelidado por alguns cariocas de “O Baratão”. Ele até lembra um pouco uma barata – e tendo em vista o passeio que mencionei acima, o apelido até faz sentido :P -, mas na verdade foi inspirado em bromélias. Pra mim, ele lembra é um navio, também por causa da sua localização na região portuária.

Seja como for, achei bonito, ainda que o teto vazado seja inconveniente por deixar passar sol e chuva na área onde o pessoal forma fila quando tem muita gente. O projeto é de autoria do arquiteto catalão Santiago Calatrava, que assinou outras obras famosas pelo mundo como a Puente de La Mujer em Buenos Aires.

De acordo com o ArchDaily, a ideia do arquiteto era que o edifício fosse visto como uma construção etérea, quase flutuando sobre o mar, como um pássaro, uma planta ou um navio (bem que eu falei, olha aí. hehe).

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Ao redor do prédio você encontra pequenas áreas verdes (por enquanto o concreto predomina, mas quando as árvores crescerem deve ficar mais legal), espelhos d’água (que infelizmente eles galera tão tendo trabalho pra manter transparentes, sem lodo) e ciclovias.

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O museu é uma das principais âncoras de um projeto de revitalização da região portuária da cidade, o Porto Maravilha, e é resultado de uma parceria da prefeitura do Rio com a Fundação Roberto Marinho. O edifício foi inaugurado depois de uns cinco anos de obras e vários atrasos e gerou críticas de quem acha que a prefeitura investiu muita grana nesse novo espaço, enquanto outros patrimônios da cidade tão abandonados (algum leitor carioca opina sobre isso?). Eu não conhecia bem essa parte do Rio, mas sei que a transformação foi grande e curti o resultado.

Depois do Museu do Amanhã você ainda pode visitar o Museu de Arte do Rio (MAR), que fica na mesma praça e tem ingresso conjugado, e várias outras atrações do Centro, em um simpático roteiro a pé. Ou pode ficar só lagarteando por lá, olhando a vista linda e azul <3 Ou, ainda, tirar foto com o letreiro de Cidade Olímpica – pelo menos nos próximos meses. ;)

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A visitação

Atração recém-inaugurada + alta temporada + Rio de Janeiro: a combinação não deixava dúvidas de que eu ia enfrentar longas filas pra visitar o museu no último sábado de janeiro, né? Passei cerca de uma hora até chegar na bilheteria, esperando sob o sol que passa pelas frestas da estrutura. Mas valeu a pena! Lá dentro tinha bastante gente, mas nada absurdo, e deu pra ver tudo com relativa calma.

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Infelizmente, a espera não foi exclusividade minha; o próprio site do museu avisa que o encerramento das filas pode ocorrer até quatro horas antes do fechamento da bilheteria, que acontece às 19h, pra garantir que todos possam entrar a tempo. Se quiser chegar cedo, saiba que a fila abre às 11h45, quinze minutos antes do início da abertura do museu. Daqui a um tempo (e fora de temporadas altíssimas como as Olimpíadas) a entrada deve ficar mais tranquila.

Atualmente, o museu funciona de terça a domingo das 12h às 20h, com entrada gratuita nas terças. Por enquanto, os ingressos só são vendidos na bilheteria, pra entrada imediata, e custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Quem comprar o Bilhete Único dos Museus, que também dá acesso ao MAR, paga R$ 16 (inteira) e R$ 8 (meia). Pra saber quem tem direito a meia-entrada e gratuidade, acesse o site do museu.

Ah, e depois de visitar vale a pena dar uma olhada na lojinha, que tem os típicos preços salgados das lojas de museu, mas esconde uma ou outra coisa pagável, como um livrinho que eu comprei e em breve vai virar post. ;)

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O Museu do Amanhã fica na Praça Mauá, 1, no Centro. De metrô, a estação mais próxima é a Uruguaiana. Se for de ônibus, consulte algum app ou site como o Vá de Ônibus pra saber a melhor opção pra você. Pra mais informações, escreva pra contato@museudoamanha.org.br.

Quem aí já fez a visita ao Museu do Amanhã? Conta aí nos comentários o que achou!

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2 Comentários

  1. robert

    acho a idéia do museu maravilhosa, ele é lindo e revitalizou uma area que estava degradada, mas lamento que não haja o mesmo cuidado, com um patrimônio brasileiro que é a quinta da boa vista, residencia da familia Real no Brasil. e hj museu nacional, com um incrível acervo, incluindo a única múmia egípcia na américa latina.

    • Oi, Robert! Ainda não conheço a Quinta da Boa Vista, devo ir lá na semana que vem. :) Que pena que não é tão cuidado, vou reparar nisso quando for visitar. Um abraço!

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